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2. Sayısal Birleştirme

2.2. Sayısal Birleştirme Efekt Teknikleri

2.2.7. Hacimsel Efekler

Segundo LURKER (1997:152) “o coração é ─ simbolicamente ─ centro do homem e do mundo”. Os termos kardia (grego) cor (latim, coração) e cardo (latim, pólo, eixo terrestre, eixo principal) têm o mesmo radical. Para os antigos egípcios, “sem coração” significava tanto quanto “pobre de espírito”. Desde a Antigüidade, o coração é tido como sede da alma, do sentimento, da coragem (Homero), da consciência (budismo), do intelecto e da vida (Aristóteles). O coração também é considerado “o elo por meio do qual os homens podem se ligar a Deus”. Para hindus, no íntimo do coração é possível entrar em contato com Brahma, o absoluto divino. Para Santo Agostinho, o coração é o recipiente do amor divino, centro da personalidade religiosa. Foi a partir da Idade Média que o coração se tornou cada vez mais símbolo do amor, tanto no sentido religioso quanto no profano. (LURKER,1997:153).

O papel preponderante do sangue, do calor e do ar nas explicações sobre a vida foi uma constante na Antigüidade. Aristóteles atribuía ao cérebro a função de impedir o coração de sobreaquecer-se. É com Descartes que a “alma pensante”, possuída apenas pelos seres humanos, terá sede no cérebro. O motor do ser vivo continua sendo, como em seus precedentes, o calor, “um fogo sem chamas” com sede no coração, mas não mais um calor divino, instrumento da alma concebida por Aristóteles e sim um calor “comum”, com o movimento de suas partículas. Chamamos atenção para o uso do adjetivo “fria” para designar pessoa ou atitude considerada mais racional, ainda nos tempos atuais. (WYKROTA, 1998).

Em diversas metáforas ainda presentes na linguagem, os valores simbólicos positivos ou negativos do quente e do frio e de suas gradações variam conforme atribuídos à cabeça ou ao coração. Nessas metáforas, a cabeça, tida como sede da “decisão” e da “ordem” ajusta-se mal ao calor, símbolo da “hiperatividade”, enquanto a principal qualidade do coração seria o movimento desordenado da emoção. Há também um sistema de significados complexo e organizado das metáforas do calor corporal e do ritmo cardíaco relacionadas a concepções de

atividade muscular e emotividade. (GUIRAUD, 1991: 53-54). Por exemplo: uma acolhida é “quente”, “morna” ou “fria”; a cabeça pode ser “quente”, a mente, uma “cuca fresca”; o coração fica “apertado”, “aberto”, “ardente”, “frio”, “gelado”, “mole” ou “duro como uma pedra”, “disparado”, “aos saltos”.

A relação entre mudanças de estados emocionais e intensidade do ritmo cardíaco é bem conhecida da própria experiência de vida das pessoas, por exemplo, em um estado corpóreo descrito como: “parece que meu coração ia saltar pela boca”, relacionado ao susto, medo ou atração amorosa. Também é citada em poemas e no cancioneiro popular: “Porque meu coração dispara/Quando tem o seu cheiro/Dentro de um livro” (Adriana Calcanhoto. Vambora. Público. BMG. 2000).

No entanto, essa covariação psicossomática, percebida de modo consciente em estados emocionais mais intensos, normalmente, fica desaparelhada, por não nos darmos conta da propriocepção contínua das variações mais sutis e freqüentes (MYRTEK, 2000:53). Embora uma percepção mais acurada da variação da freqüência cardíaca possa ser relacionada às mudanças de estados emocionais, pesquisas empíricas indicam ausência de relação entre interocepção47 e sentimentos (emoções III, cognição sincrética de mudanças nos sistemas neuroquímicos). Correlações subjetivas e intersubjetivas entre relatos e estados fisiológicos são tipicamente baixas. Uma pessoa que tenha percepção acurada de determinado estado fisiológico pode não ter a mesma precisão para perceber outro tipo. Finalmente, são percebidas as mudanças de estado e não um estado determinado.

MYRTEK e colaboradores (2004:170) desenvolveram pesquisas de monitoramento do ritmo cardíaco, de modo ambulatorial e na vida cotidiana, para investigar relações entre ritmo cardíaco e emoções sentidas e relatadas pelos participantes (emoções I e III). Inventaram equipamentos, sistemas de medidas e de análises ─ o Freiburg Monitoring System ─ para

47 No sentido mais restrito de percepção das sensações corporais decorrentes de variações fisiológicas viscerais

decompor as variações do ritmo cardíaco devidas à atividade física daquelas devidas aos estados emocionais. Assim criaram e validaram um parâmetro, a freqüência cardíaca adicional (aditional heart rate ─ AHR) para avaliar variações da freqüência cardíaca à parte da influência de atividade física. Por meio de estudos sistemáticos com diferentes populações, de idades e ocupações diversas, por exemplo, estudantes, motoristas, executivos, enfermeiras, concluíram que a “interocepção com certeza não acontece, ou acontece dificilmente” (MYRTEK, 2004:170) e que “relatos de emoção na vida cotidiana podem se basear em interocepção mas, na maioria das vezes, são inferidos de esquemas cognitivos ou circunstâncias situacionais”. (MYRTEK, 2004:166).

A seguir, nos itens 3.4.2 a 3.4.4, vamos descrever algumas características do funcionamento cardíaco com o objetivo de explicar a relação entre emoções e freqüência cardíaca.

3. 4.2. O batimento cardíaco

O coração tem quatro câmaras: os átrios direito e esquerdo no topo e os ventrículos direito e esquerdo embaixo. Os átrios recebem sangue que chega dos pulmões e do restante do corpo por meio das veias. O sangue passa dos átrios para os ventrículos através de válvulas e os ventrículos bombeiam o sangue para os pulmões e todos os demais órgãos por meio das artérias. Os batimentos cardíacos que podemos ouvir com um estetoscópio representam as contrações musculares rítmicas do coração ao bombear o sangue. A fase de contração dos músculos é conhecida por sístole e a de relaxamento por diástole.

Um batimento cardíaco completo compreende a contração dos átrios e logo a seguir dos ventrículos. Pode ser registrado de vários modos. Em um eletrocardiograma ― ECG, o potencial dos músculos cardíacos é captado por meio de eletrodos na superfície da pele e o

registro tem a forma de ondas consecutivas, referidas como ondas P, Q, R, S e T, conforme ilustrado na figura 2.

FIG. 2. Esquema de segmento de registro de ECG.

O esquema evidencia as ondas P, Q, R, S e T de um batimento cardíaco. A ordenada (dimensão da altura) corresponde ao potencial elétrico do músculo, que aumenta da parte inferior para a superior. A abscissa (dimensão da largura) representa a seqüência no tempo em fração de segundos, da esquerda para a direita.

A onda P é causada por corrente gerada logo antes da contração do átrio. O complexo QRS é o resultado de correntes geradas nos ventrículos durante a despolarização48 imediatamente anterior à contração dos ventrículos, sendo que a onda R é o componente dominante. A onda T é causada pela repolarização dos ventrículos, conforme esquematizado na figura 4.

O intervalo entre os picos de duas ondas consecutivas de amplitude maior, ondas R, designado por RR (heart period ─ HP), corresponde ao intervalo de um batimento e dura, em média, uma fração do segundo. Um exemplo está ilustrado na figura 5.

48 A despolarização ocorre como resultado da atividade elétrica das fibras (tipo de células) cardíacas, que se

tornam positivas em relação a seu exterior e repolarização é o retorno à negatividade interna com relação à positividade externa. A atividade elétrica das células cardíacas depende de gradientes iônicos, através de suas membranas plasmáticas, e das alterações da permeabilidade a íons selecionados, determinadas pela abertura e fechamento de canais de cátions. Esse comportamento é similar ao da membrana dos neurônios.

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FIGURA 3: Esquema da relação entre o ECG e eventos elétricos cardíacos.

A onda P reflete a despolarização atrial, que inicia a sístole atrial. O complexo QRS reflete a excitação do músculo ventricular e o início da sístole ventricular, que dura até o final da onda T. SA representa o nodo sino-atrial, RA e LA os átrios direito e esquerdo, respectivamente, e RV e LV os ventrículos esquerdo e direito.

FIGURA 4: Esquema de segmento de gráfico de ECG.

O esquema ilustra pequenas variações dos intervalos de tempo entre batimentos cardíacos, medidos em fração do segundo. Essas variações refletem-se na estimativa da freqüência cardíaca em batimentos por minuto (BPM) para cada intervalo.

Assim, intervalos sucessivos de 1,08, 0,88, 0,88, 0,80, 0,66 e 0,66 segundos de ondas R sucessivas, corresponderiam a freqüências cardíacas instantâneas estimadas de 56, 68, 68, 75, 91 e 91 batimentos por minuto, por exemplo. (RHOADES e TANNER, 2005: 227).

Um aparelho pode registrar o intervalo de tempo entre cada uma dessas ondas e a série temporal de intervalos pode ser analisada de diferentes modos, para detectar-se padrões nas variações sutis desses intervalos.

3.4.3 A variabilidade da freqüência cardíaca

Estamos acostumados a pensar no ritmo das batidas cardíacas como se o coração fosse um metrônomo, com uma freqüência regular, em torno de 72 batidas por minuto para um adulto saudável e em repouso. Normalmente, percebemos alterações desse ritmo em situações de esforço físico, nos episódios de emoções intensas e, fora dessas circunstâncias, julgamos tratar-se de doença. Entretanto, o ritmo cardíaco varia sempre, durante a vigília e mesmo durante o sono, com exercícios físicos, mudanças posturais, estados de fome ou de sede, temperatura, interações sociais, atividade mental, só para mencionar alguns fatores.

A variabilidade da freqüência cardíaca (heart rate variability ― HRV) refere-se às alterações da freqüência cardíaca que ocorrem a cada batimento. Originalmente, essa medida era feita por meio de cálculos manuais da média dos intervalos de batimentos cardíacos completos e do seu desvio padrão, a partir de registros de eletrocardiogramas. Nesse caso, quanto menor o desvio padrão, mais baixa a HRV.

Mais recentemente, o estudo dessas variações mais sutis da freqüência cardíaca foi bastante ampliado, por dezenas de manipulações matemáticas das medidas do intervalo das batidas cardíacas. Diversos equipamentos comerciais produzem medidas automatizadas de

HRV. O tratamento dos dados por meio de programas para computador específicos para análise de HRV abrevia o tempo e trabalho necessário para os cálculos.

O estudo da variabilidade da freqüência cardíaca proporciona uma avaliação indireta da regulação constante entre os batimentos cardíacos e os sistemas nervoso, respiratório e hormonal. O tipo de HRV pode ser indicador de estado de saúde ou, pelo menos, um fator de risco para algumas doenças, tornando-se padronizado e já considerado em estudos cardiológicos e psicofisiológicos (Task Force of the European Society of Cardiology and the North American Society of Pacing and Eletrophysiology, 1996).

Benzer Belgeler