2. GENEL BİLGİLER
2.4. TANI
2.4.10. Histopatoloji
A proposta de Bridgman (1928) de que o conceito é sinônimo do conjunto de operações que a ele corresponde implica que o fundamento do significado passa a ser encontrado em ações, e não em objetos do mundo. Essa seria a inovação mais relevante do Operacionismo: as operações não são os meios pelos quais a linguagem encontra seu referente, mas o próprio referente dos termos linguísticos. Skinner (1945, 1957) irá perceber que essa proposta é suficiente para afastar definitivamente o estudo da linguagem dos problemas clássicos da teoria da referência, sem ter que, como Ogden e Richards (1923), postular a existência de uma dimensão mental a qual referir os termos linguísticos. Na nova
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“I think the Harvard department would have been happier if my offer had been taken up. What happened instead was the operationism of Boring and Stevens. This has been described as an attempt to climb onto the behavioristic bandwagon unobserved. I cannot agree. It is an attempt to acknowledge some of the more powerful claims of behaviorism (which could no longer be denied) but at the same time to preserve the old explanatory fictions. It is agreed that the data of psychology must be behavioral rather than mental if psychology is to be a member of the United Sciences, but the position taken is merely that of "methodological" behaviorism. According to this doctrine the world is divided into public and private events; and psychology, in order to meet the requirements of a science, must confine itself to the former. This was never good behaviorism, but it was an easy position to expound and defend and was often resorted to by the behaviorists themselves. It is least objectionable to the subjectivist because it permits him to retain "experience" for purposes of "non-physicalistic" self-knowledge.
The position is not genuinely operational because it shows an unwillingness to abandon fictions. It is like saying that while the physicist must admittedly confine himself to Einsteinian time, it is still true that Newtonian absolute time flows "equably without relation to anything external." It is a sort of E pur si muove in reverse. What is lacking is the bold and exciting behavioristic hypothesis that what one observes and talks about is always the "real" or "physical" world (or at least the "one" world) and that "experience" is a derived construct to be understood only through an analysis of verbal (not, of course, merely vocal) processes.” (Skinner 1945/1959, pp.283-284)
proposta, o termo linguístico passa a ser, desse modo, constituído e animado por ações humanas, escapando da imagem da linguagem como reflexo (mais ou menos disforme) da realidade. Será essa a ideia básica a ser desenvolvida em uma ciência do comportamento verbal. E a esse programa, Skinner dedicará quase 20 anos de sua carreira.
Skinner (1945) reconhece prontamente o sucesso do trabalho dos teóricos behavioristas de sua época, entre eles, Watson, Weiss, Tolman, Hunter, Lashley. Na avaliação de Skinner (1945), tais pesquisadores “apresentam não apenas exemplos sofisticados de investigação [inquiry] operacional, mas demonstram boa vontade ao lidar com uma área extensa de fenômenos” (Skinner, 1945, p. 271)82. Entretanto, o reconhecimento dos avanços teóricos promovidos por esses behavioristas é acompanhado de um diagnóstico decisivo a respeito do estatuto do behaviorismo naquele momento: “Após uma contribuição decididamente positiva, o behaviorismo de repente parou.” (p. 271)83. A explicação que Skinner apresenta para essa estagnação é a de que o behaviorismo “nunca alcançou uma formulação aceitável do ‘relato verbal’. A concepção de comportamento desenvolvida não poderia adotar de forma convincente o ‘uso de termos subjetivos’.” (Skinner, 1945, p. 271)84.
Portanto, Skinner (1945) considera que é fundamental assumir e aceitar o fato de que nosso discurso inclui termos subjetivos, e a ciência psicológica precisa encontrar formas de lidar com essa ocorrência. A “limpeza” na linguagem do cientista proposta pelos epistemólogos não pode implicar na exclusão ou no desprezo de termos que são regularmente usados na linguagem do cotidiano. A subjetividade – independente do que seja sua natureza essencial – se expressa por meio do uso linguístico de termos subjetivos, e ignorar esse fato resultaria em vilipendiar o fenômeno.
A avaliação sobre as condições de possibilidade da produção de conhecimento sobre a subjetividade parece ter mais frequentemente paralisado o trabalho do cientista do que auxiliado seu desenvolvimento. Por isso, Skinner (1945) se volta ao estudo da epistemologia behaviorista, e o faz de acordo com o enfoque operacionista. Conforme claramente declarado
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… were not only highly sophisticated examples of operational inquiry, they showed a willingness to deal with a wider range of phenomena ... (Skinner, 1945, p. 271).
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But behaviorism, too, stopped short of a decisive positive contribution ... (Skinner, 1945, p. 271).
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it never finished an acceptable formulation of the "verbal report." The conception of behavior which it developed could not convincingly embrace the "use of subjective terms." (Skinner, 1945, p. 271).
por Stevens (1939), isso implica em usar os instrumentos da ciência para investigar as questões epistemológicas.
Ele constata que um obstáculo constante ao trabalho científico tem sido o conjunto de definições epistemológicas de “conceito”, “constructo”, “definição” etc. Parecia aos filósofos e à maioria dos cientistas que a apreensão do sentido desses termos forneceria a matriz para a compreensão da forma de produção do conhecimento, funcionando como regulador para o fazer científico. Skinner (1945) concorda com o programa geral de buscar a compreensão desses termos tão importantes, mas apresenta uma forma particular de lidar com eles: “Uma vantagem considerável é obtida ao lidar com termos, conceitos, constructos etc. exatamente na forma em que eles são observados – ou seja, enquanto respostas verbais” (Skinner, 1945, 271). A ideia é não tentar compreender a forma pela qual a natureza e a linguagem são interligadas para que assim se produza um “conceito” (ou “constructo”, “denotação” etc.), mas investigar as características desse termo enquanto resposta verbal.
O “conceito” deixa de ser uma espécie de síntese abstrata do fenômeno a ser investigado, no sentido de que o conceito de “extensão” reúne as propriedades abstratas que se referem à altura dos diversos objetos, e passa a ser a reunião das situações linguísticas em que essa resposta verbal é utilizada. Com isso, o problema epistemológico sobre a validade dos conceitos deixa de residir na generalidade de certas propriedades da natureza (como a extensão dos objetos físicos e a possibilidade de medi-los), e passa a ser encontrada na comunicação humana. Vale dizer que essa opção não é uma negação do problema epistemológico enquanto tal, mas uma estratégia para lidar com ele. Manter a noção de “conceito” em sua versão comportamental é uma estratégia para evitar os problemas comuns da investigação metafísica. Conforme Skinner explicita, “muitas das questões atuais parecem misturar conceito e referente” (1945, p. 271). O conceito, nesse caso, seria diferente do objeto por ele referenciado, mas também não estaria restrito ao signo que o expressa, uma vez que o comportamento verbal “extensão” não se reduz à palavra ‘extensão’ – seja em sua versão oral ou escrita.
O raciocínio retira a essência do conceito de sua relação com os objetos, mas também não o situa entre as respostas linguísticas simplesmente. Mas esse movimento não seria uma novidade, uma vez que outros autores (i.e. Ogden e Richards, 1923) haviam atuado de maneira similar. Entretanto, o afastamento do signo e referente geralmente conduzia à formulação de uma terceira dimensão linguística, que não seria física, nem verbal, mas “simbólica”. Nessa dimensão, o conceito não se restringe à materialidade do signo e também não se limita pela relação necessária aos objetos. Porém, esse tipo de escapismo é exatamente
o que Skinner (1945/1957) pretende evitar. É preciso livrar-se da teoria da correspondência e de todos os problemas que essa abordagem acarreta, mas sem recair em teorias mentalistas ou, nesse caso, “simbólicas”.
A proposta de investigação de Skinner (1945) configura uma terceira opção diante desses paradigmas. Respostas verbais como “conceito”, “constructo”, “definição” – bem como “altura”, “massa”, “velocidade” etc. – devem ser mantidas em seu formato original, ou seja, como respostas verbais emitidas por pessoas em certas circunstâncias. E essa forma de lidar com o problema situa a proposta de significado da teoria skinneriana: “A questão ‘O que é comprimento?’ parece ser satisfatoriamente respondida ao listar as circunstâncias nas quais a resposta ‘comprimento’ é emitida (ou, melhor, ao oferecer uma descrição geral de tais circunstâncias).” (p. 264).
A proposta de Skinner (1945/1957) é certamente diferente da de Bridgman (1928), mas isso pode não implicar em contradições verdadeiras em termos de pressupostos. As operações que constituem o significado do termo “comprimento”, por exemplo, deveriam ser buscadas empiricamente nas circunstâncias de emissão da resposta verbal “comprimento”, e não nos fenômenos físicos que funcionariam como possíveis referentes desse conceito. Como resultado, obteríamos uma descrição geral que sintetiza as características essenciais das circunstâncias de emissão da resposta investigada. Na proposta de Bridgman (1928), essa descrição é apresentada na forma de um conjunto de operações de diferentes naturezas que, uma vez conduzidas, oferecem a parcela da realidade a qual o conceito deve conduzir. O conceito é visto como uma espécie de “instrumento” ou “ferramenta” para acessar certa dimensão do fenômeno. O trabalho do epistemólogo é produzir um “manual” sobre essa ferramenta, explicitando os modos de seu uso.
Mas como compreender esse manual? E nos casos em que um mesmo conceito reúne formas muito diferentes de proceder? No caso da extensão, por exemplo, podemos imaginar uma pessoa com um metro tirando as medidas de um cômodo, mas também temos de incluir o caso em que a medida é inferida geometricamente a partir de outras medidas. E se as medidas podem ser realizadas diretamente com auxílio de instrumentos de medida ou então pode ser inferida pelas relações geométricas com outros objetos, então quais dessas operações constituem seu significado? E, supondo que sejam descobertas novas formas de acessar a extensão dos objetos, o termo passa a ter essas operações como constituintes do seu significado também? Esse tipo de questão parecia enfraquecer o poder da atitude operacionista enquanto modo de encontrar precisão para a linguagem científica.
Na versão skinneriana, a lista de operações de Bridgman consiste na descrição de uma série de comportamentos. “Extensão” se relaciona, potencialmente, com comportamentos de mensurar. O conjunto desses comportamentos forma uma “classe-de- resposta” e, nela, encontramos o significado do termo. Nos casos em que se torna impossível sintetizar as diferentes circunstâncias em uma mesma classe, como na medida realizada espacialmente e na medida inferida geometricamente, deve-se considerar a existência de duas classes-de-resposta com a mesma topografia fonética. Então, “extensão”, enquanto resposta verbal, pode ter muitos significados diferentes dependendo das ações que com ele se relacionam. Na medida em que estas ações são determinantes do conceito, vão existir tantos significados para “extensão” quantas classes de resposta puderem ser identificadas em seu uso.
Para estabelecer o “recorte” adequado de significados, a distinção entre topografia e função de resposta é fundamental para a teoria skinneriana. No caso do estudo da linguagem ela se mantém; portanto, apesar de situarmos a investigação na materialidade das respostas verbais, não devemos nos deixar iludir por seu formato topográfico (que não é essencial), mas sim focalizar sua natureza funcional. Nas palavras de Skinner (1945):
Se dois conjuntos separados de circunstâncias são revelados [ao fornecer uma descrição geral das circunstâncias da resposta ‘comprimento’], então há duas respostas na forma “comprimento”, já que uma classe-de-respostas verbais não é definida apenas por sua forma fonética, mas por suas relações funcionais. (Skinner, 1945, p. 274)85
Essa distinção é aparentemente trivial e, em muitos casos, ela não traz dificuldades. Nos casos em que uma resposta verbal é utilizada de forma muito estrita, representando apenas um conjunto específico de circunstâncias, como, por exemplo, nos termos técnicos, respostas desse tipo geralmente não criam problemas para a teoria da linguagem. Ao contabilizar as circunstâncias de uso do termo, a classe de respostas encontrada é precisa o bastante para gerar um descrição definida, portanto, os teóricos da correspondência e do uso não teriam dificuldade em concordar sobre o significado deste.
Os casos de respostas verbais utilizadas em circunstâncias muito distintas, como, por exemplo, a palavra “manga” em situações envolvendo algum tipo de manipulação
85 If two quite separate sets of circumstances are revealed, then there are two responses having the form "length," since a verbal response-class is not defined by phonetic form alone but by its functional relations. (Skinner, 1945, p. 274)
de frutas da mangueira, ou a mesma palavra em situações que se relacionam a uma parte da blusa, também não traz problema. Para esses termos, está claro que o significado das respostas é distinto, e por esse motivo ninguém ousaria dizer que elas possuem o mesmo referente. Todos estabeleceriam que há dois “símbolos” compartilhando o mesmo signo, portanto, os significados são distintos e assim devem se manter.
A circunstância que tem gerado mais dificuldade para a análise da linguagem é o caso em que a resposta é controlada por variáveis distintas, mas “algo” está presente nos dois conjuntos de circunstâncias. Então, se alguém diz “água” para solicitar um copo de água para matar sua sede, temos um conjunto de circunstâncias referentes à privação e ao acesso a líquidos. Entretanto, também pode ocorrer de alguém usar a resposta “água” para descrever um vazamento que se inicia ou uma inundação, e, nesse caso, a variável controladora é o estímulo visual relativo à presença de líquido em um local inesperado ou inadequado. Nesses casos, as variáveis de controle são claramente distintas, mas, verifica-se a presença material de água nas duas situações. Sendo a resposta idêntica (signo) e havendo uma constância nas circunstâncias de uso (referente), as teorias da linguagem tenderam a relacionar a resposta verbal diretamente à “coisa”. Essa opção “mascara” às variáveis de controle, na medida em que confunde classes-de-resposta distintas.
Para Skinner (1945), os “significados, conteúdos e referências devem ser encontrados entre os deteminantes da resposta, e não entre suas propriedades”, mesmo quando há propriedades coincidentes na resposta verbal ou em quaisquer outros eventos no ambiente circundante. A relação de controle tem primazia tanto sobre a identidade topográfica das respostas quanto sobre a similaridade física entre estímulos do ambiente.
O programa de pesquisa de Skinner era legitimamente operacionista, entretanto, seus resultados parecem se afastar um pouco da proposta de Bridgman. Na teoria do comportamento verbal, encontrar “as condições de estimulação específicas sob as quais [as respostas verbais] são emitidas ... corresponde a ‘encontrar os referentes’”. Portanto, as noções de significado e referente em Skinner (1945) vão sempre estar conectadas ao processo de investigação das variáveis determinantes das respostas verbais, bem como ao modo pelo qual essas variáveis passaram a estar sob o controle daquelas respostas verbais. Em Bridgman (1928) não há discussão sobre os “determinantes” das operações, que são apresentadas como unidade fundamental do significado.
Essa diferença representa um rompimento com o operacionismo? Pode não ser esse o caso uma vez que Bridgman (1928) considerava que o significado dos termos evoluía na medida em que a tecnologia científica progredisse. Então, se há uma nova “tecnologia da
linguagem”, é esperado que haja mudança na definição dos termos linguísticos. E, igualmente, o progresso no exercício de operacionalizar conceitos deveria conduzir a uma nova definição de Operacionismo, portanto, as modificações introduzidas pela teoria do comportamento verbal não são contraditórias com os pressupostos da teoria de Bridgman (1928).