O ambiente físico da aprendizagem deixa de ser uma dimensão restrita a um espaço formalmente dimensionado para uma extensão mais ampla, no qual o processo de aprendizagem está além da sala de aula como local principal de aprendizado, mas também nas ações do cotidiano. Por exemplo, um aluno que relaxa na grama com um notebook, que trabalha junto com outros em uma mesa ao ar livre, no salão de uma residência, ou simplesmente lendo um livro em uma janela (CHISM, 2006; MILNE, 2006).
Os cenários de aprendizagem ocorrem independentemente de um espaço dimensional definido. A aprendizagem acontece em todos os lugares, nas calçadas da cidade, nos aviões, restaurantes, livrarias, entre outros espaços. Os seres humanos, onde quer que estejam, têm a capacidade de aprender, por meio de suas experiências e reflexões, e o espaço pode ter um forte impacto sobre essa aprendizagem (CHISM, 2006).
O contexto do ensino tem ampliado seu alcance no intuito de não depender única e exclusivamente de um modelo que tem por base um local físico, uma vez que, no âmbito
educacional, especialmente, a aprendizagem ganhou configurações que transformaram a forma como os indivíduos aprendem, a exemplo do uso de tecnologias que não era possível há alguns anos, conforme é apresentado no Quadro 5.
Quadro 5 - Características entre espaços de sala de aula e de ensino
Espaço de Sala de Aula Espaço de Ensino
Espaço estático;
Soluções de mobiliário permanente; Métodos de trabalho de conteúdo
dirigido;
A tecnologia está confinada a áreas específicas;
Ênfase no trabalho individual.
Espaço dinâmico;
Soluções de móveis flexíveis;
Métodos de trabalho orientado ao contexto;
A tecnologia está inseria no espaço; Ênfase no trabalho individual e em grupo. Fonte: Kuuskorpi, Finland e González (2011).
Por esta razão, pensar simplesmente sobre os espaços de aprendizagem não faz justiça à complexidade e amplitude de aprendizagem que os alunos podem experimentar. Deve-se examinar essa visão e, por vezes, repensar os papéis dos sujeitos sobre as formas e influências sofridas, por meio dos espaços de aprendizagem (WARGER; SERVE; DOBBIN, 2009).
Em um sentido mais restrito, um ambiente físico de aprendizagem é visto como uma sala de aula convencional, que normalmente têm requisitos relativamente simples como uma linha de visão, uma boa acústica e um ponto focal na parte da frente da sala (LOMAS; OBLINGER, 2006). Em um sentido mais amplo, é entendido como uma combinação de sistemas formais e informais de educação, por meio da qual a aprendizagem tem lugar dentro e fora do contexto de aprendizagem (KUUSKORPI; FINLAND; GONZÁLEZ, 2011).
Em um ambiente de aprendizagem, a estrutura física faz referência aos espaços, equipamentos e ferramentas de dentro da instituição, que precisam ser equipados com estações de trabalho e áreas modulares com assentos confortáveis, versáteis, resistentes, duráveis e fáceis de reparar. Deve ser possível adaptar o mobiliário a diferentes configurações e métodos de trabalho que contribuam para apoiar a aprendizagem individual e em grupo (KUUSKORPI; FINLAND; GONZÁLEZ, 2011).
Apesar do poder em uma sala de aula ser formal, isso não significa que os alunos sejam indivíduos impotentes, uma vez que estes podem influenciar-se mutuamente e sofrer influências do professor, instrutor e até mesmo da administração da instituição, em questões em torno da sala de aula (MERRIAM; BIEREMA, 2014). Logo, a eficácia de um ambiente de aprendizagem encontra-se nos resultados da aprendizagem, no qual o foco deve estar centrado
nas experiências dos alunos. Ambientes de aprendizagem eficazes devem oferecer aos sujeitos oportunidades de alcançar seu potencial como aprendizes (WARGER; SERVE; DOBBIN, 2009; LOMAS; OBLINGER, 2006).
O conceito de ambiente físico de aprendizagem tem evoluído para uma estrutura ainda mais complexa, ao incluir material didático, fontes de informações e eventos fora das instituições, onde os sujeitos podem participar no processo de aprendizagem, tanto direta como virtualmente (KUUSKORPI; FINLAND; GONZÁLEZ, 2011). A dimensão física refere-se ao espaço real por meio do qual a aprendizagem acontece (MERRIAM; BROCKETT, 2007).
Os adultos passam grande parte do seu tempo fora de salas de aulas, em espaços que catalisam a interação social, encontros casuais e conversas improvisadas. Tais ambientes podem exercer influência sobre o espaço de aprendizagem e contribuir para o crescimento pessoal e profissional (LOMAS; OBLINGER, 2006). Assim, o conceito de ambiente de aprendizagem vai se tornando cada vez mais importante como centros de aprendizagem ao longo da vida (KUUSKORPI; FINLAND; GONZÁLEZ, 2011).
Toda a aprendizagem ocorre em um ambiente físico com características físicas quantificáveis e perceptíveis, ou seja, a aprendizagem ocorre em um salão de leitura, debaixo de uma árvore ou na frente de um computador. A todo momento, os sujeitos são envolvidos pelas informações do ambiente, que podem afetá-los emocionalmente, com consequências cognitivas e comportamentais importantes (GRAETZ, 2006).
Embora as reações emocionais aos estímulos ambientais variem amplamente entre os indivíduos e as atividades, a maioria dos sujeitos provavelmente acha difícil aprender em um meio que é sufocante e quente. Por outro lado, ambientes que provocam respostas positivas podem levar não só à melhoria da aprendizagem, mas também a uma ligação emocional com esse espaço, o qual pode torna-se um lugar onde os sujeitos gostam e procuram quando querem aprender, e lembram ao refletir sobre suas experiências de aprendizagem (GRAETZ, 2006).
Assim, quando os ambientes físicos oferecem recursos e possibilidades que apoiam novos métodos de ensino e objetivos de aprendizagem, as instituições são capazes de se moldarem mais rapidamente a essas mudanças em sua cultura organizacional. Em outras palavras, o ambiente físico de aprendizado é fundamental para o desenvolvimento do ambiente operacional da instituição, bem como para a necessidade de renovar sua cultura (KUUSKORPI; FINLAND; GONZÁLEZ, 2011).
Ao expandir a compreensão do ambiente de aprendizado para além das fronteiras de um conhecimento, não mais restrito exclusivamente ao local físico de uma sala de aula, tem-se que pensar em algumas questões psicológicas envolvidas na criação desse novo conhecimento, por meio da interação entre o ambiente e os sujeitos que o integram.