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D. Diğer Hususlar

II. AMAÇ VE HEDEFLER

2003

Estado Curso / Oficina Fóruns / Seminários Participantes

Bahia 5 - 352

Santa Catarina 11 - 210

TOTAL 16 - 562

Fonte: Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan

2004

Estado Curso / Oficina Fóruns / Seminários Participantes

Bahia 7 1 510

Ceará - 1 73

Goiás 3 - 70

Maranhão 2 - 70

Piauí - 1 140

Rio Grande do Sul - 1 220

Roraima 2 - 60

Santa Catarina 13 1 325

TOTAL 16 5 1468

Fonte: Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan 2005

Estado Curso / Oficina Fóruns / Seminários Participantes

Acre 1 1 116 Amazonas 1 - 40 Bahia 5 1 748 Distrito Federal 2 1 161 Goiás 8 - 341 Maranhão 2 1 163 Mato Grosso 1 - 99 Minas Gerais 4 1 262 Pará 2 - 248 Paraná 4 2 270 Pernambuco 1 - 150 Piauí 2 - 75 Rio de Janeiro 1 2 390

Rio Grande do Norte - 1 140

Rio Grande do Sul 4 2 280

Roraima 3 - 80 Santa Catarina 25 2 500 São Paulo - 1 100 Sergipe 2 2 372 Tocantins 2 1 142 TOTAL 68 17 4677

Fonte: Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan 2006

Estado Curso / Oficina Fóruns / Seminários Participantes

Acre 1 - 44

Ceará 3 1 139

Distrito Federal 2 2 551

Goiás 1 1 130

Maranhão 1 - 54

Mato Grosso do Sul 2 - 156

Minas Gerais 12 2 991

Paraíba 2 - 58

Paraná 4 - 80

Pernambuco 5 - 179

Rio de Janeiro 2 3 672

Rio Grande do Norte 3 - 164

Rio Grande do Sul 8 1 320

Roraima 1 - 29 Santa Catarina 22 - 366 São Paulo 2 - 108 Sergipe 2 - 112 Tocantins 2 1 197 TOTAL 79 11 4.578

Fonte: Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan

O programa, além dos fóruns e seminários, oferecia uma quantidade de 14 oficinas específicas, com temas relacionados às práticas e metodologias do campo da museologia, como expografia, gestão e conservação de acervos, segurança em museus, ação educativa em museus, entre outras (TOLENTINO, 2009). Além desses, havia oficinas com temas mais teóricos, como a oficina “Museu, memória e cidadania”, que abordava conteúdos como a dinâmica conceitual de museu, a perspectiva concebida pela PNM, as funções dos museus, políticas culturais no contexto museológico, o papel social dos museus, museus como agentes de desenvolvimento sociocultural, etc. Essa base conceitual comum também era seguida em todas as oficinas ofertadas. Esse programa, desta forma, foi um vetor de disseminação das ideias e da concepção ideológica de museologia adotada pelo Ministério da Cultura por meio da PNM, em todo o país. A avaliação e um estudo do impacto desse programa, de forma mais aprofundada, torna-se necessário para se verificar a sua pertinência e seus desdobramentos nas localidades onde foi ofertado. Conforme veremos no capítulo seguinte, no caso específico do Museu Comunitário da Evot, a realização da oficina “Ação Educativa em Museus”, oferecida na cidade de Campina Grande por meio desse Programa, foi um ponto-chave para a sua criação e concepção.

O prof. Mario Chagas, por sua vez, além de amplamente atuante desde o início dos debates para a concepção da PNM, assumiu o cargo de Coordenador Técnico quando da criação do Departamento de Museus e Centros Culturais - Demu no Iphan, em 2004, e de diretor do Departamento de Processos Museais27 quando da criação do Instituto Brasileiro de Museus – Ibram, em 2009. Mário Chagas é autor de uma ampla produção acadêmica no âmbito da museologia e figura atuante no campo da museologia social e em projetos de museus comunitários, como o Museu da Maré, Museu da Favela Pavão-Pavãozinho, entre outros. Sua presença no corpo diretivo do Demu e do Ibram contribui, sobremaneira, para a inserção das demandas da museologia social nas agendas políticas do MinC voltadas para o campo dos museus.

Momentos-chave nesse sentido podem ser descritos na trajetória da PNM. Um deles é todo o apoio concedido pelo MinC para a implantação do Museu da Maré28, instalado no complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, que se tornou um ícone das lutas de resistência dos movimentos de memórias sociais locais. O Museu da Maré foi inaugurado durante as comemorações da Semana Nacional de Museus em 2006, em meio a polêmicas geradas pela mídia que denunciava a glamourização das favelas29, mas como uma ação emblemática do MinC em prol dos movimentos sociais. A iniciativa da criação do Museu da Maré surgiu da atuação do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré – Ceasm, uma organização não-governamental fundada em 1997, dirigida por moradores e ex-moradores locais, com a finalidade de superar as condições de pobreza e exclusão existentes na região, apontada como o terceiro bairro de pior Índice de Desenvolvimento Humano - IDH da cidade. A ideia tomou corpo e, ao longo do processo, contou com o apoio de profissionais da área acadêmica, entre eles, o Prof. Mario Chagas. Posteriormente, obteve o apoio do Demu e da então Secretaria de Programas e Projetos Culturais – SPPC do MinC (atualmente, a Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural – SCDC absorveu as ações da antiga SPPC). O Museu

27 Dentro desse Departamento, foi criada a Coordenadoria de Museologia Social e Educação, que tem como atribuição, entre outras, desenvolver, coordenar e propor políticas, programas e projetos voltados para a museologia social, bem como propor e difundir metodologias e práticas de educação e museologia social, voltadas para a ampliação da função social dos museus (conforme Regimento Interno do Ibram, instituído pela Portaria MinC nº 110, de 8 de outubro de 2014).

28 Estudo detalhado sobre o Museu da Maré encontra-se na Revista Musas nº 03, na seção “Museu Visitado”. 29 Em texto sobre a criação do Museu da Maré, Antônio Vieira (2007) mostra bem o reflexo desse novo museu no noticiário impresso e nas mídias eletrônicas da época. A imprensa noticiou, publicaram-se artigos sobre o tema, a experiência se tornou referência até mesmo para outros países. Mas também incomodou e gerou polêmicas.

da Maré foi um dos pontos de cultura selecionados por meio do Programa Cultura Viva30 da SPPC, que viabilizou recursos financeiros para a sua implantação. Por meio do Demu, além do apoio financeiro, o Ceasm obteve orientação técnica quando da formulação e implementação do projeto museológico e museográfico e na continuidade de suas ações. Esse museu tornou-se referência para a implantação de outros museus em comunidades caracterizadas por diversos problemas sociais.

O Museu da Maré foi referência também para a concepção do Programa Pontos de Memória, que se configura como um carro-chefe para as políticas voltadas para a museologia social. Esse programa foi inicialmente gestado ainda no âmbito do Demu, com uma clara influência do Programa Pontos de Cultura. Sua concepção partiu de reuniões e encontros coordenados pelo Demu com representantes de museus comunitários e movimentos sociais que reivindicavam a preservação e representação de suas memórias. Tomou corpo a partir de uma parceria entre o MinC e o Programa Nacional de Segurança com Cidadania - Pronasci, do Ministério da Justiça, quando foi possível publicar um primeiro edital de apoio a projetos dos Pontos de Memória31, em comunidades urbanas com alto índice de vulnerabilidade social. Atualmente, sua abrangência foi ampliada e assim o Ibram explica esse programa:

Com o objetivo de atender os diferentes grupos sociais do Brasil que não tiveram a oportunidade de narrar e expor suas histórias, memórias e patrimônios nos museus, o Ibram, inicialmente em parceria com o Programa Mais Cultura e Cultura Viva, do Ministério da Cultura, Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, e com a Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI, vem apoiando também ações de memória em comunidades populares das cinco regiões do país, por meio do programa Pontos de Memória. Com o intuito de buscar reconhecer iniciativas de práticas museais e de processos dedicados à memória social que se identifiquem com a perspectiva da museologia social, da diversidade sociocultural e da sustentabilidade, o Ibram lançou, ainda, o Edital Pontos de Memória, voltado para grupos étnicos-culturais tais como indígenas,

30 Segundo seu documento-base, o “Programa Cultura Viva é concebido como uma rede orgânica de criação e gestão cultural, mediado pelos pontos de cultura, sua principal ação. A implantação do programa prevê um processo contínuo e dinâmico e seu desenvolvimento é semelhante ao de um organismo vivo, que se articula com atores pré-existentes. Em lugar de determinar (ou impor) ações e condutas locais, o programa estimula a criatividade, potencializando desejos e criando situações de encantamento social” (disponível por portal do MinC: www.cultura.gov.br, acesso em 13/03/2008).

31 A Evot também foi selecionada como Ponto de Memória no Edital nº 04/2014 – Prêmio Pontos de Memória, com a apresentação do projeto “Nova expografia do Museu Comunitário da Escola Viva Olho do Tempo: Vale do Gramame: Memórias e Vivências”.

afrodescendentes, ciganos, ribeirinhos, quilombolas, rurais, urbanos, de periferia, cultura litorânea, comunidades brasileiras no exterior, entre outros. (SILVA [et al], 2014, p. 104).

Análise mais acurada da eficácia e impactos desse Programa nas localidades onde foi implantado também é uma perspectiva para um estudo mais aprofundado. Entretanto, o que nos interessa mostrar com esses exemplos, neste momento, é como essa conjuntura contribuiu para que o campo da museologia social ganhasse corpo nas agendas e políticas públicas para museus dentro do MinC a partir da implantação da PNM. E, para isso, foi fundamental a participação de atores-chave nas discussões dessa política e no corpo funcional do governo federal ligado à cultura. As pautas da museologia social estão inseridas desde a concepção da PNM, como nos desdobramentos posteriores, constantes, por exemplo, do Plano Nacional Setorial Museus - PNSM. Referendado pela Portaria/Ibram nº 205, de 2 de julho de 2014, o PNSM faz parte do Plano Nacional de Cultura e comporta um conjunto de diretrizes, estratégias, ações e metas. Com vigência para os anos de 2010 a 2020, o PNSM é resultado de um processo de discussão com o setor museológico, cabendo ao Ibram a sua implementação, monitoramento e coordenação. Essa proposta de agenda política e de planejamento do setor museológico brasileiro também comporta um eixo setorial específico correspondente aos museus comunitários e ecomuseus (BRASIL, 2010).

Não é mera coincidência que, na Paraíba, experiências no campo da museologia social ganharam força ou surgiram a partir dos anos 2000. Possivelmente pode representar um reflexo da atuação do MinC em todo o território nacional, com um discurso vinculado à noção antropológica de cultura, incentivando e apoiando as comunidades e organizações sociais na luta pelo direito às suas próprias memórias e à valorização de suas referências culturais.

Entre essas experiências, podemos registrar o Museu Quilombola do Ipiranga, no município do Conde. A comunidade quilombola do Ipiranga está localizada entre duas áreas de assentamento e um quilombo (Assentamento de Barra de Gramame, Quilombo de Gurugi I e Assentamento de Gurugi II). Essa comunidade participou do Projeto de Melhoria Habitacional para o Controle da Doença de Chagas, do Ministério da Saúde, que tem como uma de suas ações a substituição de casas construídas em taipa por casas de alvenaria. A comunidade fez questão de manter uma original, de modo a utilizar a edificação para a implantação do Museu Quilombola do Ipiranga, com vistas a preservar a memória da moradia tradicional local e montar uma exposição sobre as referências culturais locais. O museu está

em funcionamento desde abril de 2013 e os guias locais são crianças e adolescentes da própria comunidade.

Imagem 2: Vista frontal do Museu Quilombola do Ipiranga, Conde/PB. Foto: Átila Tolentino

Outra experiência surgida nesse contexto é o Museu do Patrimônio Vivo da Grande João Pessoa, desenvolvido pela ONG Coletivo Jaraguá desde 2012 na capital paraibana. Esse museu, que não possui uma estrutura física nem está delimitado entre quatro paredes, atua com determinadas comunidades na grande João Pessoa, muitas vezes consideradas como áreas de risco, de grande pobreza e alto índice de violência, focando a valorização das referências culturais imateriais locais e dos mestres representativos dessas referências. Como explica Laetitia Jourdan (2014), o museu atua com a formação de jovens agentes culturais comunitários e um de seus objetivos é a construção de um espaço de formação, debate, troca e melhoria das condições sociais e econômicas das comunidades participantes. Com clara visão a respeito força política e dos jogos de poder de que estão investidas as instituições museológicas, os idealizadores desse projeto expressam que esse museu “se caracteriza, sobretudo, como uma busca de democratização desses espaços de poder através do empoderamento de grupos antes estigmatizados por uma história de exclusão” (JOURDAN, 2014, p. 69).

Imagem 3: Colaboradores e agentes culturais do Museu do Patrimônio Vivo da Grande João Pessoa na comunidade do Porto do Capim, no bairro do Varadouro. Foto: Isa Paula Morais.

Fonte: http://museudopatrimoniovivo.blogspot.com.br/

Por fim, nessa conjuntura, também está o Museu Comunitário Vivo Olho do Tempo, resultado do trabalho de valorização e preservação das memórias das comunidades do Vale do Gramame, empreendidas pela Evot, cujo processo de construção será detalhado no capítulo seguinte. Ressalte-se que a escolha desse museu, como meu objeto de pesquisa, deu- se pelo fato de minha aproximação prévia com o trabalho da Escola Viva Olho do Tempo - Evot, como demonstrado na introdução, em função das atividades de educação patrimonial que desenvolvo junto à Superintendência do Iphan na Paraíba. É possível que essa aproximação tenha dificultado a pesquisa no sentido de que os atores com quem tratei me vissem como um profissional do Iphan e, portanto, algumas informações que a mim chegaram provavelmente já eram previamente selecionadas. Além disso, a minha militância no campo da museologia social e as relações que construí influenciam o meu olhar sobre o trabalho desenvolvido na Evot. Mas, ao mesmo tempo, essa aproximação prévia contribuiu no acesso às pessoas e aos documentos de pesquisa. E, o distanciamento necessário se deu no meu papel como pesquisador, que procura se centrar nos conflitos e dilemas da construção de uma determinada memória e identidade do Vale do Gramame presente na performance expositiva do Museu Comunitário Vivo Olho do Tempo e no seu processo de construção.

CAPÍTULO 3

CONHECENDO E TECENDO O CAMPO: O VALE DO GRAMAME, A ESCOLA