YENİ NESİL KABLOSUZ İLETİŞİM SİSTEMLERİ VE ÖNEMLİ TEKNOLOJİLER
2.1. Hücresel İletişim Sistemlerinin Gelişim Süreci
Apesar de números anteriores terem tratado de questões econômicas, como aumento da inflação, o número da revista “Panorama” de 31 de julho de 2008, foi o primeiro a fazer menção da crise econômica mundial. Conforme veremos a seguir, a capa da revista dá indícios quanto ao grupo social com o qual o sujeito-comunicante quer se identificar e quanto a finalidade de sua enunciação verbal e não verbal.
Mensagem verbal e não-verbal se complementam. Por utilizar-se da imagem de uma mulher, o enunciador explora o imaginário social de que mulheres são por natureza mais vaidosas e que em tempos modernos as mulheres italianas já não ficam voltadas apenas para a família, criar filhos e cuidar de casa, mas são independentes, trabalham fora, ganham espaço no mercado de trabalho e econômico, portanto, já não é de admirar encontrar uma mulher bonita e bem-sucedida dirigindo uma lancha. Tal imagem complementa o título em caixa alta “L´Italia che se la gode” (A Itália que se diverte). Além do formato da letra em caixa alta e a cor amarela que chama mais atenção, o enunciador escolhe uma frase com vocábulos positivos (como a expressão “se la gode”) e faz uso de uma expressão popular que faz parte da linguagem coloquial. Em tamanho menor, mas ainda em caixa alta e cor amarela, o enunciador coloca entre parênteses a frase (“alla faccia della crisi” – em face da crise), transmitindo a ideia paradoxal de que mesmo diante de uma crise existe uma Itália que se diverte, ou seja, que não setá sendo afetada pela crise. A observação entre parênteses aparece como uma crítica de um segundo enunciador contra essa classe alta. Nas explicações
posteriores escritas em letras pretas, o enunciador mantém o paradoxo, deixando em caixa alta palavras com ideias opostas: “RECESSIONE(recessão)” e “LUSSI (luxos)” – “La Recessione attaca il ceto medio ma lascia indenni i milionari. Che con yacht e auto su misura navigano tra i lussi d‟ estate.”
O uso da conjunção “mas” cria uma oposição entre as duas orações e reforça a ideia paradoxal indicada no título. Além disso, ela tem força argumentativa, levando o leitor a seguir um raciocínio. Diante de uma crise econômica, espera-se que todos sejam afetados, mas a oração adversativa mostra uma contrariedade em relação às expectativas: a crise deixa os milionários ilesos. O paradoxo também é percebido pelo uso de vocábulos que representam positividade em relação à classe alta (“indenni, yacht e auto su misura, lussi”), em contraposição ao verbo que representa negatividade em relação à classe média (“attaca”).
Quanto ao posicionamento do enunciador em relação ao enunciado, percebe-se um comportamento delocutivo por parte do enunciador, pois ele se coloca de forma objetiva, baseando-se em um “saber de conhecimento”, como se fosse um relator dos fatos, apesar de ser possível perceber implicitamente uma opinião negativa em relação à realidade extravagante da classe alta diante de uma crise econômica. Tal comportamento é construído linguisticamente pelo uso dos verbos no indicativo, indicando certeza em relação à informação transmitida e pelo uso de vocábulos e foto que representam provas concretas.
Os enunciados deixam clara a finalidade do enunciador: chamar a atenção para um grupo social que aparentemente não está sendo afetado pela crise econômica e continua mantendo seus luxos, de modo que a mulher da foto, sorridente e se divertindo pode ser identificada como uma representante dos milionários não afetados pela crise econômica. Além disso, pelos enunciados percebe-se que o enunciador procura se identificar tanto com a classe alta, por meio de vocábulos positivos e imagem sedutora, de modo que ela pode se sentir motivada a verificar o que a revista pretende escrever a seu respeito e se certificar de que não será afetada pela crise mundial, quanto com a classe média e baixa, interessadas em saber o quanto ainda podem ser afetadas e por que os milionários não o são.
Apesar de o enunciador não impor uma ação de compra da revista por parte do consumidor, ele a sugere por colocar-se como tendo conhecimento de algo que o leitor desconhece, manifestando, assim as três qualidades que inspiram confiança, conforme verificado na parte teórica: razoabilidade, por ter “saber de conhecimento”; sinceridade, por mostrar a realidade; solidariedade, por mostrar-se, mesmo que implicitamente, solidário às classes desfavorecidas.
Percebe-se claramente a predominância do modo de organização descritivo com uma linguagem simples e coloquial e pela análise dos vocábulos feita nos parágrafos anteriores, pode-se concluir que a encenação descritiva quer provocar um efeito de saber, como se um perito tivesse identificado algo que o leitor desconhece, e um efeito de verdade, que pode ser percebido especialmente pelo ato de nomear os objetos pertencentes à classe alta (yatch, auto su misura, lussi d‟estate) e colocar uma imagem que pode ser associada a uma fotografia da realidade referente à classe alta.
Nota-se ainda a existência de um dispositivo argumentativo na capa, de modo que as descrições servirão como quadro de raciocínio e poderão levar o destinatário a pensar que a revista é seu objeto de busca, ou seja, é o resultado que procura: informação sobre como a crise afeta a classe média e alta.
Proposta (tese): Existe uma itália que se diverte.
Proposição (posição em relação à tese): Enquanto classe média é atacada pela recessão, classe alta não é afetada.
Persuasão (prova): Os milionários navegam pelos luxos do verão com seus yachts e automóveis sob medida.
Pode-se considerar tal contrato de comunicação como implícito, visto que o quadro argumentativo não é claro e requer interpretação das afirmações a fim de identificá-las como fazendo parte de uma proposta, proposição e persuasão.
Vale observar ainda que o enunciador acrescenta na capa uma chamada para uma matéria exclusiva da revista referente ao livro de “Tavaroli, lo spione che accusa i DS”. Essa é uma técnica que muitas revistas têm utilizado, em imitação às manchetes de jornais, a fim de se identificar com um maior número de consumidores-leitores. Ao fazer a chamada não só para o artigo principal, mas também para outros artigos, o enunciador procura persuadir diferentes tipos de leitores a comprar a revista, poupando-os até mesmo de abrir a revista para procurar um artigo de seu interesse. Assim, caso o leitor não se interesse pelo artigo de capa, ele pode se interessar por uma matéria alternativa e exclusiva, oferecida pelo enunciador.