De modo geral, em síntese, nossas fontes se dividem em quatro grupos, levando em consideração sua materialidade e suporte: fontes manuscritas, fontes impressas, fontes digitais e fontes iconográficas; do ponto de vista da procedência, dividimo-las em fontes oficiais e não-oficiais. A tabela abaixo sintetiza toda documentação disponível.
Quadro 1– Síntese de documentação selecionada e/ou coletada para investigação
Grupos documentais Subgrupos documentais Série - Espécie / Gênero
Fontes manuscritas Oficiais
Série IP (Instrução Pública) Série Petições
Série Assuntos didáticos Série Diversos
Não-oficiais Silabário (livro escolar)
Fontes impressas
Oficiais
Legislação, regimentos, regulamentos, instruções, programas e relatórios da instrução pública primária Não-oficiais Textos do domínio jornalístico
Romances e memórias
Fontes digitais
Oficiais
Série Procuradores Públicos Relatórios dos Presidentes da Província
Não-oficiais Livros escolares Romances e memórias
Fontes iconográficas Oficiais -
Não-oficiais Ilustrações e fotografias
Por uma questão metodológica, atendendo ao objetivo de pesquisa para a escrita desta
oficial, foram, no decorrer da catalogação e análise, divididas em três eixos temáticos: Instrução pública primária (IPP), Cultura escrita escolar (CEE) e Cultura material escolar (CME). Essas três divisões são temáticas de interesse desta tese uma vez que, para nós, elas nos permitiram compreender práticas culturais de leitura e escrita no/do contexto escolar do Pernambuco oitocentista.
Com o intuito de dar uma melhor organização e a devida valorização às fontes consultadas, a fim de analisar e interpretar os dados, catalogamos toda documentação em tabelas destinadas a ilustrar, de modo geral, informações necessárias sobre a procedência e tipo de documentação catalogada.
Não nos destinamos a fazer análises diplomáticas nem tipológicas, até porque não é nosso interesse, porém (repetimos) para dar a devida organização e valorização às fontes, à luz de algumas categorizações da Diplomática e da Tipologia, segundo Belloto (2002), usamos, em nosso tratamento documental, termos advindos dessas áreas, que se inserem em nossa catalogação por reinterpretações conceituais nossas.
Sendo assim, conforme Belloto (2002), há três categorias documentais, estipuladas pelas gradações dos conteúdos dos documentos que nelas se enquadram:
a) Documentos dispositivos: enquadram-se os documentos normativos, os de ajuste e os
de correspondência.
b) Documentos testemunhais: são os que acontecem depois do cumprimento de um ato
dispositivo ou derivam de sua não observância ou são relativos a observações sujeitas a relatórios, a termos de visita etc.
c) Documentos informativos: são opinativos/enunciativos e esclarecem questões contidas
em outros documentos, cujo conteúdo vai fundamentar uma resolução.
Quanto à gênese documental, “[...] algo que está a determinar, a provar a cumprir, [...] dentro de determinado setor de um determinado órgão público ou organização privada” (BELLOTO, 2002, p. 33) se encontram as seguintes classificações:
a) Documentos diplomáticos
b) Documentos não-diplomáticos
Para a circulação da documentação, feita em direções opostas, seja do Governador para o Inspetor de Instrução pública, por exemplo, dão-se as seguintes classificações:
a) Documentos descendentes: dos que descem de autoridades superiores.
c) Documentos horizontais: que se distribuem entre autoridades/pessoas ou autoridades do mesmo nível.
Por fim, para atender a essa análise do ponto de vista mais técnico, atribuímos classificações quanto ao caráter das Espécies documentais ou como ainda denominamos uma identificação dos Gêneros discursivos24 escritos presentes em todo acervo documental.
Apresentamos, a seguir, modelos de tabelas da catalogação. Todo esse inventário documental, organizado por nós em tabelas, se encontra no Apêndice desta tese.
Figura 8 – Modelo de tabela de catalogação para Séries documentais
Esse primeiro exemplar de tabela foi destinado a catalogar Séries documentais, visto que elas apresentam uma diversidade de espécies/gêneros. Tal definição também se justifica pelo fato de cada uma das espécies documentais identificadas, nas Séries, se enquadrarem em um eixo temático específico: IPP, CEE ou CME. Essa tabela também foi destinada às fontes impressas não oficiais, como o caso dos textos do domínio jornalístico. Como verificamos, para cada item da tabela, há uma informação específica.
Este segundo exemplar de tabela, conforme a Figura 9, foi destinada a catalogar as demais documentações, mais precisamente as fontes impressas oficiais.
Figura 9 – Modelo de tabela de catalogação para fontes impressas oficiais
Conquanto essa documentação oficial se mostre em específicas espécies documentais – legislação, relatório, regulamento, por exemplo – elas, por seu conteúdo, se referem aos três eixos temáticos: IPP, CE, CME. O que isso quer dizer? Em um regimento, por exemplo, vimos que pudemos encontrar informações tanto sobre um como até mesmo sobre os três eixos. Coube a nós, no momento da análise, delimitar o que interessa a cada eixo e a qual deles se ajusta. Esta tabela também foi destinada às fontes digitais oficiais, Relatório dos Governadores da Província; às fontes digitais não-oficias, livros escolares. O modelo de tabela da Figura 9 se diferencia do modelo da tabela da Figura 8 por não conter o item Descrição/Conteúdo. Substituímo-lo, no modelo da tabela da Figura 9, pelo item Observações, destinado a informações básicas da documentação, como governador responsável pela publicação, autor de livro escolar.
Como verificamos, para cada item da tabela, há uma informação específica. O espaço 1, da tabela acima, é destinado à sigla e ao número de ordem para referência em texto da pesquisa. A título de informação, abaixo, listamos as siglas a que fazemos referência na pesquisa:
i. Legislação – LEGIS. ii. Regimento – REGI. iii. Regulamento – REGU. iv. Instrução – INST. v. Programa – PRO.
vi. Relatório Inspetor Público – RIP vii. Relatório Presidente Província – RPP
viii. Livros escolares – LE
Os critérios estabelecidos para a catalogação dos dados, em tabelas, levam em consideração aspectos do ponto de vista mais técnico, ou seja, são expostas informações de caráter superficial da documentação. Essa estratégia garante um adequado tratamento documental, além de permitir situarmos a documentação seja no ano de sua publicação, seja no arquivo ou local consultado, pois
Ao iniciar a pesquisa documental, já dissemos que é preciso conhecer a fundo, ou pelo menos da melhor maneira possível, a história daquela peça documental que se tem em mãos. Sob quais condições aquele documento foi redigido? Com que propósito? Por quem? Essas perguntas são básicas e primárias na pesquisa documental, mas surpreende que muitos ainda deixem de lado tais preocupações. Contextualizar o documento que se coleta é fundamental para o ofício do historiador! (BACELLAR, 2010, p. 63, grifo nosso).
Por isso, com o propósito de ainda garantir essa contextualização documental, nos capítulos seguintes, fazemos uma análise do ponto de vista dos usos, das contribuições e das funcionalidades da documentação por nós catalogada. O que queremos com isso?! Dar maior visibilidade às fontes e apresentar suas contribuições à escrita da história a que nos propusemos (re)escrever. Para tal análise, além dos postulados teórico-metodológicos expostos, basear-nos-emos pela Sociologia da escrita, proposta por Cardona (2013) e pelos postulados de uma análise paleográfica de Petrucci (2002).
2. Cultura escrita, instrução pública primária e legislação educacional do Pernambuco