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E. HaĢhaĢîlerin Akıbeti

1.2. SUĠKAST DÜZENLENEN HALĠFELER

1.2.2. Halife MüsterĢid-Billâh

Para Lúcia Granja (2000, p. 15), o jornalismo insere Machado de Assis no mundo das letras, através das crônicas, que a autora dividiu, em seus estudos, em duas fases. Primeiramente, a autora trabalha com as crônicas da década de 1860 do Diário do Rio de Janeiro; em outra fase, Machado continua no Diário do Rio de Janeiro, porém escrevia matérias anônimas, pois, segundo Granja, os comentários políticos do autor não estavam de acordo com a linha editorial do jornal.

A autora destaca a citação como um procedimento utilizado por Machado de Assis nas suas crônicas iniciais. A citação, segundo Granja (2000, p. 7), dá coesão textual ao discurso da crônica machadiana, que era fragmentado e desconexo. A prosa jornalística que Machado desenvolveu não era proverbial ou sentenciosa, o autor usou a glosa e a ironia prosaica do jornal através da citação literária. Por meio do recurso retórico, o autor cria um clima de cumplicidade com o leitor. Machado de Assis assumiu a missão civilizadora do narrador no período de urbanização do Rio de Janeiro imperial, ainda assentado sobre a barbárie da escravidão. A criatividade do autor verifica-se na composição em mosaico do jornal, que ele transpôs com maestria para o texto da crônica.

O escritor Machado de Assis inicia-se na crônica jornalística nos primeiros anos da década de 1860, publicando principalmente no Diário do Rio de Janeiro. O cronista permaneceu onipresente, até 1900 com uma obra que contempla poesias, contos, crônicas e romances. Os textos publicados no século XIX localizavam-se no espaço de colunas, ínfima entrelinha e letra miúda (rés-do-chão), geralmente na primeira página, segundo Marlise Meyer (1992, p. 96).

Conforme Arnaldo Niskier (2001, p. 13), Machado de Assis “ensinou o Brasil a ser ele mesmo através de seu olhar de compaixão, de tranqüila ironia e quase sempre largo entendimento”.

O autor prossegue afirmando que Machado de Assis sabia traduzir a gente brasileira em seus escritos, e postulou: “via caminhos que seguíamos e distinguia o fim da estrada, mas sabia também que a estrada não tem fim” (NISKIER, 2001, p. 14).

Machado de Assis pretendia, em síntese, se empreendermos uma releitura atenta de seus romances, contos, crônicas e cartas, apontar a todos nós a possibilidade de: “cada um chegar a um ser humano melhor”.

Carlos Fuentes, escritor mexicano, estabelecendo uma aproximação entre Machado de Assis e Miguel de Cervantes concluiu: “Sem Machado, não teria existido uma Literatura latino-americana digna de apreço”.

Machado de Assis também contribuiu com um olhar pedagógico para a mulher, quando consente: “educar a mulher é educar o próprio homem, a mãe completará o filho” (NISKIER, 2001, p. 50).

Entretanto, mesmo adotando uma postura ousada e inteligente em relação à mulher, no século XIX, Machado apresentou uma faceta de atualidade e futurismo, porque abre um espaço para a mulher no ensino/no espaço pedagógico formal.

Apesar de ousado e vanguardista, Machado mantém evidente postura machista, aceitável no período, pois o comportamento da sociedade assim exigia, e uma inteligência do quilate do “Bruxo do Cosme Velho”, com sua fina ironia, não iria escapar à áurea regra dura lex, sed lex.

Machado traça, no conjunto de seus duzentos contos, seiscentas crônicas, nove romances, nove peças teatrais, o perfil do Rio de Janeiro, no Segundo Império e início da República.

Beatriz Resende (1992, p. 420) reconheceu, na análise das crônicas de Machado de Assis, veiculadas pela Gazeta de Notícias, um dos grandes jornais da Corte, o seguinte: a representação da vida política e a visão que nelas se desenvolve sobre o homem e a cidade, sobre o cidadão, o ser político. Para a autora o jornal é voltado para a elite intelectual do país, que era no período “um mar de analfabetos”.

Machado, na perspectiva da autora, foi um intérprete privilegiado de seu tempo, tratando, neste conjunto de crônicas avaliado pela mesma, de imprimir destaque às questões políticas como “possível formador de opinião”, tornando-se “uma voz especialmente ouvida”.

Lúcia Granja (2000, p. 8), estudiosa das crônicas iniciais de Machado de Assis, nos dá um contributo singular, quando através de sua pesquisa consegue: “refazer o contexto pontual da crônica machadiana sem a intenção de reescrever uma história da vida cotidiana do Rio de Janeiro imperial”.

A autora trabalha com textos de Machado da década de 60, do século XIX, em especial, os publicados no Diário do Rio de Janeiro.

Os textos retratam os fatos da semana, acontecimentos banais, política e alguns aspectos da vida pública brasileira, alguns fatos distorcidos ou trabalhados na visão do autor.

Bosi et al. (1982, p. 86) reconhecem a crônica de Machado como: “Embora até hoje, para muitos, gênero menor, a crônica, com Machado de Assis, ultrapassou amplamente sua característica inicial de simples amenidade, de comentário descompromissado dos pequenos sucessos do cotidiano”.

Bosi estabelece um vínculo com o posicionamento de Brayner (1979, p. 55), que interpreta a crônica machadiana como exercício ficcional:

Foi o campo da crônica jornalística que forneceu a Machado de Assis o desembaraço preparatório para as experiências de um novo enunciado romanesco. O contato cotidiano com o leitor historicamente datado, o trabalho sobre uma oralidade necessária ao gênero, vão dar-lhe elementos para pesquisar a tessitura literária, cuja prática e progresso também é visível no conto.

Para Bosi a produção das crônicas de Machado serve de respostas a velhas questões de interpretação da sua obra e também do autor enquanto cidadão.

Retomamos os argumentos de Brayner (1979, p. 53) que são pertinentes em relação a Machado de Assis: a autora refere-se a uma “tendência à estrutura ficcional dialógica”, isto é, “o sujeito e o destinatário estão presentes em um discurso que se assume como uma contestação de si mesmo”.

Machado se expressa com uma relação dialógica entre língua/fala; sistema da língua - contrato coletivo, monológico, atualizado no diálogo com o outro, segundo a autora já referida. Brayner (1979, p.55) argumenta que Machado desenvolve um “novo enunciado romanesco” através do entrelaçamento contínuo de estilos, tempos, tonalidades, diferenciação modal.

A abordagem textual machadiana, por sua subjetividade crítica, remete-nos a “fontes inesgotáveis de referências e transformações”, quando o leitor poderá então realizar sobre o texto uma discussão interpretativa e valorativa. O caráter sintagmático do texto de Machado evidencia-se “na extensão, na associação, na ausência e na metáfora”.

Joaquim Matoso Câmara Júnior (1979, p. 5) certifica que Machado de Assis procurou, em alguns de seus textos, um coloquialismo, ou seja, reduziu os distanciamentos entre a linguagem oral e a linguagem escrita, sem descuidar do purismo meticuloso, inteligente e discreto. A verdadeira aproximação das duas linguagens tem como objetivo transmitir “a naturalidade e espontaneidade de um relato oral”.

Machado, segundo Brayner (1979, p. 53) e Câmara Jr. (1979, p. 81), utilizou “chamadas retóricas ao leitor” e estabeleceu assim um microdiálogo entre o enunciado do autor e o do leitor, como, por exemplo, na crônica datada de 1º de novembro de 1861: “O que há de política? É a pergunta que naturalmente ocorre a todos, e a que me fará o meu leitor, se não é ministro. O silêncio é a resposta”.

Alfredo Bosi (2000) e Roberto Schwarz (1977) têm opiniões diferenciadas a respeito de Machado de Assis no panorama literário brasileiro.

De um lado, Bosi (2000, p. 151) expõe suas idéias a respeito de Machado de Assis na perspectiva da produção realista, que penetrou no âmago da sociedade fluminense, urbana e moderna, mas ainda com resquícios da decomposição do sistema escravista e da hegemonia imperial.

Schwarz (1977, p. 63), por outro lado, a partir da escrita machadiana, assegura que esta contém a marca da dependência nacional e a ausência da simpatia e da ingenuidade, caracterizando-se por “livros deliberada e desagradavelmente conformistas”.

Outra inferência que Schwarz (1977, p. 63) destaca é a filiação de Machado de Assis às idéias liberais, associadas ao discurso do progresso e da igualdade. Em seguida Machado, desiludido com sua primeira filiação, adota em seus romances uma ideologia antiliberal, então uma reviravolta profunda manifesta-se nos romances que esboçam conteúdo de injustiça, de impasse e sem ares de revolta social. Aponta Schwarz (1977, p. 64) também a contribuição de Machado nos assuntos e conflitos predominantes em sua narrativa que convergem para “as questões do individualismo, as novidades da civilização burguesa”, e o tema da modernidade surge em segundo plano.

Através das crônicas de Machado de Assis evidencia-se a força da vocação do autor, sua potencialidade e sua destreza para a realização do trânsito entre os jornais e as suas produções de maior fôlego.

4.3 MÉTODO HERMENÊUTICO DE LEITURA DAS CRÔNICAS DE MACHADO

Benzer Belgeler