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İÇİNDEKİLER

III. PERSONEL HAREKETLİLİĞİ - STAFF MOBILITY (ST) 1. Personel Hareketliliği Faaliyetleri

4. Hareketliliğe Katılacak Personelin Belirlenmesi

As Parcerias Público-Privadas (PPP’s) foram instituídas pela Lei nº 11.079, de 30 de dezembro de 2004, esta lei estabeleceu normas para licitação, bem como contratação de PPP’s

no contexto da administração pública. De acordo com Lopreato (2005, p. 9), “[...] as PPP’s

foram pensadas para fazer os investimentos que o setor público deixou de realizar porque tem que gerar o superávit primário exigido na manutenção da sustentabilidade da dívida que o

mercado requer”.

Com efeito, a noção de que o mercado possui maior capacidade do que o Estado para o provimento de serviços sociais é um dogma advogado pelos governos. Em sua aparência, as

PPP’s são propostas como uma medida crucial para impulsionar o país em nível das economias

centrais, assim, em troca de determinadas garantias, o setor privado possuirá uma grande quantidade de recursos canalizada nos setores de educação, ciência e tecnologia, infraestrutura, entre outros.

Na compreensão de Leher acerca das PPP’s é que essa concepção é

[...] compartilhada pelo Banco Mundial, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pelo FMI. O interesse desses organismos na matéria é forte. O governo brasileiro acertou com a chefe da missão do FMI, Teresa Ter-Minassian, que o projeto das PPPs, o PL de Inovação Tecnológica e o de Lei de Falências devem ser prioridades da pauta do Parlamento nacional (LEHER, 2004, p. 872).

A noção da incapacidade do Estado de dispor de novos investimentos para as áreas sociais, bem como a crença na maior eficiência do setor privado na utilização de recursos legitimam a lógica do estabelecimento de contratos envolvendo o Estado com o setor privado para propiciar todas as atividades que outrora foram fornecidas pelo Estado, contudo, ressaltamos que estes serviços são ofertados pela iniciativa privada a partir do financiamento

público. Todavia, ressaltamos que o alcance das PPP’s vai além do que o previsto no Plano Diretor da Reforma do Estado, do governo Cardoso, no qual, é expressado no projeto de lei

que prevê normas gerais para a contração de PPP’s no âmbito da administração pública, seu art. 3º “Pode ser objeto de parceria público-privada: I – a delegação, total ou parcial, da prestação ou exploração de serviço público, precedida ou não da execução de obra púbica” (BRASIL,

2003b). Portanto, retirando as atividades que correspondem a regular e legislar o que sobra pode

ser apreendido pelas PPP’s. Deste modo, a incorporação da saúde, educação, meio ambiente,

pesquisa e ciência e tecnologia (C&T) pode ser feita por essas parcerias.

Deste modo, ficarão a cabo do setor privado as decisões acerca dos investimentos públicos. De acordo com Leher (2004, p. 873):

[...] as resoluções de investimentos ficarão por conta dos investidores privados que os selecionarão de acordo com os seus critérios de poder de mercado e de maximização de lucros. Evidentemente, nesse escopo não cabem políticas públicas universalizantes. A focalização de nichos de mercado provavelmente será a regra. Se houver financiamento público, setores mais pobres podem ser alcançados com políticas assistenciais, nos termos das políticas de “aliviamento à pobreza” do Banco Mundial; se houver possibilidade de explorar tarifas e taxas, certamente os setores mais favorecidos serão alcançados por essas parcerias.

O conteúdo das PPP’s é oriundo da política econômica inglesa no governo Thatcher que

se realizou em função dos efeitos negativos engendrados pela desenfreada privatização. Assim, seu sucessor, primeiro ministro John Major, reconheceu que o investimento privado não daria conta de subsidiar vários segmentos, com isso, o Estado estaria designado para efetivar este subsídio. Nessa acepção, de alocação de fluxos de investimento público para o setor privado, portanto, uma nova forma de privatização tornou-se factível. Dessa forma, esse modo se instala

no Brasil a partir da instituição da lei das PPP’s (CALIARI, 2004). Asseveramos essa

compreensão a partir da noção do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC): “[...] na

verdade as PPP’s são uma forma de privatização de setores e serviços públicos estratégicos. Criaram um novo nome para uma coisa antiga e conhecida de todos” (NUNES, 2004).

Na política brasileira a compreensão de que o setor privado é mais eficaz do que o setor público não é algo surgido atualmente. Se recorrermos aos anos 1990, podemos localizar o exemplo da Articulação Sindical, a corrente majoritária na Central Única dos Trabalhadores e no PT, a qual orienta sua agenda política para o fechamento de pactos e acordos com o setor empresarial, tirando de sua agenda a política do Estado social. Leher (2004, p. 873) nos oferece

um exemplo essencial: “o caso da formação profissional é emblemático. Em vez de apostarem

nos centros públicos, optaram por utilizar as verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador em

organismos privados”. Em acréscimo, a noção de que as políticas sociais e de infraestrutura podem ter como protagonista o setor empresarial via PPP’s está sendo irradiada desde a

ReformadoEstado no governo Cardoso.

A noção da suposta “crise fiscal do Estado” apontada pelo diagnóstico do GTI não se sustenta. Os governos petistas através do orçamento da união canalizam uma quantidade de recursos para o pagamento da dívida pública que está entre as maiores do mundo, conforme pode ser visualizado na Tabela 6.

Tabela 6 – Despesas da União com juros, amortizações e refinanciamento da dívida pública (2003-2014).

Ano Juros Amortização Refinanciamento Total Despesas Dívida Pública 2003 119.962.336.006 166.005.164.472 700.076.814.314 986.044.314.791 2004 131.513.188.604 138.438.410.929 632.714.913.736 902.666.513.269 2005 147.404.021.891 86.724.811.395 822.205.460.073 1.056.334.293.359 2006 240.512.368.071 198.169.561.241 593.873.612.131 1.032.555.541.443 2007 215.192.702.615 149.035.008.087 575.594.275.257 939.821.985.959 2008 160.141.105.353 250.668.091.351 401.716.010.460 812.525.207.164 2009 171.836.746.804 354.987.245.462 362.614.152.108 889.438.144.374 2010 160.992.741.296 187.818.155.534 489.560.773.994 838.371.670.824 2011 162.165.600.909 135.035.439.580 578.947.584.182 876.148.624.671 2012 157.395.034.495 377.742.057.814 348.907.366.321 884.044.458.630 2013 156.639.369.015 368.424.847.547 269.123.384.644 794.187.601.206 2014 177.116.101.549 200.350.999.455 639.282.217.660 1.016.749.318.664 Total 2.000.871.316.606 2.613.399.792.866 6.414.616.564.880 11.028.887.674.353 Fonte: Senado Federal (Portal Orçamento – SIGA Brasil); Elaboração baseada em Reis (2016, p. 22).

Nesse percurso, é que localizamos ainda nas primeiras ações do governo Lula da Silva na reforma da educação superior brasileira, o objetivo de diluir as fronteiras entre o público e o privado, de forma que todas as instituições de ensino superior, independente de sua natureza jurídica, estejam inseridas no plano de ações deste governo para expandir o acesso à educação superior.

Leher (2004) empreende uma análise crucial ainda no período de aplicação de tais políticas, onde o autor compreende a vinculação existente entre o ProUni e a Lei de Inovação

Tecnológica (LIT) com a lógica das PPP’s, nos seguintes termos:

Além do PPP, um projeto ‘guarda-chuva’, existem medidas que incidem diretamente sobre a universidade: o Programa Universidade para Todos (ProUni) (observe-se a ausência do adjetivo pública) e o PL de Inovação Tecnológica. No primeiro projeto, por meio de gigantesca renúncia fiscal, que poderá ultrapassar R$ 2,0 bilhões/ano, montante equivalente a mais de 1/3 do orçamento de todas as instituições federais de ensino superior, o Estado irá comprar vagas do setor privado, metamorfoseando-se em vagas ‘públicas’ (porém não gratuitas) [...]. A outra face dessa diluição da fronteira entre o público e o privado é o Projeto de Lei de Inovação Tecnológica, originalmente de autoria de Cardoso e redimensionado pelo atual governo [Lula da Silva]. As universidades serão inseridas no moinho satânico da reprodução do capital, colocando à disposição laboratórios, equipamentos e, principalmente, pessoal para iniciativas empresariais, como se as empresas locais estivessem demandando a produção de tecnologias e, ainda mais inverossímil, como se as inovações tecnológicas nascessem nas universidades. Em troca, as instituições receberiam alguma compensação econômica por parte das empresas, desde que abram mão de seu caráter público e não- mercantil. Em suma, é a institucionalização do ‘capitalismo acadêmico’ (LEHER, 2004, p. 876).

A partir da efetivação do ProUni, LIT, além do FIES — no qual se trata de outro programa de parceria entre o setor público e o setor privado —, essas parcerias na educação superior trouxeram profundas transformações para o setor. Em verdade, implicam uma redefinição do papel do Estado na efetivação do direito à educação, expandindo o setor privado em detrimento do público. No limite, a universidade pública e as Instituições Privadas de Educação Superior (IPES) passam a habitar um sistema único igualando-as no direito de receber investimentos do Estado, portanto, desde que atendam aos requisitos do sistema avaliativo bem como possuam compromisso social. Em síntese, na lógica das PPP’s “praticamente” toda a administração pública direta ou indiretamente faz parte de seu abrangente campo. Destarte, o papel do Estado como distribuidor e pagador está reservado no contrato das parcerias:

[...] sob forma de contratos, haverá uma ampla distribuição de privilégios [...] esses privilégios podem consistir na autorização para impor tarifas por prestação de serviços, mas também no direito de receber remuneração do Estado, por obras e serviços, os chamados direitos emergentes do contrato (JURUÁ, 2005, p. 37). Para o parceiro privado está reservado gastar, contratar serviços e gerir o processo. Para impulsionar ainda mais suas tarefas, este parceiro pode pegar empréstimos do mercado

financeiro. Caso o parceiro público possua direito a alguma receita, só serão utilizados os valores em casos de investimentos. No que tange os gastos correntes, para seu próprio custeio, estão proibidos (OTRANTO, 2006). Para Juruá (2005, p. 41-42),

[...] parece que o Brasil está sendo leiloado. O governo é um corretor sem direito (legal, formal) às comissões de corretagem. Os compradores terão seus direitos plenamente assegurados, em conformidade com os direitos de propriedade tão prestigiados em países imperiais. Terão garantia de lucratividade em suas aplicações financeiras, pouco importa o desperdício que assumirem.

Sendo assim, compreende-se que se quase a totalidade inteira da função pública pode

ser alvo das PPP’s, o setor educacional muito provavelmente não conseguiria fugir de tal lógica.

Nesse sentido, nas subseções seguintes, pretendemos analisar as políticas que estão diretamente

associadas à lógica das PPP’s além daquelas que são implementadas para suplementar o projeto

de ensino superior do capital.

Benzer Belgeler