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2.  KAYNAK ARAŞTIRMASI 18 

3.3.  Veri Tahmin Yöntemleri, Performans Ölçümleri ve Hiper-parametreler 28 

3.3.4.  Hiper-parametreler 40 

Lua optou por considerar a revista Marie Claire para localizar o tema trabalho/carreira. Seis exemplares/edições de Marie Claire estavam a sua disposição no momento da conversa, várias delas tinham sido lidas por ela. No momento da entrevista exemplares da Cláudia e da Estilo, que pertenciam a Lua, estavam também ao alcance das mãos.

Os exemplares da Marie Claire levados pela pesquisadora tinham capas diferentes95 das revistas dela, então ao passar a falar no assunto do trabalho nas revistas, o que necessariamente exigiria pegá-las e folheá-las, Lua logo

95 A revista Marie Claire tem capas diferenciadas para assinantes. As da pesquisadora eram capas de assinantes, e as de Lua não. O conteúdo da revista é o mesmo.

demonstra admiração, deslumbre com a “beleza” da revista: “A capa delas é fora de sério”, “Olha que maravilhosa”.

Antes mesmo de ser questionada, Lua fez comentários e comparações entre algumas revistas:

Se tu fores ver, a Marie Claire é muito parecida com a Estilo. Se tu pegares...Essa aqui é de junho. Vamos pegar uma de outubro. Geralmente, a capa das mulheres escolhidas são bem em evidência. Ela é, basicamente, moda. Fala alguma coisa daquele mês, assim, uma história. Ela valoriza bastante a questão do feminino, o lado da mulher. Todos os lançamentos, essas coisas todas referentes à moda, ela dá dica. Que é o que a Estilo faz (Lua, 48 anos, Diretora).

Este breve comentário “voluntário” aponta um certo domínio que a leitora tem sobre as revistas. Ela conhece cada uma das revistas individualmente, mas também comparativamente consegue apontar características específicas, como a evidência midiática da mulher da capa e histórias factuais. Lua reconhece que a mulher trabalhadora está na revista, segundo ela, as revistas falam mais sobre as “divas”, as mulheres “top”, as bem sucedidas, e sobraria “1% para as trabalhadoras”. Neste momento Lua localizou a mulher trabalhadora como sendo a mulher sofrida, discriminada, com dificuldades.

“Se tu não teve nenhum destaque, tu não tá na revista. Ou só se tu sofrer uma agressão muito grande. [...] mulher comum não tá na revista”, analisa. Percebe-se que em um primeiro momento Lua afirma que a mulher trabalhadora está na revista, mas ao justificar sua resposta divide em dois grupos, as bem sucedidas e a mulher comum. Ambas são trabalhadoras, mas aparecem em proporções diferentes nas revistas.

Segundo Lua, se a mulher está na revista é porque ela é bem sucedida. E é com “esta mulher” que ela se identifica. Tratando do âmbito profissional, este seria um pré-requisito para estar na revista, “tu não vai colocar uma fracassada na revista”. Um exemplar da Marie Claire estava aberto em uma reportagem sobre meninas que entram para o tráfico, Lua tinha lido a revista. Lua mostra e diz que não é a primeira vez que lê sobre isso. As meninas das favelas disputam para serem mulheres do traficante, porque eles tem status, por isso “elas adoram ser mulher de bandido, eu já li sobre isso”.

Lua reconhece uma nítida divisão do trabalho entre homens e mulheres. São trabalhos de homens: estilistas, cabeleireiros, designers de roupas e

sapatos, escritores (nas dicas de livros). São trabalhos de mulher: as redatoras da própria revista. Segundo Lua as revistas são feitas para mulheres, mas valorizam os homens quando o assunto é trabalho.

Dentre todos os materiais possíveis dentro das seis edições da Marie Claire, Lua foi instigada a escolher um para comentar. Apesar de folhear bastante as revistas, Lua não conseguiu apontar nenhum outro destaque além do citado anteriormente, das meninas do tráfico. Por mais que Lua reconheça que existem materiais sobre trabalho e carreira diz que parece “não saltar aos olhos” quando folheia a revista. Ela solicita ajuda à pesquisadora e escolhe um depoimento com o título “Larguei a carreira de executiva bem-sucedida para morar na África”. Afirmou que lembrava do texto, mas com a oferta de tempo para reler, o fez.

O tempo inteiro Lua tece comentários relacionando com a sua vida e o seu posicionamento perante o assunto, da mesma maneira retoma alguns pontos da nossa conversa voluntariamente, como um complemento aos seus comentários. No depoimento escolhido por ela, uma executiva bem sucedida conta sobre sua ascensão profissional e os motivos que a levaram a largar a carreira para fazer trabalho voluntário na África. Lua anota que é preciso estar feliz no que se faz:

Eu lembrei bem disso aí porque eu me identifiquei muito [...] Não adianta tu ser bem-sucedida e não tá feliz com aquilo que tu faz. [...] Ela foi ver que ela realmente era uma pessoa feliz quando ela largou tudo e foi fazer uma coisa totalmente diferente daquilo ali. Por quê? Ela tinha espaço, tinha tudo aquilo ali, mas não era... Como é que eu vou ter dizer? Não era o que fazia bem pra ela. (LUA, 48 anos, Diretora)

Posteriormente Lua volta ao seu exemplo, complementando a conversa anterior quando falou sobre o valor financeiro das escolhas:

Por isso que eu mantenho dizendo que hoje eu sou professora tô diretora, continuo trabalhando com criança e vou continuar fazendo isso. Vou me aposentar fazendo isso. Eu nunca vou fazer um concurso pra uma Universidade, eu nunca vou fazer um concurso público federal, pra trabalhar em qualquer outra área... Tem muito concurso que tá saindo aí que se tu tem nível médio tu vai ganhar quase 5, 6 mil reais. “Ah, eu vou fazer isso aí pra ganhar mais. E ser concursada, e ter concurso federal.” Eu não vou fazer isso. Entendeu? Por quê? Porque eu acho que em primeiro lugar tu tem

certeza. Mas se tu puder agregar as duas coisas, é bem mais fácil. Foi o que ela fez ali. (LUA, 48 anos, Diretora)

Apesar do depoimento tratar de uma questão profissional, Lua aponta que lhe chamou mais a atenção a visão da executiva sobre maternidade, fazendo a ligação com suas concepções sobre isso:

Ali o que mais me chamou a atenção foi aquilo que nós estávamos agora a pouco falando. Da questão de ser mãe. Uma pessoa perguntou pra ela se ela não era casada, se ela não tinha filho, pra uma mulher ser feliz precisa ser casada e ter filho. Eu não penso isso.

Uma mulher pra ser feliz não precisa ter um homem, não precisa ter um filho, não precisa ter uma família. Às vezes, tu pode ser

bem-sucedida e ser feliz sendo tu. Tem bem uma parte que ela fala. (LUA, 48 anos, Diretora)

Depois de cerca de duas horas de conversa, com o gravador já desligado, entrevistadora, entrevistada e o seu marido continuaram a conversar sobre assuntos diversos enquanto esperavam por Africana, que é amiga e colega de trabalho de Lua. A conversa com Africana será descrita a seguir.

Benzer Belgeler