4.1. ASPECTOS GERAIS
4.1.1. Localização
A área de estudo localiza-se no perímetro urbano da cidade de Campos do Jordão, e está situada entre as coordenadas UTM 437.950/439.100 W e 7.485.520/7.484.660 N, na porção leste do estado de São Paulo (FIGURA 4.1). A área apresenta uma extensão aproximada de 1km2, e abrange os Bairros Santo Antônio, Britador, Bela Vista e Andorinhas.
4.1.2. Geologia
Em termos regionais e de acordo com os trabalhos realizados por MODENESI (1980) e HIRUMA (1999) a área em estudo encontra-se inserida nos domínios do Grupo Paraíba, no qual predominam rochas metamórficas de médio e alto grau, como migmatitos, gnaisses, rochas metadioríticas e granulitos. Secundariamente podem ocorrer xistos, quartzitos e metaconglomerados, em geral na forma de lentes, bem como algumas intrusões magmáticas.
A área de estudo, mais especificamente, é constituída em sua totalidade por rochas migmatíticas, caracterizadas principalmente, pela alternância de bandas de neossoma e paleossoma, cujas espessuras variam de decamétrica, quando há predominância do neossoma, a centimétrica, quando há predominância de paleossoma.
116 381 383 101 458 Sã o J osé dos Ca m pos Sã o Pa ulo T a uba t é Ca m pina s U ba t uba Pa ra t i J undia í Gua rujá Soroc a ba Ca m pos do J ordã o 374 146 Sa nt os At iba ia Pira c ic a ba I t a pe c e ric a da Se rra Ca ra gua t a t uba Apa re c ida 478 52o 50o 48o 46o 20o 21o 22o 45o 24o Est a do de Sã o Pa ulo 70o 60o 50o 40o 0o 10o 20o 30
Brasil
438.200 438.600 439.000 Bairro Andorinhas ÁREA DE ESTUDO Bairro St. Antonio Bairro Bela Vista Bairro BritadorCAMPOS DO JORDÃO 7494 7492 7490 7488 7486 7484 442 444 446 448 450 452 454 456 458 460 DE JUND IUVI RA 0 1 2 3 4km 1 2 3 4 5 6 7 8
N
ZONA DE CISAL HAME NTO SÃO JOSÉ DOS ALPES1 - Metaconglomerado polimítico, metarenitos arcoseanos e metassiltitos; 2 - Ultramilonitos em zona de cisalhamento;
3 - Predominância de milonito gnaisse; 4 - Predominância de biotita granito;
5 - Predominância de biotita gnaisse bandado; 6 - Migmatitos estromáticos e biotita gnaisse bandados;
7 - Predominância de biotita gnaisses porfiloblásticos e biotita xistos; 8 - Predominância de muscovita quartzitos, por vezes miloníticos.
Figura 4.2: Principais litotipos encontrados no Planalto de Campos do Jordão. Adaptação do mapa geológico simplificado apresentado por HIRUMA et al (2001)
O paleossoma é geralmente de natureza gnáissica, tendo como principais minerais o feldspato, quartzo e biotita, apresentando foliação dada pelos minerais máficos, concordante com o bandamento. O neossoma é granítico, constituído essencialmente por quartzo e feldspato. Os minerais secundários mais comuns são óxidos e hidróxidos de alumínio e ferro e os argilominerais. Segundo IPT (1978) as bandas se apresentam dobradas, transpostas e redobradas e este conjunto se acha cortado por veios, lentes e bolsões róseos de natureza quartzo-feldspática de texturas granítica e pegmatítica. De acordo com investigação de campo desenvolvida no presente trabalho, constatou-se que o bandamento apresenta atitude média N76E/55NW, a foliação N70E/75NW e algumas fraturas N30W/85NE.
Em termos de tectônica, sabe-se que a região de Campos do Jordão encontra- se inserida no Planalto de Campos do Jordão (ALMEIDA et al., 1976), sendo delimitado por duas grandes falhas transcorrentes reativadas, de direção NE e idade Pré-Cambriana e Eopaleozóica (HIRUMA et al., 2001), denominadas Falha de Jandiuvira (FIGURA 4.2) e Falha do Paiol Grande ou São Bento do Sapucaí.
Estudos de neotectônica desenvolvidos na região do Planalto de Campos do Jordão (MODENESI, 1988b, RICCOMINI, 1989, SAADI, 1991, HIRUMA, 1999 e MODENESI et al.. (2002)) indicam evidências de tectonismo recente nesta região, as quais podem estar relacionadas com o recente desenvolvimento e deflagração de processos geomorfológicos, tais como erosão e movimentos de massa.
HIRUMA (1999) e HIRUMA et al. (2001), verificaram que as feições morfotectônias mapeadas no sudeste do Planalto, como anfiteatros suspensos, vales assimétricos e escarpas retilíneas, estão associadas a falhamentos recentes (Neopleistoceno e Holoceno) e com componentes normais, resultantes da reativação tectônica em zonas de fraqueza pré-cambriana como a Zona de Cisalhamento de Jundiuvira. Por outro lado, feições como cristas truncadas e divisores de água pouco nítidos podem estar associadas a falhas transcorrentes. Feições como capturas de drenagens e rios em gancho podem ocorrer associados aos dois tipos de falha.
4.1.3. Relevo
A região de Campos do Jordão encontra-se inserida no chamado Planalto de Campos do Jordão, compreendendo o trecho da Mantiqueira entre os rios Sapucaí- Mirim e das Bicas, limitado a sudeste pela escarpa da serra e a nordeste pelo alinhamento das serras de Água Limpa, de Pouso Frio e da Coimbra. (MODENESI, 1980 e 1983). O Planalto apresenta altitude máxima de 2000 m, porém o relevo encontra-se intensamente dissecado, principalmente na região de Santo Antônio do Pinhal.
Com relação à área de estudo propriamente dita, o relevo é bastante íngreme, apresentando uma amplitude de aproximadamente 130m, com altitude variando de 1580 m a 1730 m. As declividades das encostas são em sua maioria superiores a 25o, principalmente na sua porção inferior, conforme apresentado adiante no mapa de declividade. Na FIGURA 4.3 é apresentada a área de estudo inserida no contexto regional de relevo. Nela observa-se que as feições de relevo da área são comuns a outras áreas.
As encostas caracterizam-se por apresentar predominância da forma retilínea, do topo até a base; ou ligeiramente convexa na porção superior da encosta e retilínea na base. Na região leste da área há predominância de topos de interflúvios com formas suavemente arredondadas, enquanto que na região oeste os topos são ligeiramente pontiagudos. Estas encostas encontram-se recortadas pelos afluentes da margem esquerda do rio Capivari, que atravessa a cidade de Campos do Jordão.
Figura 4.3: Área de estudo inserida no contexto regional de relevo.(Fotografia aérea de 1973).
4.1.4. Aspectos climáticos
A temperatura média anual medida na área está em torno de 14oC, com temperaturas máximas de até 30oC nos meses de janeiro e fevereiro e mínimas de 3,2oC negativos em junho e julho.
A pluviosidade total anual varia entre 1.200 e 2.000 mm, apresentando uma concentração superior a 80% nos meses de outubro a março. As máximas dos meses de dezembro e janeiro dos últimos 60 anos variaram entre 400 e 900 mm. De acordo com MODENESI (1980) a região apresenta um clima tropical de altitude.
4.1.5. Características de ocupação e aspectos sócio-
econômicos.
A área foi inicialmente ocupada na década de 60, tendo um crescimento lento até a metade da década de 70, que ocorreu predominantemente, nas regiões de meia encosta inferior dos bairros Santo Antônio e Britador, conforme pode ser visto na