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ROMA HEYKEL SANATI HAKKINDA GENEL BİLGİ

Para a coleta dos dados, inicialmente realizei pesquisa e seleção bibliográfica em teses, artigos e publicações a respeito do tema. Posteriormente, e tendo em vista o interesse em analisar as falas docentes, defini como única técnica de coleta de dados a entrevista semi- estruturada por ela possibilitar que se parta de um “esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações” (LUDKE; ANDRÉ, 1986, p.34).

O roteiro para entrevista foi elaborado seguindo recomendações de Bogdan e Biklen (1994), Ludke e André (1986), Triviños (1987) e Manzini (1990, 1991), bem como mediante orientações recebidas nas disciplinas “Produção da Pesquisa Científica” e “Pesquisa em Educação”, ambas cursadas durante o Mestrado. Para a entrevista semiestruturada foram estabelecidas treze questões abertas, haja vista serem mais flexíveis e possibilitarem a intervenção do entrevistador quando necessário. De modo a avaliar a adequação do roteiro, realizei entrevista-piloto com uma professora de Educação Infantil, na qual pude verificar se as perguntas estavam claras, a sequência adequada e se atendiam aos objetivos da pesquisa. É importante ressaltar que os dados da entrevista-piloto não foram utilizados na análise. Após a realização deste procedimento fiz as adequações necessárias no roteiro.

Para a constituição do corpus propus a participação de três professoras atuantes (em efetivo exercício) junto à Educação Infantil, etapa escolar que compreende a idade de 0 a 5 anos. Optei por entrevistar apenas três docentes pois acredito que um número menor de entrevistas possibilita análises mais detalhadas, permitindo maior reflexão e compreensão diante da complexidade do tema.

A seleção das colaboradoras respeitou os seguintes critérios:

a) A acessibilidade aos sujeitos, ou seja, a viabilidade de contato e encontro, bem como a sua disposição e interesse em participar dessa investigação;

b) Perfis diferenciados no que diz respeito às suas idades e atuação em instituições localizadas em pontos geograficamente distintos na cidade;

c) Atuar com faixas etárias distintas e escolas de Educação Infantil com mantenedoras diferentes;

d) Perfis diferenciados no tocante à formação, tempo de atuação e ciclos de vida profissional docente;

e) Atuar no município de São Carlos/SP. A escolha por essa localidade se deve ao fato de ser onde vivi minha vida escolar e atualmente exerço atividade profissional. Sinto-me influenciada, portanto, a escolhê-la como local de desenvolvimento da pesquisa pelo interesse em perceber a movimentação do processo educacional na prática, de modo a identificar as possíveis transformações e/ou estagnações do mesmo, tomando meu processo educacional e minha inserção como docente como parâmetros de análise.

O processo de coleta de dados aconteceu entre os meses de junho e novembro de 2014, em data e local escolhidos pelas docentes de acordo com sua disponibilidade. As entrevistas semiestruturadas foram realizadas somente após os sujeitos tomarem conhecimento da pesquisa e assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (anexo).

Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Tendo em vista que a Resolução 466/12 deste Conselho considera, em seu capítulo V, que “toda pesquisa com seres humanos envolve risco em tipos e gradações variados” e que “devem ser analisadas possibilidades de danos imediatos ou posteriores, no plano individual ou coletivo”, todas as etapas descritas neste estudo foram cuidadosamente cumpridas a fim de minimizar algum tipo de prejuízo e desconforto aos colaboradores da pesquisa. Considero os riscos da dissertação intitulada Concepções e corporeidades docentes na Educação Infantil potencialmente baixos uma vez que a identificação do participante é totalmente preservada tanto na coleta de dados quanto no tratamento e divulgação dos mesmos.

Segundo as orientações de Ludke e André (1986, p.35):

a postura do entrevistador deve ser sempre de respeito pelo entrevistado, pela sua cultura e valores; deve ser capaz de ouvi-lo atenta e pacientemente bem como estimular o seu fluxo material de informações; garantir um clima de confiabilidade para deixá-lo à vontade, com boa capacidade de comunicação verbal e estar atento não somente às respostas, mas também a toda comunicação não verbal: os gestos, expressões, entonações.

Por esse motivo, a fim de registrar as imagens e expressões decorrentes da entrevista, foi proposta às participantes a sua vídeo-gravação. No entanto, todas recusaram este tipo de registro, aceitando participar e sentindo-se à vontade somente com a gravação sonora (item a

ser explorado na análise dos dados). Assim, fiz uso do gravador para registrar o conteúdo verbal e de anotações para as expressões não-verbais.

Com vistas a traçar o perfil das professoras participantes da pesquisa, a entrevista continha um roteiro estruturado inicial que nos permitiu uma descrição clara e objetiva de suas características no tocante à sua formação acadêmica, profissional e pessoal.

Entre as diversas formas possíveis de se compreender as concepções e saberes das docentes da Educação Infantil, minha opção, como já exposto, foi buscar apreendê-las por meio de suas narrativas e expressões. Também me preocupei em propiciar às colaboradoras da pesquisa um momento de reflexão e questionamento acerca do que pode ser preservado, aperfeiçoado ou modificado em suas práticas pedagógicas. Assim, o intuito foi remetê-las a situações de suas práticas pessoais e profissionais, fazendo-as reviver acontecimentos de seu cotidiano e de sua sala de aula ou mesmo outros fatos que façam parte do seu contexto, sua vida.

Assumidamente, uma das possibilidades almejadas por esta pesquisa é apresentar-se aos docentes da Educação Infantil, sobretudo às colaboradoras deste estudo, como uma tentativa de dar acesso a um percurso interior que evolui correlativamente para um percurso exterior caracterizado, por sua vez, por acontecimentos, atividades, experiências, relações, encontros, pertenças. Foi nesta exposição que se exprimiu, implícita ou explicitamente, o olhar lançado sobre elas mesmas, sobre os educandos e sobre dimensões sensíveis como a corporeidade.

Desse modo, o diálogo estabelecido com as entrevistadas foi flexível e respeitou o tempo de verbalização e reflexão de cada uma. Durante a entrevista foram discutidas questões referentes à problemática da pesquisa, em especial questões relacionadas à Educação Infantil e a prática pedagógica direcionada ao corpo, de modo a buscar um entendimento sobre a percepção que possuem de sua própria corporeidade.

O uso do anonimato bem como o fato de os locais para a realização das entrevistas terem sido escolhidos pelas próprias docentes deixaram-nas bastante à vontade. Isso porque entrevistei duas das docentes em suas respectivas residências e uma na Instituição em que leciona. Este contato direto com as docentes in loco também me proporcionou observar suas comunicações não-verbais que por vezes eram conflitantes com as verbalizações, por vezes reafirmavam-nas e por vezes indiciavam a busca por alguma resposta mais bem elaborada e respaldada nos dizeres de autores do campo da pedagogia ou da mídia.

É preciso ressaltar que esta pesquisa investiga as concepções docentes por meio do que profissionais da Educação Infantil têm a dizer acerca da prática construída e efetivada ao

longo dos anos, sua corporeidade e a formação constituída pessoal e profissionalmente. Dessa forma, a pesquisa destaca a fala da pessoa docente, não analisando as instituições às quais esses professores estão vinculados.

Após a realização das entrevistas e suas consequentes transcrições, imergi na leitura dos dados coletados buscando, no contato com os documentos, deixar-me invadir por impressões, explorações e compreensões, as quais, por sua vez, derivam tanto do referencial teórico que aporta o desenvolvimento desse estudo quanto do meu conhecimento empírico.

Entendo que as informações e diálogos interseccionados assim como a apreensão dos dados pessoais, profissionais, sociais e contextuais das docentes são importantes para a compreensão da “situação” investigada e de suas articulações.

Portanto, o trabalho de campo foi uma porta de entrada para o novo, sem, contudo, apresentar-me essa novidade claramente. Segundo Minayo (1994), são as perguntas que

fazemos para a realidade a partir da teoria que apresentam os conceitos transformados em

tópicos de pesquisa, os quais nos fornecerão a grade ou a perspectiva de observação e de compreensão.

Benzer Belgeler