7 DENEY SONUÇLARI VE DEĞERLENDİRME
7.4 Hasar Bölgeleri
Criadas no Período de 1945 a 1964
Fonte: Banco Central do Brasil (Bacen), 2014. Posição em 31.01.2014. Elaboração Cartográfica: José Erimar dos Santos, 2015.
Entre os anos de 1964 (ano da Reforma Bancária e Financeira) a 1990 (ano de novos conteúdos normativos que reestruturaram o sistema bancário e financeiro), houve um expressivo aumento dos espaços de dispersão de agências bancárias no Rio Grande do Norte (Mapas 10 e 11). Somado a esse momento normativo estão as possibilidades técnicas constituídas entre essas décadas, marcadas sobremaneira pelo avanço na ciência, na técnica e na informação atrelado ao desenvolvimento econômico e aos processos políticos, que, consequentemente, implicaram no desenvolvimento urbano e nas dinâmicas bancárias e financeiras.
Mapa 10 – Rio Grande do Norte: Distribuição Geográfica do Total de Agências Bancárias
Criadas no Período de 1964 a 1990
Fonte: Banco Central do Brasil (Bacen), 2014. Posição em 31.01.2014. Elaboração Cartográfica: José Erimar dos Santos, 2015.
Conforme (Mapa 10), foram implantadas cento e três agências bancárias em quarenta e uma cidades norte-rio-grandenses, passando esses fixos bancários a somarem-se a outras agências presentes em algumas cidades já detentoras dessas materialidades, ou sendo o primeiro fixo bancário presente, a partir de então, em algumas cidades. Com relação à Natal (Mapa 11), o bairro de Lagoa Nova concentrou o maior número desses fixos, nesse mesmo período.
Mapa 11 – Natal: Distribuição Geográfica, por Bairros, das Agências Bancárias Criadas no
Período de 1964 a 1990
Fonte: Banco Central do Brasil (Bacen), 2014. Posição em 31.01.2014. Elaboração Cartográfica: José Erimar dos Santos, 2015.
Os anos 1990 são marcados, dentre outros fatores, pela unicidade técnica, temporal, econômica e social, que ―[...] são a base do fenômeno de globalização e das transformações
contemporâneas do espaço geográfico‖ (SANTOS, 2009a, p. 189), a qual se liga diretamente
a territorialização dos serviços bancários no país e no Rio Grande do Norte, em particular. Durante essa década, eventos importantes de ordem econômica e vinculados ao sistema financeiro brasileiro aconteceram visando atender solicitações dos atores sintagmáticos, hegemônicos constitutivos de sistemas de ações e normas de amplitude global. Isso levou o Brasil a ser mais funcional a esses atores. Dentre os referidos eventos pode-se citar o Plano Real, a estabilização da moeda (CONTEL, 2006), mas principalmente, no que tange à questão bancária e financeira, o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER) (BANCO CENTRAL, 1995) e o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (PROES) (BRASIL, 1996).
O primeiro programa é uma resolução do Banco Central do Brasil, a Resolução nº. 2.208, de 3 de novembro de 1995, que visava ―[...] assegurar liquidez e solvência ao referido
Sistema e a resguardar os interesses de depositantes e investidores‖, ao mesmo tempo, buscando a instituição de ―[...] reorganizações administrativas, operacionais e societárias de
instituições financeiras, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, que
result[assem] na transferência e no controle ou na modificação de objeto social‖ (BRASIL,
1995, Art. 1º e 2º). O PROER constituiu-se de um instrumento legal para a atuação do Banco Central do Brasil no processo de adequação cada vez mais das instituições pertencentes ao Sistema Financeiro Nacional, às dinâmicas do espaço, possibilitando o saneamento de corporações financeiras perante eventuais problemas organizacionais ou de liquidez. Em outras palavras, era uma maneira legal do Estado dar dinheiro aos bancos privados, com problema de capital, o que representou uma evasão de recursos públicos destinados ao saneamento de instituições privadas.
O segundo é uma medida provisória, – a Medida Provisória nº. 1.514, de 7 de agosto de 1996. De acordo com esse instrumento normativo, em seu Art. 1º, o Estado brasileiro buscava ―a redução da presença do setor público estadual na atividade financeira bancária
[...]‖ (BRASIL, 1996, Art. 1º). O PROES tinha por objetivo buscar ―[...] a privatização,
extinção, ou transformação em instituição não financeira ou agência de fomento, [...] as
instituições financeiras sob controle acionário de Unidade da Federação‖ (BRASIL, 1996,
Art. 1º). Ambos os programas foram, portanto, normas direcionadas à reestruturação do sistema bancário e financeiro nacional. As instituições bancárias que não foram privatizadas em decorrência dessas normas foram extintas, sobretudo, as instituições bancárias estaduais.
No caso específico do Rio Grande do Norte, dois bancos estaduais, que foram extintos, não tiveram suas falências diretamente ligadas a esses programas, mas encontram-se nessa situação normativa relações de ligação, no sentido de que, dado o contexto e as ações do Estado potiguar, o resultado foi comungante com a política nacional em relação aos bancos estaduais. Assim, insere-se nesse momento o Banco do Estado do Rio Grande do Norte S. A. (BANDERN) e o Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte (BDRN), os quais permitiram, durante o tempo que funcionaram, a intermediação de financiamentos de projetos estaduais e privados e a implementação dos mesmos, uma vez que, era atributo dos bancos estaduais financiar a economia local, onde os principais clientes eram os produtores rurais de pequeno e médio porte, as pequenas e médias empresas, os programas e projetos de governos estadual e municipal da unidade federativa de origem, já que as operações de crédito
internas aos estados eram feitas pelos bancos oficiais estaduais que, com isso, evidenciavam a importância que tinham na consecução dos planos de governo e no redirecionamento das políticas internas. Sobre esses dois bancos potiguares, um parêntese precisa ser aberto.
Desde o início do século XX, no Rio Grande do Norte, várias tentativas foram feitas para a implantação do sistema financeiro no estado, particularmente de instituições bancárias públicas estatais, como foi o caso do Banco Popular que, mesmo publicando seus Estatutos, não efetivou-se do ponto de vista da sua instalação, assim como o Banco Natalense, que por falta de recursos e experiência administrativa de seus mentores, não logrou sucesso (M. M. T. SANTOS, 2000).
Foi no governo Augusto Tavares de Lira, (de 25 de março de 1904 a 5 de novembro de 1906), sob a égide da Lei nº. 235 de 08 de setembro de 1905, que foi sancionada a criação de uma instituição financeira no Rio Grande do Norte denominada Banco do Natal, que no governo Juvenal Lamartine de Faria (1928-1930) passou a ser denominada Banco do Rio Grande do Norte e se constituiu em uma instituição de crédito voltada para financiar o crescimento e o desenvolvimento locais (SOUZA, 1985).
Durante o Governo de Aluízio Alves (1961-1966), com a nova política bancária nacional, o Banco do Rio Grande do Norte foi identificado como um dos maiores estabelecimentos da região Nordeste devido, em grande medida, ao aumento do número de agências filiais e do credenciamento desta instituição como agente financiadora dos recursos provenientes do Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), sendo autorizado, portanto, a receber recursos do 34/18 (SOUZA, 1985), direcionando seus financiamentos, principalmente, para a agricultura e a indústria. Assim, no final dos anos 1960, o Banco do Rio Grande do Norte constituía-se por agências e diversos postos de atendimentos localizados em diferentes municípios do Rio Grande do Norte, (Mapa 12), sendo o principal acionista o Governo do Estado, com 99% das cotas (SOUZA, 1985; M. M. T. SANTOS, 2000). Trinta fixos bancários (agências) encontravam-se espalhados pelo interior do estado e constituíam a rede de atendimento bancário do Banco do Rio Grande do Norte, entre as décadas de 1960 a 1980, juntamente com aquelas localizadas na capital, Natal.