2. ALANYAZIN ĠNCELEMESĠ VE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.10. Program değerlendirme
2.10.2. Alternatif Program Değerlendirme YaklaĢımları
2.10.2.2. Hammond Değerlendirme Modeli
A Doutrina Cooperativista tem suas raízes fundamentadas nos chamados utopistas que já na segunda metade do século XV retratavam, em suas obras, organizações sociais capazes de, com o passar do tempo, superar as “incorreções” existentes no tipo de sociedade vigente naquele momento. Haja vista obras como Utopia, de Tomás More (1478-1536) e Nova Atlântida, de Bacon (1561- 1626), onde o mesmo desenvolve a idéia de uma anti-República baseada no fato de que a harmonia e o bem-estar dos homens só se daria a partir do domínio da natureza pela ciência, o que, conseqüentemente, possibilitaria a melhoria da vida dos cidadãos em geral. Não compreendendo a organização econômica e social como responsável pelo bem-estar da população, mas, sim, entendendo-a como conseqüência da ação da Casa de Salomão onde viveriam e trabalhariam os sábios da Nova Atlântida.
Além de Bacon e Tomás More, também houve vários outros pensadores, como P.C. Plockboy, John Bellers, Robert Owen, William King, Charles
Fourier, Philippe Buchez, Louis Blanc6, os quais contribuíram significativamente para a consolidação do cooperativismo moderno. Suas experiências, tanto teóricas quanto práticas, ofereceram o suporte necessário para a construção de uma concepção, não apenas econômica, mas, também, social, no que tange à forma de organização e funcionamento do sistema cooperativista.
Todo o contexto histórico de transformações econômicas e sociais ocorridas no âmbito da Revolução Industrial contribuiu para que uma considerável gama de pensadores buscassem encontrar formas para compreender as causas e, conseqüentemente, propor soluções para o problema das injustiças sociais que afetavam a classe trabalhadora na Europa.
Entre 1760 e 1830, a Inglaterra constituía-se praticamente no único palco de desenvolvimento da Revolução Industrial; contudo, ao mesmo tempo em que se transformava no principal produtor e exportador de produtos manufaturados, também acumulava uma série de problemas sociais com o rápido crescimento populacional das cidades nas regiões industrializadas.
Não bastassem as precárias condições de existência a que os operários estavam sujeitos (moradias deploráveis com aluguéis exorbitantes ou a própria falta das mesmas), havia, ainda, o desemprego e, quando empregados, as condições subumanas de trabalho diante das quais nem mesmo mulheres e crianças eram poupadas.
Villemé (apud Medeiros & Mocellin, 1991) traduz com bastante eloqüência a exploração que atinge essas duas categorias de trabalhadores durante o referido período:
Olhai para elas quando vêm para a cidade de manhã e partem à noite. Há muitas mulheres, pálidas, magras, descalças na lama... E há também crianças – mais do que mulheres – não menos pálidas, não menos sujas, cobertas de farrapos, besuntadas do óleo dos teares que as esparrinhou durante o trabalho (Medeiros & Mocellin, 1991, p. 82).
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Porém, apesar de toda a contribuição dos precursores, o cooperativismo puro só emerge, efetivamente, a partir de meados do século XIX com os Pioneiros de Rochdale na Inglaterra. Muito embora existam registros anteriores de organizações com experiências pautadas na idéia da coletividade, é somente em novembro de 1843, através da organização de 28 tecelões (27 homens e uma mulher - Anee Tweedale), sob a coordenação de Hawart, discípulo de Robert Owen, que movidos pela necessidade de transformação diante do cenário deplorável em que se encontravam, unem-se com o objetivo de fundar a primeira associação baseada no cooperativismo.
Diante da impossibilidade de resistência ante as forças do capital, impulsionadas pelo advento da Revolução Industrial, que se espraiavam não somente por toda a Inglaterra, mas a essa altura também por grande parte da Europa, e sofrendo com o estado de profunda miséria a que estavam expostos em função do aviltamento de seus salários, esse grupo de trabalhadores busca um novo sistema de vida com vistas a uma forma mais digna de sobrevivência.
Portanto, o Programa Rochdaleano surge com uma proposta de realização tanto do benefício pecuniário, quanto da melhoria da condição social dos associados.
O êxito obtido pelos pioneiros, através de sua iniciativa pautada no solidarismo, é reforçado pelo fato de que seus princípios, embora tenham, ao longo do tempo, sofrido algumas transformações, se constituem, até os dias de hoje, na base que dá sustentabilidade ao movimento cooperativista em todo o mundo.
A idéia central era a de um cooperativismo de consumo baseado na adesão livre e espontânea; na absoluta neutralidade política e religiosa; na prática da democracia pura, onde cada elemento possuísse direito a apenas um voto; na eliminação do lucro mercantil, com a distribuição dos excedentes entre os próprios associados; na distribuição ao capital com juros limitados; nas vendas dos bens de consumo à vista e; no investimento na área educacional, com o propósito de garantir, através dos mais novos, a continuidade do sistema.
Assim sendo, baseados nestes postulados é que sistematizadores como Charles Gide, divulgador da cooperativa como eficaz instrumento de reforma
do sistema capitalista e para quem todo o problema econômico possuía uma solução cooperativa, possibilitaram que o movimento extrapolasse o âmbito da distribuição e consumo, dando um salto para os sistemas de produção, crédito, educação, serviços, etc, ganhando, dessa forma, caráter universal.
No entanto, na medida em que esse movimento se universaliza, sendo adotado por vários países em todo o mundo, os Princípios de Rochdale, base da Doutrina Cooperativista da ACI (Aliança Cooperativa Internacional), tendem a ser modificados. Sobretudo porque a maioria esmagadora das “cooperativas modernas” já não é dotada de todo o conteúdo humanístico e das regras de solidariedade que propõe ajuda mútua e que inspiraram os pioneiros.
Para melhor compreender o teor da proposta rochdaleana, e as adaptações que a mesma sofreu através da própria ACI, buscar-se-á, através do Quadro 1, a reprodução de tais adaptações.
Quadro 1 – Princípios dos Pioneiros de Rochdale Textos de Rochdale
(Estatutos de 1844 modificações de 1845 e 1854)
Congresso da ACI (Aliança
Cooperativa Internacional)
Paris – 1937
Congresso da ACI (Aliança
Cooperativa Internacional)
Viena – 1966
1. Adesão livre (porta aberta) 2. Gestão democrática 3. Retorno “pro rata” das
operações
4. Juros limitados ao capital 5. Vendas a dinheiro 6. Educação dos membros 7. Cooperativização global
1. Adesão livre 2. Gestão democrática 3. Retorno “pro rata” das
operações
4. Juros limitados ao capital 5. Vendas a dinheiro
6. Desenvolvimento da educação em todos os níveis
7. Neutralidade política, Religiosa e racial
1. Adesão livre (inclusive neutralidade política, religiosa, racial e social)
2. Gestão democrática
3. Distribuição das sobras: a) ao desenvolvimento da
cooperativa; b) aos serviços comuns; c) aos associados “pro rata” das operações.
4. Taxa limitada de juros ao capital social
5. Constituição de um fundo para educação dos cooperados e do público em geral
6. Ativa cooperação entre as cooperativas, em plano local, nacional e internacional Fonte: PINHO, 1973, p. 30
Adaptação: VIANA, 2000.
Como pode ser observar, não houve grandes mudanças estruturais nos princípios do estatuto, alguns itens foram alterados, suprimidos ou acrescentados. No entanto, cabe ressaltar que a partir da inserção da neutralidade, sobretudo a política, dá-se o início da desvinculação do cooperativismo com sua essência inicial, porque o aspecto político é algo que não pode estar dissociado do pensar cooperativo, uma vez que propõe, dentre outras coisas, a transformação social.
Assim sendo, e diante das colocações de Pinho (1965), acredita-se que as transformações ocorridas no seio das cooperativas, as quais conduziram ao desvio de seus fins doutrinários, têm muito a haver com a necessidade de acomodação diante das transformações ocorridas no sistema capitalista:
Cercadas de forças poderosas, na maioria hostis ou indiferentes, mas poucas vezes favoráveis, as cooperativas precisam acomodar-se ao ambiente econômico-social para sobreviver (Pinho, 1965, p. 83).
Porém, se por um lado há uma certa concordância com Pinho, por outro, não se pode cerrar os olhos ante a compreensão dos interesses individuais que permeiam os grupos que, em função de um maior poder econômico-social, passam a assumir o controle político-administrativo das cooperativas operacionando-as segundo seus próprios propósitos.
Talvez essas colocações não justifiquem, mas certamente contribuem para uma maior clareza no que tange a atual forma de atuação das cooperativas. Que muito embora sejam frutos da aplicação de princípios socialistas, co-existem hoje, em um sistema capitalista mono-oligopolístico que, contraditóriamente, também se reproduz a partir das práticas cooperativistas.
2.3. ORIGEM DO COOPERATIVISMO NOS PAÍSES