3. MATERYAL ve METOT
3.3 Hücre Kültürü
Tomando por meio a reflexão do território enquanto síntese dialética, onde sua produção guarda diversas contradições, é que encerraremos nosso trabalho. Ao longo de nosso estudo, sobretudo nas experiências enriquecedoras dos trabalhos de campo, pudemos verificar as manifestações destas contradições. Ao nos depararmos com a chamada moral camponesa, que guarda dentro de si valores como ajuda mútua, espírito de solidariedade, o espírito divino que tem a terra, o seu apego à religiosidade e seus valores familiares etc. situações que se mostram muito estranhas dentro do atual estágio de modernização econômica, a ideia que nos passou, num momento bastante incipiente, era de que estávamos lidando com pessoas de um outro tempo, e dessa forma, nossa área de estudo era um verdadeiro atraso economicamente, e que, portanto, o capitalismo moderno deglutiria isso muito logo. Entretanto, percebemos que mesmo guardando aspectos do tradicional, este acabou sendo utilizado para a própria produção e reprodução do capital, que ao mesmo tempo em que é moderno, acaba fazendo uso do tradicional para a sua própria reprodução.
Este foi o ponto que nos guiou para procurarmos entender melhor que tipo de sitiantes se encontram em Mogi Mirim, e, refletirmos quais são as complexidades do território, pois era verdadeiramente a multiplicidade do território que encontramos, que muitos autores, que citamos, afirmaram. O campesinato se faz em nossa área de estudo, e se mostra não como algo fora do tempo/espaço, já que acaba sendo capturado pelas contradições capitalistas, que necessitam de suas relações não-capitalistas para a geração de mais capital. Tratando-se da recriação de sua condição de camponês, uma vez que vende a sua produção à grande indústria, seguir o ritmo urbano- industrial é uma forma de permanecer no campo, ainda que convivendo com diversas adversidades econômicas. Dialeticamente, o camponês vende sua produção aos preços exigidos pelo capital, para continuar sendo camponês. Encontramos, em nossa área de estudo, aqueles que não querem sair da terra, que lá querem permanecer, e por isso toda a renda que assim é gerado com o trabalho na terra deve voltar a ela, pois só assim que se consegue continuar nela. Inclusive, a maneira como o camponês vê e concebe o seu trabalho é o
que lhe dá a matéria-prima necessária para se opor à lógica capitalista, porque o trabalho é divino, é honrado, transforma o sujeito em homem, conforme a sua ordem moral, o que cria as condições necessárias para a sua exploração pelo capital. O trabalhar na terra, e logo depois agradecer a Deus pelo trabalho, ainda que tudo sirva para o enriquecimento de alguns, demonstra a luta constante do campesinato de modo a garantir sua recriação.
Nossas andanças pelos sítios, desde trabalhos de campo formal, até conversas informais e agradáveis, que demonstravam a receptividade do
homem do sítio, permitiram a comprovação de tudo isso, uma vez que na fala
destas pessoas estava a preocupação de garantir o seu sustento e de sua família, eis a justificativa para se trabalhar para o Cutrale, ou para a Maizena etc, como disse um dos sitiantes: Sem eles a gente não vive. Como a gente vai
vortá a trabaiá na roça di novo? Ou seja, buscar o excedente não para a
acumulação, mas para a sobrevivência e principalmente para continuar na labuta da terra. Logo, continuar dentro de sua ordem moral. O que pudemos notar é uma unidade produtora, que mais do que produtora por si só, é o lócus da permanência das relações de parentesco, compadrio, e da religiosidade, que constantemente se reproduzem. As relações de mercado se confrontam com as relações camponesas, impondo a sua racionalidade, mas neste confronto há a possibilidade para que o campesinato continue sua incessante luta pela terra. Retomando Léfèbvre(1991, p.37), em que por produção se deve entender não só a produção de produtos, de coisas materiais por si só, mas também como produção de coisas espirituais, produção do ser humano, produção de relações sociais, que se valem da produção material para continuar a se reproduzindo. Ou seja, tratando de algo que é reproduzido dentro de um movimento complexo, e neste movimento que estão inseridas, assim, as relações de parentesco, compadrio, religiosidade que dão cor à ordem moral camponesa, o que quer dizer que, mesmo estando mergulhados em uma lógica capitalista, o camponês vê possibilidades para que sua produção na terra seja uma forma de continuar existindo enquanto classe, enquanto categoria social que é, ainda que a lógica do mercado se confronte com a sua lógica própria. Aí está o território, sintético e contraditório, aí que conseguimos notar a sua multidimensionalidade, ou seja, há o conflito como capital, mas também há as diferentes maneiras como se recebe o próprio
capital, gerando o motor para que se recrie um estilo, recrie uma cultura, reanime as relações sociais que constituem a campesinidade, garantindo a reprodução histórica do camponês.
São nestas entranhas que mergulhamos e procuramos entender o território que se constitui na Paróquia de Santa Cruz. Percebemos um entrelaçamento entre as lógicas tradicionais com as lógicas do mercado, edificando uma formação territorial própria. Estes elementos, dão o amálgama necessário para a constituição do território, porque são estas práticas sócio- territoriais, sejam elas no espectro do tradicional se conflitando como mercado, que dão o sentido daquele chão, que se materializa nas Piteiras, Bocaina, Vatinga, Francos, Borges, entre outros bairros. E é neste sentido que é reescrita e a todo o momento, pelas próprias práticas sócio-territoriais, a grande possibilidade do camponês de reconstituir a história, mas, através de processos não lineares e por um tempo próprio, que tem na expressão tempo
das água o seu ápice, já que é o tempo para plantar, o tempo para colher, o