4. TASARIM AÇIKLAMASI
4.3. Dijital Tasarım ve Sistemin Teorik Olarak Testi
4.3.3. Grafiksel kullanıcı arayüzü ve simülasyon
O termo desenvolvimento, como visto, mantém-se vinculado à ideia dominante de que desenvolvimento e crescimento econômico estão a serviço comum, ou seja, guardam o mesmo conteúdo conceitual, ou próximo a ele, o que pode não ser verdade. A produção de riqueza em determinada nação, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) permite que ela seja considerada como desenvolvida ou não, a depender dessa produção. E que tal riqueza, acredita-se, é transferida dos ricos para os pobres e que, para isso, é necessário incentivar grandes empresas para desenvolver uma região. Os empregos, então, automaticamente criados, a arrecadação de impostos aumentada propiciando melhorias no serviço público e melhoria das condições humanas. Sendo assim, um país, ou uma região considerada desenvolvida seria aquela detentora de uma boa relação PIB/população.
Ribeiro e Menezes (2008) destacam que no caso brasileiro, apesar de uma das maiores taxas de crescimento do PIB ao longo do século XX, o país não apresentou o mesmo sucesso na distribuição dos frutos desse crescimento. Para Ribeiro e Menezes (2008. p. 47), “o Brasil está entre as quinze maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, ocupa a 65ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano”, portanto, o crescimento econômico não nos ajuda muito a compreender o bem-estar da sociedade.
Ao que parece, o PIB, um parâmetro quantitativo, cujo procedimento serve a critérios econômicos, torna-se questionável frente às dificuldades de representar as condições socioespaciais dos sujeitos, considerando que a lógica do desenvolvimento econômico inerente ao sistema capitalista, os benefícios, os recursos e as informações não representam os processos de concentração econômica que se consolidam. Portanto, o desenvolvimento econômico, mesmo medido pelo Produto Interno Bruto, coexiste entre o dado em si e a homogeneização, numa perspectiva conceitual de equidade na distribuição dos benefícios, para a qual o indicador revelava-se limitado.
Entendendo, dessa forma, que nem toda a produção de riqueza é socializada com o total da população de uma nação, medir o desenvolvimento apenas pela produção econômica é um meio que não permite verificar a disponibilidade e o real acesso do conjunto social à saúde, à educação e ao trabalho, dentre outras condições que colaboram para determinar o bem-estar da sociedade. Assim, o PIB não somente oculta a crise da estrutura social, como também percebe Rattner (2001, p. 2), não revela a destruição do habitat natural, base da economia e da própria vida humana, considerando que os efeitos desastrosos são contabilizados (ocultados) nos ganhos econômicos.
O PIB e demais índices e indicadores econômicos resumem-se em uma lógica quantitativa unidimensional em detrimento de maiores debates e implicações sobre a qualidade do desenvolvimento humano. O PIB per capita, portanto, torna-se um valor representativo da soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, dividido pelo número de habitantes, sendo, neste caso, uma média numérica aferida sobre um valor que não se vê distribuído equitativamente.
Por sua vez, nos últimos anos, um novo indicador passou a ocupar o debate acerca das formas de mensurar as condições de determinados grupos sociais, particularmente países e territórios.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), inicialmente desenvolvido pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, publicado pela primeira vez em 1990 (PNUD, 2011a), vem sendo usado pela Organização das Nações Unidas como um indicador para medir a qualidade de vida das pessoas em várias regiões do mundo. Leva em consideração a saúde e a educação, além do PIB per capita em dólares ajustados ao poder de compra no país.
O IDH permite, ao longo de uma série histórica, observar o desempenho de um país em relação aos demais ou mesmo a composição de um ranking mundial nos diferentes Relatórios de Desenvolvimento Humano publicados.
Quanto ao desenvolvimento humano realmente incluso em sua totalidade, torna-se difícil comprová-lo quando comparado com o subíndice renda, no sentido de transformar a riqueza que uma nação produz em bem-estar na mesma proporção para toda sociedade. Sendo assim, o IDH como índice de mensuração do crescimento de um país, mesmo com o aumento do produto interno bruto, não significa necessariamente o desenvolvimento humano da coletividade, pois é preciso analisar a distribuição dessa riqueza, o acesso a ela em termos de serviços públicos prestados à população, a geração de trabalho digno, dentre outros. Portanto, o IDH nos permite construir um debate a respeito da relação entre a renda per capita e as condições de saúde (pela longevidade) e o grau de educação da população como critérios em relação à qualidade de vida. Mas, este último, a educação, é percebida como um elemento de capacidade ou de potencialidade de superação das condições marginais de vida social, quando os indicadores são insatisfatórios ou baixos.
Nesse caso, o IDH teve por um dos principais objetivos propor um permanente debate no qual o desenvolvimento realmente ganhe uma perspectiva humanista. Surgindo assim, novos debates envolvendo indicadores que interpelam formatos democráticos, igualitários, horizontais e libertadores, de maneira a superar as efetivas diferenças sociais que expressam condições de desigualdade e de segregação nos espaços urbanos ou rurais, ou seja, perseguir um conceito de desenvolvimento que projete as possibilidades de crescimento considerando diversos aspectos e dimensões da sociedade.
Alguns enfoques devem ser mencionados no sentido da compreensão de que diferentes interesses econômicos provocam a situação de vulnerabilidade humana, como a pobreza a que são expostos grupos de pessoas, que necessariamente precisam ser consideradas em um contexto social mais amplo, tais como a dificuldade de acesso ao trabalho e à renda, à escolaridade, à saúde, à moradia, às condições ambientais e, portanto, à qualidade de vida digna.
Ao analisar as dimensões saúde, educação e renda que compõem o IDH, Orsi (2009) percebe certa limitação pela não inclusão da qualidade ambiental. Para o autor,
o IDH, apesar de indicar uma série de deficiências socioeconômicas importantes, traça um quadro incoerente com um conceito de desenvolvimento abrangente, o qual acreditamos que deva contemplar as dimensões sociais, econômicas e físico-naturais de maneira indissociável e seja voltado para a qualidade de vida das pessoas. (ORSI, 2009. p. 19). Ainda o autor complementa que desconsiderar tal variável da qualidade de vida (qualidade ambiental), “talvez seja bastante problemático, pois bem sabemos que este é um quesito importante na qualidade de vida. Um ambiente insalubre pode não resultar necessariamente em óbito precoce, porém reduz a qualidade de vida da população”. (ORSI, 2009, p. 58).
O Relatório do Desenvolvimento Humano - 2010 (PNUD, 2011b) apresenta um debate sobre o conceito de desenvolvimento humano, incluindo o reconhecimento do ambiente compartilhado em três componentes. Assim, o Relatório (PNUD, 2011b, p. 25) estabelece os componentes relacionados com “as oportunidades das pessoas, as liberdades de processos (que afetam a aptidão das pessoas para moldarem as suas vidas) e os princípios de justiça”. Segundo o documento, as liberdades estão interligadas e a sua expansão deve ser alcançada dentro dos limites estabelecidos pela partilha dos recursos limitados do planeta. Apresenta então a noção de que:
o desenvolvimento humano é a ampliação das liberdades das pessoas para que tenham vidas longas, saudáveis e criativas, para que antecipem outras metas que tenham razões para valorizar e para que se envolvam ativamente na definição equitativa e sustentável do desenvolvimento num planeta partilhado. As pessoas são, ao mesmo tempo, os beneficiários e os impulsores do desenvolvimento humano, tanto individualmente como em grupos. (PNUD, 2011b. p. 2).
A expectativa sobre os modos de vida mostra essencialmente que as novas teorias sobre desenvolvimento humano devem contemplar diferentes aspectos. Nota-se a inclusão da partilha dos recursos limitados do planeta e a busca de uma definição equitativa e sustentável do desenvolvimento partilhado, dirigida a toda comunidade humana, em diferentes escalas geográficas quer seja local, regional ou global.
No entanto, dadas as profundas desigualdades em termos socioeconômicos, permitindo diferenciamentos entre grupos sociais, apresenta-se a segregação espacial urbana que resulta na marginalização espacial enquanto condições de moradia, equipamentos sociais públicos, acesso, mobilidade, entre outros, como consequência das disparidades da partilha
dos recursos, tanto os naturais como os financeiros. Portanto, uma segregação socioespacial que determina as possibilidades de acesso a bens e serviços públicos acaba por influenciar a sustentabilidade das condições de vida.