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2. SABAHATTİN ALİ, SAİT FAİK VE MUSTAFA KUTLU

2.1. SABAHATTİN ALİ’NİN HİKÂYELERİNDE ANLATICI-OKUR

2.1.4. Hikâyelerinde Okur

Para verificar os impactos que melhorias no ambiente doméstico de negócios possuem sobre os fluxos de comércio (melhorias nas variáveis que compõem os indicadores de competitividade), optou-se pelo uso do modelo gravitacional. O modelo gravitacional tem-se apresentado apropriado para moldar os fluxos de comércio e, por isso, tem sido ferramenta básica para os economistas que buscam estudar a economia internacional (FEENSTRA, 2004).

A inspiração deste modelo surgiu a partir da teoria da gravidade de Newton, mais especificamente, da analogia que é feita com a Lei da Gravitação Universal de 1687. Essa lei diz que a força da gravidade entre dois objetos é proporcional ao produto das massas desses objetos, dividido pelo quadrado da distância entre eles. Newton considerou que a força de atração entre dois objetos i e j é dada pela seguinte equação:

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em que, F representa a força de atração; M a massa; D é à distância e G equivale à constante gravitacional.

Foi na década de 1860, de acordo com Cheng e Wall (2005), que Henry Carey aplicou pela primeira vez a teoria de Newton para analisar o comportamento humano, o que por sua vez levou a ampla utilização da equação de gravidade nas ciências sociais. Dentro do campo de estudo econômico, esses modelos obtiveram sucesso empírico ao explicar várias questões referentes aos diversos tipos de fluxos, tanto internacionais quanto inter-regionais. Segundo Head (2003) a lei da gravidade pode ser expressa na mesma notação da equação de Newton para explicar as “interações sociais”, conforme abaixo:

O termo indica o “fluxo” de origem i ao destino j. Alternativamente, pode representar o volume total de interações entre i e j (ou seja, + ). Já o termo Y mede a dimensão econômica do país (PIB ou População). Se é medido como um fluxo monetário (valores de exportação, por exemplo), então Y é normalmente o Produto Interno Bruto (PIB) de cada localidade. Para fluxo de pessoas é mais natural medir Y como a população. Por fim, a variável D representa a distância entre os locais.

Ao se analisar o comércio internacional, de modo análogo, a premissa sob a qual o modelo de gravidade se baseia, postula que o volume de comércio entre dois países é uma função crescente de suas rendas (num contexto que se utiliza como proxy o tamanho da economia de cada país) e uma função decrescente da distância entre os países (utilizada como proxy dos custos de transporte entre os países).

Em se tratando de comércio internacional, portanto, o modelo de gravidade é utilizado como instrumento de auxílio que procura explicar o fluxo de exportação como origem de um país i para os países de destino da importação. Deste modo, a equação de gravidade busca definir as forças da economia que atuam com a finalidade de auxiliarem ou se transformarem em centros de resistência para um fluxo comercial do país exportador ao país importador.

Na sua forma mais simples, conforme Santos Silva e Tenreyro (2006), a equação da gravidade para o comércio pode ser representada da seguinte forma:

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em que de e são parâmetros a ser estimados; denota o fluxo de comércio; e é o PIB dos países; e inclui amplamente todos os fatores que possam criar resistência ao comércio; e representa um termo de erro aleatório para explicar os fatores não observados que não estão representados pela equação anterior.

Nos trabalhos empíricos de comércio internacional a equação acima comumente assume a forma log-linear para a estimação por meio de mínimos quadrados ordinários.

Tinbergen (1962) e Pöyhönen (1963) desenvolveram de forma independente um modelo de gravidade visando explicar o comércio bilateral. Na sua forma fundamental, assumiram que o valor do comércio entre os países aumentava com seu tamanho econômico, medido pela sua renda nacional, e diminuía com os custos de transporte entre eles, medido pela distância entre seus centros econômicos. Em 1966, Linnemann (1966) incluiu a

população no modelo básico, como uma medida adicional da dimensão do país, empregando o que se conhece como modelo de gravidade aumentado (CHENG; WALL, 2005).

As primeiras aplicações da equação de gravidade assumem uma especificação conforme mostrado abaixo:

(4) em que indica o valor do fluxo de comércio bilateral da região i para região j, ( ) denota o produto interno bruto nominal da região i (j); indica a distância do centro econômico da região i ao da região j; e é uma variável binária que assume o valor 1 (0), se duas regiões compartilham (não compartilham) de um acordo de integração econômica. No contexto do trabalho de McCallum (1995) representa uma variável dummy para fronteira entre estados nacionais (BAIER; BERGSTRAND, 2007).

O trabalho de Anderson (1979) foi, contudo, o primeiro a fornecer microfundamentos para o modelo em questão. O que o autor propôs, basicamente, foi uma explicação teórica para a equação da gravidade que tinha como contexto a análise do comércio das commodities. Segundo o autor, a relevância e o amplo uso da equação da gravidade em análises empíricas, possivelmente ocorre por seu uso levar em conta uma grande variedade de bens e fatores que se deslocam por meio das fronteiras regionais e nacionais em circunstâncias diferentes. Portanto, possuem qualidades e custos distintos, podendo ser casualmente comercializados, avaliando sua capacidade de competir.

No entanto, alguns autores apontam que o modelo de gravidade das décadas de 1970 e 1980 caiu em descrédito, pois faltava uma teoria que lhe fornecesse embasamento (DEARDOFF, 1984 apud BALDWIN; TAGLIONI, 2006). Isso se acentuou principalmente dado o aparecimento de uma “nova teoria do comércio” entre o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980, o que se configurou como uma tendência na qual o modelo gravitacional passou a ter poucos fundamentos teóricos (BALDWIN; TAGLIONI, 2006).

Entretanto, em um artigo de Deardorff (1995), o autor argumentou que já não era mais verdade que o modelo da gravidade não possuía uma base teórica, uma vez que diversos autores, ao perceberem a sua ausência começaram a construir esta base. O autor destaca que no contexto do modelo Heckscher-Ohlin pode-se aceitar explicações que se ajustam com a equação da gravidade, ao menos em alguns dos equilíbrios que o modelo de Heckscher-Ohlin permite. Além disso, Deardorff (1995) ressalta que:

None of this should be very surprising, although I admit that this is much clearer to me now than it was when I started thinking about it. All that the gravity equation says, after all, aside from its particular functional form, is that bilateral trade should be positively related to the two countries' incomes and negatively related to the distance between them. Transport costs would surely yield the latter in just about any sensible model. And the dependence on incomes would also be hard to avoid. The size of a country obviously puts an upper limit on the amount that it can trade (unless it simply re-exports, which one normally excludes), so that small countries necessarily trade little (p. 3).

Por fim, cabe salientar que os vários estudos que analisam este modelo empregam modelos teóricos distintos, aplicando diferentes bases de dados e técnicas de estimação. Sempre, levando em consideração as especificidades do que se está estudando.

Anderson e van Wincoop (2003) assinalam que a equação de gravidade tradicional não é corretamente especificada, pois não leva em conta termos de resistência multilateral. Um dos meios encontrados para resolver esse problema foi incluir efeitos fixos para exportador e importador,

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em que e indicam o efeito fixo para exportador e o importador.

Posteriormente, uma extensão proposta por Anderson e van Wincoop (2004) tornou-se a abordagem teórica que mais tem sido empregada para dar suporte ao modelo gravitacional. Esses autores ofereceram importante contribuição ao ressaltar que os fluxos comerciais entre pares de países são diretamente proporcionais ao seu PIB e inversamente proporcionais às barreiras comerciais relativas. Assim sendo, fatores como a localização geográfica de um país é assim capaz de afetar a sua competitividade no comércio internacional. No mais, apenas a partir do trabalho de Anderson e van Wincoop (2004) o modelo foi especificado de modo a possibilitar análises setoriais.

A equação gravitacional teórica com base em Anderson e van Wincoop (2004) é representada por:

(6) em que representa as exportações do setor k da região (ou país) i para a região j; é o dispêndio do país j com o grupo de produtos k; e são, respectivamente a produção do

país i e a produção agregada (mundial) no setor k; representa uma função dos custos de comercialização; e , representam índices de preços, sendo também identificados como índices de resistência multilateral.

Segundo, Shepherd e Wilson (2008) o modelo teórico de Anderson e van Wincoop pode ser adotado como a abordagem padrão. Ele é um modelo de análise ex-post, que tem sido utilizado para verificar a magnitude e os efeitos de diversas variáveis sobre os fluxos comerciais, tais como a volatilidade cambial, o impacto da aplicação de tarifas, a mobilidade da mão de obra, diversos custos de transporte, etc.

Deve-se ressaltar que a notoriedade do modelo decorre principalmente de três fatores. O primeiro decorre da convicção de que os fluxos de comércio internacional são um elemento chave em todos os tipos de relações econômicas, o que por sua vez implica conhecimento de como os fluxos comerciais deveriam se comportar. O segundo fator aponta para a facilidade quanto aos dados necessários para estimação do modelo. Por fim, tem-se uma série de aplicações empíricas de grande visibilidade que têm estabelecido respeitabilidade aos modelos de gravidade. Além disso, estabelecem um grupo de práticas comuns que têm sido usadas para lidar com as escolhas empíricas ad hoc, as quais os pesquisadores se deparam, ou seja, são estabelecidas práticas padrão que facilitam o trabalho dos pesquisadores (BALDWIN; TAGLIONI, 2006). Podem ser destacadas, também, como um elemento de sucesso deste modelo as propriedades econométricas, cujo poder de explicação empírica traduz-se simplesmente por meio de um coeficiente de ajustamento relativamente elevado (CHENG; WALL, 2005).