• Sonuç bulunamadı

7. SOUÇLAR VE YORUMLAR

7.3 HAp-Kitosan Kompozit Deney Sonuçları

Os vizinhos testemunham as constantes agressões dos familiares contra os pacientes na tentativa de controlá-los. Embora alguns possam fazer denúncia formal dos maus-tratos que testemunham, outros justificam as agressões dos familiares como sendo necessárias para conter os pacientes ou mesmo dentro de uma perspectiva de que os pacientes oferecem perigo real. A noção de que o paciente psiquiátrico é perigoso e ameaçador aparece na perspectiva dos vizinhos.

Ele (irmão) bate assim, quando ela tá batendo na mãe dela, ele bate nela. (V01)

Porque ficava sabendo que o pai e o irmão dela, espancava ela aí dentro. Que ela tava com o corpo cheio de hematoma. Foi feita uma perícia e constatou que ela tava com hematoma. (V03)

E as vez ela ficava agressiva, quê que acontecia! é acontecia deles (pais) pegá ela e pô ela sentada numa cadeira e amarrá [...], né! Só que as vez amarrava assim, uma corda [...] um fio de tomada [...] e ela com aquela esfregação ficava aquelas marcas

[...]. É as vez ela gritava demais, duas ou três horas da manhã, ela gritano. Quê que

eles fazia, pegava um pano e amarrava, pegava uma toalha e amarrava a boca dela. Pra ela num continuá gritando, porque tem um vizinho que é enjoada daqui, do outro lado [...].

- E os outros vizinhos reclamavam dos gritos dela, do barulho? Mas na época da denúncia foi os vizinhos que denunciaram (V03)

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Muitos vizinhos acham que conviver com o paciente é perigoso tanto para eles quanto para os familiares. Esse é um dos motivos pelo qual a violência é justificada e usada corriqueiramente para conter o paciente. Aqueles vizinhos que aceitam as agressões dos familiares contra seus membros doentes, geralmente, são aqueles que participam intimamente das dificuldades e sofrimentos dos familiares e vêem a dificuldade de controlá-lo e, por conseguinte, possuem medo do paciente. A relação que se estabelece é de defesa e ataque, não da doença, mas da pessoa portadora da doença. A medicação ou o tratamento psiquiátrico nunca é visto como uma forma apropriada de controlar o comportamento desordenado do paciente ou de tratar o problema. O uso da força física é a maneira reconhecida como método de controle tanto pela família quanto pelos vizinhos.

Mas tem vez que ela tá atacada mesmo! E quando ela tá atacada é perigoso. Que agente vá incostar nela é perigoso que ela atacar a gente. (V02)

Só corre [...]. Que ela tá atacada lá dentro a gente só ouve os gritos de Dona YY (mãe). Quem que encosta! [...]. Aí ela, então na hora que ela ataca é assim. Na hora que ela tá boa parece que ela não tem problema nenhum. É limpinha, arrumadinha, cabelo penteado. Conversava normal assim com a gente sabe [...]. Agora na hora que ela tá atacada, a gente nem pode chegar perto. A gente tem medo quando ela tá atacada ela fica muito esquisita, sabe! então a gente evita, né! (V02)

Uma vez eu já vi ela amarrada [...]. Eu fiquei com dó […]. Assim, com os braços pra trás na cadeira […]. Sentada na cadeira! Na cadeira com os braços pra trás. Isso aí eu vi [...]. Acho que o pé dela também tava amarrado [...]. Porque ela tava muito agressiva, muito agressiva mesmo dentro da casa. Ela, eu acho que foi até na época que ela tinha, é que ela mais a mãe dela tinha tirado um pedaço do dedo da mãe. Acho que foi nessa época, que quando ela endoida mesmo minha filha, oh, num tem lugar aí dentro dessa casa, não tem. E assim é você dormir e dar o remédio dela, e à meia noite, duas horas da manhã ela á acordada de novo. Então cê num dorme, que dali ela pode acordar, ela pode pegar uma faca, ela pode pegar qualquer coisa, ela é doida [...]. E como é que você tranca a porta do quarto e deixa ela lá dormindo, trancada lá. Também não pode deixar roupa lá dentro que ela pode até matar ela mesma [...]. (V04)

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O medo de ser agredido é sempre a preocupação principal, pois é reconhecido que o “doido” tem muita força física o que dificulta a defesa. Conforme o entendimento dos vizinhos, também se deve evitar “ficar de costas” para os pacientes, pois, como são “perigosos e fortes”, o melhor a fazer é evitar qualquer aproximação para não ser pego desprevenido. Para os vizinhos, também é necessário desenvolver atitudes e cuidados para lidar com o paciente e defender-se de um ataque ou agressão súbita. A noção de perigo é também compartilhada com os familiares. Conforme os vizinhos, a agressão por parte do paciente é a pior situação enfrentada pelos familiares.

Eu tenho medo dela me agredir. Meu medo é esse que doido tem força. Pode ser doido do jeito que for, pode ser seco, eu num sei da onde eles tiram essa força, mas que tem força tem. (V04)

Se você dá as costas, ele(o louco) faz besteira com você. É o que a mãe dela fazia, oh, Dona XX tudo que a senhora tiver que conversar com ela conversa de frente num dá as costas pra ela não e num sai não [...]. Foi feito e certo. Ela chegou provocando a mãe dela, empurrou a mãe dela, a mãe dela caiu de cima da escada lá e quebrou o braço. Aí eu ia chegando do serviço. A mãe tá aqui com braço quebrado aqui [...]. Coloquei dentro do carro e levei pra Santa Casa (hospital). (V03)

A depressão da mãe de uma das pacientes é interpretada como consequência direta do sofrimento de ter uma filha com esquizofrenia dentro de casa. Os vizinhos consideram que quem cuida do paciente corre risco de adoecer também, pois o fardo é considerado pesado, principalmente para as mães, que são vistas como a responsável direta pelos cuidados dos filhos doentes.

Não eles num fala nada disso [...]. Já falou que já levou em muitos lugares que num tem jeito, que eles têm vontade de arrumar um internamento pra ela [...] pra ela num sair mais nunca [...]. A mãe dela fala assim, pra ela ficar lá [...]. Eu já ajudei muito a mãe dela [...]. A mãe dela fala assim.

Quando um paciente muda de bairro, há uma comunicação entre os moradores, o novo local onde ele vai residir parece ser “avisado” daquela presença. No caso da paciente M12, antes de a paciente mudar de bairro, os vizinhos já

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sabiam que a paciente tinha “problema de cabeça” ou que ela era “louca varrida”. Assim, ao se instalar na sua nova residência, todos os vizinhos próximos já tinham conhecimento de seu comportamento desordenado, o aviso era de que ela era um “perigo” para as pessoas se aproximarem.

Quando ela está ruim mesmo, eles, outros vizinhos, comentam que ela está atacada. Todo mundo na rua sabe que ela tem problema se ela falar qualquer coisa não dá atenção [...]. Assim para não importar não [...]. Porque ela não bate bem mesmo.

(V05)

Ela só vem aqui [...]. Ela não agride, mas eu tenho medo dela [...]. A pessoa deste jeito [...]. Ela fica muito nervosa quando ela está na crise, às vezes, a filha me chama, não fala coisa com coisa. Eu imagino que deve ser difícil no caso dela este problema mental que ela fica fora de si […]. Então é perigoso eu fico com medo […].

(V05)

O “resguardo quebrado” também aparece como uma explicação para os vizinhos, assim como a questão da hereditariedade. Duas situações levaram a vizinha à conclusão de que a doença pode ter sido desencadeada pelo resguardo quebrado, os sintomas apareceram depois de a paciente ter filhos, e pela hereditariedade, a filha da paciente também apresentou sintomas de confusão mental após o parto.

Eu penso que pode ter algum resguardo quebrado, né! Foi depois quando ela começou ter os filhos que ela ficou assim [...]. Pode ser até hereditário, pois eu vi a filha adoecer assim né [...]. Igual ela [...]. Eu já sei quando ela não está bem [...]. O que mais me chama atenção é [...] ela fica falando muito [...] repetindo as coisas.

(V05)

Os modelos explicativos da doença para os vizinhos seguem uma lógica semelhante à dos modelos apresentado pelos familiares, mostrando que existe uma construção da doença que é coletiva, seguindo o padrão cultural. Nesse aspecto, percebe-se que os modelos formulados estão em sintonia com aspectos culturais locais.

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4.4.4 A (des)igualdade institucional, profissional e familiar do cuidado

Benzer Belgeler