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HEMŞİRE YETKİNLİK ÖLÇEĞİ’NİN GÜVENİRLİĞİNİN İNCELENMESİ Hemşire Yetkinlik Ölçeği’nin güvenirlik analizinde; ölçeğin tutarlılığını ölçmek için

GEREÇ VE YÖNTEMLER

HEMŞİRE YETKİNLİK ÖLÇEĞİ’NİN GÜVENİRLİĞİNİN İNCELENMESİ Hemşire Yetkinlik Ölçeği’nin güvenirlik analizinde; ölçeğin tutarlılığını ölçmek için

O Golpe de Estado Militar-bonarpartista37 de 1964 foi o desfecho de um momento de equilíbrio de forças políticas conservadoras e progressistas, que vinha germinando desde o

37 A respeito deste conceito que foi o que prevaleceu segundo entendimento da banca de defesa, o autor deste trabalho entende – em consonância com Florestan Fernandes (1982) -, que ao invés de Golpe militar- bonapartista de 1964, o que ocorreu foi uma Contra-Revolução.

retorno da legalidade burguesa em 1946 passando pela morte de Vargas em 1954, pelas duas tentativas de golpe de 1956-5938, e por fim, pela tentativa de impedimento da posse do então vice-presidente João Goulart, orquestrada pelos ministros das pastas militares.

Em princípio, as forças político-sociais que foram derrotadas pelo golpe de 1964 na visão de Saes (1985) foram os trabalhadores urbanos e seus aliados, a classe operária urbana e os trabalhadores assalariados das cidades, o campesinato pobre e os trabalhadores rurais (MEDEIROS, 1987).

A partir deste mesmo ano de 1964, colocou-se em prática o receituário econômico ortodoxo, formulado pelos economistas Roberto Campos e Otávio Gouvêia de Bulhões, sendo implementadas medidas econômicas ortodoxas fundamentais para o salto qualitativo no processo de desenvolvimento no capitalismo brasileiro.

A primeira medida foi a maior subordinação do Trabalho ao Capital, através da adoção de política repressiva, notadamente o movimento operário tanto pelo encarceramento dos líderes sindicais principalmente por ocasião do achatamento salarial, consubstanciando segundo Rago Filho (2001, p. 169) o ser precisamente assim do bonapartismo, através da “[...] violência sistemática desferida aos movimentos de resistência, especialmente dos trabalhadores, visando controlar todos os poros da sociedade e propiciar altos vôos para a acumulação capitalista.”.

A segunda medida acrescentada foi o redimensionamento da intervenção estatal na economia sob o prisma desenvolvimentista. A mesma intervenção estatal permitiu a entrada em cena de um aumento da racionalidade burocrática onde o processo de tomada de decisão foi centralizado e hierarquizado, com ampliação das prerrogativas do Poder Executivo, criando uma “tecnoestrutura estatal”(IANNI, 1986).

E por fim, a terceira medida foi o desenvolvimento de um novo setor financeiro, através de um processo de reestruturação financeira objetivando aumentar a liquidez das unidades produtivas. O PCdoB, num primeiro momento, mostrou perplexidade pela nova situação. Ao mesmo tempo, o partido ficou convencido de que o caminho pacifico para o poder apregoado pelo PCB se mostrara inviável.

Os primeiros atos dos golpistas foi uma verdadeira “caça às bruxas”, por meio de cassações, prisões e instauração de inquéritos policial-militares. A primeira ação institucional de envergadura foi o estabelecimento do (AI-1) Ato Institucional número um redigido por

38 ambas revoltas partiram de oficiais da arma da Aeronáutica. A primeira ocorreu em Jacareacanga em 1956 e a segunda em Aragarças em 1959. Em ambos os momentos, revoltosos foram anistiados pelo presidente Juscelino Kubitschek. Em 1964, estes mesmos revoltosos anistiados participariam do golpe de Estado de 1964.

Roberto Campos, objetivando a cassação de parlamentares e suspensão de direitos políticos por atá dez anos. No dia seguinte ao estabelecimento do AI-1, saiu a primeira lista dos cem primeiros cidadãos que tinha seus direitos políticos suspensos, dentre eles constando os nomes de Osvaldo Pacheco, Francisco Julião, Luiz Carlos Prestes dentre outros.

A segunda reunião do PCdoB ocorreu em Agosto de 1964, quando na mais absoluta clandestinidade, reuniu-se a Comissão Executiva, na qual após terem feito uma análise da situação pela qual o país passava, lançaram o documento intitulado O Golpe de 1964 e Seus Ensinamentos. Para o PCdoB, a ditadura foi implantada mediante esforços conjuntos das forças reacionárias internas e do imperialismo estadunidense. Assim, o novo governo estava colocando toda a sua política a serviço destes grupos. Neste sentido, os pecedobistas comentam sobre a política econômica dependente e subordinada ao receituário do FMI (Fundo Monetário Internacional), ocasionando desemprego e arrocho salarial. Além do mais se configurava o sistemático alinhamento geopolítico do Brasil com os Estados Unidos, através do rompimento de relações diplomáticas com a República Popular da China e com a República de Cuba.

No item seguinte do documento, o PCdoB apontou a inviabilidade do caminho pacífico para a tomada do poder, inferindo que: “[...] Os acontecimentos de Março-Abril vieram demonstrar o quanto era ilusória a orientação do caminho pacifico.” (LIÇÕES..., [1974], p. 57).

Assim como constava no documento anterior, o “Manifesto-Programa” continuaria defendendo a saída revolucionária como única possibilidade para a conquista do poder. Entretanto, neste segundo documento, fica transparente a crítica aos reformistas, que era a denominação que o PCdoB utilizava para se referir aos comunistas do PCB. Ao entender do PCdoB, o PCB teve grande parcela de culpa pelo “desastre” ocorrido em 64, por não ter orientado a classe operária - segundo os fundamentos marxistas -, acerca das tarefas políticas que teriam que ser realizadas, ou seja, lutar de maneira decisiva contra a hegemonia burguesa.

A saída defendida pelo documento de 1964 seria a construção de uma ampla frente única democrática e antiimperialista: “[...] que abarca desde os operários e camponeses até a burguesia nacional, um governo que, por isso, será autenticamente democrático.” (LIÇÕES..., [1974], p. 67).

A considerável diferença que não podemos deixar de pontuar, é o alargamento da frente única com inclusão de forças que até tinham apoiado o golpe como a União Democrática Nacional (UDN), vejamos:

Desta tarefa, tanto revolucionários quanto reformistas, tanto militantes do PC do Brasil como do PC Brasileiro, tanto católicos quanto socialistas. Lado a lado podem atuar trabalhistas, brizolistas, comunistas, elementos do PSD, PDC, PSD e até da UDN. Na luta por objetivos concretos é preciso unir todas as forças capazes de serem unidas e neutralizar todas as que possam ser neutralizadas. Quando o governo aumenta o número de descontentes, maiores são as possibilidades de ampliar e fortalecer a aliança dos que resistem à ditadura.” (A LUTA..., 1964-[1974], p. 80).

Ao defender a ampliação da aliança com forças políticas que não economizaram esforços na promoção do golpe de Estado, como a UDN e setores do Partido Social- Democrático (PSD), induz-nos a pensar que os comunistas davam ênfase a uma análise conjuntural, isto é momentânea da situação vivenciada. Ora, defender ampliação de tal magnitude é não ter percebido justamente quais as forças políticas com as quais não se podia contar. Portanto, a análise do partido foi processada por profundo politicismo, isto é, priorizar a instância do político sem observar as demais esferas (econômica, social) conformadoras de uma totalidade que capacitasse o PCdoB em fazer uma real análise das forças políticas que realmente teriam um projeto dicotômico ao que estava sendo inserido pelo Governo autoritário implantado pelo Golpe de 1964.

Diante do clima de guerra fria crescente que o país sofria, os setores conservadores bateram as portas dos quartéis, no intuito de finalizar as agitações, que no entender de grupos conservadores da burguesia, o governo não estava sendo capaz de controlar a mobilização e polarização da sociedade. E assim, as Forças Armadas deram o golpe. Conforme (SODRÉ, 1994 apud TOLEDO, 1997, p. 105):

[...] as forças armadas foram instrumentadas, manipuladas, mobilizadas pelas forças políticas mais conservadoras, que este país conheceu. Então, a fachada militar das ditaduras esconde seu conteúdo profundamente reacionário, o conteúdo que resultou da mobilização das forças mais retrógradas da sociedade brasileira.

E ainda o mesmo Sodré entendeu que:

Não era primeira vez que militares incorriam na senda golpista [...] Ocorre, de 1945 aos nosso dias, uma sucessão de golpes de Estado. O golpe de 1945, imediatamente após o fim da guerra, o de 1954, que depõe Getulio Vargas, as tentativas de golpe de 1955 e 61. (SODRÉ, 1965 apud TOLEDO, 1997, p. 103).

Historicamente, o Exército continha tendência progressista, advinda da época das lutas tenentistas de 1922, 24 e 26. Entretanto, a partir da década de quarenta, esta instituição sofreu influências do nazi-fascismo, que muito facilitava a presença de oficiais superiores

como Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, que nesta época, demonstraram claros sinais de simpatia pelo ideário fascistizante ao mesmo tempo, que ambos nutriam profundo anticomunismo. A este respeito Cunha (2006, p. 97) entende que os sintomas de anticomunismo podem ser detectados logo após o levente de 1935:

Criou uma cultura anticomunista nas Forças Armadas que, a partir daquela data e ao longo dos anos, até o final da ditadura militar, seria comemorda nos quartéis quase como uma data nacional, sempre com a mesma versão: que os companheiros de farda foram mortos dormindo, algo que a historiografia já desmentiu.

Feita esta digressão, interessa-nos entender qual o comportamento empreendido pelos comunistas do PCdoB. Meses após o Golpe de 1964, o PCdoB, mais especificamente sua Comissão Executiva, produziu o documento “O Golpe de 1964 e seus ensinamentos”. A preocupação dos comunistas foi de proceder ao exame em busca das causas da derrota das forças políticas e sociais (PCB, PCdoB, PTB, Ligas Camponesas) que postulavam mudanças estruturais naquele momento. No geral, o texto entendeu que os golpistas tinham barrado o ascenso do movimento popular. Cabendo destacar que os comunistas sinalizam com maior atenção a importância do camponês, fato este que será destacado posteriormente na Sexta Conferência. Da mesma forma, coloca-se ênfase de se construir uma Aliança ampla de combate à ditadura militar, abrangendo setores que demonstrassem espírito democrático, cujo aspecto estava também na preocupação com a questão nacional, quando o PCdoB afirma que o país se via frente à ameaça imperialista.

Esse documento não deixa clara a ênfase no aspecto democrático no combate à ditadura militar no que diz respeito à importância que a democracia teria para o Brasil, isto é, a questão democrática fica subalternizada à questão nacional e, ao longo do texto, dá-se a entender que o aspecto nacional seria o predominante, daí então, entendermos a posição pecedobista de defender a construção de aliança de grande amplitude. Nos momentos finais do documento, o PCdoB deixa entrever que o Governo instaurado pelo Golpe de Abril seria temporário, pois carecia de sustentação na sociedade e, a sua remoção caberia à pressão exercida pela sociedade. Ledo engano, pois conforme se verificou posteriormente, não somente o Governo Castelo Branco tinha base de sustentação - o que muito contribuiu para a desarticulação dos movimentos sociais -, como conseguiu eleger o sucessor, o Gal. Costa e Silva.