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I. BÖLÜM

IV.2. EVLİYA ÇELEBİ’NİN SEYAHATNAMESİ’NDE HOPA

IV.2.2. HOPA’NIN BUGÜNKÜ DURUMU

Câmara e Salama (2005) fizeram uma distinção entre as crises financeiras que vigoraram na década de 80 em relação àquelas que marcaram os países que a sofreram na década de 90, tendo como referencial maior a América Latina. As primeiras foram decorrentes da interrupção dos fluxos de recursos do exterior, obrigando os países atingidos a financiarem-se com recursos próprios. As segundas tiveram como fundamento as restrições financeiras externas bastante fortes.

Quanto às primeiras crises, pode-se acrescentar o fato de que elas não apresentaram a característica dos anos 90, de fuga de capitais, uma vez que o financiamento estava, nessa época, fundamentalmente baseado em empréstimos. Nesse período, o processo de securitização da dívida estava começando a se desenvolver no contexto da segunda etapa da globalização financeira. O financiamento externo aos países em desenvolvimento era proporcionado na forma de capital de empréstimos.

Quando eclodiu a crise do México, em 1982, os países latino- americanos e muitos países asiáticos estavam endividados basicamente no mercado de eurodólares. Os credores internacionais se recusaram a continuar a financiar o serviço das dívidas dessas nações. O acesso ao mercado de capitais foi amplamente restringido. Contudo, esse processo não implicou a saída de capitais desses países, nem isso poderia ser dessa forma, uma vez que os instrumentos de dívida não eram securitizáveis ainda.

A alternativa dos países devedores foi aceitar as imposições do FMI, impelidos a adotar políticas macroeconômicas restritivas, tendo que cortar gastos governamentais e elevar as barreiras alfandegárias, além de promover drásticas desvalorizações de suas moedas domésticas, como meio de obter divisas necessárias ao pagamento de parte do serviço da dívida.

No caso da América Latina, duas conseqüências foram bastante significativas. Primeiro, verificou-se a transformação de um continente receptor de capital, nos anos 70, para o de exportador de capital na década seguinte. Enquanto isso, nos Estados Unidos acontecia um processo inverso, decorrente da política americana de forte valorização do dólar: a economia começou a apresentar uma trajetória de déficit em transações correntes, a partir do começo da década de 80, transformando-os em um país importador de capital. Segundo, a elevação dos juros americanos aumentou substancialmente a dívida dos países latino-americanos, razão pelas quais muitos governos adotaram a assunção da dívida. As desvalorizações cambiais, ao engendrar uma espiral inflacionária, fizeram encolher as receitas tributárias. Para obter as divisas necessárias para as remessas de recursos para o exterior, o governo acabou tendo de emitir títulos de dívida interna, muitas vezes atrelados à taxa de câmbio. A dívida externa engendrou a dívida interna.

As transformações que o capitalismo experimentou nesse interregno da segunda para a terceira fase da globalização financeira fizeram ampliar substancialmente a liquidez do sistema financeiro internacional. O crédito bancário agora passa a ter importância secundária, sobretudo nas economias latino-americanas, ficando circunscrito aos refinanciamentos das dívidas externas. Os investimentos diretos estrangeiros que tinham sido marginais na década de 80 passam a constituir-se em importantes fontes de financiamento dos países em desenvolvimento (CÂMARA; SALAMA, 2005).

Com a nova dinâmica da transformação das dívidas em títulos (securitização) concomitantemente com o processo de abertura de capitais nos países centrais e sua incorporação aos mercados emergentes, surge uma nova modalidade de financiamento proporcionada pelos investimentos de portfólio. Além disso, essencialmente os investidores institucionais passam a se encarregar da utilização desse novo instrumento para financiar as economias em desenvolvimento.

O acesso ao sistema financeiro internacional, que voltou a apresentar uma abundância de liquidez nos anos 90, implicou a abertura comercial e financeira sem precedentes para os mercados emergentes. Esse fato teve como contrapartida um déficit comercial brutal nos países em desenvolvimento, resultando na substituição dos excedentes que vigoraram nessas economias na década anterior.

Quando o México decretou a moratória em 1982, os banqueiros internacionais, que já possuíam uma elevada dívida com os países do terceiro mundo, trataram de deixar de financiar essas economias para não aumentar ainda mais esse montante. A idéia era a de reduzir sua exposição de ativos externos para com essas nações e reestruturar seus portfólios, estratégia que poderia ser implementada somente no longo prazo. Na América Latina, isso significou uma interrupção dos fluxos de recursos do exterior que levou praticamente toda a década de 80.

Na década de 90, não é apenas mais um pequeno grupo de grandes bancos internacionais os principais credores dos países em desenvolvimento. Passa a existir uma profusão de credores espalhados pelo mundo, entre os quais se destacam os investidores institucionais. Considerando que uma das características comuns das crises financeiras, na década de 90, tem sido a desvalorização das moedas domésticas, os investidores institucionais no momento de pânico costumam retirar rapidamente suas aplicações nos mercados emergentes para evitar perdas consideráreis e alocá-los em praças mais segura.

No momento em que passa o pânico, quando geralmente os países atingidos costumam imediatamente elevar a taxa de juros e, muitas vezes,

verificam-se um overshooting20 do câmbio, as rentabilidades das aplicações domésticas, em termos de dólar, são restituídas ou mesmo ampliadas, relativo ao que vigorava antes do choque. Nessas condições, os investidores institucionais voltam a aplicar nos mercados emergentes, o que normalmente leva alguns meses para ocorrer. Quando surgem novos distúrbios, essa dinâmica dos mercados emergentes acaba se repetindo.

Não se trata mais de ocorrer uma interrupção dos fluxos de capitais internacionais por um longo período, mas de uma sucessão de suspensão dos fluxos externos em curto espaço de tempo, obrigando esses países a recorrentemente elevarem a taxa de juros para continuarem financiando seus déficits em transações correntes, criando um contexto macroeconômico desfavorável para as economias dos mercados emergentes. Uma característica importante da atual globalização é a forte dependência financeira dos países em desenvolvimento.

Benzer Belgeler