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4. BULGULAR

4.4. Hastaların Acilde Kalış Süreleri ile Karşılaştırılmalara Ait Bulgular

Tendo alimentado e acolhido seu hóspede conforme o costume, Telêmaco agora pode se informar sobre sua identidade e situação, de onde vem e por que está em Ítaca (I, 170-7). Antes disso, enquanto o canto e a dança animam o momento posterior à refeição da festa dos pretendentes, Telêmaco não resiste à presença de uma nova companhia e desabafa (I, 158-177).

Seu desabafo, dito com o cuidado para que não chegasse aos ouvidos dos pretendentes (I, 157), tem duas partes. Na primeira (I, 158-60), denuncia o hábito dos pretendentes de se divertirem depois de terem consumido os víveres de outra pessoa sem compensação (ἀλλότριον βίοτον νήποινον ἔδουσιν), em que essa ausência de

uma contrapartida define a conduta socialmente condenável por ser inadequada ao costume da ξενία, seja por relação de reciprocidade — elemento essencial do contato amigável entre famílias de aristocratas — ou pelo acolhimento de bom grado — o fornecimento de alimentação a um desconhecido sem recursos. Na segunda (I, 161-8), que por sua vez se desdobra em três momentos, manifesta a angústia pela falta de informações sobre seu pai, assumindo nesse momento uma perspectiva negativa.

As notícias inexistentes o colocam numa condição regida pela incerteza, e as possibilidades aqui concebidas sobre o pai são duas. Entretanto, são apenas dois diferentes cenários para a morte: ossos brancos que apodrecem na chuva (I, 161) ou no mar, rolados pelas ondas (I, 162). Os resquícios da antiga presença de Odisseu em Ítaca não estão apenas nas imagens de ossos abandonados: são retomados, enquanto fama de uma anterior excelência, superior à dos pretendentes, à qual Telêmaco retorna em seus pensamentos, novamente imaginando um resultado (talvez o que já considerasse justo o bastante) de dispersão dos adversários (I, 163-4).214 Essa possibilidade, entretanto, tem

um caráter similar àquele das anteriores, exposta mais como vontade do que como alternativa provável, negada no verso seguinte. Socialmente, no discurso público, só as possibilidades negativas são declaradas como possibilidades, enquanto, no espaço último de intimidade, o pensamento (I, 114-7), a mente se dedica à fantasia positiva do retorno. Não é sem ironia que o poeta faz Telêmaco reafirmar o possível estado atual do pai destruído por um destino ruim e sem conforto, mesmo se alguma das pessoas sobre a terra disser que ele virá (I, 166-8). Não é um humano, mas Atena quem, diante dele, já trata de possibilitar o destinado retorno do herói, e, claro, o dia do retorno que Telêmaco julga perdido (I, 168) já está planejado.

A perspectiva negativa assumida socialmente devido à falta de conhecimento é retomada e estendida em I, 231-44. Com uma imagem que lembra a antiga relação grega entre ver e conhecer, presente nos sentidos que a raiz ιδ- assume, Telêmaco afirma que os deuses fizeram seu pai invisível (ἄϊστον), pensando nos efeitos da ausência física e da falta de notícias tanto sobre a casa, que antes era rica e nobre (I, 232) e agora é alvo da ação conjunta dos pretendentes, quanto sobre si mesmo, abandonado às “dores e

214 Nos versos I, 164-5, a imagem que Telêmaco constrói dos pretendentes, preferindo ter pés rápidos

(para fugir de Odisseu) do que ouro e vestimentas, os caracteriza como aristocratas ricos (talvez sugerindo que sejam gananciosos ou que esbanjam luxo), mas que não correspondem ao ideal de excelência da aristocracia guerreira. Apesar do ouro e das vestes, falta-lhes a força e a coragem. Pensando em como as roupas são usadas no poema para marcar uma identidade social e para ocultá-la, conforme Block (1985, p. 1-11), é como se os pretendentes, representantes de uma aristocracia decadente, fossem uma inversão do Odisseu disfarçado de mendigo dos cantos XIV a XXI.

lamentos” (I, 242, ὀδύνας τε γόους τε) sem κλέος (“fama”, I, 240). Segundo a ideologia aristocrática, a morte em campo de batalha deixa como legado a memória de um homem de valor, a ser transmitida ao futuro como legado e única forma de posterior persistência da existência entre os vivos. É a angústia de quem esperava como herança a glória, segundo o próprio Telêmaco, passada de pai para filho (I, 240), mas só recebe o sofrimento da inglória ausência de notícias.

Retomando a caracterização dos pretendentes, Atena, sob a identidade de um forasteiro que observa o que se passa no palácio, não deixa de dar oportunidade para Telêmaco discorrer mais sobre a situação de Ítaca (I, 225-9):

τίς δαίς, τίς δὲ ὅμιλος ὅδ' ἔπλετο; τίπτε δέ σε χρεώ; εἰλαπίνη ἦε γάμος; ἐπεὶ οὐκ ἔρανος τάδε γ' ἐστίν, ὥς τέ μοι ὑβρίζοντες ὑπερφιάλως δοκέουσι δαίνυσθαι κατὰ δῶμα. νεμεσσήσαιτό κεν ἀνὴρ αἴσχεα πόλλ' ὁρόων, ὅς τις πινυτός γε μετέλθοι. Que festim é esse? Que reunião? Que tem ela a ver contigo? É festa ou boda? Não trouxe cada qual o seu próprio manjar! Com que arrogância ultrajante me parecem eles comer em tua casa: qualquer homem se encolerizaria ao ver

tais vergonhas, qualquer homem de juízo que por perto passasse.

Na perspectiva que a deusa assume, as ocasiões apropriadas para a festa dos pretendentes seriam um convite de um anfitrião que oferece a comida por algum motivo ou a ocasião em que os participantes trazem suas próprias porções para consumir e compartilhar. Esse tipo de banquete é chamado de ἔρανος. Atena, é claro, sabe exatamente o que se passa na casa de Odisseu, mas finge desconhecer as circunstâncias, embora o próprio Telêmaco já tenha brevemente feito referência à questão da comida (I, 160). A característica com que Atena descreve os pretendentes será recorrente ao longo do poema, com o uso da palavra ὕβρις e seus derivados.215 Ênfase é dada à ὕβρις como

afronta social contrária à prudência (característica indicada pelo adjetivo πινυτός), relacionada especificamente ao modo como os pretendentes se banqueteiam na casa de Telêmaco. O ponto mais enfatizado durante a apresentação dos pretendentes é a relação nociva com os bens alheios e, somados a uma menção ao barulho que fazem (I, 133), não é irrelevante que obriguem um anfitrião a receber um hóspede em condições anormais, desconfortável em sua própria casa, e que ignorem um estrangeiro.

Aproveitando a deixa que tem para dar sua versão sobre a situação em Ítaca, Telêmaco apresenta ao leitor a origem desses homens (I, 245-251):

ὅσσοι γὰρ νήσοισιν ἐπικρατέουσιν ἄριστοι, Δουλιχίῳ τε Σάμῃ τε καὶ ὑλήεντι Ζακύνθῳ, ἠδ' ὅσσοι κραναὴν Ἰθάκην κάτα κοιρανέουσι, τόσσοι μητέρ' ἐμὴν μνῶνται, τρύχουσι δὲ οἶκον. ἡ δ' οὔτ' ἀρνεῖται στυγερὸν γάμον οὔτε τελευτὴν ποιῆσαι δύναται· τοὶ δὲ φθινύθουσιν ἔδοντες οἶκον ἐμόν· τάχα δή με διαρραίσουσι καὶ αὐτόν. Pois todos os príncipes que regem as ilhas,

Dulíquio, Same e a frondosa Zacinto

e todos quantos detêm poderio em Ítaca rochosa,

todos esses fazem a corte a minha mãe e me devastam a casa. Por seu lado, ela nem recusa o odioso casamento

nem põe termo à situação; e eles vão devorando a minha casa e rapidamente serei eu quem levarão à ruína.

Como antecipado pela possibilidade de presença dos pretendentes numa assembleia (I, 90), são os filhos da aristocracia local e das ilhas próximas. Aqui no verso I, 248 atribui-se a eles finalmente a ação principal a partir da qual são denominados como grupo na Odisseia: μνῶνται (“fazem a corte”, se colocam como pretendentes). Essa informação, com a qual provavelmente o ouvinte antigo já estava familiarizado, Telêmaco dá a um suposto estrangeiro que supostamente a desconheceria. O verbo importante aparece com um complemento que, enfatizado pela aliteração de nasais, explicita a posição que os pretendentes ocupam nas relações sociais de Ítaca da perspectiva de Telêmaco: μητέρ' ἐμὴν μνῶνται.216 Essa dependência existencial do

agente definido por uma ação necessariamente voltada ao objeto é condensada na aliteração e faz recordar que os jogos sonoros a partir de μνηστῆρες são recorrentes nessa gradual apresentação dos pretendentes no canto I.217 Eles voltam mais uma vez a

216 Usando uma gíria já meio ultrapassada e com sentido um pouco deslocado, seria em português algo

como “mascam minha mãe”.

217 Conforme o estilo homérico, bem afeito a essas correspondências. Por exemplo, em I, 150-2: αὐτὰρ

ἐπεὶ πόσιος καὶ ἐδητύος ἐξ ἔρον ἕντο / μνηστῆρες, τοῖσιν μὲν ἐνὶ φρεσὶν ἄλλα μεμήλει, / μολπή τ' ὀρχηστύς τε· [...] (“e quando os pretendentes afastaram o desejo de comida / e bebida, para outras coisas se lhes moveu o espírito: / a música e a dança [...]”). A semelhança sonora reforça a identidade dos pretendentes como aqueles que se divertem no banquete. Também em I, 265: τοῖος ἐὼν μνηστῆρσιν ὁμιλήσειεν Ὀδυσσεύς (“prouvera que assim munido aos pretendentes aparecesse”), em que a semelhança sonora acompanha a divergência de interesses no suposto encontro: um encontro terrível para o grupo, já que Odisseu estaria preparado para a vingança. Ainda em I, 295: ὅππως κε

assumir seu papel nominal no verso I, 366. Depois da primeira cena de Penélope no poema, todos a desejam sexualmente, não sem antes uma manifestação que mais uma vez joga com as aliterações de nasais, como se tal fosse a prática inerente do grupo: μνηστῆρες δ' ὁμάδησαν ἀνὰ μέγαρα σκιόεντα (“e os pretendentes fizeram barulho no salão sombrio”, I, 365).218 Como a Odisseia parece privilegiar os pontos de

vista de Odisseu e Telêmaco, a ênfase inicial na apresentação dos antagonistas está mais na dilapidação da riquezas e na conduta inapropriada do que na pressão que fazem para que Penélope escolha um novo marido. Embora o desejado casamento só pudesse ser realizado com um escolhido do numeroso grupo, eles aqui não rivalizam entre si como concorrentes que disputam a atenção de uma mulher, mas são unificados como opositores à linhagem de Odisseu, cujos representantes encabeçam, como principais agentes, as duas linhas narrativas que se alternam até o canto XVI da Odisseia.

Pela leitura que Telêmaco faz das ações de Penélope, eles não têm um plano conjunto para lidar com os pretendentes, de modo que o filho vê com perplexidade a ambiguidade da mãe ao lidar com os jovens que a pressionam. Essa falta de planejamento coordenado é explorada por Atena para testar seus protegidos Odisseu (que investigará sua mulher na segunda metade do poema) e Telêmaco (no início do canto XV).

Da perspectiva de herdeiro das terras e bens de Odisseu, Telêmaco, ao apresentar os pretendentes finalmente como pretendentes, não deixa de repetidamente manifestar sua preocupação com os aspectos materiais desse cortejo, uma vez que a não resolução do matrimônio tem como efeito a progressiva degradação de seu patrimônio. Isso porque, nesse primeiro momento, com o casamento está também em jogo a herança. Como o próprio Telêmaco ainda não assumiu perante a sociedade a condição de adulto, casar-se com Penélope significa obter para si também as riquezas de Odisseu e com ela seu status de realeza.219 A estratégia de Penélope, como observa Scodel

(2001, p. 313), leva em conta que seu melhor resultado é o retorno de Odisseu sem que ela tenha casado novamente. Caso o marido esteja morto, o melhor passa a ser que

μνηστῆρας ἐνὶ μεγάροισι τεοῖσι / κτείνῃς (“como em tua casa poderás matar os pretendentes”), em que Atena, atuando como Mentes, chama a atenção para os pretendentes como aqueles que permanecem na casa de Telêmaco (cf. o comentário sobre o verso I, 365 logo na sequência).

218 Verso usado formularmente também em IV, 768; XVII, 360; XVIII, 399. Uma variação acontece em

XXII, 21-2. O verbo ὁμαδέω (emitir um som ao mesmo tempo) é utilizado na Odisseia apenas para os pretendentes.

Telêmaco seja senhor de suas posses. O pior resultado é a morte de Telêmaco ou o retorno de Odisseu quando ela já teria se submetido a um segundo casamento.

Atena sustenta sua identidade secreta de Mentes, líder táfio, durante todo o diálogo, até na despedida. Após a última fala, entretanto, acontece o momento de epifania, em que a deusa dá a entender por um sinal não muito obscuro que se trata de uma divindade. Entretanto, não deixa de ter seu mistério o modo como o narrador descreve a revelação de Atena (como divindade, não especificamente como Atena): ὄρνις δ' ὣς ἀνόπαια διέπτατο (I, 320), “voou como uma ave”, com ἀνόπαια tendo um significado discutível. Os comentadores de Homero e lexicólogos da Antiguidade se dividem em definições diversas para o termo que tem aqui sua única aparição nos poemas homéricos. As definições variam, sobretudo, entre os sentidos de “de forma invisível”, “no ar”, “por um buraco no teto” e Aristarco inclui como possibilidade uma espécie de águia.220 Dirlmeier (1967, p. 22) e Petropoulos (2011, p.12) consideram mais

provável que Atena não voe em forma de pássaro, mas apenas de forma semelhante a um pássaro (com a velocidade de um pássaro), embora a transformação de um deus em ave, assim como em humano, seja prática recorrente nos poemas homéricos.221 De todo

modo, a saída voadora é o bastante para que Telêmaco, encorajado, compreenda que foi visitado e aconselhado por uma divindade (I, 323), ao contrário dos pretendentes que a ignoraram.

O detalhe importante é que em nenhum momento nenhum dos humanos presentes tem qualquer tipo de desconfiança de que possa estar participando de uma vistoria divina. Telêmaco age bem e recebe a deusa corretamente por respeito à recepção de estrangeiros. Seu entendimento final é uma escolha da deusa de torná-lo consciente do que acabou de acontecer. Esse entendimento, entretanto, é limitado. Ele só tem, por decisão da deusa em realizar algo sobrenatural em sua partida, a confirmação de que recebeu instruções de um agente não humano, mas não tem condições de avaliar a procedência exata dessas instruções, nem garantia do resultado

220 Chantraine (1999, p. 91) prefere o sentido de “que se eleva às alturas pela chaminé” e a explicação

etimológica de uma formação a partir de ἀνὰ τῇ ὄπῃ.

221 As epifanias em Homero, conforme Dietrich (1983, p. 54), acontecem em circunstâncias muito

variadas e tendem a ser confusas, às vezes contraditórias, às vezes difíceis de visualizar. Sua sugestão é de que, para o público, a presença divina é mais importante do que o modo preciso como ela se manifesta. Além disso, sugere que nenhuma manifestação visível era esperada nos cultos. Para Dourado-Lopes (2013, p. 97) as epifanias em Homero amplificam os dramas e ações humanos, mais do que desviam a atenção para a atuação dos deuses.

da missão que lhe foi dada. Pelo teor da conversa e da visita, pode ao menos desconfiar de que se trata de um sinal positivo.

A rede de informações principais que forma a caracterização geral dos pretendentes no canto I é apresentada num jogo de alternância e repetição que, quanto ao modo de disposição dessas informações no texto, nem sempre segue o roteiro da obviedade. Também as oposições e comparações com outros personagens que iluminam seu caráter e papel na narrativa contemplam múltiplos aspectos da visão de mundo odisseica.

A ἀτασθαλία que compõe o paralelo principal entre a morte da tripulação de Odisseu, a de Egisto e a subsequente morte dos pretendentes parece, a princípio, estar presente apenas até a fala de Atena em I, 47, que completa a sequência comparativa. Se o banquete que destrói a riqueza de um homem, sobretudo um homem que está para retornar, é já uma insensatez, os atos de ignorarem o hóspede, de não darem ouvidos ao pedido de Telêmaco para que deixem sua casa e se alimentem de seus próprios bens (I, 375) e, posteriormente, de ignorarem os possíveis presságios do canto II são atos que, além disso, eliminam suas únicas chances de sobrevivência, possibilidades descartadas pela aposta maior de que Odisseu não retornaria. Depois será tarde demais para se redimir. Os homens não têm consciência no momento em que seu presente é julgado e seu futuro determinado, de modo que suas deliberações posteriores sempre partem do princípio de que o futuro é indeterminado. À insensatez se sobrepõem a imoralidade e, a partir da intervenção de Atena na assembleia e durante sua presença no banquete, o canto I insistentemente enfatiza o crime dos pretendentes contra as posses do herói que, relembrando, caracteriza-se pela inteligência e pelo autocontrole.

O sucesso de Telêmaco na teoxenia lhe proporciona uma vantagem sobre os pretendentes que, com a ajuda de Atena, ele manterá por toda sua aventura até a reunião com o pai. Entre os aristocratas da Odisseia, a resposta a esse tipo de indicação divina é um dos elementos que distinguem quem será lembrado e cantado como herói ou vilão. O paralelo final que realça a ignorância dos pretendentes acontece no final do canto I e do primeiro dia na narrativa. Os pretendentes não são cegos quanto à presença do estrangeiro. Eurímaco, depois que Telêmaco convoca uma assembleia no dia seguinte e pede que abandonem sua casa, pergunta sobre a identidade do desconhecido que havia entrado no palácio. Telêmaco, agindo aqui com uma inteligência própria, sem

orientação divina, diz apenas que era alguém que dizia ser Mentes, soberano de Tafo, antigo contato de seu pai e internamente recorda que se trata de uma presença divina (I, 413-20). É inesperado o que diz o narrador em I, 420, explicitando o reconhecimento da deusa Atena ou ao menos de uma divindade feminina (ἀθανάτην θεὸν, “deusa imortal”). Trata-se de uma mistura do que o personagem pode perceber, a presença de uma divindade (I, 323), com o que o leitor ou ouvinte pode conhecer através do narrador, que se trata especificamente de Atena.

De todo modo, agora que a deusa já partiu é tarde para qualquer cuidado com o estrangeiro. A pergunta, na verdade, parece mais uma tentativa de obter controle sobre o que se passa no palácio e sobre as relações sociais de Telêmaco para assegurar a continuidade do assédio.222 Nenhum deles ainda imagina que a situação já se encaminha

para uma mudança definitiva, não exatamente para o resultado que esperavam. A introdução dos pretendentes na Odisseia estabelece a diferença entre dois grupos de personagens, os heróis (Odisseu, depois Telêmaco) e seus antagonistas (a tripulação de Odisseu, Egisto e os pretendentes). Eles se diferenciam pela oposição moral (e social) que inclui, além do respeito à propriedade alheia, a capacidade ou possibilidade de observar manifestações e sinais divinos.

222 Um falso interesse (ou uma curiosidade interessada em planos próprios) em relação ao que se passa no

palácio seria bem o esperado de Eurímaco como personagem. Depois da primeira cena com Penélope, a caracterização grupal dá lugar à caracterização da dupla que toma posição de liderança: Antínoo e Eurímaco. Fenik (1974, p. 198-204) traça o perfil dos dois. De modo geral, Antínoo se comporta de forma abertamente hostil a Telêmaco, enquanto Eurímaco é o bajulador hipócrita.

Benzer Belgeler