Madde 28- İhalelere katılmaktan yasaklamaya ilişkin açıklamalar
28.2. Haklarında kamu davası açılmasına karar verilenler
Constantemente estamos tendo que fazer escolhas, opções e nem sempre fazemos com clareza de estar acertando. O desafio de escolher nos coloca diante do conflito, que se apresenta como algo inerente à própria natureza humana e que aqui coloco como uma das práticas de uma educação popular e de um princípio da educação do campo.
Como seres desejantes que somos, pela busca incessante do ‘ser mais’, estamos sempre impulsionados à realização plena. Sendo o desejo da ordem do inconsciente e sempre deslizante em outro desejo, ou seja, não nos saciamos pelo desejo, eis uma das razões pela nossa natureza conflitiva.
Segundo Arruda (2003), a nossa realidade humana é diversa por natureza:
Se ela fosse constituída de muitos indivíduos, todos iguais, não haveria conflitos, nem contradições, nem movimento, nem vida. A diversidade tem a ver com o conflito. Nós próprios trazemos em nós a contradição e a incerteza: temos uma natureza animal ou infra-humana, comandada primordialmente pelos instintos; mas temos também uma natureza consciente-reflexiva ou humana, capaz de sobrepor aos instintos os atributos mentais de inteligência, vontade e intenção; e temos ainda um potencial de “sobreconsciência” ou uma vocação “ultra-humana”, que intuímos com nossos atributos da sensibilidade, da amorosidade e do espírito (ARRUDA, 2003, p.90).
Essa natureza diversa e conflitiva nos remete à superação das limitações, a conhecer e trabalhar os comportamentos impulsivos, a equilibrar razão e emoção, disciplina e liberdade, pessoal e social, teoria e prática. Movimento que se configura pelo processo constante de conhecimento e transformação de si e da realidade, pela luta que se trava interna e externamente nessa conquista do equilíbrio.
152 Para Caldart (2004, p. 334/335), “transformar as circunstâncias através da luta implica, por sua vez, em alguns aprendizados correlatos: é preciso aprender a analisar a realidade, a cada ação, e é preciso aprender a ser criativo”. Essa capacidade de refletir sobre nós mesmos, sobre nossa existência e nossa realidade nos diferencia dos outros seres e nos proporciona a capacidade de mudanças.
Essa pedagogia do conflito, de refletir as ações que, de alguma forma, não caminham bem dentro da escola, de analisar aquilo que nos incomoda, de promover mudanças, constitui um grande desafio no fazer educativo escolar.
Algo que sempre quisemos e que ainda hoje não conseguimos na Escola foi a presença mais efetiva dos pais, embora tenhamos mais do que apontam essa realidade escolar.
Embora presentes em diversos momentos proporcionados pela escola, mas o desejo de uma maior participação dos pais no cotidiano escolar é referenciado pelos educadores:
Agora tem um ponto interessante nisso tudo aí. A escola tem a boa intenção e faz isso pensando num bem coletivo, pensando todo mundo junto, porém a gente sabe que tem pais que vem porque se sentem obrigados, tem pais que não gostam de participar, tem pais que só gostam de jogar pra escola, que não veem realmente participar e têm muitos que até reclamam de tanta reunião. Que se todos viessem participar, acho que a escola já teria avançado muito. Não valorizam isso, porque em escola nenhuma se tem isso de chamar os pais pra dizerem o que querem que ensine aos filhos. (Rosa)
É um desafio enorme os pais virem participar. Agora mesmo no terceiro bimestre a gente teve que mandar outro comunicado pros pais virem pra reunião de sala, porque menos da metade veio. (Luêcy)
No baú da memória, relembramos que, em vários momentos, tivemos uma presença significativa dos pais na escola, e a coordenadora Jailma salienta: “A presença dos pais no fundamental II é que tem diminuído, mas no fundamental I continua”. E recebe o reforço de alguns educadores do fundamental I:
Na minha sala do 4º ano faltaram apenas dois pais. (Emiliana)
Na minha faltaram cinco, mas na segunda vieram pra conversar. (Bárbara)
Esse conflito da presença mais efetiva dos pais é enfatizado pelos próprios pais do conselho. Quando perguntado a eles sobre o que eles não gostam na Escola, respondem:
153
A pouca colaboração dos pais. (Lauride) É isso que eu ia dizer. (José Humberto)
Deixa muito a desejar a presença dos pais na escola. (Cilene)
Eu fico muito triste às vezes que a gente vê tão poucos pais nas reuniões. Eu acho que isso aí é muito ruim. (José Humberto)
A falta de comprometimento dos pais para com a escola. Isso aí seria uma coisa pra se pensar, porque nós vemos que quando é pra se conseguir uma vaga nessa escola, quanta viagem os pais dão pra conseguir uma vaga aqui. Eu mesma vim muitas vezes atrás de uma vaga pra meus filhos e eu dizia pra mim que no dia que eu conseguisse uma vaga eu ia devolver pra escola com o meu trabalho, a alegria de ter conseguido a vaga. E eu vejo que tantos pais que tem filhos aqui, os filhos tão bem educados, os professores ótimos, porque os professores dessa escola não são professores que ganham tão bem, nós sabemos da realidade dessa escola, uma escola que vive de doações, que vive da graça de Deus, é uma batalha diária, mas com professores ótimos. Nós somos felizes em ter nossos filhos nessa escola. Mas fico muito triste quando a gente vê que tem pais que poderiam fazer mais por essa escola e não fazem. Isso eu acho que a escola deveria pensar porque eu sei que tem uma lista enorme de gente que quer entrar, então chamar esse pai e essa mãe e dizer: óh, se quer botar seu filho aqui, nós trabalhamos assim, nós trabalhamos com esses valores, aqui a metodologia é essa. Você quer? Você se compromete? Então nós vamos arrumar a vaga. (Liliane)
Agora acho que nós pais deveríamos cobrar mais dos pais, porque a presença dos pais na escola ainda deixa muito a desejar. Por isso que tem muita criança educada aqui, mas também tem muita criança sem educação. Que quando saem da escola, pra frente, tem muita diferença. Então porque é falta da presença dos pais. Acredito que falta os pais se dedicarem mais. A gente tá cansado de vir a reunião aqui, onde tem duzentos pais, vem trinta, quarenta pais. Então, isso aí é um conjunto: pai, escola, família. (José Humberto)
A partir da escuta dos próprios pais, passa-se a vivenciar um novo conflito: é justo ou não tomar como critério de permanência na Escola a presença dos pais. Determina-se um percentual de participação? Assim, como o aluno pode ser reprovado por um percentual de falta, podemos tomar esse critério para os pais, de adotar um percentual mínimo de frequência nos encontros?
Outro conflito existente é a dificuldade da aplicação da metologia nos dois niveis do fundamental. Quando perguntado aos educadores sobre a metodologia trabalhada na escola, vê-se o conflito instaurado na quebra metodológica nos dois níveis:
Essa coisa desafiadora, tem dias que a gente chega e vai montar os grupos, aí parece que aqueles mais novos, acostumados na filinha, aí quando a gente diz vamos montar os grupos, eles já botam a maior dificuldade. E quando a gente vai escolher os grupos, que eles acham ruim, porque já querem ficar nas panelinhas. Então o desafio já começa pra montar os grupos. (Rosa)
154
Já na minha sala é diferente, quando a gente diz pra montar os grupos eles já sabem. Mas são realidades diferentes, idades diferentes, séries diferentes. (Emiliana)
Nesse contexto, a coordenadora Jailma se posiciona, na perspectiva de analisar as realidades apresentadas:
Durante a tarde, no fundamental I, é como Emiliana disse, eles gostam dos grupos; quando eles chegam no fundamental II, eu acho que eles ficam testando, porque são vários professores, cada um de um jeito e talvez eles consigam em um e aí vai se quebrando.
E os educadores continuam na tomada de posições e argumentam:
Eles mesmos já perguntam se naquele dia vai ser de dupla, de trio ou de quatro, eles já manifestam o desejo de trabalhar em grupo. (Emiliana)
Não dá pra comparar. O fundamental I é uma coisa, o fundamental II é outra, completamente diferente. Só sabe quem conhece. Eu já transitei nas duas realidades e sei. (Rosa)
Finalizando essa discussão, a coordenadora Jailma argumenta: “A gente tem que comparar, porque a gente tem que ver também que embora sendo realidades diferentes, mas a Escola é a mesma, então tem que caminhar juntas”.
Novos conflitos se instauram a partir daí: Por que a quebra da metodologia? Que fatores envolvem essa quebra? Como solucionar esse problema?
Outros tipos de conflitos também são percebidos, como os relacionais. Pode-se perceber que há conflitos na relação entre alunos. Quando perguntado sobre se o trabalho com os valores ajudava nas relações dentro da Escola, enfatizaram:
Pra quem quer levar a sério, vai ver a importância que tem; agora pra quem não quer, não tem importância nenhuma. (Vitória)
Acho que a união do 9º ano, a temática vem ajudando bastante porque foi depois que a gente começou com o respeito, que a gente ficou bem unido mesmo, porque no início do ano a gente estava desunido. (Thaís)
Com brigas. Assim, por causa de motivo de lá de fora, a gente acabou se desentendendo, mas aí acabou que com a temática, a gente acabou conversando e se
155
entendendo. Porque a gente viu que estava errado, que não adiantava brigar por coisas que não vão levar a nada. (Thaís)
A gente lá no sétimo ano, no início do ano, era mais ou menos unidos, mas agora ficou tudo desunido, por causa de coisas de grupo, a ignorância. (Suzane)
Quando questionados como a temática ajuda nesses momentos de conflito, falaram:
A pessoa trabalha seu interior, começando por si mesma. Eu falo por mim, eu sou uma pessoa estressadíssima, eu não consigo me controlar. Então eu falo por mim, qualquer coisinha todo mundo começa a se estressar, a apelidar o outro, a chamar palavrão, são raros os palavrões, mas existe e parece que todos os ensinamentos se transformam em ignorância. (Luana)
Porque ninguém sabe dialogar e saber o que realmente aconteceu. (Vitória) É só xingando. (Helen)
É só fazendo o outro sofrer. (Vitória)
Uma vez que o trabalho com o valor ainda se torna insuficiente para resolver os conflitos relacionais, quis saber o que ajudaria. A educanda Vitória respondeu: “como Lu disse, cada um tendo consciência do que tá certo, pensar antes de tomar qualquer decisão, que pode não tá certa”.
Tentando ainda entender melhor e ajudá-los a solucionar o conflito, perguntei em que a Escola poderia contribuir nesse processo. Para minha surpresa, retomaram uma prática que deixamos de vivenciar há algum tempo, que era um encontro mensal com eles, que ocorria aos sábados, sempre com temáticas escolhidas por eles no encontro anterior:
Tipo assim, eu mesma participei de momentos aqui na escola, foi uma palestra, num sábado, de manhã, sobre bullying. Foi maravilhoso. Faz a pessoa refletir sobre si mesmo. Não só sobre o mundo, mas começando sobre si mesma. Acho que esses momentos são muito importantes. (Luana)
Era um momento de reflexão porque todo sábado tinha, eu gostava muito desses momentos. (Ruth)
Levava a pessoa a refletir. Ninguém tinha vergonha de ninguém, de chegar lá e chorar. A gente aprendia muito porque tinha o vídeo, depois tinha o momento de dialogar, de dizer como era a realidade da pessoa, o que você entendeu. (Luana)
156 Esse conflito se desdobra em outros conflitos, que exige outras lutas. Como retomar os encontros que foram tão importantes para eles? Seria possível reativá-los com o mesmo trabalho voluntário dos educadores, cujo serviço não remunerado acabou sendo fator de desistência, uma vez que tinham que pagar o transporte do próprio bolso para chegar à Escola e já ganhavam tão pouco? Como motivá-los para retomar os encontros?
A existência dos conflitos se configura como uma força motriz que nos impulsiona a estarmos em constante reflexão sobre nossas práticas, a construir instrumentos de avaliação e participação, bem como é fato de constante processo de avaliação e planejamento.
Com todas essas práticas educativas desenvolvidas, tomando como suporte os princípios da educação popular e da educação do campo, tem nos levado a crer que a Escola do Carmelo, contribui na melhoria da qualidade de vida de seus sujeitos.
157
5 ESSA VIDA CHAMADA ESCOLA E A ESCOLA CHAMADA VIDA: AS