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3.1.HİKÂYELERDE KADER KONUSU

Ciente de que a análise não se esgota no estabelecimento de focos ou dimensões, a ideia foi ir além do que está explícito nos dados, procurando abstrair informações, relacionando-as e conectando-as, no intuito de não perder nenhuma informação relevante ou o objetivo do estudo. Quando iniciei a pesquisa de campo, dirigi-me a cada profissional, agendando os encontros individualmente, conforme as suas disponibilidades. Inicialmente utilizando a forma e-mail, depois um telefonema para a confirmação do horário e local do primeiro encontro, esperando sempre o melhor momento para iniciar a conversa, apresentar, introduzir a pesquisa e seus objetivos e colocar clara e detalhadamente o tema abordado. Iniciei o diálogo, introduzindo comentários sobre o desenvolvimento profissional dos professores em geral, o papel das Universidades diante deste processo, e da formação pessoal de cada um, especificamente da vida, esclarecendo o tempo médio da entrevista, o sigilo, o anonimato, e o uso do gravador.

Conversamos sobre a necessidade de nos alongarmos no diálogo se necessário fosse, sobre meu compromisso de não divulgar seus nomes, porém, me tranqüilizaram no sentido de que não haveria problema em relação a isto. Sobre o uso do gravador, disse-lhes que só ligaria com sua autorização, mas nosso diálogo foi muito informal e colaborativo, alegre e descontraído,

Desta forma, na análise, examinando temas extraídos das colocações dos professores, por meio da descrição de conteúdos, realizei inferências a respeito das mensagens evocadas.

Bolívar, Domingo e Fernández (2001) problematizam a análise dos dados com uso de autobiografia e narrativas, escrevendo que a questão crucial está na análise, pois implica reduzir a informação e estruturar os dados para determinar as relações entre eles e a relação com o foco de investigação. Os dados precisam ser transformados em resultados, para então extrair conclusões. O problema maior está segundo os autores, na transformação dos dados. Quanto a isto os autores abordam também o perigo da intuição ou ingenuidade em análises de narrativas, devendo o investigador para evitar este perigoso caminho, comparar os dados, contrastar, agregar, ordenar, reduzir, estabelecer relações e teorizar, para que o objetivo da reconstrução das Histórias de Vida seja atendido, ou seja, explicar o significado de fenômenos humanos.

Parti das falas para a realização de quadro com sentido e objetivo, considerando o tema central da pesquisa. Verdadeiramente, conferir sentido às experiências narradas e organizá-las no tempo vivido é papel do investigador. Este ato requereu separar o relevante do secundário. Embora as dimensões sejam extraídas do texto e organizadas em separado, cada uma das partes é vista como parte da história de vida e, portanto, analisada segundo sua relação com as outras partes. As narrativas incluem um ato de linguagem, como escrevem Bolívar, Domingos e Fernández (2001) e representam um mundo social e guardam uma lógica interna, devendo, por isto mesmo, ser assim analisadas nesta perspectiva, observando o uso que o sujeito faz da linguagem quando narra fatos e vivências para analisá-lo conferindo um sentido ao discurso.

Optei por elaborar um plano de coleta dos dados, no intuito de assegurar o cumprimento de aspectos importantes para a pesquisa, como o papel dos sujeitos e o meu papel de investigadora ao administrar os instrumentos de coleta e de análise. Neste intuito, elaborei um plano de orientação e cronograma de ações e também um roteiro do que seria abordado, não para eles, mas para eu me orientar, com alguns caminhos já previstos, que me

106 possibilitassem posteriormente analisar as histórias de vida, com vistas à formação e profissionalização.

Neste intuito, o plano consistiu em:

A- Contato com os professores, possíveis sujeitos da investigação; B- Elaboração da entrevista-narrativa

C- Definição dos nomes dos professores universitários, sujeitos da investigação D- Elaboração e encaminhamento do Termo de Consentimento Livre Esclarecido, como um convite a participar da pesquisa;

E- Realização da primeira entrevista-narrativa;

F- Realização da pré-análise ou análise da primeira entrevista;

De acordo com Minayo, a análise em pesquisas de abordagem qualitativa “...visa alcançar uma vigilância crítica frente a comunicação de documentos, textos literários, biografias, entrevistas...”(MINAYO, 2000,p.203). O que importa é construir o sentido presente no texto, para compreensão de uma determinada realidade. Neste caso, a análise da enunciação considera a palavra como a grande operadora de transformações, por ser evocada ao mesmo tempo da atribuição de sentido. Busquei, pois a compreensão do significado do texto pelo confronto da lógica, da seqüência e do estilo do mesmo, explorando inclusive, comunicações não verbais.

E assim procedi, realizando uma leitura do material que resultou da transcrição das entrevistas narrativas com os professores, na busca do estabelecimento de algumas dimensões. Para cumprir o que se denomina de exaustividade, considerei todos os elementos presentes na entrevista. Em representatividade, procurei elementos que considero atenderem ao objetivo da pesquisa, para logo agrupar os elementos segundo as dimensões, no intuito de atender à homogeneidade. Atendendo à característica de pertinência, selecionei alguns elementos presentes, que mais atenderam ou responderam às questões norteadoras. Esclareço, pois, que nesta pesquisa de investigação narrativa, o estudo baseou-se em casos particulares, que incluem ações, práticas e sucessos da trajetória de vida pessoal e profissional, pelas quais a análise da narrativa produz uma trama que dá significado aos dados.

Dentro deste enfoque, caracterizado pelo estudo de análise narrativa, baseado em sucessos e ações particulares dos professores, busquei elementos singulares que configurassem a história de vida também singular de cada sujeito investigado. Ao configurar

os elementos em uma História de Vida, busquei também significar os dados para expressar a vida de cada sujeito com sua autenticidade e especificidade. Procurei unir o tempo de desenvolvimento e formação ao processo de profissionalização no intuito de responder a questão do desenvolvimento profissional, o porquê desse desenvolvimento autônomo e bem sucedido, resguardando também a complexidade de cada caso em particular. Justifico este modo de proceder à análise dos dados no fato da investigação tratar da trajetória de determinados professores universitários, aqueles os quais julgo bem sucedidos e não de todos os professores, pois me interesso pelo processo de profissionalização daqueles professores que estão “fazendo a diferença” na educação superior, com vistas à construção de algumas pistas para a proposição de ações institucionais futuras, na busca da qualidade do trabalho docente e do sucesso da aprendizagem dos alunos.

A seguir especifico, com mais detalhes, o processo empreendido na análise do material de pesquisa.

4 - A ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS: O PROCESSO EM

Benzer Belgeler