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Hile Denetçiliği ve Hile Araştırmacılığı Kavramı

2. ADLİ MUHASEBECİLİĞİNMESLEKİ FAALİYETLERİ

2.1 ADLİ MUHASEBECİLİĞİN HİLE DENETÇİLİĞİ ve HİLE ARAŞTIRMACILIĞI FAALİYETİ

2.1.2 Hile Denetçiliği ve Hile Araştırmacılığı Kavramı

Antes de apresentar os dados obtidos a partir das conversas com os psicólogos, gostaria de comentar o estado de construção em que se encontra a atuação da psicologia em hospitais, em Sergipe. Por que falo em construção?

Primeiramente, alguns profissionais chegaram a citar textualmente que a “Psicologia Hospitalar” é uma área muito nova dentro da psicologia e, portanto, o papel do psicólogo ainda não se encontra bem delimitado, sobretudo em Sergipe, que, como será apresentado, teve o primeiro trabalho da psicologia em hospitais gerais no ano de 1991, sendo que até o final do ano de 1999, só havia quatro psicólogas atuando, todas em instituições da capital.

Além disso, mudanças importantes na forma de trabalho de alguns profissionais ocorreram paralelamente ao percurso da pesquisa, sobretudo no hospital estadual, que possui o maior número de psicólogos atuando. Como as entrevistas foram realizadas entre março e outubro de 2005, tivemos um largo espaço de tempo, durante o qual os trabalhos iam acontecendo, sofrendo modificações.

Posso apresentar alguns desses fatos novos, de que tive conhecimento:

• No hospital estadual, alguns profissionais comentaram que uma das maiores dificuldades que eles enfrentavam era a vinculação do atendimento psicológico à solicitação médica. A partir de junho, contudo, o Serviço de Psicologia dessa instituição conseguiu, junto à direção do hospital, que o atendimento psicológico não mais ocorresse somente com essa solicitação, e os profissionais passaram a ter maior liberdade de atuação junto ao paciente. Obtive essa informação do atual coordenador do Serviço de Psicologia, com quem me encontrei ao término de uma das entrevistas realizadas no hospital. • Outra mudança também ocorrida nessa instituição diz respeito à carga horária.

Todos os entrevistados comentaram que cumpriam uma carga horária de trinta horas semanais, fixada pelas normas do concurso público. Contudo, em outubro, quando foi realizada a última entrevista com os profissionais desse hospital, fui informada de que, assim como os médicos e os enfermeiros já haviam conseguido redução de sua carga ho rária, eles também obtiveram essa “conquista”, tendo reduzida a carga horária semanal para vinte e quatro horas. • Quando realizei a entrevista com o profissional que atua na maternidade, não

havia outro psicólogo na instituição. Contudo, ao longo da pesquisa, recebi a informação da entrada de mais dois profissionais, via contrato por empresa

terceirizada, os quais foram incluídos no universo pesquisado, e um profissional concursado pela Secretaria de Saúde, que não foi entrevistado, dados o término da fase de coleta de dados e o início da discussão.

Diante desses fatos, devemos levar em conta que outras mudanças podem ter ocorrido, mas com que não cheguei a ter contato. A princípio, pensei que isso seria algo negativo para o bom andamento da pesquisa. Contudo, uma vez assumida uma visão histórica diante dos acontecimentos, seria contraditório da minha parte querer que as coisas fossem estáticas, destacadas de seu contexto. Essa idéia de ser um campo que está sendo construído será retomada posteriormente.

Conheçamos, agora, nossos protagonistas: como já dito, temos um total de 28 psicólogos entrevistados, com diferentes percursos dentro da psicologia. Foram entrevistados seis homens e vinte e duas mulheres, com faixa etária variando entre 23 e 56 anos47, sendo

que a maioria situa-se entre 25 e 35 anos.

Tabela 4 – Faixa etária dos entrevistados

Faixa etária Freqüência Porcentagem

20-25 anos 4 14% 26-30 anos 8 29% 31-35 anos 11 38% 36-40 anos 1 4% 41-45 anos 2 7% 46-50 anos 1 4% 51-55 anos 0 0 56-60 anos 1 4% Total 28 100%

Do roteiro no qual se basearam as entrevistas, podem-se destacar quatro grandes eixos, considerados representativos para a caracterização do grupo de psicólogos com que trabalhei, e que serão discutidos a seguir:

I. Concepção acerca de saúde, Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar II. Percurso acadêmico

III. Experiência profissional anterior IV. Inserção em hospitais de Sergipe

47 As idades dos entrevistados não foram perguntadas. Estão aqui estimadas, levando-se em conta o tempo para

formação, tempo de atuação como psicólogo, tempo de trabalho em hospital e outros dados fornecidos pelos profissionais durante a entrevista, como mencionar a idade em algum momento específico de sua trajetória, etc.

I. Concepção acerca de saúde, Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar

De uma forma geral, houve uma certa dificuldade de os profissionais formularem uma definição mais objetiva de saúde, recorrendo a várias explicações e comparações para expor seu pensamento. A maioria das definições é meramente pessoal, advinda da experiência de cada um, raramente havendo referência a algum autor específico de psicologia ou de outra área de conhecimento.

No que diz respeito à Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar, houve variadas visões, enfocando diferentes aspectos. Não considero muito diferente do que vem ocorrendo na tentativa de delimitação teórica desses campos, em todo o Brasil, pois, como afirma Spink (2003, p.67), “a psicologia da saúde, do ponto de vista teórico, é um pântano onde há mais areia movediça do que terra firme”, havendo uma maior delimitação do campo a partir da prática, com suas exigências e prerrogativas.

A. Saúde

A partir das concepções apresentadas, fiz uma divisão em quatro categorias, para melhor visualização. Entretanto, nem sempre se podem situar os psicólogos em uma ou outra categoria somente, uma vez que alguns conjugam diferentes pontos de vista na sua própria concepção.

a. Saúde como bem-estar

A concepção de saúde apresentada pela maioria retoma o conceito da OMS, de “bem-estar biopsicossocial”, apesar de alguns não fazerem relação direta a este. Outros, contudo, referem-se de forma evidente:

De um modo geral, o que seria saúde? (...) Hoje em dia, a Organização Mundial já define como uma perfeita harmonia do indivíduo com a realidade que ele convive, que seria o bem-estar físico, mental, social, cultural. Todas as esferas com que aquele indivíduo tem uma relação, que vai repercutir no modo como ela vai desempenhar suas funções. (E23)48

Pode-se perceber que, algumas vezes, esse conceito é ampliado, acrescentando-se outros aspectos envolvidos nesse bem-estar:

48 Todas as falas dos entrevistados transcritas neste estudo foram limpas dos vícios de linguagem, a fim de

facilitar a compreensão das mesmas. A identificação dos entrevistados será feita mediante a letra “E” seguida de um número que indica a ordem cronológica das entrevistas.

Eu acho que, também, esse lado espiritual, que a gente, muitas vezes, esquece... (E4)

Um bem-estar mental, físico, moral (...). Enfim, um bem-estar geral. (...) É impossível a gente estar o tempo todo bem (...). Então esse conceito de saúde é um pouquinho utópico, mas eu acho que é isto: é um bem-estar geral, físico, emocional, moral, espiritual... (E12)

b. Saúde como equilíbrio

A idéia de integração, harmonia e equilíbrio também está muito presente, referindo-se a diversos aspectos, sejam eles mais “objetivos”, como integração corpo e mente, equilíbrio nos relacionamentos intra e interpessoais, integração entre o indivíduo e o meio no qual está inserido (algumas vezes aparecendo a idéia de “adaptação” ao meio), ou “subjetivos”, como o sentir-se integrado:

... eu acho que é um conjunto de fatores humanos que possibilitam o ser de estar bem (...). Quando você consegue conjugar fatores sociais, fatores éticos, políticos, afetivos, institucionais mesmo, nas instituições onde você está inserido. Quando você consegue conjugar de forma positiva, agradável, que você se sinta integrado, eu acho que o ser que tem saúde é aquele que está integrado socialmente, emocionalmente, quando ele consegue transitar no mundo se sentindo bem. (E7)

Saúde é você estar bem, você estar adaptado ao seu meio, quando você não está adaptado, você apresenta alguns conflitos. (...) é muito regional, é muito cultural também, eu acho que saúde corresponde a uma boa adaptação à realidade. (E20)

Para mim não significa aquele conceito, ausência disso, ausência daquilo, ausência de doenças, acho que é esse bem-estar que lhe dá um certo equilíbrio de você se sentir bem no seu ambiente de trabalho, se sentir bem no contexto que você vive, (...) superar os problemas do dia-a-dia, que aparecem, sem desespero, também saber tirar a pedra da frente, tirar a pedra do seu caminho... É essa sabedoria de conseguir retirar a pedra do seu caminho, eu acho que isso para mim traz a concepção de saúde de uma forma geral. (E26)

c. Saúde como postura ativa diante da vida

Essa concepção diz respeito à necessidade de uma postura ativa para que se tenha saúde. Dessa forma, ser saudável significa ser capaz de se implicar em sua própria vida, de auto-organizar-se, sendo sujeito ativo, flexível, aberto a diferentes possibilidades.

...acabei ficando até um pouco com a concepção canguilhemiana49: saúde seria, na concepção dele, a capacidade de ser normativo (...), de instituir normas diferentes em situações diferentes. (...) Saúde não é um retorno a uma condição normal, mas é algo parecido com a flexibilidade... (E13)

Muitos dos que defendem essa posição, falam de uma boa qualidade de vida advinda dessa postura.

... saúde é algo que é construído, aproxima-se de uma visão, também, de qualidade de vida, tem a ver com a implicação da pessoa com sua própria história de vida. Então, o quanto a pessoa se implica em sua história. (...) A questão do auto cuidado, da qualidade de vida... (E25)

... eu acho que saúde é um conceito muito grande e que engloba muita coisa da vida, até o compromisso político (...). É você se posicionar mesmo diante da vida, você conseguir ser um cidadão, que é capaz de lutar, de correr atrás de seus sonhos, mesmo, você ter condições de correr atrás de seus sonhos, ter liberdade, pelo menos o mínimo de liberdade para sonhar e acreditar que você pode, você não é escravo das coisas. (E7)

d. Outras concepções

Além dessas, ainda foram levantadas características mais amplas, quando se fala da saúde como sendo mutável, multifatorial, que depende da visão de cada um, não podendo ser entendida sob um único ponto de vista.

Para mim, saúde, ela tem várias vertentes. Você não pode olhar a saúde sem perceber quem está doente. Então, com isso, você não pode ter um único olhar para ela, (...) ela é multifatorial. (E6)

Outros pontos que apareceram em dois entrevistados dizem respeito à saúde como sendo “higienização mental”, “estado de espírito”, levando a questão para um aspecto mais subjetivo:

49 Trata-se de Georges Canguilhem (1904-1995). Nascido na França, cursou Filosofia e Medicina. O interesse

pela medicina foi decorrente de uma “necessidade de confrontar o universo abstrato da reflexão filosófica com alguma experiência concreta, algo que desse corpo e vida à sua filosofia, o que a medicina poderia, literalmente, oferecer”. A sua tese de doutorado em Medicina, de 1943, sobre o normal e o patológico, tornou-se a sua obra mais conhecida, dando-lhe um grande destaque, também na Psicologia (Serpa Jr., 2002).

...saúde é um bem-estar, é um estado de espírito (...). A definição da OMS é que saúde é bem-estar físico, psíquico, emocional, mas eu acho que é mais amplo (...), é na cabeça que sente, não é no corpo (...). E daí, se você estiver bem, trabalhando, gosta do que faz, (...) ser voluntário, essa coisa, ver, trabalhar um pouco pelo próximo, aí até hoje saúde é tudo, é higienização mental, mesmo. Eu acho que saúde é muito assim, é muito, é paz, é saúde mesmo, família, filhos, é você estar conseguindo levar a vida. (E3)

Saúde, eu entendo como um estado de espírito, um estado de consciência, que a pessoa obtém, que a pessoa vivencia quando ela consegue harmonizar coisas que estão desarmônicas, coisas que estão um pouco doentes; então, assim, quando a pessoa consegue fazer esse processo de harmonização constante, ela está num estado de saúde, que é mais um estágio do que um estado de saúde, porque [inclui] mudança... (E9)

B. Psicologia da Saúde

A definição de Psicologia da Saúde também tomou direções particulares, indo do desconhecimento do termo, a uma definição que corrobora a literatura.

Uma boa parte dos psicólogos optou por uma definição que se baseia naquilo que considera como sendo os objetivos dessa área da psicologia: trabalhar na promoção da saúde, sendo esta definida de diferentes formas, mas, em geral, relacionada ou à qualidade de vida, ou ao bem-estar; minimizar sofrimento dos pacientes e profissionais da saúde; atuar na prevenção de doenças; humanização; garantia de direitos.

Outros não chegaram a definir claramente o que seria a Psicologia da Saúde, mas apresentaram alguns pontos que caracterizam sua atuação: ênfase na comunidade, denominando este como um atendimento contextualizado social e culturalmente; Psicologia mais ampla que a Hospitalar, abrangendo também outras áreas, tais como a Social, Clínica, Saúde Mental; atuação em instituições de saúde, nos diferentes níveis de atenção: primário, secundário e terciário.

Quatro profissionais afirmaram não conhecer esse termo, e um, apesar de conhecer, não sabe defini-lo. Há também aqueles, embora poucos, que defendem a redundância do termo, pois toda Psicologia é da Saúde, já que sua atuação sempre contribui para a aquisição daquilo que eles defendem como sendo saúde:

... a gente é profissional de saúde, em qualquer espaço, até, inclusive, quando você trabalha na saúde, no judiciário (...). A gente está buscando melhorar a qualidade de vida das pessoas, eu acho que a gente, nosso papel fundamental enquanto psicólogo é

melhorar, proporcionar uma qualidade de vida melhor para as pessoas, promover isto: uma melhoria da qualidade de vida das pessoas. (E7)

Apenas um profissional não definiu o termo por não concordar com as especializações da psicologia, que limitam o olhar do psicólogo. Na verdade, para ele, a psicologia deve estar como pano de fundo de toda atuação, devendo sempre estar presente uma postura mais abrangente e, em cada prática, assume-se um olhar específico:

São rótulos que a gente fica dando, dentro de uma visão cartesiana, até para separar as áreas de intervenções, buscando especificidades. Eu acho que o que diferencia é o olhar que você vai estabelecer na sua intervenção. Psicologia é o que vai dar o nosso pano de fundo, é a área com a qual a gente vai atuar. Se é da Saúde, se vai ser do Trabalho, se vai ser Escolar, isso só se refere às especificidades do que a gente vai focalizar na nossa intervenção. Então não vejo muita diferença nisso. Inclusive sou até um tanto quanto contra essas especializações, que a gente procura, no sentido de cada vez ficar seguindo aquele modelo semelhante ao médico, um modelo biologizante, tecnicista, você procurar “ah, eu sou psicólogo hospitalar”, aí dentro do hospital: “eu sou psico-oncologista, ou psicopediatra, ou neuropsicólogo”, então aí você já vai segmentando, mais ainda, o que é totalmente em desacordo com o nosso objeto de trabalho... (E15)

C. Psicologia Hospitalar

Na definição de Psicologia Hospitalar, obtivemos um leque muito grande de informações, a maioria enfocando sua especificidade na atuação dentro de uma instituição hospitalar. Aqueles que não se restringem à atuação nessa instituição, não rompem a relação com ela, quando afirmam que o paciente deve ter passado por uma vivência hospitalar, ou estar submetido a procedimentos hospitalares.

A Psicologia Hospitalar, ela está restrita ao ambiente hospitalar, não só hospital, mas, assim, clínicas onde sejam feitos atendimentos, como é o caso de atendimento oncológico, onde é feita a quimioterapia, pode ser feito um trabalho hospitalar, (...) no caso o pessoal na (...)50 Que eles lá, eles não estão enquadrados como um hospital, mas, assim, os atendimentos que são feitos, essa questão da hemodiálise, então isso para mim é

50 Clínica especializada no tratamento nefrológico. Nela, realizam-se os acompanhamentos de grande parte dos

pacientes com problemas renais do Estado, uma vez que tem convênio com o SUS. Além das consultas médicas, há acompanhamento multidisciplinar e salas para realização da hemodiálise. Foram entrevistadas duas psicólogas que trabalham nesse local. Atualmente, uma está de licença maternidade, e a outra está cobrindo essa licença.

tratado como uma Psicologia Hospitalar, mesmo que o paciente não esteja internado, mas o procedimento que está sendo feito com ele é um procedimento hospitalar, é um procedimento que ele precisa de uma rotina, de uma constância, então para isso ele precisa elaborar, às vezes, até elaborar o luto de uma vida mais saudável, mais independente, (...) então, assim, são coisas que eu acho que precisam ser trabalhadas, buscando a Psicologia Hospitalar, por ser uma, um campo onde ela é mais diretiva mesmo, o objetivo está mais focado. (E28)

...a Psicologia Hospitalar, ela está ligada a uma prática em um local mais específico. Psicologia Hospitalar, quer dizer, em um âmbito hospitalar, em um serviço especializado (...) pratica a Psicologia Hospitalar, (...) usa os preceitos da Psicologia Hospitalar, ou em um hospital geral. Isso é a Psicologia Hospitalar. (E16)

É aquela feita dentro dos hospitais ou com pacientes que são oriundos de hospitais e que não podem ir, por exemplo, ao consultório, que precise de atendimento domiciliar, por exemplo, mas que são egressos de hospitais, que passam por uma realidade hospitalar, têm uma vivência hospitalar, uma vivência institucional, um internamento, que ele tenha feito esse percurso. (E14)

O foco principal da atuação sempre é o paciente, mesmo naqueles que procuram enfatizar que o lado assistencial não é a única atuação do psicólogo no hospital. Contudo, de maneira geral, os demais focos de atuação, seja a instituição (humanização, instigar reflexão, melhorar relações interpessoais ), a equipe (orientação, trabalhar relacionamentos interpessoais, promover reflexões acerca da atuação...) ou a família (orientação, apoio...), visam, em última instância, ao paciente, a fim de minimizar seu sofrimento durante o período de tratamento/hospitalização.

...porque se a gente não trabalhar com aquele funcionário, a gente não tem como, talvez, promover a saúde que a gente quer promover no paciente. Porque se o funcionário está estressado, se o funcionário não sabe lidar com esse paciente, ele não vai trazer a saúde para esse paciente. Ele vai deixar esse paciente muito mais estressado. (E8)

Muitos poucos citaram a preocupação com o bem-estar da equipe em si, oferecendo apoio psicológico, ou melhorando o relacionamento entre os profissionais. Houve uma psicóloga, por exemplo, que chegou a fazer um trabalho com um grupo de enfermeiros, que abordava diferentes questões:

As dificuldades, entre os colegas, que geram muito conflito (...). Um ambiente estressante, tinha conflito por nada. As dificuldades que elas tinham, os medos, tudo a gente trabalhava nessa questão desse grupo (...). Era um grupo mais reflexivo, onde elas botavam para fora as mágoas, a raiva, os medos, tudo o que elas tinham ali. (E18)

Outra, propôs um tipo diferente de trabalho:

...eu venho à noite um dia na semana só para medir como está o nível de tensão, para acompanhar um pouco a equipe de enfermagem do internamento à noite. A noite, normalmente, é o horário mais complicado, porque a equipe não é assistida corretamente, não tem enfermeiro para todas as alas (...). E normalmente a equipe está menos assistida, menos cuidada. A idéia de vir um dia à noite é ter esse contato, é ouvir a equipe, é servir um pouco, é oferecer um pouco dessa escuta, compartilhar com eles, o que é que está acontecendo de dia, fazer um elo, mesmo, de ligação, para que eles se sintam inseridos dentro do processo hospitalar todo, então eu acho um desafio trabalhar à noite, interessante. (E7)

De maneira geral, o que aparece é que não se pode atingir o objetivo do bem- estar do paciente somente oferecendo apoio psicológico a ele, pois há vários fatores envolvidos no contexto que o circunda. Os que defendem a importância de se acrescentar o viés institucional à atuação, criticam a visão “tradicional” da Psicologia Hospitalar, que, segundo eles, enfoca toda a atuação na assistência ao paciente.

É mais lógico a gente trabalhar na beira do leito, aliviando não problemas do paciente, mas, muitas vezes, problemas que a própria instituição causa, ou seja, (...) tomando as mazelas da instituição, servindo como mais um instrumento de dissimulação, de controle, da instituição, ou a gente deveria, justamente, tentar fazer intervenção nas lógicas que complicam a situação aqui dentro? Então, seria muito melhor a gente buscar trabalhar a equipe, buscar trabalhar a lógica da instituição, porque aí não haveria nem