4. BULGULAR
4.2. Hematopoeitik Kök Hücre Nakli Yapılan Hastaların Bakım Vericilerinin
4.2.4 Tema 4: Hasta yakını olmak
A indisciplina, igualmente como a violência, tem sido explicada por pesquisadores como um fenômeno complexo que tem adquirido diferentes características nos últimos anos; portanto, sua compreensão deve partir do entendimento de que as causas que a geram são plurais e seu entendimento não pode ser reduzido a uma única dimensão ou agente, como um fenômeno estático e uniforme (ESTRELA, 1992; GARCIA, 1999, 2006, 2013; LA TAILLE, 1996: PARRA-DAYAN, 2011).
Conforme Berton (2005), a indisciplina que se insere na cultura escolar é um conceito pertinente à sociedade e aos indivíduos ou grupos, apresentando-se de maneiras diversas de acordo com os entendimentos individuais e do grupo. A autora reconhece a instituição escolar como agente reprodutor e perpetuador da ordem social vigente e afirma que os conflitos e as tensões exteriores à escola invadem a sala de aula criando desordens. No contexto de exclusão social, a indisciplina situa-se como “a manifestação do caos resultante de uma desordem estrutural que põe em risco a dependência de milhares de pessoas do ‘todo’ social, excluindo-as do processo econômico, educativo, político, dos direitos mais fundamentais do homem” (BERTON, 2005, p. 157). Contudo, a autora reconhece que não só os conflitos e as tensões sociais explodem na escola, a própria instituição escolar e sua forma de organização podem gerar conflitos. Nesse sentido, podemos perceber a indisciplina enquanto forma de manifestação dos alunos ao sistema de poder (a escola, as relações hierárquicas, a história, a política e a cultura). Essa resistência é resultado de um sistema educacional incapaz de incluir todo tipo de criança na escola e satisfazer suas necessidades e condições de ensino e de aprendizagem.
Parrat-Dayan (2011) afirma que a indisciplina tem causas múltiplas e se transforma, uma vez que depende do contexto sociocultural que lhe dá sentido. A autora defende, assim como Garcia (1999), que a indisciplina pode ter origem externa ou interna à escola. Entre os problemas externos, fazem referência à influência dos meios de comunicação, à violência social e ao ambiente familiar:
O divórcio, a droga, o desemprego, a pobreza, a moradia inadequada, a ausência de valores, a anomia familiar, a desistência por parte de alguns pais de educar seus filhos, a permissividade sem limites, a violência doméstica e a agressividade de alguns pais com os professores podem estar na raiz do problema (PARRAT- DAYAN, 2011, p. 55).
As causas internas, segundo ou autores, podem ser vistas na estruturação escolar, nas condições e métodos de ensino-aprendizagem, na relação professor-aluno, no perfil dos alunos e em sua capacidade de adaptação aos esquemas da escola.
De acordo com Garcia (1999) é necessário sempre questionar a participação da própria escola na geração da indisciplina e não apenas associa-la às atitudes dos aluos. Aqui Parrat-Dayan (2011) destaca que a causa da indisciplina não está só no aluno, em sua desmotivação ou nos seus problemas psicológicos, mas no professor, nas relações na sala de aula, no método de ensino, na elaboração de normas e regras sociais e morais. A indisciplina deve ser considerada, portanto, uma temática pedagógica; por isso, é preciso repensar a aula, a relação professor-aluno e os problemas pedagógicos.
Estrela (1992) e Garcia (1999, 2006, 2013) afirmam que a indisciplina compreende uma desordem na relação pedagógica que interfere nas condições de aprendizagem. Segundo Garcia (2006), a indisciplina atravessa a relação professor e aluno e reflete desacordos e rupturas em relação às expectativas e ao contrato social pedagógico, no campo das relações entre os sujeitos e desses com o conhecimento. Assim, deve ser analisada enquanto resultado de um currículo não coerente com a realidade dos alunos, de uma prática docente autoritária, e também, uma demonstração de desinteresse do aluno pelo conhecimento e pela escola.
No contexto da relação professor-aluno, as expectativas dos professores quanto às formas de disciplina na escola se fragmentaram. Muitos professores ainda buscam um modelo idealizado de escola, no qual o “bom” aluno é aquele calado que obedece a regras impostas. Entretanto, atualmente esse modelo de escola, em que o ato pedagógico é visto como uma relação de “dominação-submissão” – no qual o professor é a autoridade que transmite o conhecimento e os alunos ocupam uma posição de inferioridade – foi criticado e passou a ser privilegiado uma nova relação que contribua para a construção da autonomia discente.
Segundo Estrela (1992), na escola não há mais espaço para uma relação pedagógica fundamentada na dominação docente e subordinação discente. Os alunos que ingressam ao sistema de ensino são outros, com novas demandas e valore (AQUINO, 1996). As tensões derivadas da indisciplina, portanto, contribuem para uma “revião nas posições, valores, projetos, intenções e em diversos pressupostos e racionalidades que vêm informando as práticas pedagógicas” (GARCIA, 2006, p. 125).
Complementando, Camacho (2001) afirma que das discussões sobre a relação
professor - aluno emerge a crise da autoridade da escola e do professor. A autora acredita na existência de uma crise de autoridade que acompanha o desenvolvimento do mundo moderno. Para compreender esse fato, Camacho (2000, p. 131) parte da compreensão de “autoridade como uma relação de interação e de legitimidade” e ressalta que a autoridade sofreu mudanças no campo educacional “porque deixou de ser institucional e passou a ser relacional. Se antes ela era colocada pela força da instituição escolar, hoje ela vai depender do pacto e da
relação construída entre professor e aluno”. A relação entre professor e aluno supõe a construção das interações e a negociação; quando essas não são construídas positivamente, podem surgir os problemas de indisciplina. Dessa forma, a fragilização da autoridade se constitui num dos elementos responsáveis pela tensão existente entre alunos e professores.
Diante dessa crise de autoridade da escola, o sentido do trabalho pedagógico não está socialmente bem definido e o professor, ao se defrontar com situações de indisciplina, acaba adotando sanções que nada contribuem para o desenvolvimento da autonomia moral discente. Nesse contexto, diversos investigadores compreendem a importância de estudarmos a indisciplina a partir de uma abordagem que analisa a instituição e as relações e práticas pedagógicas. Aqui podemos fazer referência aos estudos de Aquino (1996, 2004), Araújo (1996), La Taille (1996), Longarezi (2001), Menin (2002), Tognetta e Vinha (2007), Zandonato (2004), entre outros, que procuram explicar a indisciplina a partir de sua relação com o conceito de disciplina e a elaboração de regras escolares. Esses pesquisadores relatam a importância da constituição de um ambiente escolar pautado por regras e normas justas, construídas juntamente com os alunos. Enfatizam que a indisciplina escolar surge ou como um desrespeito às normas e regras morais ou como uma manifestação de resistência, um protesto em relação à autoridade docente e às regras impostas. Segundo Tognetta e Vinha (2007), a maneira como as regras são constituídas e a ausência de reflexão sobre elas no espaço escolar podem colaborar para a eclosão da indisciplina escolar.
Em consonância com essa percpectiva, tais autores apontam a necessidade de discutir a questão dos valores morais para entendermos a indisciplina escolar. De acordo com Longarezi (2001), a raiz do problema da indisciplina reside na educação moral das crianças, “uma vez que a mudança de valores pela qual a sociedade vem passando gera insegurança quanto aos preceitos, quanto aos valores que devem ser construídos no processo educativo” (ibid, p. 31). Para a autora, a motivação moral do adulto é a imagem moral de si que ele procura preservar e impor. Entretanto, a falta de referências morais e éticas na educação está causando um vácuo na formação da personalidade dos alunos.
É por meio da experiência e de suas interações com o mundo que o indivíduo conquista a autonomia moral, isto é, constrói a noção de justiça e respeito às regras, logo, “se a sociedade encontra-se em processo de transição, e, por isso, vive uma crise moral, os sentimentos de respeito parecem, em consequência, indefinidos, ou, muitas vezes, podem expressar-se a partir de formas diferentes em diversos momentos e lugares, de acordo com a inserção das pessoas nessa sociedade” (LONGAREZI, 2001, p.35). O autor aponta a necessidade de se investigar a questão do desenvolvimento dos valores morais na relação
professor-aluno e defende que a escola deve adotar procedimentos educativos que visem a resgatar a noção de indivíduo moralmente consciente e responsável por seus julgamentos e atos.
No desenvolvimento desta pesquisa analisaremos a questão da indisciplina no contexto das relações interpessoais e práticas pedagógicas, a partir da teoria do desenvolvimento moral. Discorreremos sobre esse tema mais detalhadamente no próximo capítulo (Educação em valores e suas relações com a violência e a indisciplina escolar).
A seguir, descrevemos as estratégias de prevenção e contenção2 da violência e da indisciplina apresentadas por estudiosos.