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Nas duas fases da pesquisa experimental, analisamos a postura do professor, a partir dos vídeos produzidos durante cada aula. As informações coletadas serão apresentadas através de dois quadros, exibindo as duas categorias empíricas. Definimos como primeira categoria a Metodologia SF.

Para análise e compreensão dos dados, tratamos como subcategorias as quatro etapas ou fases da SF, ou seja: “Tomada de posição”, “Maturação”, “Solução” e “Prova”. Para cada uma dessas subcategorias, trazemos os principais elementos de análises, relacionando-os com a experiência concreta do professor.

Os dados explicitados no quadro 9, a seguir, trazem a análise da primeira categoria elencada na pesquisa, na primeira fase. Ressaltamos que, nesta fase, o professor ainda não tinha o conhecimento da metodologia SF. Todavia, esta análise teve o propósito de, além de conhecer a prática do professor, com o uso das tecnologias digitais, configurando o primeiro objetivo específico da pesquisa, visou saber até que ponto a prática dele se aproximava ou se distanciava da proposta da SF.

As informações coletadas nesta primeira fase foram importantes porque pudemos elaborar um plano de trabalho, a partir da realidade do próprio sujeito investigado.

Quadro 9 – Postura docente em relação à Metodologia SF: 1ª fase

Fonte: Arquivo pessoal (2014).

Nesta aula, o professor deixou transparecer falta de planejamento. Não foi pensado como seria articulado o uso tecnologia digital com o conteúdo. Não havia um objetivo proposto do que se pretendia fazer no LIE, ou seja, no quadro foi explicitado o conteúdo e no computador o aluno aprendia a manipular o software.

O objetivo do professor, em levar os alunos para o LIE, não foi o de explorar o conteúdo mediante o uso dos recursos do “Winplot”, o que deixou a desejar. Nas ações do professor, percebeu-se certo conforto e desembaraço ao utilizar os recursos analógicos

CATEGORIA METODOLOGIA SEQUÊNCIA FEDATHI Subcategorias de

análises

Elementos de análises Experiência Concreta do professor

Tomada de Posição

•Estabelecimento do contrato

didático.

Não ocorreu. A aula é iniciada

explicando como se constroem várias retas em um mesmo plano cartesiano, usando recursos analógicos: quadro branco e o pincel.

Diagnóstico inicial (plateau) Não foi realizado.

•Apresentação do problema Não foi revisto pelo professor.

Maturação

•Compreensão do aluno na

identificação das variáveis e envolvimento do problema.

Não ocorreu

•Intervenção do professor, a partir de

perguntas estimuladoras, esclarecedoras e orientadoras.

Não ocorreu

•Valorização do erro Não ocorreu

•Contraexemplo Não ocorreu

Feedback Não ocorreu

Solução

•Representação e organização de esquemas de modelos que visem à solução do problema.

Não ocorreu

•Análise do professor, junto aos alunos, dos modelos apresentados, com seus possíveis erros.

Não ocorreu

Prova

•Formalização pelo professor do problema ensinado.

Não ocorreu

•Conexão entre os modelos

apresentados e o modelo científico ensinado.

Não ocorreu

•Finalização do processo levando o aluno à elaboração do modelo geral do conhecimento.

(quadro e pincel). O professor não saia da sua zona de conforto, mantendo a mesma postura da aula tradicional, com aula expositiva. A preocupação dele era mostrar no quadro convencional como deveria ser feito o gráfico da reta no winplot, por sua vez, o professor não refletia sobre sua prática.

Na aula prevaleceu o ensino tradicional, sem abertura para o diálogo, com ações conservadoras. Não houve espaço para o exercício da reflexão, da troca e do diálogo. A impressão que ficou era a de que os educandos não refletiam sobre o que estavam fazendo. Desse modo, a utilização da tecnologia digital se distanciou de uma prática reflexiva.

Em Schön (1993), vimos a possibilidade, de fazer o professor refletir sobre sua própria prática, seu pensar e seu fazer, na hora em que ele tivesse utilizando a SF, de modo, a se contrapor a uma visão tecnicista. Pensávamos numa prática em que o professor pudesse proporcionar um ensino e uma aprendizagem de forma colaborativa, em que o aprendiz participaria como protagonista do próprio processo de aprendizagem.

Sabíamos que a metodologia SF orientava o processo da reflexão a partir de perguntas esclarecedoras, estimuladoras e orientadoras, em dada situação problema. Esse processo ocorreu na hora da aplicação da SD. Mas precisávamos também que o professor, ao assistir sua própria aula, inserisse num processo de reflexão na ação, reflexão sobre a ação e reflexão sobre a reflexão na ação (Schön, 2000).

Constatamos, nesta fase, que a postura do professor refletiu a postura do ensino tradicional, centrada numa pedagogia que valoriza as relações hierárquicas, durante o processo educativo. Segundo Becker (2009, p. 9), esse tipo de relação “em nome da transmissão do conhecimento, acabam por produzir ditadores” do ensino. Por sua vez, criam- se também, indivíduos subservientes, sem “capacidade criativa”.

A análise dos dados expressos no quadro 9, apresentado anteriormente, permitiu verificar que a aula do professor estava distante da metodologia SF e do professor reflexivo. Frente às condições apresentadas, atestou-se a necessidade de formação do professor para mudar a postura convencional de ensinar, preparando-os para saber empregar os recursos informáticos no planejamento e execução da aula.

O quadro 10, a seguir, apresenta a Categoria 2: Formação do professor reflexivo. Nele foram elencadas três subcategorias; reflexão na ação, reflexão sobre a ação e reflexão sobre a reflexão na ação, que serviram para trabalhar a formação do professor, mediante suas idas e vindas do LIE, ocorrendo da seguinte forma: antes, que é o momento do planejamento da SD; durante, que é a fase da execução da aula, e depois, quando se começa um novo

planejamento da SD. Todo esse processo aconteceu num ciclo de ação-reflexão-ação proposto por Schön (2000).

Quadro 10 – Ações do professor reflexivo: 1a. fase

CATEGORIA AÇÕES DO PROFESSOR REFLEXIVO

Subcategorias de análises Elementos de análises Experiência concreta

Reflexão na ação Planejamento da SD Não ocorreu

Reflexão sobre a ação Execução da aula Não ocorreu

Reflexão sobre a reflexão na ação Novo planejamento da SD Não ocorreu Fonte: Arquivo pessoal (2014).

A categoria do professor reflexivo foi possível analisá-la, na terceira etapa da pesquisa, porque o professor passou por esses três momentos: quando foi planejar a SD, durante a aplicação dela e o planejamento de uma nova SD.