• Sonuç bulunamadı

Para alguns alunos desta pesquisa, podemos inferir, a partir de suas opiniões emitidas nos questionários e entrevistas, que suas relações com a disciplina demonstram uma certa preocupação com o saber matemático.

Essas relações são expressas de maneiras um tanto variadas. Primeiramente, devemos dizer que não encontramos alunos que se referissem à matemática como sendo um campo do saber, como tendo sentido como tal:

“... que conferem um sentido e um valor ao saber objeto sob sua forma substancializada; o que supõe relações de um tipo particular com o mundo.”

( Charlot, B. , 2000, p. 64 )

Embora achássemos pouco provável, infelizmente não foram encontradas em nossa pesquisa opiniões a respeito dos saberes matemáticos apresentados de forma descontextualizada, apresentando uma certa autonomia ou tendo existência como forma substancializada resultante de atividades ou de relações com ou mundo ( Cf. Charlot, B, 2000, p. 63 ). Esse tipo de opinião enriqueceria nosso trabalho no sentido de que poderíamos perceber como tais alunos se relacionariam com a escola e a matemática.

Para alguns alunos pesquisados, o conhecimento proporcionado pela matemática permite entender o mundo de uma maneira objetiva, contribuindo para uma certa ordenação das coisas deste mundo. Percebem esse saber como fruto de um trabalho humano desenvolvido historicamente.

Este ponto de vista aparece no comentário abaixo dos Parâmetros Curriculares Nacionais ( PCN, 1998 , p. 24 ):

“ A matemática caracteriza-se como uma forma de compreender e atuar no mundo e o conhecimento gerado nessa área do saber como um fruto da construção humana na sua interação constante com o contexto natural, social e cultural."

Os depoimentos exprimem não somente a idéia de que a matemática e suas atividades servem para organizar as atividades cotidianas, mas também permitem estabelecer uma ponte com um outro mundo, o do saber matemático. A esse respeito, vejamos o comentário encontrado nos Parâmetros Curriculares Nacionais ( 1998, p. 25 ):

“A Matemática faz-se presente na quantificação do real - contagem, medição de grandezas - e no desenvolvimento das técnicas de cálculo com os números e as grandezas. No entanto, esse conhecimento vai muito além, criando sistemas abstratos ideais que organizam, inter-relacionam e revelam fenômenos do espaço, do movimento, das formas e dos números, associados quase sempre a fenômenos do mundo físico.”

A não exploração dessas interfaces de um mesmo corpo de conhecimento é provavelmente um dos grandes empecilhos para o ganho do sentido das atividades matemáticas, tão questionado pelos alunos em seus protocolos, além de ser objeto de pesquisa para a Educação Matemática.

Devemos frisar que os depoimentos seguintes são de alunos classificados em uma categoria que não se opõe às anteriores, relativas à questão do trabalho ou ao desenvolvimento de competências necessárias às atividades cotidianas. Podemos afirmar que ela incorpora e ultrapassa as demais.

Para a seguinte aluna, a matemática é uma porta em direção ao futuro, mas também permite uma reflexão sobre o mundo. Assim ela se exprime de forma marcadamente feminina:

“A matemática é para mim um meio de se saber a quantidade das coisas,

não somente é claro, também para podermos pensar no futuro; tudo o que se faz usa-se a matemática. Desde o cálculo dos preços até a construção de casas. Aprendendo matemática me sinto sendo o maior ser visto da formiga de três

milímetros, até me tornar o menor ser comparado a grandeza do universo.Com a matemática somamos à vida, subtraímos as tristezas, multiplicamos pelos sentimentos temos o pitagórico sentido da vida.” ( R., 8 A )

O aluno seguinte tem uma reflexão parecida com a feita pela aluna anterior, embora não demonstre uma preocupação com o futuro :

“Eu acho que a matemática é uma forma da gente viver. Se nós formos

contar o dinheiro é só usar a matemática, para ver se nós recebemos o troco certo, para contar quantos meses, dias, semanas, anos ... Sem a matemática não teria como a gente saber nossas idades, nossos tamanhos, a velocidade da luz e tudo mais. Aprender matemática pra mim é conhecer formas de somar, subtrair, dividir e multiplicar todas as formas de vida e sem vida.” ( F. G., 6 I )

A matemática como conhecimento importante para a ordenação do mundo e o seu caráter utilitário aparece no comentário seguinte:

“Acho que a matemática é importante no dia a dia de todos na qual

necessitamos toda hora no supermercado, no banco, no shop em comércio em geral e cálculos variados. Graças aos matemáticos como Tales e outros temos tudo em ordem, justamente, em critérios sem dificuldade, imagine se não houvesse como você contaria, por exemplo seus animais imagine antes de inventarem o ‘kipo’ um dos primeiros métodos de matemática. Para mim aprender é de grande utilidade pois só aprendendo, saberei o que é certo e o que é errado em termos de posse e cálculo.” ( F. D., 8 A )

O seguinte estudante vislumbra na matemática um conhecimento necessário na vida cotidiana ou no mercado de trabalho, mas que vai além disso. Sua opinião é a seguinte:

“ A matéria matemática a maioria dos alunos odeia, mas eu até que gosto

um pouco, mesmo porque em tudo que se faz a matemática está presente. O problema não é a matéria mas sim como ela é ensinada. Para mim sem a matemática a gente não consegue nada por isso é importante aprender esta matéria. Aprender matemática não é só saber dividir, somar, subtrair ou multiplicar vai muito além disso. Ela para mim não tem sentido não é óbvia, mas se tem que aprender vamos aprender. Nela tem coisas que você nunca vai usar, como por exemplo a fórmula de Bhaskara para que aprender isso. Na matemática você tem que aprender o que você vai usar no mercado de trabalho.” ( S., 8 A )

Benzer Belgeler