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O Banco Central Brasileiro deu um grande passo no sentido de aumentar a confiabilidade do sistema financeiro brasileiro, ao adotar os preceitos de controle de capital indicados pelo BIS, através do Comitê da Basiléia. Cabe agora aos bancos tirarem o maior proveito possível dessa nova regulamentação e reverem suas estruturas de controle.

Foi objetivo desse trabalho, apresentar uma proposta de estrutura boa a suficiente para aproveitar as mudanças no requerimento de capital e revisar a precificação dos produtos de forma consciente. Essa estrutura poderia ser resumida como sendo um processo estruturado para gestão de ativos e passivos ou simplesmente A/LM (Asset Liability Management), passa pelos seguintes pontos:

1. Segregação dos riscos com a centralização da gestão em áreas especializadas para o Risco de Crédito, Mercado e Liquidez, Operacional e outros riscos.

2. Centralização do risco de Mercado na estrutura da tesouraria, através da implementação de um processo de compra e venda de recursos, com cuidado especial em relação ao preço de transferência.

3. Apuração e precificação do capital consumido por cada um dos produtos da instituição.

4. Revisão da estrutura ótima de capital, levando-se em conta a possibilidade de se trabalhar com capital de terceiros através da emissão de papéis de divida subordinada.

5. Implementação de um processo para se medir o retorno dos produtos que se leve em conta os custos operacionais e o custo do capital utilizado, como EVA (Earnings Value Added).

A melhora nos retornos da instituição com a adoção dessa estrutura, também foi nosso objetivo. Dimensionar e comparar os resultados que podem ser obtidos ao se

adotar os dois modelos, o simplificado padrão do BC e os mais avançados, sugeridos para que se tenha uma melhor performance na alocação de capital.

Os resultados finais, demonstrando o impacto nos resultados, gerados através uma gestão de ativos e passivos, suficientemente, abrangente e organizada, deixam claro a sua importância ante os avanços dos órgãos reguladores no sentido de oferecer uma maior segurança ao sistema financeiro brasileiro. Os bancos sempre terão a opção de não realizar os investimentos necessários para que esse estágio seja atingido, porém devem ter a clareza de quanto estão perdendo ao não realizarem. O Quadro 6 exposto anteriormente e reapresentado abaixo, da uma clara idéia do nível possível de perda de rentabilidade quando a instituição não adota um processo integrado para gestão de ativos e passivos.

Fonte - Elaborado pelo autor - 2007 QUADRO 6

Modelo Padronizado 18,01% 31,66%

RETORNO SOBRE O CAPITAL

Resumo dos retornos sobre o capital calculados de acordo com a premissas assumidas

Modelo Proprietário 24,89% 43,12%

Modelos 100% de capital Nível I 60% Nível I e 40% Nível II

No canto superior esquerdo, pode-se encontrar a menor rentabilidade e no canto inferior direito a maior. Pode-se observar uma diferença de quase 24,85% entre o menor e o maior nível de rentabilidade.

Os resultados também deixam claro que o para se extrair o Maximo de aproveitamento dentro dos modelos apresentado é importante que todas as fazes sejam implementadas, ou seja, é necessário primeiramente se ter uma correta avaliação das vantagens da utilização de capital de terceiros sobre o capital próprio. É possível que bancos com baixa rentabilidade e que paguem muito para conseguir uma captação, que produza o efeito de captação subordinada não encontre os mesmos resultados apresentados nesse estudo.

O mesmo não ocorreria na opção de se trabalhar com o modelo padronizado ao invés do modelo proprietário o segundo seguramente ofereceria uma vantagem de retorno em relação ao primeiro, cabe nesse caso, a avaliação do custo do investimento. É possível que em bancos onde a estratégia é de se trabalhar com um baixo nível de alavancagem o ganho oferecido pela troca de modelo não seja um diferencial tão atraente quanto certamente o será para bancos que busquem a alavancagem perto do máximo, e nesse caso (de pouca alvancagem) o retorno sobre o investimento necessário pode não compensar.

Os processos de gestão de risco juntamente com a implementação de modelos de avaliação de performance demonstram que vários problemas com produtos pouco

lucrativo e que muitas vezes não são capazes de cobrir os custos de capital por eles utilizados, podem vir à tona e, a partir desse quadro mais claro, a decisão de descartá-los ou investir na melhoria dos processos ligados a eles poderão ser tomadas com mais segurança.

A questão não se resume unicamente às operações com baixo spread, quando se

cobra spreads excessivos, pode-se estar tirando a instituição do mercado. A

segurança de altos spreads somente é válida quando se consegue manter a

participação desejada no mercado, do contrário o correto seria elevar os ganhos a patamares capazes de cobrir todos os custos demonstrados neste trabalho e ainda manter-se um lucro aceitável; se isso não for possível, recai-se na hipótese de descartar os produtos menos lucrativos.

A implementação dos pontos aqui apresentados levará a instituição a conhecer a real relação risco retorno de cada um dos produtos por ela trabalhado resultando em um aumento na remuneração do capital seja ele advindo pelo aumento dos spreads

ou se for o caso na diminuição dos spreads de forma segura e consciente porem

com um aumento na base de clientes dado a redução nos preços praticados pela instituição.

Como tudo no mercado financeiro esse assunto está longe de se esgotar, as constantes alterações na legislação assim como a constante evolução do sistema financeiro nacional e a crescente evolução nos sistemas de informação certamente irão propiciar a continuidade e aperfeiçoamento dos modelos aqui apresentados. De certa forma a discussão de modelos matemáticos para a gestão de risco não foi o foco principal do estudo, o objetivo primário foi de organizar os processos no qual esses modelos estão inseridos.

Fica então a proposta de uma continuação desse trabalho com foco em modelos mais sofisticados principalmente no que diz respeito ao risco de Crédito e risco

Operacional que ainda estão em estágios menos avançados que o risco de Mercado.

Outra proposta de pesquisa está ligada a área de automação dos processos, poderia existir ganhos em se adotar um sistema totalmente integrado, qual a viabilidade de um empreendimento desse porte, valeria a pena uma empresa de construção de software realizar esse investimento ou dado a magnitude do projeto esse empreendimento somente seria viável para uma instituição financeira de grande porte.

Enfim varias são as pesquisa que podem dar continuidade a esse trabalho sejam elas no sentido financeiro de processos ou sistêmico, certamente irão contribuir para a melhoria da performance do sistema financeiro.

Benzer Belgeler