As categorias semânticas que se encontram na primeira periferia do quadro de quatro casas de Vergés guardam uma relação de proximidade com o núcleo central, apresentando um caráter evolutivo e flexível, podendo vir a integrar o núcleo central da representação social (OLIVEIRA, 2005).
Pode-se constatar que Processos, apesar de apresentar a segunda maior frequência de evocação, não figura entre os elementos do núcleo central, pois sua ordem média de evocação é igual a 3,05 - superior à OME média, cujo valor é 2,90 - sugerindo que a categoria semântica Processos provavelmente tem uma importância secundária para o grupo.
No entanto, para 11 dos respondentes (17% dos elementos da Tabela 6) mostrou-se a categoria semântica considerada mais relevante para definir Governança de TI, revelando uma aparente contradição.
Analisando-se as justificativas a respeito da relevância da categoria semântica representada pela palavra Processos, verificou-se que poderia estar relacionada a uma variedade de significados: a um conjunto de processos necessários para o estabelecimento da Governança de TI; ao modelo implantado de Governança de TI, orientado pelos processos da empresa pesquisada; e à melhoria dos processos de TI ou da própria organização.
O modelo de Governança de TI implantado é fundamentalmente baseado nos processos organizacionais, intitulando-se Governança de TI por Processos. Por esse modelo, as demandas de TI de todas as áreas da organização devem ser classificadas de acordo com os processos organizacionais a que visam atender. Por exemplo, se a área de exploração e produção de óleo e gás apontar a necessidade de desenvolvimento de uma nova solução de recursos humanos, essa necessidade será associada ao processo organizacional de gestão de recursos humanos (RH), cujo gestor está localizado organizacionalmente na área de RH
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corporativa. Em um modelo de governança orientado por processos, cabendo aos gestores de processos decidirem sobre a validade da demanda e realizar a sua priorização frente às demais, respeitando um limite orçamentário definido pela companhia para o processo sob sua responsabilidade. Dessa forma, o gestor, ao validar e priorizar uma demanda de TI, dentro do orçamento do processo sob o qual possui gestão, estará fornecendo autorização necessária para que a área de TI a execute.
Weill e Ross (2004) e Lunardi (2012) observam que a Governança de TI pode ser implantada por meio de diferentes mecanismos e práticas para coordenar as atividades associadas ao planejamento, organização e controle da TI, os quais podem variar de acordo com as características da organização.
Talvez, em parte, essa seja a explicação para a grande quantidade de evocações classificadas na categoria semântica Processos. A realidade dos profissionais de TI da empresa pesquisada exibe um modelo de Governança de TI segundo processos organizacionais, sendo razoável esperar, assim, que essa característica se reflita na noção que esse grupo possui sobre Governança de TI.
Algumas transcrições descrevem como condição para o sucesso da Governança de TI, a clara definição dos processos organizacionais:
a partir do momento que a empresa define e conhece seus processos, ela é capaz de definir também as diretrizes que (os) vão guiar [...] e consequentemente promover o alinhamento necessário para que se faça cumprir a governança de TI (respondente n. 124).
sem processos bem definidos não haverá governança (respondente n. 3).
quando os processos são bem definidos a companhia sabe bem o que acompanhar na entrada, meio e saída (respondente n.72).
Outra interpretação de Processos está relacionada à visão da Governança de TI como um conjunto de processos que devem ser seguidos para governar, gerir e controlar as atividades de TI, medindo-as, monitorando-as e avaliando-as de acordo com critérios e melhores práticas predefinidas, tornando a tecnologia da informação estrategicamente alinhada e possibilitando a entrega de valor aos negócios (ALVES et al., 2013; WEBB; POLLARD; RIDLEY, 2006; DE HAES; VAN GREMBERGER, 2004; ISO/IEC, 2008; ISACA, 2012; LUNARDI, 2008).
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[Governança de TI é] a definição de processos que devem ser seguidos por toda uma corporação para melhoria de produtividade e qualidade resultando numa tomada de decisão mais assertiva. É através da governança que é possível medir e controlar projetos e processos. É necessário que os processos sejam coerentes e mantidos continuamente (respondente n. 115).
Governança de TI é o conjunto de processos e ferramentas de gestão que coordenam as atividades de todos os atores nos três níveis (operacional, tático e estratégico) de modo a alcançar os objetivos estratégicos (respondente n.73).
[Governança de TI] é um conjunto de práticas, padrões, processos e controles que tem como objetivo o desempenho da TI (respondente n. 86).
Outra possível interpretação poderia considerar que o termo Processos esteja se referindo aos processos de TI, os quais, sob a ótica de alguns respondentes, devem ser organizados, controlados e melhorados pela Governança de TI. Algumas passagens extraídas, da questão aberta do questionário que solicita aos respondentes a definição do conceito de Governança de TI ilustram esse ponto de vista:
[É a Governança de TI] que promove o alinhamento estratégico da TI à estratégia da organização, através da gestão dos processos, das iniciativas, do portfólio e da arquitetura de TI (respondente n.33).
[Governança de TI] é otimizar nossos processos, uso de recursos e gestão orçamentária (respondente n.120).
[Governança de TI é o] conjunto de ferramentas e técnicas que visam proporcionar a uma organização de TI maior controle sobre seus processos, visando (à) otimização nos seus resultados e maior alinhamento ao negócio (respondente n.105).
As passagens anteriores parecem demonstrar a existência do entendimento, por alguns profissionais de TI, que a gestão dos processos de TI faz parte do âmbito da Governança de TI. Novamente, percebe-se uma falta de clareza na distinção entre os conceitos de Governança de TI e Gestão de TI, conforme observado por Assis (2011).
Talvez, o fato do termo Processos apresentar múltiplas interpretações possa ter contribuído para que sua ordem média de evocação fosse superior à OME média.
Na fronteira com o sistema periférico, encontra-se a categoria semântica Direção, cuja frequência de evocação é igual à FME, conforme pode ser visualizado no Gráfico 5.
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Vários autores reconhecem a Governança de TI como um sistema responsável pela direção e controle do uso da Tecnologia da Informação de forma a suportar a organização no alcance dos objetivos (ISO/IEC 38500; 2008; Peterson, 2004). Esse ponto mostra-se intimamente ligado ao conceito de Governança Corporativa, pois a definição de papéis e responsabilidades na tomada de decisão é consequência direta da aplicação do princípio de
accountability, estabelecendo a forma com que as organizações são dirigidas.
O modelo de Governança de TI implantado, ao estabelecer limites orçamentários e definir as responsabilidades pela priorização da carteira de investimentos em TI, estaria dirigindo o uso de TI na empresa. Essa visão parece ser partilhada por uma parcela dos profissionais de TI da empresa pesquisada, porém não demonstra ser essencial para o entendimento do conceito de Governança de TI, uma vez que o termo Direção não figura entre os componentes do núcleo central da representação social.