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Segundo o Dicionário Educativo de Termos Ambientais, “medidas preventivas” é um termo utilizado na área ambiental para se referir às medidas que evitam ou diminuem a poluição visando uma produção mais limpa (MAZZINI, 2006, p. 330). A autora coloca que as medidas preventivas devem ter prioridade em relação às medidas corretivas e que também se mostram mais econômicas em sua implantação.

Já as “medidas mitigadoras”, de acordo com o mesmo dicionário, referem-se às medidas que visam a prevenção de impactos negativos ou a redução de sua magnitude. Estas medidas podem representar ações de mitigação, equipamentos ou sistema de tratamento de efluentes. A eficácia das medidas mitigadoras depende da eficiência dos meios empregados (MAZZINI, 2006, p. 329).

Ana Luiza Mazzini (2006) classifica as medidas mitigadoras de acordo com os seguintes aspectos:

natureza: preventivas ou corretivas (inclusive os equipamentos de controle de poluição);

fase do empreendimento em que deverão ser adotadas: planejamento, implantação, operação e desativação e, também, em casos de acidentes; meio a que se destinam: físico, biológico ou socioeconômico;

prazo de permanência de sua aplicação: curto, médio ou longo prazo; responsabilidade por sua implementação: empreendedor, poder público, outros (MAZZINI, 2006, p. 329 e 330).

Mazzini (2006) recorda que alguns impactos adversos não podem ser evitados ou mitigados, casos em que se torna necessário, então, a imposição de medidas compensatórias.

As medidas compensatórias, por sua vez, são aquelas adotadas para compensar impactos negativos, “especialmente custos sociais que não podem ser evitados, uso de recursos ambientais não renováveis e impactos ambientais irreversíveis.” (MAZZINI, 2006, p. 329). No caso de ocorrer impactos ambientais irreversíveis, as medidas compensatórias podem ser adotadas em relação a outro fator ambiental diferente daquele sobre o qual atua o impacto.

Nesses casos pode ocorrer, por exemplo, que um impacto ambiental sobre o meio físico seja compensado por uma medida adotada para beneficiar o meio socioeconômico, em função da consequência do impacto sobre este último meio. As medidas compensatórias podem ser aplicadas em valores monetários, de acordo com o valor dos danos causados pelo empreendimento (MAZZINI, 2006, p. 329).

Mariana Sant’Anna (2007) exemplifica com o caso de uma construção de um shopping onde antes se encontrava uma área verde.

Caso o projeto do shopping tenha como prerrogativa o corte das árvores do terreno para sua construção, o Poder Público e a comunidade deverão requerer, em contrapartida, a construção de uma praça nas proximidades para que a supressão das árvores seja compensada por outra área verde, não prejudicando o lazer e a qualidade de vida da população (SANT’ANNA, 2007, p. 201).

Entende-se por medidas potencializadoras aquelas aplicadas à concepção, construção e controle da atividade, em prol da otimização e utilização eficiente dos

recursos. Ao construir um metrô, por exemplo, uma medida de potencialização seria uma campanha de incentivo ao uso deste meio de transporte pela população, a fim de diminuir o tráfego existente (RIBEIRO apud SANT’ANNA, 2007, p. 201).

As medidas deverão ser decididas pelos responsáveis técnicos pelo EIV, pelo Poder Público e pela população nas audiências públicas. A legislação municipal deve conter a obrigatoriedade da consideração destas medidas pelo empreendedor. Além disso, o orçamento do projeto deve prevê os custos para a instalação destas medidas.

Sant’anna (2007) acredita que todos os municípios devam seguir em suas legislações municipais a determinação presente no art. 14 do decreto regulamentador da Lei municipal de Guarulhos/SP (Lei nº 5.880/2003), em que se declara que a licença de funcionamento para a atividade só será expedida uma vez terem sido cumpridas todas as medidas compensatórias presentes no relatório preparado pela comissão do EPIV (Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança). “A garantia da compensação é essencial para que o EIV tenha resultados eficazes em relação aos seus objetivos.” (SANT’ANNA, 2007, p. 202).

No caso de as medidas compensatórias não serem devidamente previstas antes da emissão da licença final em decorrência do prazo, deve o empreendedor responsabilizar-se pelas providências a serem tomadas em relação às medidas, o que será feito por meio da assinatura de um Termo de Compromisso.

Este termo é um ato administrativo que integra a licença a ser expedida, sendo requisito para expedição desta. É fruto da concertação administrativa e tem em seu conteúdo mecanismos jurídicos que podem buscar o cumprimento judicial das exigências para a instalação do empreendimento ao longo do tempo (PRESTES apud SANT’ANNA, 2007, p. 202).

Sant’anna (2007) se utiliza de um exemplo de Vanêsca Buzelato Prestes para ilustrar a aplicação de medidas mitigadoras e compensatórias para controlar os impactos produzidos em virtude da instalação de um hipermercado, medidas estas implantadas após a apresentação dos estudos, análise técnica e realização da audiência pública. O empreendimento entrou em funcionamento um ano depois de firmar o termo de compromisso. O local de construção do hipermercado compreende

uma área de comércio de rua tradicional, o que explica as medidas com foco no impacto sobre a economia local, como se verá a seguir:

a) abertura e pavimentação de uma avenida; b) pagamento do valor da desapropriação da área para implantação da avenida; c) reconstrução de canal sobre arroio que passava pela área do empreendimento; d) construção de creche para 60 crianças, que foi entre ao município equipada; e) separação e entrega de resíduos sólidos gerado no empreendimento nos galpões dos projetos de geração de renda do município; f) 40 pequenas lojas no empreendimento a serem ofertadas preferencialmente para comerciantes da região; g) comercialização da marca “sabor local”, que integra projetos de economia local do município; h) contribuição com R$480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais) para projeto de apoio à economia local; i) contratação de 10% dos funcionários com mais de 30 anos (PRESTES apud SANT’ANNA, 2007, p. 202).

Benzer Belgeler