• Sonuç bulunamadı

D- Diğer Hususlar

II- AMAÇ ve HEDEFLER

A escolha de uma área de formação é sempre uma decisão que se reveste de uma enorme importância para a definição da carreira de um indivíduo.

O traço comum a todos os entrevistados na escolha do curso de enfermagem é o gosto pela área da saúde, seja como uma convicção firmada desde muito cedo, ainda em criança ou mesmo na adolescência, ou uma descoberta que surgiu por influência de amigos ou experiências vivenciadas em acções de voluntariado.

O fascínio que a profissão de enfermeiro exercia sobre alguns dos entrevistados, conduziu-os a uma escolha com “conhecimento de causa”, onde a determinação individual foi a chave para ultrapassar os obstáculos que foram surgindo, tais como o não ter entrado na primeira vez em que concorreram ao ensino superior, apresentado como uma enorme desilusão, mas que possibilitou, a um dos entrevistados, tirar um curso de auxiliares de acção médica e “entrar no hospital e ver como as coisas funcionam”.

“…enfermagem foi uma coisa que sempre me fascinou…desde miúda que eu dizia que queria ir para enfermeira, queria ir para enfermeira...sempre foi esse o meu objectivo (…) chorei ….dias inteiros porque não tinha entrado para enfermagem (…) era enfermeira por …por convicção!!!” (E5, 1);

“…escolhi com conhecimento de causa, porque inicialmente no primeiro ano da faculdade eu escolhi farmácia, porque sempre me atraiu a área da saúde. Não entrei..., vi um curso de auxiliares de acção médica e porque não entrar no hospital e ver como as coisas funcionam…. e foi ai que disse é isto que quero fazer, vou tirar enfermagem e tirei o curso de enfermagem..” (E9,1);

“…acho que sempre quis ser enfermeira, acho ….e enfermeira de bloco, sempre quis começar pelo bloco (…) Sempre bloco! Porque a minha ideia de enfermagem, na altura, era muito as cirurgias e a enfermeira instrumentista mais propriamente, que estava ali no meio, no centro da actividade. Claro que isto são sonhos de adolescente (…) quando comecei o curso não voltei a pensar em trabalhar em bloco (...) acabei o curso e fui trabalhar em enfermaria e nem sequer me passou pela cabeça o bloco operatório…” (E3,1).

Existe, também, quem desde muito cedo sonhasse em exercer a sua actividade profissional dentro do bloco operatório, mas cujo sonho se dissipasse após a conclusão do curso, quer seja pela multiplicidade de valências abordadas e experienciadas durante a formação académica, quer seja pela ânsia de entrar no mundo profissional.

42 Há também quem tenha simplesmente “tropeçado” nesta área por um simples desencontro de um sonho pela carreira de medicina e que ingressa em enfermagem na busca de uma independência pessoal, tendo-se deixado vencer pela descoberta de uma área pela qual se encantou. Hoje, olhando para trás, há a certeza que a decisão tomada foi a mais correcta, pois possibilitou a descoberta de uma profissão pela qual, a nossa entrevistada, não abdicaria.

“…eu sou suspeita a falar nisso, eu sou suspeita porque eu não vim para a enfermagem propriamente por escolha. Pronto sou muito suspeita! Eu sempre quis medicina… depois mudei de ideias e disse aos meus pais que não queria medicina, queira arquitectura, tem tudo haver…. fui assim a modos que obrigada a concorrer a medicina e no caso de não ter vaga concorri a enfermagem, porque toda a minha turma estava a concorrer a enfermagem... Consegui enfermagem e foram 3 anos em que eu pensei isto não é para mim. A escola não é para mim, o curso de enfermagem não é para mim, detesto isto, não quer saber, quero acabar o curso e começar a trabalhar, sair de casa dos meus pais e ter a

minha vida …” (E8,1);

“…não era o curso que eu queria tirar, eu queria tirar educação especial e reabilitação só que só havia 30 vagas a nível nacional e depois eu concorri para enfermagem porque…escolhi pelo sítio, que era longe de casa… tinha um amigo, que tinha conhecido há pouco tempo e falamos sobe enfermagem e ..então pronto, vamos lá experimentar. E havia uma senhora, que eu já conhecia há imensos anos, que era enfermeira e que também me ajudou a convencer e …então concorri para enfermagem (…) como eu costumava dizer à maior parte das pessoas tinham ido lá por vocação eu acho que acabei o …. não tinha ido por vocação e acho que acabei o curso por vocação, por gostar muito…” (E1,1).

A busca por uma independência pessoal, o desencontro com a expectativa de tirar um curso, cuja vagas eram muito poucas, as conversas partilhadas com amigos, traçaram a escolha por um novo desafio que é orientado pelo “vamos lá experimentar”, onde o caminho percorrido conduz à descoberta de uma vocação.

Nem sempre os percursos e as escolhas pareceram óbvias aos entrevistados, mas o contacto com a realidade, desta actividade profissional traçou-lhes o caminho da descoberta pela profissão de enfermeiro. O voluntariado entrou na vida de um dos entrevistados e conduziu ao fascínio por esta profissão, quer na sua capacidade de ajudar o outro quer na dureza imposta pela profissão.

“…fazia voluntariado no hospital (… ) Apesar dos enfermeiros com quem eu (…) colaborava ali como voluntária, diziam sempre “não venhas, não venhas para a profissão que isto é muito duro”. Eu acho que foi a dureza que eu gostei, eu gostei de poder ser útil no trabalho que se tem, foi sempre um objectivo, um objectivo …e depois percebi quer era uma área com…em que isso podia ser aceite com facilidade e ao mesmo tempo gostar de fazer aquilo em que se estava a trabalhar….” (E7,1).

Os acasos e convicções dos diferentes percursos profissionais dos entrevistados definiu-lhes um caminho, cheio de experiências em valências de actuação diversas que lhes enriqueceu os percursos profissionais, no entanto foi a sua vocação para a área da saúde que lhes fez despertar a curiosidade em explorar o contexto profissional da área de enfermagem. Esta ideologia de vocação é sustentada por uma “propensão ou

43 inclinação natural para a profissão” onde se enfatiza a ligação entre as “características individuais e competências profissionais” (Lemos,2008:155).

Segundo Vieira (2008:94) o sentido da vocação para ser enfermeiro “é ainda muito presente nos discursos dos candidatos aos cursos de enfermagem” sendo com alguma frequência que “referem ser este o curso «que sempre sonhei», ou mesmo «sempre foi a minha vocação»”.

Benzer Belgeler