Quando o pai descobre que o filho ou a filha é homossexual, são gerados muitos sentimentos: filhos que não cumprem as expectativas do pai à comoção, à negação, à culpa, à fúria, aos medos, à compreensão, às dúvidas, ao questionamento se deve ou não contar, o descobrir dos pais, o desconfiar, mas não dizer, o não querer contar ao contar e esperar as reações de amigos e familiares. Entende-se que ao tomar conhecimento de tal fato, pode-se desenvolver a repulsa por ter em casa uma pessoa que traz um desconforto por ter atração pelo pai, por exemplo.
Existe na pessoa que se descobre homossexual o medo de ser rejeitado e sofrer preconceito e estigmatização, provocar desapontamento da família e dos colegas e do círculo social no qual convive. Se tiver trejeitos menos convencionais, estará sujeito a ser agredido verbal e fisicamente, como temos acompanhado, muitas
vezes, na mídia. Cultiva prejuízos emocionais que afetam a vida, como a raiva e a autopiedade, tendo dificuldade em estabelecer relações amorosas satisfatórias, ou seja, dar e receber amor.
O amor confirma nossa identidade e nos fortalece para o reconhecimento de nós mesmos e da sociedade. Muitas vezes, por isso, aqueles indivíduos acabam se juntando em guetos em bares, boates e saunas, meio de estar com o outro que não potencialize ameaça e onde possa se reconhecer e ser aceito como ser humano e se identificar com possíveis parceiros sexuais-afetivos. Percebe-se que essas relações não estão disponíveis para os heterossexuais.
Por um lado, se os homossexuais tiverem pais amorosos que aceitem os desejos sexuais dos filhos configura-se uma auto-imagem positiva e forte, que os faz lidar com sua orientação sexual de forma mais satisfatória. Por outro lado, os que não são aceitos pela família muitas vezes, ao falar de sua sexualidade, acabam por fazê-lo de forma mais agressiva, provocada pela rejeição. Muitos adquirem uma raiva que buscam aliviar por meio das drogas, do álcool e até alterações de comportamento defensiva, como a neurose e sintomas destrutivos, como o masoquismo e a negação.
O maior índice de suicídio cometido pelos homossexuais é na fase da adolescência. Além da dificuldade em lidar com o próprio conhecimento da homossexualidade, sabendo das dificuldades familiares e sociais, não recebem um suporte que os leve a se sentir como seres integrados e merecedores da busca da felicidade. Todos têm direito ao sentimento de amor, o poder compartilhar, receber apoio e se aproximar dos semelhantes. São estes fatores que levam o ser humano à motivação para a continuidade da vida e o ajudam a superar possíveis obstáculos e dificuldades pelas quais passa no decorrer dos dias.
E o que dizer de quando chegam à velhice? Com o passar do tempo, os anos inevitavelmente nos levam ao encontro de uma natureza humana do corpo que envelhece. Esse corpo deixa de ser o que reconhecemos no espelho, talvez acompanhado de doenças, e nos conduz muitas vezes a limitações nos relacionamentos sociais, interrompendo o ser integral.
Como acrescenta Richard A. Issay:
A capacidade destes gays idosos de mudar e sustentar relacionamentos deve-se em parte à sua capacidade de arcar e de se adaptar à angústia. Os idosos homossexuais, ao contrário dos heterossexuais, tiveram que lidar durante toda a sua vida adulta com a estigmatização social, sentindo-se à margem da cultura predominante. Assim como os jovens soropositivos ou aidéticos, eles têm mais oportunidade de desenvolver e aplicar as estratégias apropriadas previamente aprendidas do que a maioria dos heterossexuais, podendo, portanto, adaptar-se mais efetivamente à crescente debilidade provocada pela idade e pelo preconceito sofrido por serem velhos (1996:134).
O mesmo autor assinala, diferenciando o envelhecimento homossexual do heterossexual:
Alguns dos desafios de desenvolvimento dos gays idosos são similares àqueles que atingem todos os idosos de nossa sociedade: adaptar-se à deterioração da saúde, perdas, discriminação pela idade e medo de morrer. Mas há também algumas diferenças importantes. Os gays valorizam mais a aparência física do que os heterossexuais, que freqüentemente se abstêm de cuidar de sua aparência porque isto lhes parece “narcisista”. Contudo, é normalmente a convicção de que preocupar-se com a aparência não é masculino, que faz com que vários homens heterossexuais não prestem a devida atenção a seu corpo. Embora eu acredite que a desvalorização do corpo, e da aparência por parte dos heterossexuais seja física e emocionalmente nociva, estes gays idosos que anteriormente mantinham uma aparência jovem e atraíam a atenção sexual por isso, e que agora são incapazes de fazê-lo, podem perder uma importante fonte de fortalecimento de seu amor próprio (1996:134).
Sobre os relacionamentos tardios diz:
A discrepância de idades, assim como as diferenças de status social, raça ou personalidade, oferecem muitas vezes para casais gays a tensão
emocional e a excitação equivalentes à desempenhada pela diferença de sexo nos casais heterossexuais. Estas diferenças com freqüência servem para elevar, fortalecer e manter o desejo e o interesse sexual. A complementaridade pode ser até mais importante na manutenção do desejo sexual no caso de gays idosos do que no de jovens, por causa da natural redução fisiológica do desejo sexual com a idade (...) porém, mesmo que a prosperidade do homem mais velho seja a primeira coisa a atrair o parceiro mais jovem e que a juventude deste seja o que inicialmente atraia o mais velho, parece que são as qualidades intrínsecas de cada um deles, como lealdade, honestidade e integridade, que fazem com que estes relacionamentos perdurem (1996:135 ).
O gay idoso, algumas vezes, busca freneticamente esse companheiro em vista de sua realidade de perdas. Mas são buscas pelo bem-estar, que os fortaleça física e emocionalmente como se assim perpetuassem a vida. Ao mesmo tempo, podem trazer mais saúde e felicidade a esse companheiro mais jovem, pois carregam consigo vivências e demonstrações de longevidade e amor.
Como cita Spinoza, segundo Richard A. Isay (1996:125): “Um homem livre não pensa em nada além da morte, e sua sabedoria não é uma meditação a respeito da morte mas a respeito da vida.”