A avaliação é um instrumento regulador da prática docente, pois através dele é possível construir uma visão geral sobre as características, áreas que merecem especial atenção e as potencialidades de cada aluno. Completando esta ideia, segundo a Circular nº 17/2007, de 10 de outubro, a avaliação permite:
(…) uma recolha sistemática de informações (…) e implica uma tomada de consciência da acção, sendo esta baseada num processo contínuo de análise que sustenta a adequação do processo educativo às necessidades de cada criança e do grupo, tendo em conta a sua evolução. (p. 4).
21Ver Pasta B – Prática Pedagógica PE Apêndice 6 – Planificações Apêndice 6.8 – 8 ª Semana Figura 36 - Musical Opereta
A avaliação que esteve na base deste estágio classifica-se como avaliação formativa uma vez que esta consiste num processo incessante e ativo que integra educadores e crianças. Além disso, é encarado como um processo que permite alcançar a melhoria e a qualidade educativa das crianças, ao invés de quantificar essa aprendizagem (Lopes & Silva, 2012). Para tal, deve-se recorrer a metas e instrumentos de apoio que auxiliem o registo das capacidades e dos desempenhos observados (Pais & Monteiro, 2002).22
Assim, a avaliação das crianças da sala Arco-Íris baseou-se nos objetivos estabelecidos pela educadora cooperante para cada semana, sendo adequadas aos temas a explorar, bem como os objetivos estabelecidos pelo ME (1997) nas OCEPE.
Neste sentido, recolheu-se dados, através da observação, sobre os objetivos semanais estabelecidos, que numa fase posterior, foram compilados numa tabela onde é possível ter um panorama geral do desenvolvimento de cada criança no que diz respeito às diferentes áreas: 23
Área de formação pessoal e social
Área da expressão e comunicação (Domínio das expressões, da linguagem oral e abordagem à escrita e domínio da matemática)
Área do conhecimento do mundo
Como forma de resumir as observações feitas, elaborou-se um esquema, em que é possível assistir a um conjunto de ilações resultantes das observações e registos semanais das atividades desenvolvidas durante o período de estágio.
Quadro 2 - Tabela Síntese: Avaliação Geral
22Ver Pasta B – Prática Pedagógica PE Apêndice 8 – Grelhas de Observação 23Ver Pasta B – Prática Pedagógica PE Apêndice 9 – Grelha de Avaliação
Tabela Síntese: Avaliação Geral
Área de Formação
Pessoal e Social
Facilidade em organizar e arrumar os materiais, deixando os espaços em condições de serem utilizados por outros;
Cumprimento de regras e utilização regular de expressões de saudação e agradecimento; As crianças respeitavam os outros e apresentavam constantemente um espirito de cooperação; Apreciavam o trabalho dos colegas e valorizavam-no;
Dificuldade em ouvir os outros e de esperar pela sua vez para falar;
Sentiam dificuldade em partilhar os materiais e em serem responsáveis por eles;
A maioria das crianças já não necessitavam de ajuda para se vestir, calçar e comer, contudo ainda apresentavam dificuldade em utilizar os talheres corretamente;
Clarifica-se a preocupação, por parte da equipa da sala, em promover atitudes e valores nas crianças. Para tal, as regras da sala surgiram como forma de despertar na criança o respeito e a solidariedade, salientando que as suas atitudes têm impactos nos outros. Neste sentido, a comunicação surge como alicerce para o desenvolvimento da autoestima e valorização do próximo. ME (2016) destaca que a “A educação pré-escolar tem um papel importante na educação para os valores, que não se “ensinam”, mas se vivem e aprendem na ação conjunta e nas relações com os outros.” (p. 37).
Quadro 3 - Tabela Síntese: Avaliação Geral Tabela Síntese: Avaliação Geral
Área da expressão e comunicação
Domínio Expressão Físico-Motora, Expressão Dramática, Expressão Plástica e Expressão Musical
Apresentavam noção do corpo, em relação ao exterior, mas a grande maioria não tem noção da direita e da esquerda;
As crianças recorriam regularmente ao jogo simbólico, representando situações do quotidiano; A maioria utilizava a expressão corporal, fantoches e sombras chinesas para criar histórias e
situações, apesar de ainda não serem muito criativas e estarem pouco à-vontade para o fazer; Exploravam com facilidade os materiais e algumas crianças representavam as suas ideias, emoções
e pequenas histórias através da plasticina, pintura, desenho, raspagem e colagem;
Sete crianças tinham dificuldade em escolher e utilizar diferentes formas de combinação (cores) e materiais de diferentes texturas (pano, papel, lãs);
Todo o grupo gostavam de ouvir músicas e canções, e demonstravam facilidade em aprendê-las.
Domínio da Linguagem oral e abordagem à escrita
Apresentavam capacidade de manter um diálogo, contudo nove crianças apresentavam dificuldade em utilizar novo vocabulário e quatro delas apresentavam mesmo dificuldade na fala;
O grupo ainda se encontrava numa fase de exploração da linguagem com carácter lúdico, como as rimas, trava-línguas, etc;
A grande maioria das crianças sabiam interpretar imagens, recontar histórias, relatar acontecimentos e inventar pequenas histórias;
Domínio da Matemática
• As crianças agrupavam diferentes objetos, distinguindo semelhanças e diferenças;
• Algumas crianças reconheciam e representavam diferentes noções espaciais e topológicas (dentro / fora, longe / perto, em cima /em baixo...);
• Facilidade em ordenar números, distinguir os momentos do dia e realizar simples operações, com exceção das cinco crianças que tinham, três anos;
A área de expressão e comunicação integra vários domínios todos eles essenciais ao desenvolvimento holístico da criança. O primeiro domínio engloba as quatro expressões artísticas: expressão físico-motora, expressão dramática, expressão plástica e expressão musical. Cada uma destas expressões apresenta objetivos diferentes e as suas especificidades, contudo salienta-se a importância da sua transversalidade, uma vez que estas complementam- se simultaneamente. Salienta-se que estes domínios estavam sempre presentes ao longo das diversas rotinas e atividades – momentos em que se permitia que a criança se expressasse através das variadas expressões artísticas. No Currículo Nacional do Ensino Básico, ME (2001) enfatiza-se que a educação artística determina a forma como se pensa, se comunica e, sobretudo, como se interpreta o mundo que nos rodeia, razão pela qual possibilita o desenvolvimento de diversas competências.
Assim, acredita-se que a educação pela arte permite a consciencialização do corpo e das diferentes formas de expressar ideias e emoções. Neste sentido, a linguagem oral e a abordagem à escrita ganha sentido ao longo das rotinas, visto que a comunicação, a expressão e o encorajamento para escrever estava na base de qualquer atividade.
Posteriormente, o domínio da matemática, à semelhança dos anteriores, foi desenvolvido no decorrer da rotina, principalmente na marcação do dia da semana, da meteorologia, do número de colegas presentes e a faltar, etc. Salienta-se que estas atividades ao estarem relacionadas com as situações do quotidiano permitiam que a criança se começa-se a aperceber da sua funcionalidade e aplicabilidade em contexto real.
Quadro 4 - Tabela Síntese: Avaliação Geral
No que concerne à área do conhecimento do mundo, observou-se ao longo do estágio o gosto e a curiosidade das crianças para conhecerem e adquirirem maiores conhecimentos, através das diversas comunicações e questionamentos constantes.
Em modo de conclusão, salienta-se que estas observações e avaliações realizadas foram essenciais, na medida em permitiram ter conhecimento das necessidades, interesses,
Tabela Síntese: Avaliação Geral
Área do conhecimento
do mundo
A maioria das crianças reconheciam e nomeava diferentes cores, sensações e sentimentos;
Revelavam curiosidade e desejo pelo saber;
Cinco crianças apresentavam dificuldade em conhecer alguns aspetos relativos à biologia: conhecer os órgãos do corpo, dos animais, do seu habitat e costumes, de plantas etc.
capacidades e fragilidades de cada criança, sendo por esse motivo, também, um auxiliador da planificação e consequentemente das atividades e estratégias a desenvolver.