• Sonuç bulunamadı

A organização dos dados teve início ainda, durante o primeiro momento da coleta. Após cada dia no campo teve-se o cuidado de ir colocando na sequência, segundo a numeração atribuída a cada cadastro. Também se procurou registrar as lembranças desse momento que estavam vivas na memória, tentando não esquecer a riqueza expressada em algumas ações empreendidas.

Na transcrição das narrativas foram respeitando os indícios determinados pelo próprio sujeito no momento da narração, de modo que fossem mantidos os princípios de originalidade, quando havia uma pausa na fala, uma respiração mais profunda, uma entonação mais forte ou, uma sequência de repetição de palavras. Essas intervenções ocorrem naturalmente no momento da gravação e é difícil para o sujeito ter controle sobre elas, pois são manifestações que eclodem da memória, com uma carga de sentimentos e emoções inolvidáveis. Na escrita para representar esses indícios seguiu-se a orientação apresentada por Pretti (1999) sobre o uso de normas para transcrição de entrevistas gravadas, conforme o Quadro 9.

Ocorrências Sinais Exemplos

Qualquer pausa ...

Quando a gente vinha ... a gente era pequeno demais ... vinha da Barra pela praia ... era longe demais.

Comentários descritivos do transcritor

( ) Lá fora o cara to sozinho, ele e Deus (aponta na direção mar adentro)

Ênfase MAIÚSCULAS NA COLÔNIA TINHA TUDO, depois

que desapareceu tudo.

Citações “ “

Ele ficou com raiva porque Jair perguntou: “porque é que pescador de curral num tem direito? ”

Incompreensão de palavras ou segmentos

( ) A gente leva tudo na catraia ou baiteira( ) batera lá pro barco

Indicação de que a fala foi tomada ou interrompida em determinado ponto. Não no seu início, por exemplo.

(...) Quando é no tempo da eleição (...) todo mundo é amigo de todo mundo.

Interrogação ? A gente num paga a colônia todo mês ?

Quadro 9 - Sinais utilizados na transcrição dos dados Fonte: Adaptado de Pretti (1999, p. 19-20).

Na sequência, para proceder à análise, atribuiu-se um tratamento igual para todas as entrevistas, com a finalidade de destacar nas falas os fatos significativos e relevantes para validar a hipótese. A análise, de acordo com Queiroz (1991, p. 5), “significa decompor um texto, fragmentá-lo em seus elementos fundamentais, isto é, separar claramente os diversos componentes, recortá-los a fim de utilizar somente o que é compatível com a síntese que se busca”.

Nesse sentido, a análise de conteúdo foi o método escolhido porque corrobora como Gomes (1994) a entende, isto é; pela análise de conteúdo podem ser encontradas respostas para as questões formuladas, bem como, validar a hipótese estabelecida. De acordo com Minayo (2000, p. 203) a análise de conteúdo é vista como “todo esforço teórico para desenvolvimento de técnicas, que visam ultrapassar o nível do senso comum e do subjetivismo na interpretação e alcançar uma vigilância crítica frente à comunicação de documentos, textos literários, biografias, entrevistas ou observação”. Reigota (1998, p. 73) complementa, dizendo que:

Do ponto de vista operacional, ela visa atingir um nível mais aprofundado, relacionando as estruturas semânticas (significantes) com as estruturas sociológicas (significados) dos enunciados. A análise de conteúdo consiste na busca dos sentidos contidos no texto de forma a permitir a compreensão da forma de acesso aos grupos e a sua forma de construção e transmissão de informação. (REIGOTA, 1998, p. 73).

Tendo em vista o volume de material em mãos para se analisar, apropriou-se das três fases (Pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, inferência e interpretação) propostas por Bardim (2009) para balizar a pesquisa. Assim sendo, todas as transcrições das entrevistas foram lidas cuidadosamente e, em cada uma delas, destacou-se indicadores para a construção das categorias que melhor correspondessem às questões a serem respondidas. Segundo Bardin (2009, p. 199) o uso de categorias “funciona por operações de desmembramento do texto em unidades, em categorias segundo reagrupamentos analógicos”. Desta forma, entende-se que criando categorias ter-se-ia mais condições para compreender a subjetividade que poderia está por trás de cada fala emitida pelos sujeitos.

A construção das categorias de análise resultou dos recortes dados após a leitura minuciosa do material transcrito e, nesta pesquisa, apontam possíveis caminhos para a sugestão de propostas inovadoras no regime de informação da colônia de Pescadores “Benjamin Constant Z5” com base em práticas de informação que possibilitem o acesso à

informação por seus associados. Os dados coletados com os pescadores e com os gestores permitiram constituir as seguintes categorias para análise:

a) Planejamento e ocorrência das práticas de informação na colônia de pescadores: Considerando o imediatismo dessa sociedade e o grande volume de informação que é produzido pelas fontes de informação, procurou-se identificar as práticas que compartilham informações e orientam os pescadores em relação às suas necessidades informacionais, e promover o acesso às diversas fontes de informação existentes para o segmento da pesca, bem como verificar a frequência na qual elas ocorrem.

b) Outras possibilidades para constituir as práticas de informação: Observando a presença de pesquisadores na comunidade e de instituições de ensino voltadas para o segmento da pesca nas proximidades, foi interesse da pesquisadora verificar a ocorrência de parcerias para a realização das práticas de informação.

c) Acesso à informação: Procurou-se mostrar as estratégias usadas pelos pescadores para terem acesso à informação, sobretudo àquelas que dizem respeito a sua atividade profissional. E, tendo em vista que se trata de um campo social complexo tentou-se identificar algum/uns fator/es que possa/m interferir no processo.

A criação dessas categorias foi orientada pelas informações dada pelos sujeitos na intenção de responder aos objetivos e a hipótese levantada nesta tese e, nesse sentido, o referencial teórico que deu respaldo à pesquisa e, também orientou a análise dos dados, foi fornecido pela Ciência da Informação, na perspectiva da mediação da informação e do regime de informação. A discussão de determinadas temáticas por diferentes autores ratifica a importância de se empreender pesquisas com um direcionamento mais voltado para o campo social, como foi desenvolvido neste estudo.

Benzer Belgeler