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2. HAVA-JETİ İLE TEKSTÜRE YAPAN BÜKÜM MAKİNASI

2.1 Hava-Jeti ile Tekstüre

As universidades brasileiras tiveram um papel significativo na pesquisa e proteção de cultivar da cana-de-açúcar, mesmo com o desmantelamento do Planalsucar, em 1990, o que pode ser corroborado pelo volume de proteções solicitadas e obtidas junto ao SNPC, anteriormente apontado.

Assim, consideramos que seria importante mapear as patentes de invenção das universidades e institutos públicos ou privados, bem como a a articulação entre o meio acadêmico e de pesquisa através dessas patentes.281

Do ponto de vista do arranjo institucional, a organização do setor de ciência e tecnologia tornou-se complexa, principalmente a partir dos anos 1990, com a descentralização de sistemas setoriais na administração pública federal para os âmbitos estaduais e municipais, seus centros e institutos de pesquisa e fundos de financiamentos específicos.

Através dos documentos de patentes de invenção esperamos poder traçar uma aproximação do que foi a participação da comunidade acadêmica e de pesquisa. Os critérios utilizados para selecionar as patentes de invenção foram:

 Depositante/titular com nacionalidade brasileira;

 Depositante/titular ser uma universidade ou instituto público de pesquisa ou centro de pesquisa de empresa privada;

 Depositante/titular pode ser uma empresa privada ou pessoa física desde que conste no banco de dados do INPI a indicação da participação de um ou mais pesquisadores CNPq.

Com estes critérios definidos, 25 patentes de invenção concedidas no período de 1980 a 2005 tiveram a participação de universidades, institutos públicos de pesquisa, centros de pesquisas de empresas privadas e/ou a participação de pesquisadores cadastrados no CNPq, o que perfaz 17,7% do total de patentes de invenção concedidas.

281 A proteção a cultivar já foi abordada em item anterior e então iremos tratar, neste momento,

Destas 25 patentes de invenção, convém destacar, a maioria (15) foi concedida no período de desregulamentação e 10 o foram no período do Proálcool.

Tabela 13 – Patentes de Invenção Concedidas pelo INPI em Projetos com Universidades, Institutos de Pesquisa e/ou Pesquisadores CNPq - Cana de açúcar e Etanol: 1980-2005

Depositantes/Titulares Desregulamentação

CNPq (DF) / USP (SP) 0 0,0% 1 1,4% 1 0,7%

Copersucar (SP) 1 1,5% 2 2,7% 3 2,1%

Copersucar / IPT (SP) 0 0,0% 1 1,4% 1 0,7%

EM BRANCO 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

Engenho Novo Tecnologia Agroindustrial Ltda (RJ) 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

Instituto de Pesq e Aperfeiçoamento Industrial / Romeu Corsini (SP) 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

IPT (SP) 0 0,0% 1 1,4% 1 0,7%

IPT/ PHB Industrial S/A (SP) 0 0,0% 1 1,4% 1 0,7%

João Nunes de Vasconcelos (AL) 0 0,0% 1 1,4% 1 0,7%

Magneti Marelli do Brasil Ind. e Com.ércio Ltda. (SP) 0 0,0% 1 1,4% 1 0,7%

Petrobrás (RJ) 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

Petrobrás (RJ) / Unicamp (SP) 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

Stumpf U (SP) 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

Unicamp (SP) 0 0,0% 4 5,4% 4 2,8%

Universidade Federal da Paraíba (PB) 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

Usiminas (MG) / IAA (BR) 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

USP (SP) 0 0,0% 3 4,1% 3 2,1%

USP / ESALQ / Fundação de Estudos Agrários "Luiz de Queiroz" /

Usina da Barra S/A (SP) 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

Total Univ/Inst.Pesq/Pesq. CNPq 10 14,9% 15 20,3% 25 17,7%

Outros 57 85,1% 59 79,7% 116 82,3%

Total de Patentes Concedidas 67 100,0% 74 100,0% 141 100,0%

Total Proálcool

Fonte: INPI

Se compararmos os dados apresentados no nosso Capítulo 3, sobre a proteção de cultivares, temos no período analisado: 37,5% de proteções concedidas a universidades e institutos públicos de pesquisa; e 64,3% nos centros de pesquisa de empresas privadas.

Do ponto de vista das universidades, o Instituto de Pesquisas e Aperfeiçoamento Industrial (BR/SP) / Romeu Corsini (BR/SP) tem uma patente relacionada a “processo e equipamento para alimentação de motores de combustão interna movidos à álcool” (PI8402740-1).282

Esse Instituto pertence à Escola de Engenharia de São Carlos e Romeu Corsini283, citado em nosso Capítulo 2 em função da tecnologia do álcool

motor, e coordenou as pesquisas no IPT sobre combustíveis renováveis para a substituição das fontes de energia fósseis, desde 1938. De três patentes solicitadas, a PI8402740-1 foi concedida a partir de 1984, e outros dois pedidos estavam em andamento quando de nosso acesso ao banco de dados do INPI.

Uma das discussões importantes durante a implementação do Proálcool esteve relacionada ao poder corrosivo do álcool, e uma patente de invenção do IAA, em conjunto com as Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A – Usiminas para “processo e equipamento para obtenção de álcool etílico hidratado combustível não corrosivo”, a patente PI 8302812-9 de 1984, permitiu solucionar esses problemas.

Entre as patentes concedidas durante os 25 anos de análise podemos verificar que há uma concentração de interesses na classe C12, onde são classificados os pedidos relacionados à área de bioquímica, álcool, vinho, microbiologia, enzimologia, engenharia genética ou de mutação, conforme os dados apresentados na Tabela-14.

PI8402740-1: processo e equipamento para alimentação de motores de combustão interna movidos à álcool. Também sem resumo.

283 Foi professor da Universidade de São Paulo e um dos fundadores da Escola de Engenharia

Tabela 14 – Patentes de Invenção Concedidas pelo INPI em Projetos com Universidades, Institutos de Pesquisa e/ou Pesquisadores CNPq, por Área de Pesquisa -

Cana de açúcar e Etanol: 1980-2005

Sem código CIP 4 6,0% 1 1,4% 5 3,5%

A01 Agricultura; silvicultura; pecuária; caça;

captura em armadilhas; pesca 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

C01 Química inorgânica 1 1,5% 1 1,4% 2 1,4%

C04 Cimentos; concreto; pedra artificial;

cerâmica; refratários 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

C05 Fertilizantes; sua fabricação 0 0,0% 1 1,4% 1 0,7%

C10 Indústrias do petróleo; do gás ou do coque; gases técnicos contendo monóxido de carbono; combustíveis;

lubrificantes; turfa 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

C12 Bioquímica; cerveja; álcool; vinho; vinagre; microbiologia; enzimologia

engenharia genética ou de mutação 5 7,5% 2 2,7% 7 5,0%

C13 Indústria do açúcar 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

F02 Motores de combustão; instalações de motores a gás quente ou de produtos de

combustão 1 1,5% 2 2,7% 3 2,1%

G01 Medição; aferição 1 1,5% 0 0,0% 1 0,7%

H01 Elementos elétricos básicos 2 3,0% 0 0,0% 2 1,4%

Total Univ/Inst.Pesq/Pesq. CNPq 18 26,9% 7 9,5% 25 17,7%

Outros 49 73,1% 67 90,5% 116 82,3%

Total de Patentes Concedidas 67 100,0% 74 100,0% 141 100,0%

Classif. Internacional de Patentes - Classe

Com Pesquisador CNPq Sem Pesquisador CNPq Total Fonte: INPI

Vale observar que este interesse já havia sido detectado em nosso Capítulo 3, quando tratamos do conjunto total das patentes concedidas no período, ou seja, uma tendência mais geral do interesse por determinadas áreas, que pode também advir de maior volume de verbas ou da estruturação de um planejamento governamental mais autoritário ou com caráter indicativo. De qualquer forma, as regras do mercado têm também uma grande influência, não somente o mercado interno como o externo, do que tratamos ao longo deste trabalho.

J. Goldemberg, F. E. B. Nigro e S. T. Coelho apontam que em São Paulo a FAPESP investiu cerca de US$ 6 milhões em programas relacionados ao etanol de 1992 a 2005, sendo que:

“Deste total, 26% foi usado em bolsas de estudo (formação de pessoal), 11% em programas regulares (pequenos projetos de pesquisa) e 63% em projetos especiais (entre os quais o mapeamento genético da cana, com o CTC e o processo de hidrólise rápida, com a Dedini)”.284

Além disso,

“Conforme o CNPq, em 2004 havia no Brasil pelo menos 42 grupos de pesquisa trabalhando na agricultura de cana-de-açúcar (com cerca de 255 doutores (FAPESP,2007), sendo os principais no IAC e na ESALQ. Também o nível da tecnologia brasileira para produção de etanol combustível é considerado o melhor do mundo (como atestam os custos de produção e as eficiências de conversão). Por tudo isso, na área de pesquisa em cana-de-açúcar, o Brasil mostra o maior número de publicações técnicas no mundo entre 2001 e 2005 e, em pesquisa de etanol combustível aparece em terceiro lugar (etanol de milho incluído)”.285

284 J. Goldemberg, F. E. B. Nigro & S. T. Coelho, Bioenergia no Estado de São Paulo, 62. 285 Ibid.

Tabela 15 – Patentes de Invenção Concedidas pelo INPI em Projetos com Universidades, Institutos de Pesquisa e/ou Pesquisadores CNPq, por Ano de Concessão -

Cana de açúcar e Etanol: 1980-2005

1 9 7 9 1 9 8 1 1 9 8 3 1 9 8 4 1 9 8 6 1 9 8 8 1 9 8 9 1 9 9 0 1 9 9 1 1 9 9 3 1 9 9 4 1 9 9 7 2 0 0 2 Total CNPq (DF) / USP (SP) 1 1 4,0% Copersucar (SP) 1 1 1 3 12,0% Copersucar / IPT (SP) 1 1 4,0% EM BRANCO 1 1 4,0%

Engenho Novo Tecnologia Agroind. Ltda (RJ) 1 1 4,0%

Instituto de Pesq. e Aperfeiçoamento Industrial /

Romeu Corsini (SP) 1 1 4,0%

IPT / PHB Industrial S/A (SP) 1 1 4,0%

IPT (SP) 1 1 4,0%

João Nunes de Vasconcelos (AL) 1 1 4,0%

Magneti Marelli do Brasil Ind.e Com. Ltda. (SP) 1 1 4,0%

Petrobrás (RJ) 1 1 4,0%

Petrobrás (RJ) / Unicamp (SP) 1 1 4,0%

Stumpf U (SP) 1 1 4,0%

Unicamp (SP) 1 3 4 16,0%

Universidade Federal da Paraíba (BR/PB) 1 1 4,0%

Usiminas (MG) / IAA (RJ) 1 1 4,0%

USP / ESALQ / Fundação de Estudos Agrários "Luiz de Queiroz" (BR/SP) / Usina da Barra S/A-

Açucar e Álcool (SP) 1 1 4,0%

USP (SP) 1 1 1 3 12,0%

Total por Ano - Patentes Concedidas 1 1 2 2 1 2 1 1 3 6 1 3 1 25 100,0%

Ano Deposit ant e/ Titular

Fonte: INPI

Finalmente, gostaríamos de apontar o fato da política científica e tecnológica no Brasil, a partir dos anos 1990, passar a enfatizar a interação universidade e empresa. Embora pequena, nossos dados mostram algum nível de interação, principalmente com instituições privadas, como pode ser observado no Quadro-06:

Quadro 06- Patentes de Invenção Concedidas pelo INPI para Parceria Universidade/Empresa - Cana de açúcar e Etanol: 1980-2005

Depositante Título da Patente

Engenho Novo Tecnologia Agroind. Ltda (RJ) Processo de destilação de álcool e concentração de vinhoto e instalação para execução do processo

Magneti Marelli do Brasil Ind.e Com. Ltda. (SP) Controle eletrônico adicional de combustível para motores á álcool USP/ ESALQ / Fundação de Estudos Agrários

"Luiz de Queiroz" (BR/SP) e Usina da Barra S/A- Açúcar e Álcool (SP)

Processo de produção de etanol com o controle de leveduras contaminantes

Fonte: INPI

Assim, os dados confirmam uma presença, ainda que tímida, de uma parceria entre a universidade e a empresa, se o olhar for para as patentes de invenção.

E na proteção de cultivar o papel das universidades brasileiras na pesquisa e proteção de cultivar da cana-de-açúcar tem sido expressivo, uma vez que se leve em consideração que os investimentos públicos não tem tido uma regularidade ao longo do período analisado.

De qualquer forma, a institucionalização da ciência e da tecnologia para a cana-de-açúcar e o etanol no Brasil percorreu o caminho do ensino, da pesquisa, da divulgação e da aplicação do conhecimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao fazer uma reflexão sobre a história do Brasil com suas particularidades sócio-econômicas e políticas, suas tentativas de industrialização e de desenvolvimento de ciência e tecnologia, não podemos deixar de observar o quão árdua foi a história dos nossos fazeres científicos e tecnológicos e das possibilidades de proteção do conhecimento gerado no país.

Com essa perspectiva em mente, vários questionamentos se fizeram presentes, e, a busca pelas respostas nos levou a percorrer o caminho histórico, não somente dos contextos e políticas, mas da própria institucionalização das ciências e dos caminhos percorridos pela ciência e técnica da cana-de-açúcar e do etanol.

Como no estudo de Alfonso-Goldfarb e Ferraz286, mais uma vez, na

história da ciência no Brasil, apontamos os percalços e a difícil equação da institucionalização da ciência que fazem parte da nossa história. Fizeram e o fazem.

Consideramos que contribuem para estes percalços: a inserção do país nos mecanismos internacionais e a forma como lhe é atribuído o papel de país dependente; a descontinuidade das políticas científicas e tecnológicas e seus respectivos financiamentos em pesquisa básica e aplicada; os fatores políticos, econômicos e sociais presentes na história do país.

O estudo da cana-de-açúcar e do etanol combustível no período de 1980 a 2005 mostrou a participação de vários atores no processo decisório, de implementação do PNA e na fase de desregulamentação do setor.

Os documentos e a bibliografia secundária nos mostraram a participação de vários segmentos da sociedade, sejam usineiros, indústria automobilística, consumidores, institutos de pesquisa e universidades, além da burocracia governamental.

O que pôde ser observado neste estudo foi que a expressão dos diversos atores com força política – considerados como classes, frações de

286 Alfonso-Goldfarb & Ferraz, “Raízes Históricas da Difícil Equação Institucional da Ciência no

classes e grupos sociais – determinaram “os interesses prevalecentes na condução do processo científico e tecnológico”, como afirma M. Baumgarten, sobre as diferentes forças em jogo em cada sociedade, a cada momento.287

Na implementação de um programa governamental de dimensões como a do Proálcool consideramos que a articulação de três fatores permitiu a consecução dos objetivos propostos pelo programa para enfrentar as crises mundiais do petróleo.

Caracterizamos esse tripé com os seguintes componentes: a política governamental articulada, o papel da ciência e tecnologia e a criação de um mercado consumidor de álcool combustível.

Do ponto de vista da política governamental, no período de implementação do Proálcool, o planejamento integrado foi um instrumento de gestão pública fundamental para o processo, na medida em que permite ordenar as ações do governo e as instituições encarregadas de sua execução.

Neste sentido foram articuladas a política científica e tecnológica, os mecanismos de proteção da propriedade intelectual, a política de recursos energéticos e a política agrícola.

Para dar suporte a esta integração, foram criados mecanismos que facilitassem os financiamentos e subsídios, a obrigatoriedade da mistura do álcool à gasolina e os investimentos em setores de ciência e tecnologia.

Os financiamentos e subsídios beneficiaram a produção da cana-de- açúcar e do etanol, ao expandir o conjunto de usinas e destilarias, que foram atendidas em suas necessidades de equipamentos sucroalcooleiros pela indústria de bens de capital.

Do lado do consumidor foram criados incentivos para a aquisição de veículos movidos exclusivamente a álcool.

A indústria automobilística, embora reticente no começo do PNA, uma vez criado o mercado consumidor, participou com a produção de veículos movidos exclusivamente a álcool. E, apesar da necessidade de investimentos em pesquisas dos motores, há que se considerar que o petróleo já era um

287 M. Baumgarte, “Políticas de Ciência e Tecnologia e Reestruturação Produtiva: o Caso

recurso finito e as alternativas de combustíveis possivelmente estivessem sendo cogitadas em seus planos empresariais de longo prazo.

Do lado da matéria-prima, a cana-de-açúcar, as oscilações do mercado internacional do açúcar e a crescente competitividade do setor se faziam presentes há longa data. E a alternativa do álcool anidro e posteriormente do álcool hidratado se mostraram, para os usineiros, potenciais possibilidades no enfrentamento às fases de baixos preços do açúcar.

A articulação das políticas públicas, a criação de destilarias e o papel desempenhado pela indústria de bens de capital no fornecimento de equipamentos sucroalcooleiros e da indústria automobilística não seriam condições suficientes para alavancar o Proálcool. Ou seja, há necessidade de participação de institutos de pesquisa públicos e privados, associada aos mecanismos de incentivo para o desenvolvimento científico e tecnológico.

Em 1976, o II PBDCT, mais do que privilegiar a pesquisa científica, enfatizou a pesquisa tecnológica em estreita vinculação com as universidades e com as necessidades do sistema produtivo nacional. Isso não significa que o plano ignorasse o desenvolvimento científico e a ligação entre ciência, tecnologia e inovação, dado o destaque conferido à necessidade de ligação entre universidades e empresas e entre setores público e privado na geração e absorção de conhecimento.

O que pôde ser constatado, então, foi a participação de institutos de pesquisa públicos no desenvolvimento do motor a álcool; das universidades federais e estaduais no melhoramento genético, na tecnologia agrícola e processo de transformação da matéria-prima em etanol.

De fato, os centros de pesquisa de empresas/organizações privadas também atuaram na melhoria das fases agrícola e industrial da produção do álcool combustível e em projetos de pesquisa com motores.

Embora possa se considerar que em 1985 o Proálcool tenha atingido seus objetivos em termos de capacidade de produção de etanol e que este objetivo não foi alcançado somente pelo aumento de número de destilarias. Mas, pelo esforço da pesquisa científica e tecnológica em novas variedades de cana-de-açúcar e no desenvolvimento de processos em fermentação e destilação, entre outros, em 1986 iniciou-se a fase de estagnação do PNA.

Este ponto de inflexão em nossa história foi marcado pelos baixos preços internacionais do petróleo, pelas crises econômicas no Brasil e pelo desabastecimento do álcool.

Com os baixos preços do petróleo a indústria automobilística partiu para o desenvolvimento de carros populares; o Estado, em função das crises econômicas, descontinuou os investimentos, e, algumas destilarias e indústrias de bens de capital passaram a sentir o reflexo deste contexto, além, é claro, dos recursos minguados – quando existiam – para a pesquisa científica e tecnológica.

Mas, a transição do papel do Estado regulador para o de Estado indutor, regida pela economia de mercado e a nova Lei de Propriedade Industrial e de Proteção de Cultivares passaram a estimular os investimentos da iniciativa privada na absorção e geração de tecnologias.

No caso do etanol brasileiro, um fator adicional a permear a fase de desregulamentação do setor sucroalcooleiro, foi a preocupação mundial com a degradação do meio ambiente e a consequente valorização dos combustíveis renováveis, o que permite retomar/ampliar os recursos para nossos centros de pesquisa.

Assim sendo, para articular a dinâmica da história contemporânea brasileira e sua política científica e tecnológica, conjecturamos que o mapeamento das patentes concedidas entre 1980 e 2005 para o etanol de cana-de-açúcar no Brasil permitiriam delinear a complexa rede de interfaces dos diversos grupos e instituições e sua participação no processo de desenvolvimento e consolidação de uma ciência e tecnologia nacional.

De fato, as patentes permitem conhecer os pesquisadores, os grupos e as instituições públicas e privadas; seus interesses nas diversas áreas de pesquisa; as parcerias universidade-empresa nos diversos projetos e mesmo as relações entre pesquisadores de institutos públicos e universidades.

Embora a participação de universidades, institutos públicos de pesquisa, centros de pesquisa de empresas privadas e/ou a participação de pesquisadores cadastrados no CNPq seja tímida nas patentes de invenção, o mesmo não ocorre com a proteção da cultivar de cana-de-açúcar, quando a presença das universidades federais é bastante significativa.

Mas delinear a rede de interfaces dos grupos e das instituições que participaram do processo somente é possível mediante a análise dos documentos.

Ou seja, na busca das vias de derivação dos documentos, suas equivalências, sobreposições e fontes documentais288, de forma a que

proporcionem o contexto adequado à abordagem em ciência e sociedade, mostrando, assim as articulações das diversas variáveis que influíram o fazer da pesquisa científica do etanol da cana-de-açúcar.

Finalmente, gostaríamos de concluir que a consolidação da ciência e tecnologia do etanol de cana-de-açúcar percorreu caminhos difíceis. De debates sobre a viabilidade de implementação do resultado de uma pesquisa, à falta de verbas e às vezes de condições de pesquisa, e, por que não dizer de fatores contextuais nacionais e internacionais.

Apesar das dificuldades, em 2009, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos concluiu que o etanol brasileiro permite a redução de 61% dos gases de efeito estufa.

Considere-se, também, outra questão a ser objeto de reflexão que é o interesse das multinacionais na aquisição das companhias do setor, tanto na área produtiva quanto na de pesquisa.

BIBLIOGRAFIA

Bibliografia Primária

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