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DEĞERLENDĠRME

5.2. Hastaların Anksiyete-Depreyon Durumları

No decorrer dessa pesquisa, procurei aproximar-me dos jovens em seu grupo da Pastoral da Juventude para procurar entender as lógicas internas do grupo, as aprendizagens que constroem, assim como saber das relações que estes estabelecem com outros segmentos externos ao grupo – a família, a escola, o trabalho. A partir das observações e entrevistas, procurei desenvolver um processo de escuta às vozes dos jovens, entendendo-os como sujeitos ativos em seus espaços de atuação.

Percebemos que os jovens estão imersos numa pluralidade, e, por isso, não podemos generalizar e dizer que jovem é ..., jovem faz ..., só podia ser jovem... Falar em condição social juvenil é historiar. Hoje podemos falar de situação social da juventude.

Os grupos culturais se tornam uma referência com os jovens e vão produzindo uma rede de amigos e relações. Há uma ampliação do campo de possibilidades enquanto elaboração de projetos futuros. Onde os jovens estão construindo seus espaços educativos? Como é a relação dos grupos juvenis e a escola? O que é ser jovem? São algumas das questões presentes no desenvolvimento da pesquisa.

Na construção da sua identidade, o jovem ora se identifica com a família, ora com a escola, ora com o grupo. São processos que o indivíduo vai construindo. A família, de forma geral, influencia na religião e também exerce influência na socialização dos jovens. Os jovens registram a preocupação com a família como base, com valores. Essas são algumas temáticas desenvolvidas pela Pastoral da Juventude no âmbito da formação juvenil. Os grupos são uma escolha dos jovens, um espaço de comunicação entre si num diálogo constante com práticas culturais inseridas num mundo global. Nesse processo, envolvem-se, fazem amizades, antagonizam-se e tomam consciência de que a vida com o outro pode ser educadora. Em torno dos grupos, os jovens estruturam experiências importantes, seja por relações de amizade ou solidariedade.

O difuso, aleatório, o contraditório e o imprevisível, presentes nas práticas do grupo da Pastoral da Juventude, são elementos do processo educativo dos jovens e apontam para o que Melucci (2001) chama de provisoriedade dos interesses, das agregações e das escolhas, presente na cultura juvenil. Os jovens pesquisados fazem esse movimento criando uma dinâmica própria para o grupo. Os jovens ligados ao grupo encontram nele uma forma de reconhecimento e acolhida. A vivência no grupo é uma forma de sentir-se parte de algo.

A partir da pesquisa foi possível perceber que as vivências no grupo religioso têm um importante papel na formação pessoal dos jovens. A Pastoral proporciona momentos para a revisão de vida, o debate, as trocas com jovens de diferentes realidades e fortalecem valores. Fatores como a amizade, a solidariedade e a convivência com as diferenças são pontos significativos.

A Igreja ainda é uma instituição tradicional que consegue nuclear os jovens por grupo e dar autonomia a eles e, nesse sentido, parece-me que a Pastoral da Juventude atua como um ‘canto de sereia’ a esses jovens sendo o grupo um espaço da construção da auto- estima, da troca, da amizade, do acolhimento, da crítica, mas, acima de tudo, de construção de uma imagem positiva de si. As vivências em grupo estimulam o jovem a refletir sobre si mesmo, sobre seu lugar social e o mundo que o rodeia, num processo formativo que o ajuda a encontrar sentido para a vida. Afirmam a família como um espaço importante das relações cotidianas. O grupo é um lugar de afeto, de diálogo e de acolhida. Local em que partilham alegrias e tristezas, angústias e reflexão, comunhão e participação. Espaço de convivência, companheirismo e afeto.

No que se refere à relação com a escola, parece-me que o professor não tem referência do que é ser jovem. Pensa a partir da sua ótica, sua juventude. Possui uma formação falha que não lhe permite conhecer aqueles com os quais trabalha. A falta de interesse e disciplina é freqüente nas escolas. Há uma rejeição à escola: tem que ir, mas não é bom; procura estar nela mas com um olho no pátio, na cantina e a partir daí rompe os muros e procura seus grupos. Os grupos são uma opção que lhe gera responsabilidades, autonomia e alegria. Eles optam por grupos religiosos, esportivos, musicais. E lá vão construindo suas identidades. Parece-me que a escola desconhece quem é o jovem na sua rede de relações. No grupo de jovens ele aprende a se comunicar, a não ser preconceituoso, a ouvir, a falar, etc.

Penso que a escola tem duas funções importantes: a socialização e a construção de conhecimentos. No que se refere à socialização, a escola cumpre sua função, mas a construção de conhecimentos precisa ter um novo sentido, pois me parece não dar conta dos anseios dos jovens.

Para os jovens pesquisados, as experiências escolares são diferenciadas. A maioria considera a escola necessária, apesar de não se reportarem às aprendizagens construídas. Apontam como significativo o relacionamento com alguns professores que são diferenciados por terem uma preocupação com os alunos. Parece-me que o currículo fragmentado, coloca-se contra as características do pensamento dos jovens que estão justamente buscando relações e associações entre tudo.

Os jovens pesquisados colocam em questão a imagem de que a juventude é vista como um tempo de quem não sabe ainda o que quer. Foi possível perceber que os conflitos e incertezas existem entrelaçados com projetos de vida. Alimentam sonhos que expressam o desejo de serem tratados com mais respeito pelas opções que fazem.

No decorrer da pesquisa, a partir da convivência com os jovens aprendi a ser mais sensível, a ter outro olhar sobre os jovens em seus diversos espaços (escola, grupo, família, etc). São muitas as inquietações que surgem com relação à escola e, principalmente ao Ensino Médio. Na minha atividade profissional, diversas vezes me pegava refletindo sobre a função da escola, pois percebo que os jovens estão expressando esse “descontentamento” e essa “falta de sentido” para muitas coisas que fazem. Também fica claro na escola a permanência deles pelos amigos que possuem muito mais do que qualquer outro parâmetro que pudesse “atrair” os jovens. Fico pensando no tipo de trabalho que podemos desenvolver com os educadores a fim de que possamos ampliar a visão da juventude. Nesse sentido, a pesquisa me ajudou e melhor visualizar um caminho para a formação dos educadores. Ficam, ainda, muitas questões… qual Ensino Médio atrairia os jovens? Haveria um perfil para os educadores da juventude contemporânea? Que conhecimentos são necessários para dar conta das temáticas trazidas pelos jovens? Que ambiente escolar estimularia esses jovens?

Atuando no Ensino Médio e pesquisando sobre a juventude, não poderia deixar de expressar essas inquietações. A partir dessa pesquisa, parece-me que outros caminhos precisam ser descobertos já que a escola não é mais a única fonte de conhecimento mas ainda

é importante para os jovens, precisando ser ressignificada. Para mim, realizar essa pesquisa foi um processo de novas descobertas e um ressurgir de esperança sobre as juventudes.