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Gnostic Aspects

Belgede I. CİLT / VOLUME I / TOM I (sayfa 183-188)

MITHRAISM AND GOD BELIEVERS SECT

6. Gnostic Aspects

Os professores têm sua prática docente baseada numa diversidade de saberes. De acordo com Tardif, Lessard e Lahaye (1991), esses saberes são provenientes de três campos: os saberes da formação profissional, os curriculares e os da experiência. São, portanto, três as fontes desses saberes:

Em seu trabalho o professor se serve de sua cultura pessoal, que provém de sua história de vida e de sua cultura escolar anterior; ele também se apóia em certos conhecimentos disciplinares adquiridos na universidade, assim como em certos conhecimentos didáticos e pedagógicos oriundos de sua formação profissional; ele se apóia também naquilo que podemos chamar de conhecimentos curriculares veiculados pelos programas, guias e manuais escolares; ele se baseia em seu próprio saber ligado à experiência de trabalho, na experiência de certos professores e em tradições peculiares ao ofício de professor. (TARDIF, 2000, p. 14).

Feita essa afirmação o próprio autor constata que: “[...] os diversos saberes dos professores estão longe de serem todos produzidos diretamente por eles, que vários deles são de certo modo “exteriores” ao ofício de ensinar, pois provêm de lugares sociais anteriores à carreira propriamente dita ou fora do trabalho cotidiano.” (Ibidem, p. 215). Sendo assim, é preciso considerar que os saberes constituídos e reconstituídos durante os momentos de formação continuada dos professores do programa Brasil Alfabetizado estão diretamente ligados ao seu percurso profissional e pessoal.

A elaboração de saberes tem, portanto, um caráter social: “[...] o homem é sempre formado pelo social (podemos dizer que ninguém aprende nada absolutamente sozinho); na verdade, na relação de conhecimento tanto o sujeito como o objeto são plasmados, determinados pelo social.” (VASCONCELLOS, 1956, p. 82). Sobre a formulação do saber social Therrien (1993, p. 6), escreve:

A construção do saber social não se faz de modo isolado e único nas atividades de produção material do trabalho, mas articula-se de modo dialético com as atividades de dimensão política, onde destacam-se os movimentos sociais e as atividades científicas que também contribuem à transformação da realidade. Assim, a atividade educativa e a atividade docente, seja a nível da formação docente, seja a nível da escola propriamente dita, fazem parte desse processo social de produção dos saberes sociais.

Cônscia das questões relacionadas aos diversos tipos de saberes inerentes à prática docente, e com o objetivo de verificar os conhecimentos adquiridos ou ampliados pelos alfabetizadores, especificamente após os momentos de formação continuada, realizei inicialmente uma dinâmica intitulada mosaico humano24, onde os participantes do grupo se expressaram por meio de desenhos e palavras.

Na proposta do mural, a ênfase maior foi dada à palavra diálogo. Cada um, ao seu modo, manifestou opinião sobre os encontros e a aprendizagens.

Sobre sua aprendizagem, a alfabetizadora Marta registrou: “Aprendi que Paulo

Freire não é só método, é sim teoria. É a visão de mundo.” Quando solicitada a explicar seu

registro a professora diz: “Antes eu pensava nele ligado só ao método, hoje pelo que

aprendemos vi que o que ele pensa do mundo, da educação, é bem maior. Não é só alfabetizar, é mudar a forma de olhar as coisas.”

Esse depoimento demonstra uma ampliação na maneira de conceber as idéias de Paulo Freire, antes (conhecimento prévio) com destaque acentuado para a questão metodológica e agora a ultrapassando. O depoimento da alfabetizadora converge para a afirmação de que:

A rigor, não se poderia falar em “Método Paulo Freire”, pois se trata muito mais de uma teoria do conhecimento e de uma filosofia da educação do que de um método de ensino. Apesar de tudo, Paulo Freire acabou sendo conhecido pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome; chame-se a esse método sistema, filosofia ou teoria do conhecimento (GADOTTI, 1989, p. 32).

Solicitados a escrever sobre a importância da formação continuada para a sua prática pedagógica, os alfabetizadores atenderam prontamente. Esboçaram sua satisfação em participar dos encontros em alguns trechos de seus escritos:

Estou mais preparada, me sinto mais fortalecida para continuar colaborando com esse curso. Tenho aprendido coisas boas e importantes como: refletir sobre o que estamos fazendo e onde a gente pode melhorar. (MARTA).

É com bastante satisfação e entusiasmo que participo da formação continuada desse projeto, porque é de grande valiosidade[sic] ter

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Cada participante escreveu em um pedaço de cartolina o tema que, em sua opinião, mereceu mais destaque durante os momentos de estudo. Logo em seguida, o representam com desenhos ou colagens. Feito isso, foi realizado um encaixe de todas as produções individuais, formando, assim, um mural coletivo, a ser alvo de reflexão do grupo.

conhecimento e atualização no ensino pedagógico para por em prática na sala de aula. (CARLOS).

A cada encontro de formação continuada venho aprendendo mais sobre como educar de maneira simples e correta. Aprendi com Paulo Freire a valorizar o educando, diálogo e ação, reflexão e práxis. (JAQUELINE).

Os alfabetizadores foram unânimes em afirmar a importância da formação continuada como agente fortalecedor e enriquecedor de sua prática profissional. Todos relatam mudanças no plano pessoal e profissional, atribuídas, em parte, às reflexões realizadas nos momentos de estudo.

A predominância de um clima favorável à interação favoreceu o envolvimento dos sujeitos, e conseqüentemente, elaboração do conhecimento que em sala de aula transcorreu em um ambiente de respeito e confiança. Todos os alfabetizadores consideraram válidos os estudos realizados e manifestaram tristeza pelo seu encerramento. Eis a transcrição de algumas falas que comprovam essa observação:

Vou sentir falta dos nossos encontros, já estava acostumada a vir todos os sábados. (JAQUELINE).

Nesse módulo além da gente estudar também fizemos muitas amizades. Vou sentir saudades. (MARTA).

Como é bom aprender assim sem medo de errar. Espero que a gente continue nossa amizade. (ANTÔNIA).

Os depoimentos constatam a motivação como um elemento importante no processo de aprendizagem. A vontade aliada à necessidade de aprender são chaves para a conquista do conhecimento. Os interesses e a afetividade devem ser levados em consideração, pois: “Quando a pessoa está sintonizada com a proposta de trabalho, ela abre seus canais de percepção e reflexão, permitindo acontecer interações e assimilação de novos elementos, ocorrendo aprendizagem.” (VASCONCELLOS, 1994, p. 54). O professor deve ser visto em uma visão sistêmica em que não se priorize apenas o aspecto cognitivo, já que “Um professor tem uma história de vida, é um ator social, tem emoções, um corpo, poderes, uma personalidade, uma cultura, ou mesmo culturas, e seus pensamentos e ações carregam as marcas dos contextos nos quais se inserem.” (TARDIF, 2000, p. 15)

Os alfabetizadores também manifestaram a intenção de dar continuidade aos encontros:

Foi muito diferente do módulo passado que a gente pensava mais nas bolsas atrasadas e no material que faltava. Dessa vez realmente tivemos nossa formação. Espero que a gente continue no próximo módulo. (ANA).

Era bom se pudesse continuar. A gente ia aprender ainda mais. (CARLOS).

O compromisso do grupo, traduzido em sua pontualidade, assiduidade e participação em todas as atividades, foi elemento significativo para que a formação continuada transcorresse de maneira satisfatória. E apesar do curto tempo de formação, os professores realizaram reflexões sobre suas experiências e a contribuição do pensamento freireano para a sua prática pedagógica, possibilitando a constituição e reconstituição de saberes diversos.

5 SALA DE AULA: ESPELHO DA AÇÃO DOCENTE

“Se somos progressistas [...] devemos nos esforçar, com humildade, para diminuir ao máximo a distância entre o que dizemos e o que fazemos.” (Freire,2000,p.45)

Neste capítulo, relato e analiso as observações realizadas nas salas de aula, com o objetivo de verificar a incorporação (ou não), pelos alfabetizadores, das idéias tratadas durante o período de formação.

Além disso, utilizo as expressões freireanas “situações-limites” e “inédito viável” para analisar os obstáculos e superações presentes no cotidiano da prática docente.

Belgede I. CİLT / VOLUME I / TOM I (sayfa 183-188)