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7. BULGULAR VE TARTIŞMA

7.2. Homojen Fenton Prosesine Etki Eden Faktörler

A política ambiental da União Européia foi surgindo pouco a pouco e hoje se afigura um ente provido de fortes instrumentos de proteção do meio ambiente, por conseguinte, de uma importante política de proteção das águas. A relação hidroambiental entre a União Européia e seus Estados-membros tem uma reciprocidade de extrema valia, conduzida pelo princípio da “subsidiariedade” hidroambiental. Isto é, o princípio pretende assegurar o respeito à “identidade nacional” mediante um critério de competência comunitário excludente, o que implica priorizar a ação da coletividade local quando da concretização dos valores e políticas comunitárias.

A contrario sensu, a comunidade européia, como sujeito ativo dessa

implementação, estende sua competência, quando intervém na política interna dos Países-membros, sob a justificativa de uma melhor realização, ou em virtude da incapacidade do Estado-membro de fazê-lo.

202 CARTOU, Louis et al., 2000, p. 185-186.

203 “A pedra de toque do direito comunitário é a primazia instaurada do direito comunitário sobre o nacional de

maneira direta, desvinculada, portanto, do mecanismo clássico de recepção. O direito comunitário existente na União Européia é incorporado de forma congênita aos direitos nacionais. Destarte, inexiste no Mercosul o verdadeiro direito comunitário; o que reina de forma absoluta é o direito internacional público, regional, integracionista, vinculado ao fenômeno da recepção” (MARTINS, Elena Maria Octaviano. Direito

comunitário: União Européia e Mercosul. Repertório IOB de Jurisprudência, n. 2/99, caderno 3, p. 39, 2ª quinz. jan. 1999).

O movimento contrário, isto é, a absorção mediante ato de transposição das diretivas, será abordado no tópico 3.1, em que trataremos do direito ambiental no âmbito nacional, notadamente na França.

Nesta sede, analisaremos o direito europeu ambiental de forma sucinta, ou seja, o que pretende a União Européia em matéria de meio ambiente, sob pena de intervenção, sempre, é claro, observados os requisitos (art. 5º, CE). Situa o universo em que deve ser recepcionado o valor econômico da água, isto é, prepara- lhe o pano de fundo, sob dois enfoques: evolução normativa (2.1.1.1) e evolução estrutural (2.1.1.2), que corroborará a concretização e a instrumentalização da normativa.

2.1.1.1 Abordagem evolutivo-normativa

O meio ambiente e seus elementos integrantes não foram elucidados expressamente no Tratado de Roma de 1957, por razões nítidas, hoje vislumbradas nas etapas do direito das integrações, isto é, sendo o objetivo a eqüidade comercial, a sua abordagem revela a realidade da época em que meio ambiente, economia e desenvolvimento eram antagônicos, logo a preocupação era que ele não constituísse causa de desigualdade concorrencial, num linguajar de mercado, o

dumping ecológico. Seu preâmbulo, entretanto, fazia alusão a “melhores condições

de vida”, o que, de certa forma, viria a influenciar mais tarde a política ambiental, calcada nos valores de qualidade.

É em 1972, com a Conferência de Estocolmo, que a temática ambiental chegou a lume das discussões, notadamente na reunião de Paris, de 19 a 20.10.1972, em que os chefes do Estado-membros se comprometeram com iniciativas ambientais, que fizeram emergir os programas de ação ambiental.

Os 1º204 e 2º205 Programas de Ação em Meio Ambiente, de 1973-1976 e 1977-1981, respectivamente, fizeram ecoar os princípios ambientais (Estocolmo/72), fazendo eclodir a primeira leva de atos ambientais legislativos, que tiveram por fim a

luta contra a poluição e a qualidade dos recursos naturais, daí as diretivas baseadas em objetivos de qualidade. O 3º206 Programa (1982-1986) introduziu uma abordagem preventiva e previu medidas de financiamento para colocar em prática os projetos. No 4º207 Programa de Ação Ambiental (1987-1992), a abordagem recaiu sobre a imposição de valores-limite de emissões, época em que foi modificado o Tratado de Roma, pelo Ato Único Europeu 1987 (definido pelos arts. 130-R, S e T do Tratado CE, que foi revisto pelo Tratado de Maastricht, depois pelo Tratado de Amsterdã, que o sintetizou nos arts. 174-176), que impõe a integração da política ambiental, como um componente essencial nas políticas setoriais da Comunidade. Até esses quatro programas, os diversos (em torno de 200) atos legislativos repousavam sob uma abordagem vertical e setorial.208

Foi na década de 90 que essa política se reforçou, com a Conferência Rio/92, donde advém a Agenda 21, com o Capítulo 18 reservado à água. O Tratado de Maastricht impõe o princípio do desenvolvimento sustentável como vetor da política ambiental, elevando assim o nível de proteção, em que se priorizam a correção na fonte, a aplicação dos princípios da prevenção e do poluidor-pagador.

O 5º Programa, de 15.12.1992,209 “por um desenvolvimento sustentável”, resultante da reunião do Conselho e dos representantes dos governos dos Estados-membros para o período de 1992 a 2000, realçou a aplicação do princípio da “subsidiariedade” em matéria de política ambiental, assim como uma ação horizontal, integrada e patrimonial, em prol das gerações futuras, o que ocasionou grande transformação na política econômica da Comunidade, enfatizada pelo Tratado de Amsterdã (1998).

205 Decisão adotada em 17.05.1977, JOCE C 139, de 13.06.1977. 206 Decisão adotada em 17.05.1997, JOCE C 046, de 17.02.1983. 207 Decisão adotada em 19.10.1987, JOCE C 328, de 07.12.1987.

208 ALCOLEA, Ivan Conesa; BOUSQUET, Mathieu. L’eau et l’Union Européen: un guide sur la politique, sa

mise en oeuvre et ses instuments. Plouzané: Ifremer, [199. ?]. p. 14 et seq.

209 Resolução do Conselho e de Representantes dos Estados-membros de 01.02.1993, JOCE, n. C 138, de

O 6º programa, de 24.01.2001,210 “Ambiente 2010: o nosso futuro, a nossa escolha”, previsto para o período de 2001 a 2010, tem por proposta ultrapassar a estratégia estritamente legislativa e promover uma abordagem instrumental e, para tanto, propõe cinco eixos prioritários:

[...] melhorar a aplicação da legislação em vigor, integrar o ambiente nas demais políticas, colaborar com o mercado, implicar os cidadãos e modificar o seu comportamento e ter em conta o ambiente nas decisões relativas ao ordenamento e à gestão do território.

Propõe para cada eixo ações específicas, sendo uma delas a gestão dos recursos naturais e dos resíduos, nesta inserida a política européia das águas.

Outras referências acerca dos programas serão feitas no capítulo seguinte, em que trataremos da poluição das águas.

2.1.1.2 Abordagem evolutivo-estrutural

Avançado no campo normativo, o direito europeu ambiental se identifica por meio de sua base normativa: a) material; b) institucional; e c) procedimental.

Material: diretamente, pelo Título XIX (ex-título XVI) do TCE, a fortiori,

os arts. 174-176 que tratam do meio ambiente. Eles estabelecem os objetivos seguintes: preservação, proteção e melhoria da qualidade ambiental; proteção da saúde das pessoas;211 utilização prudente e racional dos recursos naturais; e promoção, no plano internacional, de medidas destinadas a fazerem face aos problemas regionais ou mundiais do meio ambiente. Somam-se a eles diversas diretivas setoriais e cartas, a exemplo da Carta Européia Ambiental.

Os objetivos ditam as bases com que se pretende essa política, que adota, como critérios de implementação, os princípios comunitários ambientais, expressamente apontados no art. 174.2, quais sejam, os princípios da precaução e

210 6º programa de acção em matéria de ambiente. Ambiente 2010: o nosso futuro, a nossa escolha. Site da

União Européia.

211 Destaca-se que foi a proteção à saúde das pessoas o argumento que elevou o direito ao meio ambiente sadio

e equilibrado ao nível comunitário, no Tribunal de Defesa dos Direitos Humanos, assim como ao nível constitucional, na França. Conforme arrêt.

da ação preventiva, da correção, prioritariamente na fonte de degradação do meio ambiente e do poluidor-pagador.

Institucional: Agência Européia de Meio Ambiente (AEE),212 com sede em Copenhague,213 e a Rede Européia de Informação e Observação para o Meio Ambiente (European Information and Observation Network). A agência é dotada de personalidade jurídica e responsável pela coordenação das atividades da Rede e de cooperar com os Estados-membros e organismos internacionais, de forma a colocar em prática a política da informação.214

Procedimental: O art. 175 do TCE trouxe, em defesa do meio ambiente-

água, procedimentos e instrumentos, como a adoção de programas de ação geral, utilização de instrumentos fiscais, financiamento e execução de políticas em matéria de meio ambiente etc.

Destarte, como o direito comunitário ambiental promove a tutela das águas de forma indireta, daria ensejo, inclusive, à adoção do valor econômico da água e sua cobrança, além, é claro, da estrutura normativa de que é provido o comando de desenvolvimento sustentável, que alberga em seu conceito a noção de recursos naturais, logo de água, que pode ser evocada subsidiariamente. Dessa análise nos afastaremos, por um critério de especificidade. Entretanto, a referência ao tratamento comunitário de ambos – meio ambiente e desenvolvimento sustentável – se justifica, quando do tratamento da política das águas, por figurarem como fontes e fundamentos subsidiários do direito de águas europeu e francês. Passaremos, na segunda parte, à análise do direito europeu das águas, em que o tratamento se fez direto e expresso.

212 Criada pelo Regulamento 1210-90, de 07.05.1990, JOCE n. L 120, de 11.05.1990. 213 Por decisão do Conselho Europeu de 29.10.1993, JOCE n. C 323, de 30.10.1993.

214 Para mais informações, ver: <http://www.eea.eu.int/>; ALCOLEA, Ivan Conesa; BOUSQUET, Mathieu. L’eau et l’Union Européen: un guide sur la politique, sa mise en oeuvre et ses instuments. Plouzané: Ifremer. 2001. p. 14; THIEFFRY, Patrick. Droit européen de l’environnement. Paris: Dalloz, 1998; CARTOU, Louis, 2002, p. 574-575.

Benzer Belgeler