2.1. Gereç
2.2.2. Hareketli Aeromonas Türlerinin Ġdentifikasyonu
Percorrendo as ruas de Barra22, conhecemos homens e mulheres, devotos de São Pedro - o padroeiro dos pescadores – que trabalham, cantam, dançam e contam histórias e que nos levaram ao conhecimento de sua subjetividade, processada pelo tempo da memória.
Para escrevermos essa história, não podemos deixar de fazer referência a pessoas23 como seu Tota Madeiro, considerado por todos o patriarca do lugar por ter legalizado terras, a casa de farinha e construído a Igreja São Pedro, ainda a única na comunidade. Ele teve cinco filhos, em dois casamentos. Do segundo casamento com dona Maria Padilha, nasceu Mãe Santa. Depois da morte de seu pai, Mãe Santa única nativa possuidora de uma casa à beira-mar, ficou responsável pelo cuidado com a igreja, a casa de farinha, o cartório eleitoral, assim como pelo gerenciamento de algumas propriedades deixadas por seu pai24. E dona Maria
Padilha, mãe de Mãe Santa, falecida ano passado, de quem tive o prazer de ouvir histórias do ‘desenvolvimento’ local, das festas e do seu marido, Tota Madeiro, de
22 Ver Anexo C - Registros Fotográficos.
23 Ver em Anexo B – Notas, a biografia completa dos moradores. 24 Cf. MONTEIRO (2003).
quem lembrava com saudades. Seus gestos e o brilho nos olhos revelavam um retorno às lembranças do tempo passado.
Estas foram as primeiras pessoas da comunidade que conhecemos. Através delas ficamos sabendo quem mais poderíamos procurar. Então seguimos em busca dos “narradores” daquele lugar. Fomos caminhar pelas ruas, observar e conhecer o nosso campo. Quando chegamos na Boca da Barra (fig.1), vimos um homem num
bote25 à beira do rio (fig. 2). Era Toro, pescador e presidente da colônia dos
pescadores. Ele nos apresentou as belezas e a diversidade dos recursos naturais do “lugar”. Levou-nos a conhecer os percursos do rio Camaratuba, o manguezal, as falésias e muitas histórias, principalmente as que discursavam sobre trabalho, pesca e a atividade turística. Nas primeiras conversas podíamos perceber que ele se tratava de um líder comunitário, devido ao seu discurso “político“ e participativo.
Figura 1 – Boca da Barra no período de carnaval Fonte: Jornal Vale Notícias, Fev. 2002.
Figura 2 – Rio Camaratuba, manguezal e o barco a motor de Toro
Fonte: Gekbede Silva, em 04/01/2001.
Aos poucos foi nos apresentando sua família e indicando pessoas com quem poderíamos conversar. Através dele conhecemos dona Maria José, sua sogra, mulher nascida e criada em Barra, que aprendeu com os mais velhos a cantar e dançar lapinha. Uma senhora tímida que resistiu inicialmente a ter nossas conversas gravadas e sempre fugia quando pedíamos para fotografá-la.
Depois conhecemos Angelita, esposa de Toro e Angélica sua filha. E, ao longo da pesquisa, fomos conhecendo mestres de pesca como seu Moíses Coelho, Manuel Madeiro entre outros pescadores como seu Antônio Amaro, conhecido como Antonio da Arraia, João Cândido, Menininho, Soca, Agripino, Manuel Aragão, Antônio Caboclo. Tivemos o prazer de conhecer o pescador e artista Belezal, falecido em 2002, mas com quem ainda dialogamos sobre do turismo local. Durante
as conversas, ele sempre mostrava algumas expectativas de desenvolvimento local através dessa atividade. E conhecemos também pessoas que tinham uma experiência de vida construída e relacionada às brincadeiras populares, entre elas dona Rita Branca, Carminha, Neves, Liquinha, dona Suna, Tereza, Alice, Antônio Careca, e outros como Maria das Dores, Nezita, Alexandre, Moça, seu Olegário26, ex-pescador, poeta que sempre tinha um verso pra recitar, entre tantos outros que contribuíram com seus discursos para a construção deste trabalho. Também não podemos deixar de citar seu Epitácio, falecido recentemente, ex-pescador considerado por todos como o “mestre” na arte de puxar o coco de roda, com quem conversamos meses antes do seu falecimento.
A partir dos diálogos com alguns destes narradores, principalmente os mais “antigos”, soubemos que a comunidade se originou, num primeiro momento, com a chegada dos portugueses, vindos nas grandes embarcações, e pelos indígenas, vindos dos povoados vizinhos da Baía da Traição. Esses narradores contam que o lugar foi originalmente formado pelas famílias: Madeiro, a família Brasilino, família Costa e dos Coelhos. A família dos Madeiro é uma das maiores e considerada genitora no processo de formação e fundação. Foram os Madeiro que venderam os “melhores terrenos, sobre pequenas dunas, para a burguesia da ‘cidade’, que ali foi construindo, aos poucos, as suas casas de veraneio, e uma pousada relativamente grande luxuosa: os seus centros de lazer extra-urbanos” (CIACCHI et al. 2002, p. 3).
Olha, existe a família Madeiro, a família Brasilino, mas que um sangue só, porque é parente (...) O lugar é formado por uma só família, que é família Madeiro (Mãe Santa, E1 em 09/ 02/200127).
Aos poucos, foram chegando outros pescadores, atraídos pelas pescarias na costa paraibana, assim como outros trazidos para trabalho nas lavouras de cana-de açúcar, como veremos a seguir.
26 Para mais detalhes sobre os nossos narradores, veja os anexos onde desenvolvemos uma
biografia sobre alguns, para um melhor conhecimento do leitor.
27 Considerando o caráter das informações das entrevistas, apresentaremos aqui narrativas
realizadas num primeiro momento de pesquisa, período de 2001 a 2003, quando dividia o campo com mais três colegas de curso, e um outro, no período de 2005 a 2006 quando retomamos a discussão. Em anexos consta um “quadro de viagens” com as datas que estivemos em campo.