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6. GEÇERLĐK VE GÜVENĐRLĐK

1.2 HBD KAZANIMLARININ GERÇEK HAYATA UYGUNLUĞUNA

De modo geral, iremos apresentar nesse item o contexto da realização dessa pesquisa. Nesse sentido, iremos descrever o curso de Licenciatura em Física da universidade pública onde trabalhamos, os estudante de Licenciatura em Física que participaram dessa pesquisa, as disciplinas Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I e II e a escola de ensino médio onde os estagiários realizaram suas regências.

- O curso de Licenciatura em Física

A universidade pública onde trabalhamos está localizada no interior do Estado de São Paulo. Até dezembro de 2003, esta universidade oferecia 28 cursos de graduação contando com 5800 estudantes e 18 programas de pós-graduação com aproximadamente 1800 estudantes. Dentre os 28 cursos de graduação, nove estavam direcionados para a formação de professores (licenciaturas): Ciências Biológicas, Matemática, Química, Física, Educação Física e Motricidade Humana, Letras, Pedagogia, Música, e Enfermagem e Obstetrícia. O curso de Física da universidade onde trabalhamos foi um dos primeiros cursos de graduação da instituição. Atualmente, este curso oferece as habilitações em licenciatura plena e bacharelado, sendo que o estudante pode fazer a opção por uma ou outra ao longo do curso.

Além disso, o estudante pode completar os créditos para uma das habilitações e obter a outra por meio de complementação curricular.

- Os estagiários

Especificamente em 2002, um dos anos em que coletamos os dados para essa pesquisa, a turma de universitários que cursou as disciplinas Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I e II era formada por 18 estudantes, sendo 16 rapazes e 2 moças. Para preservar o anonimato dos estudantes que serão citados nesta pesquisa demos a eles nomes fictícios: Glauco, Antônio, Beto, Alberto, Daniel, Elias, Hélio, Almir, Douglas, Emílio, Felipe, Carlos, Henrique, Francisco, Guilherme, Bruno, Beatriz e Carolina.

Iniciamos nossa intervenção nas disciplinas Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I no primeiro dia de aula letivo, ou seja, 15 de maio de 2002. Após apresentar ao grupo de estagiários o nosso plano de curso e o calendário com a previsão das atividades educativas, comunicamos aos futuros professores a nossa proposta de coletar informações durante as atividades, tendo por objetivo a realização de uma pesquisa científica.

A receptividade dos estudantes em relação à proposta de coleta de dados foi positiva, sobretudo por conta do cuidado que tivemos em informar que os dados recolhidos estariam sob sigilo e que nenhum nome seria divulgado posteriormente, garantindo assim o anonimato dos participantes.

Com a finalidade de obter informações específicas sobre as possíveis experiências docentes dos estagiários, solicitamos verbalmente que cada um deles relatasse as suas experiências, até aquele momento, como professores. Verificamos que três estagiários possuíam, até então, experiências relacionadas com atividades docentes em escolas preparatórias para exames vestibulares: Francisco, Guilherme e Carolina. Um outro estagiário, Glauco, exercia naquele momento uma atividade remunerada em um centro de divulgação científica4 associado a uma grande universidade pública do interior do Estado de São Paulo. O estagiário atuava junto ao grupo de Física daquela instituição. Esta situação profissional possibilitava ao Glauco a proximidade com os estudantes do ensino básico que normalmente freqüentam as atividades educativas promovidas pelo centro de divulgação

4O centro de divulgação científica mencionado está vinculado a uma grande universidade do interior do Estado

de São Paulo e atende estudantes do nível básico. O centro possui museu de Ciências Naturais, biblioteca, sala de computação e cineclube.

científica. Além desses, nenhum outro estagiário mencionou qualquer experiência efetiva como professor em escolas básicas.

- A disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física

As disciplinas de Prática de Ensino, responsáveis pelos estágios supervisionados em escolas básicas, são obrigatórias no Brasil para os cursos de Licenciatura. Na instituição universitária onde trabalhamos as disciplinas Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I e II eram oferecidas no sétimo e oitavo períodos do curso.

No âmbito teórico e prático, podemos dizer que as disciplinas Didática e Prática de Ensino se complementam na formação do futuro profissional da educação, porém, a especificidade da última está no acompanhamento de estágios supervisionados.

De maneira geral, os programas das disciplinas de Prática de Ensino de Física prevêem que os futuros professores estudem e discutam as principais tendências para o ensino de Física, analisem criticamente os documentos oficiais que versam sobre propostas curriculares, realizem estudos críticos sobre os aspectos didáticos e pedagógicos relacionados com o ensino de Ciências Naturais e entrem em contato com as principais tendências da pesquisa no campo do ensino de Ciências (MARANDINO, 2003). Nos Estágios Supervisionados, os futuros professores realizam observações em escolas de ensino médio, o planejamento de atividades de ensino e a execução de atividades pedagógicas em situações reais de ensino e aprendizagem.

A observação do contexto escolar objetiva a coleta de dados sobre os principais aspectos que compõem este ambiente, ou seja, o espaço físico, a disposição de móveis e equipamentos naquele espaço físico, a organização do tempo das aulas, o manejo da sala de aula pelos professores, a participação dos estudantes do ensino básico nas atividades escolares propostas pelos seus professores, os procedimentos didáticos utilizados pelos professores etc. Após esta coleta de dados, os estagiários sistematizam e analisam os dados coletados na escola, servindo-se deles para a preparação dos seus futuros planos de trabalho.

Em relação às atividades das disciplinas Prática de Ensino I e II, cabe apontar que nossos encontros semanais ocorriam sempre às quartas-feiras das 14h às 18h. Além disso, os estagiários contavam com quatro horas por semana reservadas para atividades extraclasse, correspondendo a um total de 8 horas de carga horária semanal.

Também destacamos o fato de que devido aos transtornos gerados pela paralisação das atividades nesta universidade em parte do ano de 2001 e 2002, tivemos as atividades da

disciplina Prática de Ensino realizadas em semestres não convencionais. Neste sentido, iniciamos as atividades da Prática I na segunda quinzena do mês de maio (15/05/2002) e terminamos no mês de setembro (04/09/2002).

Na disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I, os estagiários planejaram seus trabalhos a partir do final de junho de 2002 e realizaram as atividades durante as primeiras semanas do mês de agosto de 2002, momento em que os estudantes do ensino médio público retornavam do recesso escolar. As observações e as atividades educativas planejadas para a Prática I ocorreram às quartas-feiras entre a segunda semana de agosto e a segunda de setembro de 2002, durante os três períodos de aula da escola.

Para as atividades de estágio da disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I, os licenciandos de Física foram divididos em pequenos grupos. Esses grupos foram formados pelos próprios estagiários, conforme suas afinidades e/ou conveniências. Cada grupo tinha no máximo 4 componentes e, nessa ocasião, foram formados 6 grupos de trabalho. Destes, 1 executou suas atividades no período matutino, 3 grupos no período vespertino e 2 grupos no período noturno.

A estratégia de planejar e executar as atividades de ensino em grupo parece aliviar de forma significativa a tensão do estagiário em sala de aula. Foi solicitado a cada grupo que participasse intensamente de cada etapa do processo do estágio. Além disso, recomendamos aos futuros professores de Física que entrassem em grupo nas salas de aula do ensino médio, de tal modo que pudessem auxiliar uns aos outros. Os diferentes grupos de estagiários desenvolveram os seus trabalhos no horário de aula de alguns professores efetivos da escola. Mas, de qualquer forma, eles tinham liberdade para escolher o tema, a abordagem e a metodologia de trabalho.

Queremos chamar a atenção para o fato de que, por conta de um calendário pouco flexível, cada grupo construiu uma única versão do plano de ensino durante a disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I. A construção desse plano de ensino aconteceu após a realização de um estágio de observação na escola média. Na seqüência, os estagiários executaram suas atividades de ensino, anteriormente planejadas, na escola média. Cada um dos grupos de futuros professores realizou até 4 aulas de 50 minutos de duração cada. O número de quatro aulas pareceu a todos, professores da universidade e da escola de ensino médio e os estagiários, como suficientemente adequado para atividades dessa natureza. É importante lembrar que houve um período de negociação entre a universidade e a escola de ensino médio visando às aulas de estágio dos futuros professores de Física. Os

professores da escola média prontamente se colocaram à disposição da universidade não só para ceder suas aulas, como também para acompanhar os estagiários em sala de aula.

Já a Prática II teve suas atividades iniciadas no final do mês de outubro de 2002 e estendeu-se até o mês de janeiro de 2003. Dentre as inúmeras conseqüências deste fato, destaca-se a falta de sincronismo entre as atividades realizadas na universidade e aquelas ocorridas nas escolas de nível básico.

Na disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física II os estagiários também planejaram e executaram atividades de ensino na escola de ensino médio. Nesta etapa, os estagiários planejaram seus trabalhos educativos a partir de outubro de 2002 e realizaram as atividades educativas durante os meses de novembro e dezembro de 2002.

Para realizar as atividades de ensino da disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física II, os futuros professores de Física organizaram-se em grupos de 02 ou 03 componentes. Assim como na disciplina Prática de Ensino I, essa divisão ocorreu de acordo com as afinidades e/ou conveniências dos próprios estagiários. Dessa divisão foram formados 08 grupos assim constituídos: Grupo 01 - Antônio, Alberto e Almir; Grupo 02 - Beatriz, Beto e Bruno; Grupo 03 - Carolina e Carlos; Grupo 04 - Daniel e Douglas; Grupo 05 - Elias e Emílio; Grupo 06 - Felipe e Francisco; Grupo 07 - Glauco e Guilherme e Grupo 08 - Hélio e Henrique.

As atividades práticas da disciplina ocorreram na mesma escola de ensino médio anteriormente mencionada. Neste sentido, foi renovada a parceria entre a escola de ensino médio e a universidade pública. As atividades de ensino dos estagiários naquela escola continuaram ocorrendo sempre às quartas-feiras.

Diferente do que aconteceu na disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I, nesse momento os futuros professores foram convidados a elaborar três diferentes versões do plano de ensino. A primeira versão do plano foi entregue logo no início das atividades da disciplina (23/10/2002), a segunda versão foi entregue poucos dias antes dos estagiários iniciarem suas atividades práticas (13/11/2002) e uma terceira e definitiva versão do plano foi entregue após as aulas de regência (até 18/12/2002-última aula de 2002).

Nessa disciplina, os licenciandos planejaram suas aulas na forma de mini-cursos, ou seja, os estagiários planejaram e realizaram suas atividades de ensino na forma de cursos de pequena duração. O mini-curso, ou simplesmente curso de curta duração, é uma modalidade de trabalho amplamente utilizada como atividade de prática de ensino (CARVALHO, 1987; GIANOTTO et al., 1994; MAFFIA, 1994).

No mini-curso, o estagiário está livre para escolher o tema ou conteúdo a ser desenvolvido em atividades educativas. Além disso, ele pode planejar e realizar com mais liberdade experiências educativas diferenciadas em relação às práticas educativas mais tradicionais, pois não possuem a obrigatoriedade de acompanhar o conteúdo curricular desenvolvido pela escola naquele momento específico.

Os trabalhos educativos, no formato de mini-cursos, foram oferecidos em diferentes horários, períodos e dias da semana: 04 no período matutino, 03 no período vespertino e 01 no período noturno. Esse fato possibilitou maior flexibilidade de horário para os estagiários e a possibilidade de atender o maior número possível de estudantes da escola média, tendo em vista que a inscrição daqueles estudantes nos diferentes mini-cursos foi condicionada ao fato de terem que escolher um horário, dentre aqueles disponíveis, que não coincidia com seu período de aula obrigatória.

Cada mini-curso possuía, em média, uma carga horária de oito horas de atividades educativas. Esta carga horária foi dividida em quatro aulas de duas horas de duração cada. A divulgação dos mini-cursos foi realizada pelos estagiários e por uma professora efetiva de Física da escola, que acompanhou todo o processo do estágio supervisionado. As classes eram formadas, em média, por 10 adolescentes. É interessante destacar que, por conta do desajuste de calendário, fomos para o estágio somente no período final daquele ano letivo. Normalmente no final do ano letivo os estudantes do ensino médio estão muito envolvidos com os diferentes processos de avaliação.

Além disso, os mini cursos foram oferecidos em horários alternativos, ou seja, em um horário diferente daquele do período de aula, fato que impedia que muitos estudantes voltassem novamente para a escola no mesmo dia. Para exemplificar este fato, podemos dizer que os cursos oferecidos no período da manhã só foram freqüentados por pessoas que estudavam no período da tarde. Ainda é interessante dizer que a escola média onde os professores-estagiários trabalharam fica na região central e recebe estudantes provenientes de vários bairros distantes daquela região da cidade. A maioria dos adolescentes que estudam nesta escola depende de transporte público coletivo, fato que acarreta uma série de custos aos estudantes e seus familiares.

A professora efetiva de Física da escola média participou de todo o processo de planejamento e elaboração das atividades de ensino dos estagiários. Durante todo o processo, ela viabilizou e potencializou o trabalho dos estagiários na escola. Também destacamos que a maioria dos mini-cursos foram realizados no espaço do laboratório de Física da escola. Esse fato se deu por conta da ocupação total das salas de aula da escola pelos estudantes em

períodos de aula. De qualquer forma, o laboratório de Física foi um espaço muito adequado para as atividades de ensino dos futuros professores. Este laboratório é amplo, composto de três bancadas de alvenaria, 40 bancos de madeira, uma lousa de alvenaria, vários armários de madeira e alvenaria e equipamentos para a realização de aulas práticas na área de Física.

Nossa interação com a professora efetiva de Física da escola foi de tal forma produtiva que, em alguns momentos, ela realizou longas e produtivas conversas com o nosso grupo de estagiários. Nessas conversas, a professora procurava expor aos estagiários o funcionamento burocrático e prático da escola.

- A escola de Ensino Médio5

A escola na qual os estágios foram desenvolvidos destacava-se pelo grande número de estudantes que a freqüentava. No ano de 2002, a escola contava com cerca de 2000 estudantes distribuídos em 3 períodos (manhã, tarde e noite).

A escola ocupa um prédio público de linhas clássicas do interior do Estado de São Paulo. Construído nos primeiros anos do século XX, o prédio em questão é atualmente tombado pelo patrimônio público do Estado de São Paulo. As linhas arquitetônicas clássicas, as soleiras de mármore carrara, as portas e janelas de pinho de riga e a imponente fachada nos remetem a um tempo em que as poucas escolas públicas brasileiras eram construídas com requintes aristocráticos. A escola conta ainda com três amplos laboratórios: Física, Química e Ciências Biológicas. Todos os laboratórios apresentam um rico acervo histórico de equipamentos didáticos do início do século XX.

O laboratório de Física, especificamente, é constituído de um amplo ambiente, com três bancadas em alvenaria, um grande quadro negro e dois amplos armários de madeira. Além disso, conta com um bom número de equipamentos didáticos como, por exemplo, um disco óptico de Newton, um gerador eletrostático Wimshurst e um pequeno exemplar de uma máquina à vapor. Todavia estes equipamentos estão em péssimo estado de conservação.

5

No Brasil, o nível médio é definido pela Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 (LDB) como uma etapa final da educação básica. Ainda segundo a LDB, “[...] a educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum e indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.” (BRASIL, 1996). Na seção IV do capítulo II (da educação básica) o artigo 35 relata que o ensino médio é a etapa final da educação básica e possui duração mínima de três anos, objetivando a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, além de preparar o jovem para exercer a cidadania e aprimorar-se enquanto pessoa humana, incluindo uma formação ética, o desenvolvimento autônomo intelectual e crítico. De acordo com Abdalla (2004), as propostas anunciadas nesse documento estão em sintonia com os documentos produzidos por instituições internacionais, tais como os da Unesco.

A realização do estágio de observação e do estágio prático dos estagiários do curso de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Física I e II nesta escola teve o consentimento verbal de seus diretores, coordenadores e professores.

Os estagiários participaram e realizaram atividades educativas nos três períodos de aula daquela escola, ou seja, matutino, vespertino e noturno.

Benzer Belgeler