1.2. Hümanizm Çeşitleri
1.2.2. Dini Hümanizm
Neste tópico, trataremos das mais diversas informações a respeito dos povos indígenas e das suas culturas, veiculadas pelos livros didáticos em capítulos que tratam, especificamente, da temática indígena ou em capítulos que tratam dos primeiros anos após a chegada dos portugueses. Em sua maioria, são informações genéricas. Foram encontradas muitas referências à caça, à pesca, à agricultura e à divisão do trabalho, em capítulos específicos sobre a temática indígena:
Nas aldeias indígenas, o trabalho é dividido por sexo e as crianças ajudam os adultos realizando as tarefas mais simples (Coleção História: passado e presente, vol. 1, p. 30).
Em uma das coleções, as autoras salientam que a terra é de propriedade coletiva e que o produto da caça e da pesca é repartido entre todos. Destacam a “beleza da arte indígena”, citando a cerâmica, a arte plumária, as danças, entre outras manifestações artísticas. São feitas, ainda, observações sobre a questão da liderança e da autoridade, onde as autoras comentam sobre a ausência de governo entre os índios e tecem alguns comentários sobre a questão do líder indígena71:
(...) o chefe não é mais rico do que os outros e sua autoridade se baseia apenas nas qualidades pessoais (...) (Coleção História: passado e presente, vol. 1, p. 30).
Também são tecidos comentários sobre a autoridade do xamã:
Os xamãs são os intermediários entre a tribo e o mundo sobrenatural das divindades (Coleção História: passado e presente, vol. 1, p. 31).
Mudando de coleção, encontramos menções a respeito do intenso contato dos indígenas com a natureza; da propriedade coletiva da terra; da coleta, da caça e da pesca; e da divisão sexual do trabalho. Seus autores discorrem sobre as lideranças: o “cacique ou chefe” como a “maior autoridade entre os índios brasileiros” (Coleção Brasil: encontros com a História, vol. 1, p. 37), e o xamã como aquele que tem grande autoridade e se relaciona com o sobrenatural (op.
cit., p. 37). Também são feitas observações sobre outros aspectos culturais: discorrem sobre os
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Neste capítulo, todos os nomes indígenas estão grafados no plural e com iniciais minúsculas. Mais adiante, discorreremos a respeito da grafia dos nomes indígenas.
casamentos e as habitações, que variam de uma cultura para outra, e sobre a arte, que está fortemente presente na vida cotidiana.
Numa outra coleção, é apresentado “um quadro geral das culturas indígenas” (Coleção História e Vida Integrada, vol. 2, p. 85), a partir dos seguintes tópicos: “trabalho indígena”; “relações familiares”; “o conhecimento do índio”; “utensílios e expressões da produção cultural indígena”. Neste quadro, apresentam algumas informações genéricas, além de várias fotografias: rede, flautas, adornos, entre outros objetos.
Em um capítulo intitulado “As populações nativas na época da conquista”, extraído de uma das coleções, a maioria das informações contidas no texto refere-se, segundo as autoras, aos grupos Tupi. O tema da liderança indígena volta a aparecer:
(...) eram lideradas por um ‘chefe’, uma espécie de conselheiro. Não se tratava de um líder autoritário, pois ele não dava ordens nem impunha normas. Quando suas decisões não expressavam a vontade da maioria dos membros da aldeia, não eram acatadas. Sua posição de chefe derivava de sua capacidade de conciliar, conversar e servir de intermediário nos conflitos entre os habitantes da aldeia. A habilidade em apaziguar os ânimos era muito importante, porque se o chefe não conseguisse resolveras divergências, seu povo, com freqüência, acabava se envolvendo em guerra com aldeias vizinhas (Coleção Descobrindo a História, vol. 1, p. 17).
E, ainda, informam que, para ser “chefe de uma aldeia tupi”, também era necessário ter generosidade, qualidade “bastante apreciada entre os índios” (Coleção Descobrindo a História, vol. 1,p. 17). Outra informação trazida diz respeito à propriedade: segundo informam as autoras, os indígenas “não conheciam a noção de propriedade privada da terra” (op. cit., p. 18) e, ainda hoje, “entre muitos povos indígenas, a moradia, os utensílios domésticos e o produto do trabalho são propriedades coletivas” (id. ibid., p. 18).
As autoras também dão algumas informações sobre trabalho e relação com a natureza, entre os indígenas: “O sustento de todos era buscado na natureza” (Coleção Descobrindo a História, vol. 1,p. 18); “viviam da caça, da pesca, da coleta e da agricultura” (op. cit., p. 18); “a prática dessas atividades variava de um povo para outro”, de acordo com o lugar, com o ambiente natural, com os recursos de cada lugar (id. ibid., p. 18); migravam, “quando os recursos de determinado território se tornavam escassos” (id. ibid., p. 18); há a divisão sexual das tarefas; não acumulavam riquezas, nem havia a “remuneração pelo trabalho” (id. ibid., p. 18); o trabalho era realizado “de acordo com as necessidades da aldeia” (id. ibid., p. 18); as “crianças aprendiam no convívio com a mãe e os irmãos e com os mais velhos, no dia-a-dia da aldeia” (id. ibid., p. 19).
Informam que os indígenas não conheciam a escrita e que a transmissão dos conhecimentos era feita de forma oral. Mencionam a importância dos “ritos de passagem” e, como exemplo, citam a passagem do jovem para a vida adulta:
(...) ser adulto significava (...) ter sua própria família, trabalhar e participar plenamente da vida social da aldeia (Coleção Descobrindo a História, vol. 1, p. 19).
Em outra coleção, o autor discorre sobre a posse coletiva da terra, sobre a ausência de classes sociais, sobre o cultivo de diversos produtos alimentícios, sobre a divisão sexual do trabalho e sobre as aldeias com habitações coletivas (Coleção Tempo e Espaço, vol. 2, p. 172). Apresenta um quadro contendo o mapa do Brasil e indicações da localização dos “dez maiores grupos indígenas do Brasil” (op. cit., p. 173).
A seguir, destacamos um exemplo de imprecisão conceitual. Na frase em destaque, extraída de outra coleção, o autor comete um grande equívoco, evidenciando a falta de informação a respeito da temática indígena:
Não havia trocas entre as tribos72, que ocupavam grandes espaços (Coleção História das Transformações Sociais, vol. 2, p. 243).
Seria correto se dissesse que, nas sociedades indígenas, não havia mercado, não havia compra e venda, nem dinheiro, mas havia, sim, a troca. O “princípio da reciprocidade” permeava a vida e a economia dessas sociedades:
(...) há uma série de regras de redistribuição de alimentos, de utensílios, de ornamentos e regras que regulamentam a prestação de serviços entre parentes, vizinhos, afins (afins: pessoas relacionadas pelo casamento, como os cunhados, a nora e o sogro, etc.) (Lopes da silva, 1987: 156).
O antropólogo Marcel Mauss definiu o princípio da reciprocidade como a obrigação que as pessoas de algumas sociedades têm de receber e dar presentes umas às outras e, igualmente, de retribuir os presentes recebidos. Através destas “obrigações” que se dá o funcionamento do sistema econômico: as regras de reciprocidade orientam o comportamento das pessoas quando vão produzir e consumir. O exercício da generosidade – que, para as sociedades indígenas, é uma grande virtude e é fonte de muito prestígio – é possibilitado por tais regras. É a reciprocidade que
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regula as trocas, portanto, os rituais e a economia podem ter seu lugar central ocupados por estas trocas recíprocas73.
4.5. Diversidade cultural e lingüística e as diferentes formas de classificar esta