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De acordo com Vale (2001), a partir da década de 70 em paralelo com a gradativa disseminação e reconhecimento da importância do setor mineral no âmbito nacional e internacional com vistas ao crescimento econômico dado por este setor, observou-se uma crescente preocupação com a imagem do setor mineral junto à sociedade.

Ainda segundo o autor, nos últimos quinze anos essa problemática recebeu pressão considerável a partir da dimensão atribuída a vertente ambiental e, mais recentemente, com a absorção em nível global das diretrizes de maior amplitude que qualificam o conceito de desenvolvimento sustentável.

A inserção da variável ambiental na preocupação com os processos produtivos no setor mineral pode ser entendida por ser, este setor, considerado como uma esfera com alta concentração de impactos ambientais. A partir da década de 90, onde as organizações passaram a agir de forma proativa com as questões ambientais as indústrias por mais que tivessem grande contribuição na economia do país, como é o caso do setor de mineração, não poderiam deixar de considerar as questões ambientais nos seus processos produtivos.

Mas, especificamente tratando do setor mineral, este tem crescido de forma expressiva, o que vai de encontro com a visão de Vale (2001) sobre a contribuição para a economia, no entanto, esse crescimento também ocorre no que diz respeito ao aumento dos impactos ambientais causados pelas indústrias de mineração.

Segundo o IBRAM (2012), a mineração representa 3% a 5% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil. O subsolo brasileiro é rico e apresenta minérios de classe mundial resultando em maior competitividade. No entanto, ainda há pouco conhecimento geológico sobre as reservas, pois apenas entorno de 20% foram mapeadas de modo geologicamente adequado (IBRAM, 2012).

A figura 10 abaixo mostra os principais minérios encontrados no subsolo brasileiro, e também os quais o país tem produção dependente e exporta, seguidos dos minerais que tem dependência externa.

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Figura 3: Principais minérios encontrados no Brasil (Fonte: IBRAM, 2012)

De acordo com a figura acima pode-se verificar que o Brasil é o segundo maior produtor de ferro, sendo esta a principal commodity negociada, especialmente em função do papel da China que é o principal importador de ferro nesse setor.

Essa posição de destaque na produção de ferro coloca o país em uma posição estratégica para negociar os minérios que tem dependência externa como é o caso do carvão metalúrgico, potássio, enxofre e terras raras3.

Segundo o IBRAM (2012b), o setor investirá entre os anos de 2011 e 2015 cerca de US$ 68,5 bilhões em projetos para ampliar a produção de metais. Sendo os investimentos para a exploração do minério de ferro que mais recebem investimentos cerca de US$ 45 bilhões deste total.

No que diz respeito às indústrias de mineração, segundo o relatório anual de lavra do Departamento Nacional de Produção Mineral, no ano de 2010 foram registradas 7.932 empresas localizadas em diversas regiões do país. A tabela 06 abaixo mostra onde estão localizadas essas empresas por regiões do país:

3 As terras raras ou metais de terras raros são, um grupo relativamente abundante de 17 elementos químicos,

dos quais 15 pertencem na tabela periódica dos elementos ao grupo dos lantanídeos (elementos com número atómico entre Z=57 e Z=71, isto é o lantânio ao lutécio), aos quais se juntam o escândio (Z=21) e o ítrio (Z=39), elementos que ocorrem nos mesmos minérios e apresentam propriedade físico-químicas semelhantes. As principais fontes económicas de terras raras são os minerais monazite, bastnasite, xenótimo e loparitee as argilas lateríticas que absorvem iões.

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Tabela 3: Indústrias de mineração por região do país (Fonte: IBRAM, 2012).

De acordo com a tabela acima, o Nordeste do país aparece em terceiro lugar com o maior número de indústrias de extração mineral, isso se deve a localização e aos altos índices de minerais encontrados no solo dessas regiões.

Os maiores estados produtores de minérios em 2010 de acordo com o recolhimento da Contribuição Financeira pela Exploração dos recursos Minerais, são os estados de: Minas Gerais, Pará, Bahia, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Sergipe. A tabela a seguir mostra a participação desses estados de acordo com a sua produção:

ESTADO PRODUÇÃO DE MINÉRIOS (%)

Minas Gerais 48%

Pará 28%

Goiás 28%

São Paulo 4%

Mato Grosso do Sul 1,8%

Bahia 2,7%

Sergipe 1,7%

Outros 8,8%

Tabela 4: Produção mineral por estado da federação Fonte: adaptado de IBRAM (2012).

43 Ao analisar os dados da tabela 06, pode-se verificar que o estado da Paraíba faz parte dos estados que compõem parte não significativa da produção mineral do país. No entanto, vale ressaltar que alguns minérios são explorados no estado da Paraíba e enviados para beneficiamento em outros estados, este o caso da Indústria Millenium Inorganic Chemicals, indústria estudada nessa pesquisa, que extrai minérios na Paraíba e os envia para o estado da Bahia.

No que se refere aos aspectos econômicos, segundo dados do IBRAM de 2011, o setor de mineração é o setor privado que mais investe no país, são em média mais de US$ 13 bilhões ao ano. Este investimento pode ser percebido no gráfico abaixo, cujos valores são reavaliados pelo IBRAM periodicamente.

Figura 4: Investimento do setor mineral brasileiro no período de janeiro de 2007 a maio de 2011. (Fonte: IBRAM, 2011).

Na figura 11 examinou-se a evolução no volume de investimentos do setor mineral do Brasil, as barras em amarelo mostram os investimentos no setor mineral até 2011, as verdes apontam para os novos investimentos, as amarelas para os investimentos já existentes, e as hachuradas para ambas. Os valores apurados pelo IBRAM são projetados para o período de cinco anos. O Instituto prevê com base nos dados coletados junto as mineradoras um investimento expressivo de US$ 68 bilhões para o período de 2011-2015, o que significa um novo recorde para a mineração (IBRAM, 2011).

44 Apesar deste crescimento em investimentos na produção/extração mineral, O Brasil ainda investe pouco na pesquisa mineral. Ainda de acordo com o IBRAM (2011), nos anos de 2009 e 2010, o país recebeu apenas a fatia de 3% de todo o investimento mundial em pesquisa, ficando bem atrás de países territorialmente bem menores como o Peru e o Chile. Além disso, ainda segundo o IBRAM (2011), o país possui apenas 30% do seu território mapeado geologicamente de maneira adequada na escala de 1:100.000.

Tomando por base a discussão acima, verifica-se que o setor mineral brasileiro possui forte importância na economia dos estados e da federação, isso pode ser percebido com vistas ao forte crescimento do setor ao longo dos anos, e também pelo forte investimento das indústrias do setor.

No entanto, também se faz necessário analisar que esse setor contribui de forma significativa para o esgotamento dos recursos naturais, como também influi na qualidade de vida, paisagem e vegetação das áreas que as envolvem. Deste modo, devem ser levadas em consideração as ações que estas indústrias desenvolvem para minimizar os impactos ambientais que são causados pelos seus processos produtivos.