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SPONSORLUĞUN NEDENİNE YÖNELİK ALGILAMALAR

4. TAKIM ÖZDEŞLEŞMESİNİN SPONSOR İŞLETMEYE YÖNELİK TUTUMLARA ETKİSİNDE SPONSORLUĞUN NEDENİNE YÖNELİK

4.2. Araştırmanın Bulguları

4.2.6. Hipotez Testi: Çoklu Regresyon Analizleri

Conforme o próprio nome aponta, a mutação constitucional se opera no plano da Constituição. A significação originariamente atribuída ao(s) signo(s) de um enunciado constitucional se altera com o passar dos tempos, em virtude de fatores extranormativos, que, de algum modo, impuseram a adoção dessa nova significação. A significativa evolução tecnológica ocorrida na última década é um exemplo.

Estamos, pois, no campo das significações. Nesse sentido, a mutação constitucional é fruto do processo interpretativo realizado pelo intérprete; é parte integrante do sentido por ele construído. Se assim é, a mutação constitucional deve ser expressada de alguma forma. Faz-se necessário que a autoridade competente a transforme em linguagem, a fim de que passe a ser reconhecida pelo sistema jurídico.

O órgão legítimo para assim proceder é o Poder Judiciário. É o aplicador do direito, ao interpretar a norma com vistas a pôr fim num determinado conflito, quem deve consignar o novo sentido atribuído ao(s) signo(s) do enunciado constitucional. Kelsen, em sua teoria pura do direito, propugna que

A interpretação jurídico-científica não pode fazer outra coisa senão estabelecer as possíveis significações de uma norma

jurídica. Como o conhecimento do seu objecto, ela não pode tomar qualquer decisão entre as possibilidades por si mesma reveladas, mas tem de deixar tal decisão ao órgão que, segundo a ordem jurídica, é competente para aplicar o Direito.162

É a partir dessa norma individual ou geral e concreta que a sociedade terá ciência da mutação constitucional. Não fosse assim, a mutação constitucional seria algo irrelevante para o direito. Não ultrapassaria o intelecto e não traria consequências para o mundo jurídico. Daí a necessidade de uma autoridade emissora de normas (concretas), por intermédio da linguagem, introduzi-la no sistema jurídico.

A maior ou menor aceitação da mutação constitucional pela comunidade jurídica dependerá da autoridade emissora da norma concreta. Se emitida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado, a aceitação da mutação será geral, dado seu efeito erga omnes. Se emitida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso, poderá sofrer alguma resistência, que será ainda maior se a norma concreta vier a ser editada pelos Tribunais inferiores.

Evidentemente, a mutação constitucional afirmada pelo Supremo Tribunal Federal no exercício do controle concentrado a tornará inconteste, podendo ensejar a alteração formal do Texto Constitucional por iniciativa do poder reformador. Mesmo quem com ela não concorde, estará a ela submetida. É a efetividade da norma concreta em razão da autoridade do emissor.163 Nas

162 Teoria pura do direito. 4. ed. Coimbra: Armênio Amado, 1976, p. 472.

163 Segundo Eros Grau, “[…] o direito não fundamenta a autoridade, mas, antes, pelo

contrário, necessita da autoridade, visto que apenas o poder reforçado pela autoridade é capaz de elaborar normas jurídicas legítimas. O direito legítimo, pois, é resultado da adição de autoridade ao poder do qual emane” (O direito posto e o direito pressuposto. São Paulo: Malheiros, 1996, p. 59).

palavras de João Maurício Adeodato, “o comando não se torna efetivo pelo seu conteúdo, mas principalmente pelo ethos do emissor e pelo respeito que o receptor ou receptores têm por ele naquele contexto”.164

A interpretação constitucional, em última voz, compete ao Supremo Tribunal Federal. Conforme já advertira Betina Treiger Grupenmacher, trata-se de

[…] munus da mais alta relevância, posto que, para além de garantir a observância do princípio da segurança jurídica, o qual deve nortear as relações entre o Estado e o cidadão, assegura a observância de todos os demais direitos e garantias individuais.165

Atribuímos ao Judiciário tal mister em virtude de sua função judicante. É ao julgador, participante ou aplicador do direito, que compete dizer qual a interpretação que se revela mais adequada, qual a norma jurídica que deve ser construída a partir de certos enunciados prescritivos. É a norma individual ou geral e concreta emitida pelo Judiciário o parâmetro adotado pela sociedade, acerca do sentido e alcance da norma jurídica.166

164 Uma teoria retórica da norma jurídica e do direito subjetivo. São Paulo: Noeses, 2011,

p. 227.

165 Interpretação constitucional. Conflitos e efeitos das decisões no âmbito dos Tribunais

Superiores. In: NAVARRO, Sacha Calmon. Segurança Jurídica. Irretroatividade das

Decisões Judiciais Prejudiciais aos Contribuintes. Rio de Janeiro: Forense, 2013, p.

207-208.

166 José Juan Ferreiro Lapatza trata a jurisprudência como uma fonte indireta do direito, ao

lado da doutrina científica. E conclui, ao fazer “[…] uma especial referência às Sentenças do Tribunal Constitucional: ao declarar a inconstitucionalidade de uma norma, negam sua validade e a expulsam do ordenamento. Com isso, o Tribunal, que assim cumpre uma de suas funções essenciais, ajuda a fixar, basicamente de acordo com os princípios de hierarquia e competência, os contornos do ordenamento cujas fontes acabamos de enumerar”. Conquanto defendamos que a jurisprudência constitui uma norma jurídica individual ou geral e concreta, concordamos com o autor quando afirma que dela decorrem os contornos do ordenamento, na medida em que orientam a

Ao lado da autoridade competente para editar a norma concreta com vistas a afirmar ou negar a mutação constitucional está o requisito do devido processo legal. Segundo Susy Gomes Hoffmann, “[…] a decisão legítima é aquela proferida por quem de direito e que é resultado de um processo em que houve a participação efetiva de todos os interessados, como decorrência lógica da democracia”.167 E conclui a autora: “portanto, não basta

a emanação da decisão por autoridade competente. Para a caracterização da legitimidade da decisão, é preciso que tenha sido observado o devido processo legal”.168

Deveras, a mutação constitucional será tida por ocorrida quando afirmada por uma norma individual ou geral e concreta emitida pelo Judiciário e em conformidade com o devido processo legal. Atribuir essa missão ao Legislativo169 e ao Executivo implicaria admitir a alteração do Texto

Constitucional por norma infraconstitucional; implicaria admitir que uma lei ordinária, por hipótese, poderia alterar a significação dos signos constitucionais; implicaria admitir, ainda, que uma instrução normativa ou o lançamento poderiam trazer tal alteração. Além de se tratar de veículos infraconstitucionais, inaptos para promover qualquer alteração no Texto Constitucional, ter-se-ia, no caso, a alteração formal do texto, não se podendo falar em mutação, na acepção utilizada no presente trabalho.

É por essa razão que não podemos concordar com G. Jellinek, ao aceitar a mutação constitucional não só pela jurisdição, como também pela

interpretação normativa (Direito tributário: teoria geral do tributo. São Paulo: Manole; Espanha: Marcial Pons, 2007, p. 68).

167 Teoria da prova no direito tributário. Campinas: Copola, 1999, p. 106-107.

168 Ibid., p. 107.

169 Referimo-nos, aqui, ao Legislativo infraconstitucional, dado que ao Legislativo

constitucional compete a alteração formal do Texto Constitucional.

prática parlamentar e pela Administração.170 A mutação decorrente de ato do

Legislativo ou do Executivo não implica a alteração informal do Texto Constitucional a que nos referimos no presente trabalho. Ter-se-á, diversamente, a edição de um enunciado infraconstitucional, com vistas a alterar o Texto Constitucional, o que não se apresenta compatível com a hierarquia máxima da Constituição.

O mesmo raciocínio se aplica às lições de Anna Candida da Cunha Ferraz. A autora reúne as mutações constitucionais em dois grupos: a interpretação constitucional, cujos subgrupos são a interpretação constitucional legislativa, administrativa e jurisdicional, e os usos e costumes constitucionais.171 Sobre estes últimos já falamos no item 4.3.2 supra, em que

procuramos demonstrar que também integram o processo interpretativo e, como tal, não podem ser vistos como uma modalidade distinta de mutação constitucional. Referimo-nos, aqui, aos subgrupos da interpretação constitucional legislativa, administrativa e jurisdicional. Embora a autora confira maior importância à interpretação constitucional judicial – a única, a nosso ver, passível de afirmar ou negar a ocorrência de uma mutação constitucional –, também considera a interpretação legislativa e administrativa como geradoras de mutação constitucional. Nesses casos, como já dissemos, resultará a edição de um ato normativo (legal ou infralegal) com vistas à alteração de sentido do Texto Constitucional. Ter-se-á, assim, uma pretensa

170 Reforma y mutación de la constitución. Trad. Christian Forster. Madrid: Centro de

Estudios Constitucionales, 1991, p. 15-27.

171 Mutação, reforma e revisão das normas constitucionais. Revista dos Tribunais. Cadernos

de Direito Constitucional e Ciência Política. São Paulo: Revista dos Tribunais, n. 5,

out./dez. 1993, p. 19-22.

alteração formal da Constituição, que não se amolda ao nosso conceito de mutação constitucional.

É justamente em virtude da atribuição conferida ao Poder Judiciário que Eros Grau afirma que a mutação constitucional ultrapassa o processo interpretativo. “Na mutação constitucional caminhamos não de um texto a uma norma, porém de um texto a outro texto, que substitui o primeiro”.172 E continua o autor:

[…] a mutação constitucional não se dá simplesmente pelo fato de um intérprete extrair de um mesmo texto norma diversa da produzia por outro intérprete. Isso se verifica diuturnamente, a cada instante, em razão de ser, a interpretação, uma prudência. Na mutação constitucional há mais. Nela não apenas a norma é outra, mas o próprio enunciado normativo é alterado.173

As lições de Eros Grau, então Ministro do Supremo Tribunal Federal, consistem no seu voto vista exarado na Reclamação nº 4.335, na qual se discutiu o sentido e alcance do art. 52, X, da Constituição.174 Baseou-se o

autor no voto do Ministro Relator Gilmar Mendes, que propugnava pela mutação constitucional do referido enunciado, conferindo-lhe o sentido de que o Senado Federal possui competência para dar publicidade à suspensão da execução de lei declarada inconstitucional, no todo ou em parte, por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, de modo que a própria decisão do

172 Atualização da Constituição e mutação constitucional (art. 52, X da Constituição).

Revista acadêmica da escola de magistrados da Justiça Federal da 3ª Região. São

Paulo: Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região, n. 1, jun./ago. 2009, p. 67.

173 Ibid., p. 67.

174 CF: “Art. 52: Compete privativamente ao Senado Federal: […] X - suspender a execução, no

todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.”

Supremo bastaria para suspender a execução da lei.175 Concordando com essa

mutação constitucional, Eros Grau asseverou que “[…] S. Excia. (sic) não se limita a interpretar um texto, a partir dele produzindo a norma que lhe corresponde, porém avança até o ponto de propor a substituição de um texto normativo por outro. Por isso aqui mencionamos a mutação da Constituição”.176

Referida Reclamação teve o seu julgamento concluído recentemente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, tendo saído vencedor o voto do Ministro Relator.177 É dizer, o Supremo Tribunal Federal

houve por bem afirmar a ocorrência de mutação em relação ao enunciado constitucional do art. 52, X da Constituição.

Destarte, parcela significativa da força normativa da Constituição Federal advém de sua interpretação pelo Judiciário. Valendo-se das lições de Konrad Hesse, Paulo José Leite Farias assevera que

[…] um ótimo desenvolvimento da força normativa da Constituição depende não apenas do seu conteúdo, mas de sua

praxis, que se efetiva por uma interpretação adequada que

concretiza ao máximo o sentido (Sinn) da proposição normativa dentro das condições reais dominantes numa determinada situação.178

175 Atualização da Constituição e mutação constitucional (art. 52, X da Constituição).

Revista acadêmica da escola de magistrados da Justiça Federal da 3ª Região. São

Paulo: Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região, n. 1, jun./ago. 200, p. 60- 75.

176 Ibid., p. 66.

177 O julgamento foi concluído em 20.03.2014. Até a presente data, não houve publicação de

acórdão. Fonte: http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp? incidente=2381551.

178 Mutação constitucional judicial como mecanismo de adequação da Constituição

Econômica à realidade econômica. Revista de Informação Legislativa. Brasília: Subsecretaria de Edições Técnicas do Senado Federal, n. 133, jan./mar. 1997, p. 216.

É do Judiciário, pois, que depende a efetividade das normas jurídicas. E, se assim é, somente este órgão está habilitado para afirmar ou negar a ocorrência de uma mutação constitucional.

Em suma, pensamos que somente o Poder Judiciário é o órgão habilitado a afirmar ou negar a ocorrência de uma mutação constitucional, dado que ela se opera no campo das significações. A afirmação de uma mutação constitucional pelo Legislativo ou pelo Executivo implicará uma tentativa de alteração formal da Constituição por diploma normativo infraconstitucional.

Benzer Belgeler