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Hasan Rzayev’in Silofon Konçertinosu’nun İcra Yönünden İncelenmesi

Pontuamos anteriormente que o índice de evasão escolar no Brasil, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2012), é de 24,3%. O último relatório indica um aumento da população, com o ensino fundamental completo, que passou de 39,7% em 2000 para 57,2% em 2010, e com o ensino médio completo, que passou de 24,8% em 2000 para 41,0% em 2010; entretanto, a evasão continua muito elevada. Esses índices têm um impacto muito negativo para a visibilidade internacional do país.

Na segunda metade de seu primeiro mandato, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006) implementou o Programa Bolsa Família. Moura (2007) informa que o Bolsa Família foi um programa criado com a união de todos os programas sociais do governo anterior, sob a coordenação do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Com isto, o Bolsa Família ampliou o número de famílias atendidas para aproximadamente 11,1 milhão, além de atribuir a esta ação uma única marca de maior visibilidade nacional (MOURA, 2007). O Bolsa Família adquiriu também o status de programa a favor do aumento da alfabetização e da redução da evasão escolar no país, apesar das inúmeras críticas que recebeu de não “chegar” a todas as famílias que apresentavam reais condições de vulnerabilidade social.

Uma das entrevistadas, Natália, citou a importância do Programa para sua família:

Natália: A Bolsa Família me ajuda muito. Igual negócio de escola, essas coisas, vixi, eu sou rígida com eles, nossa! Mas não é por causa de Bolsa Família, não. Porque eu necessito e tudo, e se faltar perde, eu vou nas reunião todas. Mas eu sei que é bom para nós. Ajuda.

A partir desta fala, Natália explicita o quanto depende da Bolsa Família para a manutenção de necessidades básicas de sua família, salientando até que vai a reuniões para não perder o benefício. Pode-se inferir que isso representa, na pesquisa, a questão da dependência que o governo passa a criar na população em função das benesses que concede à população. Segundo Moura (2007, p. 121),

A julgar pelas críticas dos especialistas, o governo estaria agindo como se seus projetos de transferência de renda fossem um fim e não um meio transitório para a emancipação social dos beneficiados, menosprezando, dessa forma, a importância das estratégias de desenvolvimento local, de geração de renda e de ampliação e melhoria da oferta de serviços públicos de saúde e educação como medidas que não deveriam ser substituídas por iniciativas de caráter meramente assistencialista.

Esta é outra variável que pesa no fato de não podermos dissociar a educação da ética e também da política. Neste sentido, faz-se importante discutir a participação do Estado na educação das crianças.

Maria Carvalho (2000) identifica alguns desafios na relação entre o Estado e a família, considerando a necessidade de partilha na responsabilidade de proteção social, que é justificada pela pobreza, pelo desemprego, pelo envelhecimento populacional; a partilha de responsabilidades formativas, devido ao individualismo presente, à perda de valores, à ineficácia dos educadores institucionais na socialização real (não moralista) de crianças e adolescentes; ao descrédito e ao descarte de soluções institucionalizadas de proteção social, como internatos, orfanatos, manicômios.

Porém, precisa-se discutir o que estaria sendo denominado como “partilha de responsabilidade”, uma vez que famílias brasileiras se encontram em situação de vulnerabilidade e risco social (quando vivenciam situações de fragilidade ou ruptura dos vínculos de afetividade e sociabilidade), ou não conseguem por fatores econômicos ou sociais cumprir o papel de proteção dos diversos ciclos da vida (como as famílias que se vitimizam por meio de maus tratos ou outros tipos de violência, famílias com jovens em conflito com a lei, entre outras).

Oliveira (2009) pontua a negligência com a qual o Estado lida com a vulnerabilidade socioeconômica de famílias, principalmente suas falhas em relação às políticas sociais ofertadas.

Auferir para as famílias a divisão de responsabilidades sem dar às mesmas as mínimas condições de suportar o fardo de ser corresponsável por sua subsistência é mais uma transferência de responsabilidades do que uma divisão, pois quando há algo para se dividir, ambos ficam com certa parte. No que diz respeito à família como centralidade nas políticas sociais, o que podemos verificar é que a família ficou com a parte pior: a de sobreviver sem os mínimos meios para atingi-la. (OLIVEIRA, 2009, p. 91).

Faz parte das contradições do projeto da modernidade difundir a ideia de que as pessoas são livres (e portanto responsáveis) para trilhar seus próprios caminhos e, ao mesmo tempo, não deixar alternativas de escolha diante das configurações do mundo do trabalho e do processo de produção e reprodução cultural da “lei do valor”.

Há quase duas décadas, o Estado brasileiro criou e vem sustentando uma política marcada pela concessão de benefícios sociais, tais como os Programas Bolsa Escola e Bolsa Família, enquadrados como medidas para redução da pobreza e melhora da qualidade de vida para as famílias que vivem em condições de extrema pobreza, com uma renda mensal inferior a R$ 70,00 por pessoa.

Em sua análise sobre o processo de instauração da cidadania no Brasil, José Carvalho (2002) discute que existem repercussões variadas sobre o fato de que os direitos sociais foram os primeiros a ser implantados no país, justamente num período de ditadura, que implicou a redução dos direitos civis e supressão dos direitos políticos. Ainda para este autor, a estratégia de Getúlio Vargas, ao conceder benefícios sociais, era de cooptar categorias de trabalhadores insatisfeitos, levando- os a satisfazerem, em parte, suas insatisfações e continuarem a cumprir seu papel como trabalhadores, mantendo a ordem e o progresso.

Assim, pode-se interpretar as políticas sociais, renovadas, mas muito presentes na vida das famílias pobres, como exercendo um peso perverso: o Estado lhes dá o mínimo necessário para não morrerem pelas suas necessidades básicas insatisfeitas, mas o faz de forma que a população perceba isto como benefícios e não como direito. A consequência dessa política é que as famílias pobres têm muita chance de, conforme esclarece José Carvalho (2002), considerar que precisam de um messias no Poder Executivo, para que possam melhorar de vida. Além disto, essas

famílias continuam sem consciência de que a sua condição de pobreza é reflexo das estratégias neoliberais de administração estatal.

Uma das expressões visíveis no Jardim Aeroporto, da falta de apoio do Estado em fornecer condições para as famílias educarem seus filhos é a crescente violência, nesse bairro de moradia das famílias participantes da pesquisa, especialmente pelo tráfico e consumo desenfreado de droga nas ruas, inclusive por crianças.

Vitória avalia:

Vitória: Se eu não tivesse cuidado, ele [filho com deficiência] não era o que ele é hoje. Que ele é um funcionário, né? Se ele ficasse na rua, ia ser pior, né. Porque os bandidos tomava conta, porque ele tem quase 2 metros de altura. [...] Uma época tinha aquela turma aqui no Aeroporto e ele não trabalhava com eles. Chamaram ele. [...] “Você é grande, quer fazer parte da turma?” “Não, não vou mexer com isso não.” É a educação de casa, né. Se não tivesse essa educação, teria ido e hoje podia tar até preso. Porque essa turma mesmo, a maioria tá presa e metade morreu.

Praticamente todas as entrevistadas levantaram a problemática do excessivo uso de drogas no bairro e a violência dos traficantes e policiais em torno disto. Alessandra contou, inclusive, que seus dois irmãos estão presos por terem se envolvido com o tráfico de drogas, o que ela recrimina, enfatizando não querer que os filhos entrem no mesmo caminho. Isamara cita que recebeu um sobrinho de 20 anos de idade em casa, usuário de drogas, que foi rejeitado por toda família, até mesmo pela mãe, pelo pai e pelas avós, em função dos comportamentos que ele tem em função de sua dependência química.

É preocupante esta realidade, sendo a violência uma das expressões da questão social que chega até as crianças. Natália relata:

Natália: Principalmente aqui no Aeroporto as coisas tão muito difícil, as drogas. [...] Aqui na rua mesmo eles tão passando e oferecendo para as crianças. [...] Aqui no Aeroporto, agora você vai andar aqui, tem criança mexendo. Aqui é feio.

E Pity também compartilha dessa percepção:

É preciso trabalhar com estas famílias em uma perspectiva de conscientizá- las sobre seu papel social, integrando-as em programas sociais, utilizando-se de estratégias para fortalecê-las em todas as suas capacidades e potencialidades. É necessário o trabalho com as famílias no sentido de levá-las a perceberem que têm direito de receber os benefícios sociais, evidenciando a sua condição de explorada no contexto sócio-político-econômico contemporâneo.

Engler (2012)20 faz uma crítica ao Serviço Social por trabalhar visando à

emancipação das pessoas, já que emancipar é uma perspectiva moral, pois parte do pressuposto de que o outro está alienado de uma “verdade”, objetivando levá-lo (o outro) a acreditar e a aceitar a perspectiva adotada pela pessoa (ou pela categoria profissional) que o “emancipou”.

A autora propõe, pautando-se nos estudos da filosofia pura, que o caminho mais ético seria trabalhar na perspectiva de utopia, sendo esta delineada pelo princípio de que o outro deve ser livre para escolher o que ele quer, trabalhando para que ele tenha informações e condições de avaliá-las criticamente, mas deixando as escolhas para ele. Engler (2012) ressalta que, na perspectiva da ética, o importante é a busca de homens que cultivem a utopia.

Como a formação moral de indivíduos é a definidora da ética coletiva, esta pesquisa apresenta algumas reconhecidas teorias sobre o desenvolvimento moral. Embora este foco na moral individual não se constitui o objetivo deste trabalho, já que se considera que a preocupação com a questão social aponta a necessidade de focar no global, neste caso, no estudo da ética, este percurso é feito uma vez que se considera importante conhecer as teorias mais aceitas sobre a gênese da moral para compreender sua influência nas estratégias e nos princípios adotados por pais e educadores na educação das crianças.

20 Arguição de Helen B. R. Engler na ocasião da banca de qualificação do projeto de pesquisa intitulado: O papel da família na formação ética infantil, apresentado por Maria C. L. ALVES, UNESP/FCHS, Câmpus Franca, no dia 12 set. 2012.

CAPÍTULO 3 FORMAÇÃO ÉTICA: TRADICIONALISMOS, ADAPTAÇÕES E

Benzer Belgeler