D. Konuya Farklı Yaklaşımlar
III. HALK İNANÇLARI VE HURAFELER
roteiro: forma escrita de qualquer projeto audiovisual4. Buscamos ampliar, nessa fase, as discussões sobre os temas relevantes da Saúde Coletiva. Seguidamente nos voltamos à oralidade das discussões em grupo, devendo ser lançada ao papel traduzida em signos, ou seja, numa linguagem escrita, a fim de ampliar o universo vocabular utilizado na disciplina, com o intuito de desenvolver a redação, através de uma história. Nosso interesse era dar vida ao conhecimento.
Para Doc Comparato (2000), o roteiro é o espetáculo audiovisual apresentado em material escrito, é uma espécie de crisálida que, depois, se transforma em borboleta e voa. É a história contada em imagens, diálogo e descrição, dentro do contexto de uma estrutura dramática. O autor propõe seis etapas no processo que leva ao roteiro final: idéia, conflito, personagens, ação dramática, tempo dramático e unidade dramática. Diante disto, nosso trabalho limitou-se às quatro etapas iniciais.
Na primeira etapa, a idéia é selecionada. Geralmente, parte de um acontecimento. Exige cuidado na sua definição. Aconselha-se ser preciso ver e sentir a cena em nossa imaginação. Podem ser buscadas em vários campos. A idéia selecionada é aquela que provém de nossa memória ou vivência pessoal; segundo ele, aquilo que é mais íntimo, é freqüentemente mais universal. A idéia verbalizada é a que surge de relatos, comentários, pedaços de histórias que ouvimos no dia-a-dia. A idéia lida é aquela que encontramos nos livros, nas revistas, nos jornais ou até mesmo em folhetos de rua. A idéia transformada nasce de uma ficção, de um filme, de uma obra de teatro, de um livro. Não podemos confundir com plágio, que é a transcrição ipsis litteris de partes de uma obra, ao passo que a idéia transformada consiste em utilizar a mesma idéia, mas de outra maneira. A idéia proposta é aquela sugerida, encomendada. E, finalmente, a idéia procurada, que é fruto da pesquisa de mercado.
Após a definição dos grupos, solicitamos que discutissem e selecionassem um fato ou um acontecimento que sentiam a necessidade de relatar na linguagem teatral, ou seja, a idéia central do roteiro que seria escrito pelos grupos. A dificuldade encontrada pelos alunos, nesta fase, foi o consenso em torno do tema. Por outro lado, a riqueza das reflexões e histórias compartilhadas incentivava a construção do projeto, integrado à revisão do conteúdo ou eixo temático programado.
Na seqüência, os grupos definiam o conflito, as personagens e passavam a escrever as cenas propriamente ditas. Seguindo ainda o esquema de Doc Comparato (2000), o conflito deve ser concretizado por meio de palavras. A estória imaginada ganha um esboço, tendo como ponto de partida uma frase chamada story line. O resumo do conflito básico em palavras é a story line. Por exemplo: “Era uma vez uma jovem de 14 anos, que engravidou do namorado. Rejeitada pela família, abandonou a escola e foi viver com a avó no sítio”.
Para viver o conflito, é preciso criar as personagens. O desenvolvimento da personagem faz-se através da elaboração de um argumento ou sinopse, que localiza a história no tempo e no espaço. Esta é a terceira etapa da construção do roteiro. “Na sinopse, é fundamental a descrição do caráter das personagens principais. Por outras palavras, a sinopse é o reino da personagem. É ela quem vai viver essa história, onde e quando a situamos”(DOC COMPARATO, 2000, p.25). Segundo este autor, a ação dramática descreve como será vivido o conflito por aquelas personagens. A estrutura dramática é o esqueleto formado pela seqüência de cenas. Essa fase foi muito criativa e lúdica. A imaginação mesclava exemplos colhidos da realidade vivenciada nos estágios, com as histórias pessoais de seus próprios familiares e amigos próximos. Tomamos o cuidado de resgatar as questões éticas neste momento, a fim de preservar a privacidade e a identidade de pessoas que inspiraram as personagens. O entusiasmo generalizou-se. O maior problema, ainda, era escrever aquilo que discutiam. Entretanto, os roteiros foram concretizados, e os alunos manifestaram que, apesar das dificuldades, fica mais fácil escrever sobre uma história que tem um conflito e personagens, porque as questões políticas referentes ao processo saúde-doença ganham vida.
Com o roteiro elaborado, personagens, cenários e músicas selecionados, as equipes passaram para os ensaios propriamente ditos. Aqui a desorganização entre eles era visível. Dividimos os grupos em salas diferentes para que trabalhassem com privacidade e liberdade.
Entretanto, a falta da técnica teatral frustrava em parte alguns alunos durante os ensaios. Em alguns momentos, todos falavam ao mesmo tempo, não havia um posicionamento adequado no palco, alguns alunos se diziam ”tímidos” demais para desenvolver o papel, as falas não valorizavam o texto, outros tinham dificuldade na memorização, não se concentravam e muitas vezes faltava coordenação e entrosamento do grupo.
Nossa comunicação com os alunos era igualitária e dialogal, produzindo e construindo conhecimento, frente a uma ação dinâmica, participativa e integrativa na codificação de uma situação-problema proposta por eles, ou seja, por aqueles que aderiram ao teatro, ação orientada por nós, apresentada na oficina de teatro, e que era analisada criticamente. As relações familiares eram apresentadas sob formas de conflitos, que expunham questões referentes às drogas na adolescência, à exclusão do idoso, à violência doméstica, ao adulto desempregado e ao alcoolista, entre outros. O interesse manifesto pelos alunos, que se sentiam estimulados a se expressarem, promovia uma aproximação do tema cognoscível. As discussões eram fundamentadas na observação empírica da realidade e nos textos referenciados pela disciplina.
Como nos ensina Freire (2001), aprender é conhecer a realidade por meio da reflexão e compreensão crítica dessa realidade. Neste caso, como um resgate cultural e estético, havia o intuito de despertar os alunos para a importância da dimensão artística e criativa. Sendo assim, criar é uma necessidade vital para o homem, pois criar é dar forma a alguma coisa, a novos conhecimentos, sensações, percepções, relacionando os múltiplos eventos dentro de um contexto social, econômico, político, ideológico e espiritual.
Para Ostrower (2004), criar refere-se à necessidade de formar, de ordenar os múltiplos eventos da percepção para dar coerência à realidade, atribuindo-lhes uma significação. Portanto, na busca de significado, o homem cria e, se, por algum motivo, se vê impedido de
criar, uma parte de si atrofia, passando mais a reagir, instintivamente, aos estímulos do meio do que intuitivamente, reagindo e agindo, construindo, permanentemente, sua corporeidade, o sentido de sua imagem corporal e sua identidade sempre provisória, porque flexível e automodelada pela criatividade, é sempre móvel e dinâmica do sujeito criador. Assim sendo, concordamos com a autora quando diz que formar é, fundamentalmente, estabelecer relações entre os eventos que ocorrem ao redor e dentro do sujeito que cria; é relacionar-se com o mundo objetivo de forma subjetiva, levando à conformação de um novo modo de conhecer e significar o acontecer em torno de nós.
Logo, o homem não apenas se adapta ao mundo, à cultura, enfim, às situações de sua existência. De um modo geral, ao adaptar-se à sua determinação, esse se torna agente e sujeito da cultura e da história (FREIRE, 1999).