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2. GEREÇ VE YÖNTEM

2.1. Hasta Seçimi

2.1.1. Hasta Grubu

O estágio supervisionado é um período importante na vida de um formando/estagiário, pois possibilita, principalmente, o exercício prévio da profissão docente no mercado de trabalho, a partir da configuração de aulas de regências (CNE/ CP 9/ 2001a; CNE/CP 27/2001b; CNE/CP nº 28/2001c; lei de N°11.788/2008; CNE/CP 02/2015). Todavia, sabe-se que a postura, a atitude, o ato e o comportamento do docente podem influenciar de maneira positiva ou negativa o desenvolvimento do estudante universitário nas ações a serem realizadas no ambiente educacional.

Dessa maneira, acredita-se que, para os estagiários/licenciandos terem uma atuação bem-sucedida, é indispensável que haja a mediação do professor durante os processos formativos, informando, sobretudo, os procedimentos e os objetivos que os mesmos devem alcançar durante a vivência da disciplina de estágio no ensino superior.

Para Machado (2010), o professor mediador é aquele que negocia, convence e aflora a percepção de seus alunos sobre a importância do objeto a ser estudado. Perrenoud (2000, p. 92), por sua vez, considera que “[...] o trabalho cotidiano da mediação é, essencialmente, preventivo. Consiste em impedir que cada divergência degenere em conflito

[...]”. Nota-se, com essas duas indagações, que o ato de mediar é uma tentativa plausível existente entre o público (o professor, o aluno), a orientação e a ação a ser executada. Nesse sentido, surge o aparecimento diretivo e estruturado das intenções a serem executadas e desenvolvidas sobre uma realidade. Isso provoca uma minimização tanto dos possíveis efeitos negativos, quanto a dispersão e a alienação a acerca dos desafios e dos problemas existentes nos espaços acadêmicos.

Sobre esse viés, entende-se que a ação educativa dá oportunidade para problematizar a realidade, traçar acordos, tomar decisões, planejar estratégias, normatizar os propósitos, reavaliar atos/atitudes, confirmar hipóteses e formular conjecturas que devem estar configurados de acordo com o exercício da prática ao ser trabalhada.

Por isso, nota-se, conforme Zabalza (2014, p. 152), que “Organizar um estágio não é enviar, simplesmente, os nossos estudantes aos centros de práticas para que passem ali um tempo e façam o que puderem ou o que lhes permitam fazer [...]”, pois entende-se que o estágio supervisionado é, principalmente, um momento de busca para o aprimoramento de conhecimentos/saberes, de posturas, de comportamentos e de atitudes.

Sabe-se que quando os processos formativos alcançam a dimensão do estágio supervisionado à mediação, conforme Oliveira (2008, p. 58), provoca uma diminuição relativa “[...] as angústias e indagações referentes à sua futura profissão, oferecendo aos professores em formação melhores condições para o enfrentamento dessa realidade complexa, dinâmica e conflituosa da educação”, propiciando a construção de intencionalidades pedagógicas plausíveis a serem desenvolvidas sobre uma realidade, isto é, a ação não será aleatória, instintiva e descontextualizada, mas organizada (MACHADO, 2010).

Pimenta e Lima (2012), em particular, destacam que o professor de estágio deve, especificamente, orientar os estudantes/estagiários, tendo como fundamento a teoria para lhe auxiliar. Para isso, o docente proporcionará momentos que circunscrevem a execução tanto de reflexões, como a projeção que procura uma transformação das práticas exercidas a partir das experiências a serem realizadas na realidade.

Essas experiências devem estar estruturadas em ações devidamente planejadas, possibilitando uma reestruturação acerca dos conhecimentos prévios, adquirindo novas compreensões no que se refere aos fenômenos estudados, isto é, valorizando tanto os estímulos, como também os diagnósticos apresentados sobre uma realidade.

Teixeira (2013) aponta que a reflexão crítica, o planejamento, a pesquisa, o debate, os projetos de intervenções e as trocas de experiências, são algumas dessas ações que poderão ser realizadas em colaboração com o professor e os licenciandos/estagiários em

matemática, no decorrer da disciplina de estágio, visando à revisão e produção de novos conhecimentos. Enquanto isso, Pimenta e Lima (2012, p. 68) afirmam que “A formação passa sempre pela mobilização de vários tipos de saberes: saberes de uma prática reflexiva, saberes de uma teoria especializada, saberes de uma militância pedagógica, o que coloca os elementos para produzir a profissão docente [...]”.

Diante disso, percebe-se uma pluralidade de elementos que estruturam as ações dos docentes, implicando em atos de mediação, orientação, problematização, decisão, acompanhamento, assessoramento e colaboração com o desenvolvimento satisfatório de futuros professores, quando se valoriza aspectos formativos educacionais nos cursos de licenciaturas no ensino superior brasileiro.

Freire (2016), em seus estudos, assinala a importância de valorizar o professor crítico, destacando-o como um profissional que a todo instante busca renovação, transformação e atualização. Sua concepção particular consiste em destacar que o conhecimento do mundo é inacabável; está em movimento constante; e, segundo ele, muda com o passar do tempo. Assim, o faz apontar que o ensinar, o aprender e o pesquisar, realizam trabalhos em dois momentos do ciclo gnosiológico: 1) ensinar e aprender o conhecimento já existente; e, 2) trabalhar a produção do conhecimento ainda não existente (FREIRE, 2016), isto é, modificando as experiências e as aprendizagens prévias dos protagonistas (professor e aluno) das ações sobre a realidade.

Em decorrência disso, compreende-se que esse tipo de ponto de vista, ao ser submetido à proposta de estágio supervisionado, provocará um estímulo favorável para vivenciar o aperfeiçoamento profissional dos estagiários no ambiente educativo. Tal proposta estimula vivenciar a experiência desses dois momentos do ciclo gnosiológico, pois sabe-se que a formação é altamente dinâmica e participativa, isto é, a todo instante os estagiários/licenciandos podem aprender, possivelmente, estratégias de ensino, recursos variados, metodologias diferenciadas, conhecimentos/saberes, e outros aspectos.

Por isso, entende-se a necessidade do professor de estágio ser um profissional que assuma uma postura de orientação, de mediação e de problematização. Tais implicações proporcionam que tomadas de decisão tenham o propósito interventivo com os estagiários/licenciandos, a fim de haver uma contextualização por meio de teorias sobre as vivências, as experiências, as ações e as práticas que são sucedidas no cotidiano escolar, isto é, condicionamento pedagógico diretivo para sanar: 1) as dificuldades; 2) os problemas; 3) o tempo de aula; 4) o material a ser utilizado; 5) o conteúdo a ser aplicado; 6) o ano a ser ministrado; 7) as trocas de experiências; e, 8) outros elementos.

Em vista disso, Freire (2016, p. 39) adverte que “[...] o saber que a prática docente espontânea ou quase espontânea, “desarmada”, indiscutivelmente produz é um saber ingênuo, um saber de experiência feito, a que falta a rigorosidade metódica que caracteriza a curiosidade epistemológica do sujeito [...]”.

Neste caso, o professor orientador/mediador é aquele que desenvolve sua ação docente levando em consideração as experiências de saberes produzidos em seu exercício profissional de tempo de atuação (5, 10, 20 anos), e da mesma forma considera necessário o rigor metodológico para dar suporte às ações educativas a serem realizadas durante os momentos de práticas em sala de aula.

Para isso, deve-se valorizar, no ensino superior brasileiro, a orientação, o rigor metodológico e a reflexão crítica do professor da disciplina de estágio, pois este profissional buscará em sua práxis, evitar equívocos pedagógicos, com a experiência de ensino realizada por estagiários no cotidiano escolar. São alguns desses equívocos: 1) ignorar a realidade existencial da escola; 2) tratar o público escolar com indiferenças; 3) rotular postura de outros profissionais sem haver embasamento teórico; 4) considerar que o estagiário não pode errar; e, 5) suprir professores que faltam na escola.

Desse modo, o professor de estágio supervisionado deve orientar os estagiários durante o momento de observação das aulas de regência na escola e nos encontros presenciais na universidade, voltando-se às práticas educativas para o diálogo, o debate das vivências e o compartilhamento de informações, compreendendo e assumindo efetivamente a realidade em seus diferentes contextos, e, consequentemente, considerando a formação em seu caráter humano; reflexivo; afetivo; investigativo; problematizador; formador e mediador.

Nesse sentido, nota-se que o professor de estágio oportunizará um gerenciamento de momentos significativos no que tange aos questionamentos com os licenciandos em matemática, conforme a realidade diagnosticada, pois cada estagiário vai atuar em campo com realidades parecidas ou diferentes (PIMENTA; LIMA, 2012), isto é, cada local de atuação profissional seguirá tradições culturais, políticas e ideológicas, de como a educação é processada e oferecida para o público alvo. As realidades distintas permitem que o professor da disciplina de estágio promova aos estagiários o desenvolvimento de debates, buscando compreendê-las em suas particularidades, gerando a problematização da realidade verificada.

Assim, o docente enquanto mediador propiciará relações de aproximação da universidade com a realidade no contexto escolar, a fim de permitir que a formação do licenciando/estagiário em matemática constitua uma articulação favorável dos conteúdos

teóricos com os práticos, no contexto social, isto é, saberes vistos ao longo da formação que são confrontados com a realidade vivenciada pelos estagiários.

Portanto, acredita-se que refletir sobre a forma de atuação e os conhecimentos/saberes do docente, são tarefas indispensáveis que o professor de estágio deve conceber aos seus estagiários, pois as experiências prévias de regência em sala de aula; de observação da realidade; da construção de relatórios; do desenvolvimento de planos de ensino, vão estar postas em ação, permitindo que haja uma construção e reconstrução contínua de novas personalidades no cotidiano escolar.

Nessa perspectiva, assumir o estágio supervisionado como um repensar da realidade existencial da escola onde se atua, é também encontrar possíveis propostas para direcionar o papel do professor de estágio para a transformação crítica das experiências vivenciadas pelos alunos, pois todas as ações levantadas deverão passar por um planejamento, organização das atividades, tomadas de decisão e juízo de valor sobre os fatos diagnosticados. Tudo isso serão desenvolvido na escola e os estagiários em matemática irão vivenciar e experimentar uma orientação planejada. Oliveira (2008, p. 60) destaca que:

[...] as atividades realizadas durante o estágio, possibilitam a troca de conhecimentos entre um profissional em serviço com uma carga significativa de conhecimentos, fruto de sua experiência, e o profissional em formação. Embora o estagiário ainda não tenha construído um repertório de conhecimentos provenientes da experiência de sala de aula, ele possui conhecimentos novos e atualizados sobre a sua profissão, o que certamente acaba por capacitar o professor em serviço. Não se pode negar que um projeto consistente, articulado e comprometido de estágio supervisionado colabora não apenas com a formação inicial dos futuros docentes, mas também com a formação contínua de todos os educadores envolvidos nesse processo (OLIVEIRA, 2008, p. 60).

Assim, a escola que comporta um público diversificado de valores sociais, religiosos, políticos, ideológicos e culturais, passa a ser alvo de momentos interventivos e de análises. Com a mediação e orientação do professor de estágio, as posturas dos estagiários passam a ser problematizadas e revistas gradativamente. Nesse sentido, a sensibilidade de perceber que é preciso melhorar e crescer como profissional passa a acontecer de maneira harmoniosa, diversificada, processual, contínua e contextualizada.

Dessa forma, a prática de desenvolvimento do período de estágio deve ser levada a sério dentro dos estabelecimentos de ensino superior, uma vez que, a formação docente é algo complexo e dinâmico, envolvendo processos formativos que devem ser acompanhados e aprimorados a fim de evitar que os estagiários em matemática realizem atividades aleatórias, descontextualizadas e improvisadas nos espaços educacionais. Além disso, destaca-se que a

responsabilidade formativa prática dos graduandos não é apenas do professor de estágio, pois envolve a participação conjunta de todos os docentes na universidade.

Benzer Belgeler