3. BULGULAR 1.Hastaların Demografik Veriler
3.11. Grupların Ameliyat ve Anestezi Sürelerinin Karşılaştırılması
Fonte: Adaptado a partir do mapa dos municípios do Rio Grande do Sul de 1849. Em:
FELIZARDO, Julia Netto. Evolução administrativa do RS, 1981.
Por decreto imperial de 24 de agosto de 1853, foi decidido “remover o Juiz de Direito João Evangelista de Negreiros Sayão Lobato da comarca de Piratini para a nova de Caçapava, por assim haver pedido”.531 Em outubro, o magistrado declarou à presidência:
530
A configuração permanece como aparece no mapa 6 até 1857. Naquele ano, em janeiro,Vacaria passou para a comarca de Porto Alegre e, em dezembro, foi criada a comarca de Santo Antônio da Patrulha, ficando Vacaria subordinada à jurisdição da nova comarca. No mapa original, não consta a divisão municipal de Vacaria que corresponderia ao limite entre as comarcas de Porto Alegre e São Borja. Esse limite aqui está desenhado, sob nossa inteira responsabilidade, por ser Vacaria um caso singular, entre 1850 e 1857, conforme explicamos no corpo do texto.
531
AHRS. B1-109. Aviso do Ministério da Justiça, enviado à presidência da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, 26 de agosto de 1853.
cumpre-me, em resposta, declarar a V.Exª. que aceito o lugar de Juiz de Direito da nova comarca de Caçapava, com a expressa cláusula de ficar oficialmente reconhecido e em seu inteiro vigor, o direito que à Comarca de 3ª entrância me garante o art. 6º do Decreto de 26 de julho de 1850, conforme é declarado no Aviso expedido pela Secretaria dos Negócios da Justiça em 26 de agosto deste ano.532
Sutilmente, Sayão Lobato lembrava que ele estava em uma comarca de segunda entrância, logo, a lei garantia seu direito de remoção para uma comarca superior. Contudo, ele ratificava a legalidade da decisão imperial com seu aceite, condição básica para casos como esse. Assim, Caçapava tinha juiz nomeado, mas ele era deputado provincial e a comarca somente seria instalada após o fim dos trabalhos legislativos. Sayão Lobato reassumiu seu cargo de magistrado e, no dia 29 de dezembro de 1853, iniciou seus trabalhos em Caçapava; a partir daí, então, considerava-se instalada a comarca.
Ainda mais lento, foi o processo em Alegrete. Em setembro de 1853, “por decreto de 23 deste mês, houve S. M. o Imperador por bem nomear o Juiz municipal José Caetano d’Andrade Pinto para Juiz de Direito da comarca de Alegrete”.533 Porém, o magistrado não se dirigiu a Alegrete, uma vez que foi removido para o cargo de Chefe de polícia da província de Santa Catarina situação atípica visto que, para esse cargo, seriam indicados juízes de direito ou desembargadores.534 Mas, o fato é que, em janeiro de 1854, “S. M. o Imperador houve por bem nomear o Bacharel José Antônio de Oliveira Silva para Juiz de Direito de Alegrete”.535 Em abril, apresentou-se à presidência da província “prestou o competente juramento em 22 de abril do corrente ano, e seguindo logo para aquele destino, entrou no respectivo exercício em 17 de maio
532
O decreto de 26 de agosto é o n. 687 apresentado no capítulo anterior. AN. Ij1-578. Série Justiça, Gabinete do Ministro. Cópia do ofício que João Evangelista enviou à presidência da província em 22 de outubro de 1853, junto ao Ofício nº 82 enviado ao Ministério da Justiça, pelo presidente da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, em 25 de outubro de 1853.
533
AHRS. B1-109. Aviso do Ministério da Justiça, enviado à presidência da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, 26 de setembro de 1853.
534
Tudo indica que a presença de um Chefe de polícia em Santa Catarina era uma urgência.“S. M. O Imperador acaba de fazer uma grande Graças à esta Província, Ordenando, por Decreto N. 1295 de 16 de Dezembro do ano passado, que seja especial o Chefe de Polícia. Livre das ocupações de Juiz de Direito da Comarca, pode agora o Chefe de Polícia empregar-se todo na segurança pública, e individual, e promover a captura de muitos réus, que zombam das Autoridades locais, pela falta necessária energia dessas mesmas Autoridades”. Relatório do presidente [João José Coutinho] da província de Santa Catarina em 19 de abril de 1854. Typ. Catharinenses, n.d. p. 21.
535
AHRS. B1-109. Aviso do Ministério da Justiça enviado à presidência da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, 17 de janeiro de 1854.
último”.536 Assim, finalmente, em maio de 1854, passados mais de três anos da criação, a comarca de Alegrete foi instalada.
Até 1857, não foram criados novos municípios, termos e nem comarcas na província. Porém, naquele ano, a Assembléia Provincial aprovou leis que alteraram a divisão administrativa e judiciária. O centro do debate político, naquela Casa, foi a vila de Vacaria, criada em 1850 e precariamente administrada:
Conveniências individuais, entrechoques pessoais entre os membros da Câmara e estes com líderes da outra facção deram margem a que os vereadores da nova vila não conseguissem exercer seu papel. Impedia-se a ação municipal, visto assuntos particulares entrarem em jogo no desenrolar das atividades da Câmara. Os desentendimentos, a ausência de nomes para compor a Câmara, a falta de número legal dos eleitos, a fim de poder haver sessões, mais a questão de incompatibilidade de cargos reforçada pelo reduzido número de cidadãos disponíveis para o exercício de vereança, refletiam a instabilidade administrativa e econômica da nascente vila.537
A elevação de Vacaria à vila fomentou a rivalidade com Lagoa Vermelha, para onde alguns grandes proprietários queriam remover a Câmara Municipal e, por conseqüência, a sede do município. O conflito que, inicialmente, era uma disputa entre poderes locais estendeu-se até o gabinete provincial. Dizia o presidente:
A conveniência do serviço da Justiça obriga-me a insistir de novo pela medida já proposta de ser suprimido o Termo da Vacaria, ficando como dantes unido ao de Santo Antônio. Nem os emolumentos do foro convidam a ter um Juiz Letrado, nem há ali pessoas que possam servir os cargos de Justiça. Com a supressão proposta perderão alguns que sob o manto da autoridade cometem toda a espécie de absurdos, mas ganhará o povo, porque embora tenha de procurar recursos em distância maior, terá maior probabilidade de obter justiça.538
O resultado foi que “principiando o ano de 1857, algo de inusitado acontecera. Antes mesmo que Lagoa Vermelha fosse elevada a freguesia, em 17-02-1857, pela Lei n. 337 (...) a sede da vila de Vacaria é forçada a se remover para a referida povoação”.539 Essa mesma lei também alterou a divisão judiciária, conforme seu primeiro artigo: “fica pertencendo à comarca
536
AN. Ij1-578. Série Justiça, Gabinete do Ministro. Correspondência enviada ao Ministério da Justiça, pelo presidente da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, em 21 de julho de 1854.
537
BARROSO, Véra Lucia Maciel. Vacaria foi distrito de Santo Antônio da Patrulha? In: Prefeitura de Vacaria.
Raízes de Vacaria I. Porto Alegre, EST, 1996, p.67-86, p. 77.
538
Relatório do presidente da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul – João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú – apresentado na abertura da Assembléia Legislativa provincial em 2 de outubro de 1854. Porto Alegre: Tipografia do Mercantil, 1854. p. 15
539
Ibid. p. 79. Na integra a lei dizia: “Art. 2º A sede da vila deste nome fica removida para a capela de S. Paulo da Lagoa Vermelha com a denominação de – Vila da Lagoa Vermelha”.
de Porto Alegre o município de Vacaria”.540 Que, desde de 1850, pertencia à jurisdição da comarca de São Borja, conforme apresentado antes. Contudo, Vacaria, ainda naquele mesmo ano, sofreria outras alterações. Em outubro, reuniu-se em 2ª Sessão a sétima legislatura provincial que ocupou-se em seus debates, outra vez, do caso Vacaria-Lagoa Vermelha.
As primeiras sessões já iniciaram com aquele assunto em pauta. O deputado Antônio José de Moares Júnior sugeriu como solução para o conflito541 “a divisão do termo da Vacaria, formando com o termo do Passo Fundo, uma outra comarca”.542 Segundo Véra Barroso, tal proposição gerou acalorado debate na Assembléia e o deputado Antônio Ângelo Christino Fioravante constitui-se em ferrenho opositor à sugestão de Moraes Júnior. Independente de interesses e posicionamentos políticos, que muito provavelmente estavam em jogo, vale transcrever parte do discurso de Fioravante:
Para que a Lagoa Vermelha possa ser um termo, é necessário que encontre os necessários quesitos da lei, os elementos que a lei consigna para os termos: júri, tabeliões, juiz municipal e outros oficiais e agentes da autoridade pública, coletor, etc. Poderá a Lagoa Vermelha, essa povoação tão encantada com o seu desenvolvimento que tem abismado tudo, em um círculo tão acanhado, ter em si estes elementos? Existe na Lagoa Vermelha capacidade para ter tantos cidadãos aptos, que possam desempenhar estes empregos? Sr. Presidente, V.Exª. sabe que o tribunal do Júri exige o número duplo de 48 cidadãos com os requisitos necessários para serem jurados, isto é, 96 cidadãos nestas condições; e a Lagoa Vermelha, que não é mais do que um campo, pode ter tanta gente com as habilitações que a lei exige? Que felicidade! Um lugar da província, que até aqui tem vivido na obscuridade, cujas vantagens são só conhecidas pelo comércio do trânsito das tropas para S. Paulo; esse lugar que tem sido arredado da civilização pelos óbices que apresenta a localidade – a falta de estradas e outras circunstâncias –, quase toda a sua população se compõe de tropeiros, de homens moradores em S. Paulo, e que apenas tem ali invernadas para as suas tropas;
sendo da mesma espécie a população de Vacaria, poderão ambos esses lugares constituir duas municipalidades, dois termos, onde dentro deles se encontrem 96 cidadãos em um, e 96 cidadãos em outro, perfazendo o nº de 192 jurados pela parte mínima, que sabiam ler e escrever, e tenham os requisitos transcendentes que a lei marca! Que feliz lugar é a Lagoa
Vermelha! Nesta capital tem havido dificuldades para a reunião de um tribunal
540
Lei N. 337 de 16 de janeiro de 1857. Coleção das Leis e Resoluções da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, XII vol., 1ª Sessão da 7ª Legislatura, Porto Alegre, Tipografia do Mercantil, 1857. p. 6.
541
Anos antes, tratando da mesma região, a presidência da província sugeriu que a “mais razoável divisão seria separar em duas Comarcas distintas a desta Capital, sendo uma composta de Porto Alegre, Triunfo e Taquari, e a autora de S. Leopoldo, Santo Antônio da Patrulha e Vacaria”. Relatório do presidente da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul – João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú – apresentado na abertura da Assembléia Legislativa provincial em 6 de outubro de 1853. Porto Alegre: Tipografia do Mercantil, 1853. p. 10.
542
Debates da Assembléia provincial, 3ª Sessão Ordinária de 19-10-1857, Correio do Sul. Porto Alegre, 21-10-1857. p.1. Apud BARROSO, Véra Lucia Maciel. Vacaria foi distrito de Santo Antônio da Patrulha... 1996, p. 80.
do júri; e ali regurgita a população com cidadãos aptos para serem jurados.543 [grifos nossos]
O deputado Christino Fioravante era bacharel em direito, foi nomeado duas vezes para juizados municipais na década de quarenta, mas não seguiu carreira na magistratura; optou pela política544 e pela advocacia. Algumas vezes, se encontram referências “bem conceituadas” aos serviços do advogado Fioravante na região de Santo Antônio da Patrulha, onde seu pai, médico italiano, se fixou em 1803. A breve biografia indica que o discurso do deputado não era totalmente imparcial, pois seus interesses pessoais e profissionais estavam naquela região. Contudo, apesar dessa ressalva, o que de fato interessa é a coerência do raciocínio do deputado.
Aquelas localidades (Vacaria e Lagoa Vermelha) eram de interesse sazonal, pois sua importância econômica estava associada ao transporte do gado entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, o que resultava em regiões pouco desenvolvidas. Em 1851, se dizia da vila de Vacaria “é pequena, contando um quadrado de casas mal construídas, possui nos arredores alguns ranchos, poucas e pequenas chácaras, que bem atestam a pobreza da localidade”, e “Lagoa Vermelha começou a povoar-se há três anos e já excede a vila de Vacaria”.545 Apesar do tom um pouco jocoso do deputado, é necessário concordar com o ele, pois seria praticamente impossível encontrar tantas pessoas habilitadas para serem jurados naqueles dois povoamentos. Para finalizar a contenda a Assembléia decidiu, num primeiro momento, extinguir o município de Vacaria e, ao mesmo tempo, voltar a anexar tanto Vacaria, quanto Lagoa Vermelha à antiga sede: Santo Antônio da Patrulha.546
Ao observar a atividade legislativa do ano de 1857, se percebe que a extinção do município de Vacaria foi uma exceção. Esse foi o ano em que mais se criaram vilas na província, em ordem cronológica, assim distribuídas:
543
Debates da Assembléia provincial, 6ª Sessão Ordinária de 24-10-1857, Correio do Sul. Porto Alegre, 28-10-1857. p.1. Apud BARROSO, Véra Lucia Maciel. Vacaria foi distrito de Santo Antônio da Patrulha... 1996, p. 82.
544
Foi eleito para três legislaturas provinciais, nos anos de: 1846, 1847, 1857, 1858 e 1859. AITA, Carmen, AXT, Gunter [et al.] (orgs). Parlamentares gaúchos das Cortes de Lisboa aos nossos dias... 1996. p. 56.
545
Almanak do Rio Grande do Sul, Apud. BARBOSA, Fidélis Dalcin. Vacaria dos Pinhais. Porto Alegre, Escola Superior de Teologia de São Lourenço de Brindes/Universidade de Caxias do Sul, 1978. p. 14.
546
Lei N. 391 de 26 de novembro de 1857 “Extinguindo o atual município da vila de Vacaria: Art. 1º Fica extinto o atual município da Vacaria, art. 2º As freguesias de São Paulo da Lagoa Vermelha, e de Nossa Senhora da Oliveira da Vacaria passam a pertencer ao município de Santo Antônio da Patrulha”. Coleção das Leis e Resoluções da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, XIII vol., 2ª Sessão da 7ª Legislatura, Porto Alegre, Tipografia do Mercantil, 1858. p. 25.
Tabela 3 – Municípios criados no Rio Grande do Sul em 1857
Nº. LEI PROVINCIAL VILAS CRIADAS
337 Lagoa Vermelha
340 Canguçu
340 Passo Fundo
351 Santana do Livramento
400 Santa Maria da Boca do Monte 401 N. Senhora da Conceição do Arroio
402 Dores de Camaquã
Fonte: Coleção de Leis provinciais de 1857.
Nem todas sobreviveriam na condição de vila: Lagoa Vermelha, como já apresentado, não usufruiu o novo status nem por um ano; Dores de Camaquã teria destino semelhante; as outras se confirmariam, tanto como vilas quanto como termos. A provisão dos cargos começou pela legislação provincial que criou “em cada uma das vilas de Canguçu, Passo Fundo e Santana do Livramento os ofícios de escrivão do geral, e conjuntamente tabelião de Notas, escrivão de Órfãos, contador e partidores do juízo” (art. 1º).547 Desse conjunto de municípios, apenas Livramento, naquele mesmo ano, foi contemplado pelo governo imperial que criou “no Termo de Santana do Livramento, na Província de S. Pedro, um Juiz Municipal e de Órfãos”.548 Certamente, não foi por acaso aquela decisão adiantada. O Ministério da Justiça estava recebendo pedidos, enviados da localidade, para que Livramento fosse desanexado de Alegrete.549
A lei n. 401,550 elevou Conceição do Arroio a município e anexou Torres em seus limites. Também determinou que “este novo município e o de Santo Antônio da Patrulha
547
Lei N. 365 de 28 de fevereiro de 1857. Coleção das Leis e Resoluções da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, XII vol., 1ª Sessão da 7ª Legislatura, Porto Alegre, Tipografia do Mercantil, 1857. p. 52-53.
548
Decreto n. 2049 – de 9 de dezembro de 1857. “Cria no Termo de Santana do Livramento, na Província de S. Pedro, o Lugar de Juiz Municipal, que acumulará as funções de Juiz de Órfãos.” Coleção de Leis do Império do Brasil, Tomo 20, Parte 2ª, 1857, p. 490.
549
AN. Ij1-581. Série Justiça, Gabinete do Ministro. Cópia da correspondência enviada por Bernardino G. de Souza juiz municipal substituto de Santana do Livramento à presidência da província em 21 de outubro de 1857, anexa ao Ofício nº 45 enviado ao Ministério da Justiça, pelo presidente da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, em 9 de dezembro de 1857.
550
Lei N. 401 de 16 de dezembro de 1857. “Art. 1º Fica elevada à categoria de vila a freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Arroio. Art. 2º O respectivo município compreenderá em seus limites o território desta, e o das
deixarão de fazer parte da comarca da capital, e farão uma nova comarca, que se denominará de Santo Antônio da Patrulha” (art. 3º). Ao mesmo tempo que se criava a oitava comarca da província, se acabava com as disputas por autonomia de Lagoa Vermelha e Vacaria, uma vez que ambas ficaram subordinadas à jurisdição civil e judiciária de Santo Antônio da Patrulha.
Logo, em janeiro de 1858, a nova comarca foi provida pelo governo imperial: foi classificada como de primeira entrância, criou-se o lugar de promotor público551 e foi nomeado juiz de direito. Por decreto imperial de 25 de janeiro, “S. M. o Imperador houve por bem nomear o juiz municipal Ludgero Gonçalves da Silva, para juiz de direito da comarca de Santo Antônio da Patrulha”.552 O magistrado entrou no exercício em 8 de março. A partir daí, estava instalada a nova comarca de Santo Antônio da Patrulha, em um intervalo de tempo entre a criação e a instalação bastante rápido, especialmente, se comparado a experiências anteriores.
Também, em 1858, o Ministério da Justiça criou mais três lugares de juiz municipal para a província, um para cada um dos novos termos de Passo Fundo553 e de Canguçu,554 bem como um segundo para Rio Grande.555 A Assembléia Provincial, por seu turno, criou uma nova vila e duas comarcas. Pela lei n. 419, “a freguesia de São Patrício de Itaqui, no Município de São Borja, fica elevada à categoria de vila” (art. 1º).556 A mesma lei, também, determinou que “a comarca de São Borja fica dividida em duas; uma com a mesma denominação, e outra com a de Comarca da Cruz Alta” (art. 3º) e sobre a jurisdição delas: “A primeira compreenderá o Termo do respectivo
Torres”. Coleção das Leis e Resoluções da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, XII vol., 2ª Sessão da 7ª Legislatura, Porto Alegre, Tipografia do Mercantil, 1857. p. 65
551
Decreto n. 2074 – de 13 de janeiro de 1858. “Declara de primeira entrância a Comarca de Santo Antônio da Patrulha, criada na província de São Pedro do Rio Grande do Sul”. Decreto n. 2087 – de 27 de janeiro de 1858. Art único. O Promotor Público da Comarca de Santo Antônio da Patrulha, criada na Província de S. Pedro vencerá o ordenado anual de seiscentos mil réis. Coleção de Leis do Império do Brasil, Tomo 19, Parte 2ª, 1858, p. 2 e p. 49
552
AHRS. B1-110. Aviso do Ministério da Justiça, enviado à presidência da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, 29 de janeiro de 1858.
553
Decreto n. 2132 – de 20 de março de 1858. “Art. Único. Fica criado no Termo do Passo Fundo da Província de São Pedro o lugar de Juiz Municipal, que acumulará as funções de Juiz de Órfãos”. Coleção de Leis do Império do Brasil, Tomo 19, Parte 2ª, p. 177.
554
Decreto n. 2308 – de 20 de novembro de 1858. “Art. Único. Fica criado no Termo de Canguçu, Província de S. Pedro o lugar de Juiz Municipal, que acumulará as funções de Juiz dos Órfãos”. Coleção de Leis do Império do Brasil, Tomo 19, Parte 2ª, p. 544
555
Decreto n. 2133 – de 20 de março de 1858. “Art. Único. Fica criado no Termo do Rio Grande, na Província de S. Pedro, mais um lugar de Juiz Municipal, que acumulará as funções de Juiz de Órfãos”. Coleção de Leis do Império do Brasil, Tomo 19, Parte 2ª, p. 177
556
Lei N. 419 de 6 de dezembro de 1858. “Art. 2º. As divisas do novo Município serão as mesmas que foram decretadas para aquela Freguesia pela lei n. 301 de 24 de Novembro de 1854, menos na parte em que se limita com o de São Gabriel, com o qual se dividirá pelo rio Jaguari Grande”. Coleção das Leis e Resoluções da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, Tomo XIV, 1ª Sessão da 8ª Legislatura, Porto Alegre, Tipografia do Correio do Sul, 1858. p. 21.
nome, e o de Itaqui; a segunda o da respectiva Vila, e do Passo Fundo” (art. 4º). A lei n. 423 determinou que “os termos de Bagé e Santana do Livramento formarão uma nova Comarca com a denominação de Comarca de Bagé”.557 Na prática, era a criação de duas comarcas: Cruz Alta e Bagé, uma vez que a de São Borja manteria a mesma estrutura que já tinha desde o tempo que era comarca de Missões.
Não há dúvida que o Ministério da Justiça agilizava-se: em janeiro indicou o ordenado do promotor público de Cruz Alta558 e nomeou o primeiro juiz de direito; em fevereiro, fez o mesmo para Bagé.559 Para aquela, por decreto de 5 de janeiro foi nomeado o juiz municipal José Antônio da Rocha e para esta, em 7 de fevereiro, foi “designado o juiz de direito da comarca de Caçapava Ovídio Fernandes Trigo de Loureiro para continuar servindo na comarca de Bagé