2 19 YÜZYIL BATI KÜLTÜR VE SANAT ORTAMINA GENEL BAKIŞ
3. GUSTAV KLİMT ve ART NOUVEAU
3.2 Gustav Klimt’in Art Nouveau İçindeki Yeri ve Secession
A gestão democrático-participativa é um dos conceitos fundamentais para a consolidação das propostas empreendidas pelo Governo em relação à reforma educacional. Encontramos nos textos, enfáticas e recorrentes mensagens de estimulo à gestão democrático-participativa durante o processo de execução do PDDE. No Módulo de Capacitação dos sujeitos envolvidos com a execução, acompanhamento e avaliação do PDDE, logo, nas páginas iniciais do texto, há a apresentação de alguns conceitos que caracterizam a proposta de reforma das políticas públicas para educação, viabilizada por meio da descentralização financeira, do controle social dos recursos públicos e da implementação da gestão democrática participativa nas escolas, conforme segue abaixo:
Este módulo tem como objetivo fornecer aos cursistas informações e conhecimentos que lhes permitam: compreender o PDDE como instrumento de transferência de recursos, inserido na política de descentralização adotada pelo governo federal nos últimos anos; proporcionar informações básicas necessárias sobre a forma de operacionalização do PDDE, bem como a devida prestação de contas; e fortalecer os princípios democráticos e a gestão participativa da escola pública, promovendo, inclusive, o controle social dos recursos públicos repassados à conta do PDDE (BRASIL, 2008, p.9).
Em relação ao Manual de Orientação para constituição da UEx, a ideia da participação da comunidade no processo de implementação e execução do programa se encontra de maneira explicitada no tocante à gestão pedagógica, administrativa e financeira dos recursos. Diz o documento:
Várias são as nomenclaturas utilizadas para denominar Unidade Executora (UEx). [...] Independentemente da denominação que a escola e sua comunidade escolham, a ideia é a participação de todos na sua constituição, na gestão pedagógica, administrativa e financeira” (BRASIL, 2009, p.3).
Entretanto, no tocante à execução da gestão administrativa, financeira e pedagógica dos recursos, mensagens contidas no Manual – que se apresentam logo em seguida à citação anterior – são claras e explícitas em relação à determinação das funções e obrigações a serem seguidas pelos membros da UEx. Estes devem, obrigatoriamente, seguir normas emanadas pelo Governo, que controla e regula as formas de organização dos trabalhos, assim como as atribuições de cada membro, que devem ser desempenhadas durante o processo de execução do programa.
O texto governamental orienta, ainda, sobre as competências e responsabilidades que membros da sociedade civil terão em relação à administração, aplicação e prestação de contas dos recursos provenientes do PDDE.
A Unidade Executora tem como atribuições: administrar recursos transferidos por órgãos federais, estaduais, distritais e municipais; gerir recursos advindos de doações da comunidade e de entidades privadas; controlar recursos provenientes da promoção de campanhas escolares e de outras fontes; fomentar as atividades pedagógicas, a manutenção e conservação física de equipamentos e a aquisição de materiais necessários ao funcionamento da escola; e prestar contas dos recursos repassados, arrecadados e doados” (BRASIL, 2009, p.3).
Levando em consideração a citação acima, o discurso que se apresentava, dotando a escola de flexibilidade em relação à sua gestão parece escamotear novas formas de relação que se estabelecem entre o Governo e as unidades de ensino. Assim, a escola passa a ser um instrumento burocrático por meio do qual os órgãos centrais implementam seus programas e propostas que têm como objetivo a racionalidade e a rapidez no emprego de recursos públicos, aplicados com vistas à resolução dos problemas e necessidades que surgem no interior das escolas (LÜCK, 2000; CARVALHO, 2008). Ao longo do texto, também é possível identificar mensagens pelas quais o Governo define como deverá ser realizado o trabalho pela escola.
No caso do PDDE, compete [...] à Comunidade fazer gestões permanentes no sentido de garantir que a comunidade escolar [...] e
local, tenha participação sistemática e efetiva nas decisões colegiadas, desde a seleção das necessidades educacionais prioritárias a serem satisfeitas até o acompanhamento do resultado do emprego dos
recursos; afixar, em local de fácil acesso e visibilidade, [...] o
demonstrativo sintético da execução no qual estejam evidenciados
os materiais e bens fornecidos e serviços prestados à(s) escola(s) que representam, com a indicação dos respectivos valores, que não podem ser inferiores àqueles que lhe(s) foram destinados pelo programa; [...]
Garantir livre acesso às suas dependências a representantes do Ministério da Educação (MEC), do FNDE, do Tribunal de Contas da União (TCU); [...] elaborar um Plano de aplicação dos recursos
onde deverá constar as ações previstas para serem realizadas, com a indicação das respectivas estimativas de custos, além de elaborar
relatório no qual devem ser registradas as ações e atividades
realizadas, bem como indicar as dificuldades que impediram a efetivação do que foi programado” (BRASIL, 2009, p.11-12, grifos da autora).
Propostas de autogestão dos estabelecimentos de ensino, fortalecimento da participação social e da corresponsabilidade pela administração escolar, conforme mostrado acima, vieram acompanhadas de maior controle, mais trabalho, mais responsabilidade em relação ás atividades desenvolvidas pelos sistemas públicos de ensino. Segundo Lück (2000, p.17-18), por meio do discurso de uma gestão compartilhada, o que se processa é a delegação regulamentada pelo poder central de tarefas administrativas mediante o estabelecimento de diretrizes e normas centrais, acompanhadas do controle na prestação de contas e da subordinação administrativa das unidades escolares ao poder central. Situação esta que não promove a autogestão da escola, e sim, consolida a autodeterminação na gestão dos processos necessários para a realização das políticas educacionais empreendidas. Ainda segundo a autora, essa nova forma de gestão escolar contribui, na maior parte das vezes, para apenas proporcionar uma maior racionalização e/ou rapidez na solução dos problemas relacionados à administração escolar. Assim, não se pretende o estabelecimento de mudanças significativas nas relações entre sistema e escola, pretende-se, tão-somente, estabelecer maior controle sobre a escola e, ao mesmo tempo, sobrecarregando-a com mais trabalho e maior responsabilidade. De acordo com Neto e Almeida (2000, p.44), essa nova organização da gestão escolar não redistribui poder, pois as decisões políticas continuam concentradas no poder central.
Sob o discurso de descentralizar decisões e permitir a participação da comunidade escolar nos processos decisórios – favorecendo a liberdade e autonomia –, o Governo camufla a realidade, em que as escolas não têm poder decisório sobre questões administrativas e financeiras, haja vista que estas continuam a seguir normas emanadas
dos sistemas de ensino, que controlam e definem as funções a serem desempenhadas, o provimento de recursos, e como deverá ocorrer o funcionamento das unidades educativas (AUGUSTO; DUARTE, s/d).
Ainda sobre as novas formas de relação que se estabelecem entre o Governo e as unidades de ensino, encontramos mais um exemplo de regulação estatal no texto pelo qual a escola passa a ser instrumento burocrático e os órgãos centrais implementam seus programas.
O presidente da Unidade Executora deve solicitar o registro do estatuto no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas que responda pelo atendimento do município no qual a entidade está localizada (p.5, grifos da autora). [...] para que a Unidade Executora possa ter conta bancária e ser contemplada com benefícios, [...] é necessário que esteja inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), do Ministério da Fazenda. [...] deverá indicar o banco e a agência de sua preferência para abertura, pelo FNDE, de conta corrente específica. [...] reunir todos os sócios para deliberar
acerca dos assuntos que dizem respeito ao funcionamento da Unidade da Executora (p.6-7, grifos da autora). [...] É necessário que
a Unidade Executora, com todos ou a maioria de seus membros e em conjunto com a escola, programe suas atividades anuais referentes
às ações nas áreas financeira, administrativa e pedagógica e social. [...] No final de cada ano letivo, a Unidade Executora, ao encerrar suas
atividades, deverá elaborar relatório no qual devem ser
registradas as ações e atividades realizadas, bem como indicar as
dificuldades que impediram a efetivação do que foi programado (p.12, grifos da autora).
De todo modo, a gestão democrática participativa é apresentada aos gestores e organizações, baseada num modelo de maior liberdade em decisões operacionais que retiram entraves desnecessários à gestão, discurso pelo qual o Estado remodela sua forma de controle, estabelecendo um novo conjunto regulador que torna possível governar de uma maneira liberal avançada, sem oposição das instituições de ensino (BALL, 2002, p.5).
Nesse sentido, de acordo com Carvalho (2008, p.252), o Estado concebe, programa, regula, acompanha, avalia e fiscaliza o desempenho e resultados do trabalho escolar e são as instituições de ensino quem ficam com toda a responsabilidade pelo gerenciamento dos processos na busca por resultados bem sucedidos.
De acordo com Adrião e Peroni (2007, p.264), no caso específico do PDDE, a União redefiniu o formato de gestão de todas as redes públicas de ensino, por vezes, desconsiderando políticas vigentes em determinados Estados e municípios, exigindo um
único formato para sua constituição, sem sequer ouvir e levar em consideração a forma de organização dos sistemas de ensino.