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3.5 Litolojik Birimlerin Tanıtımı

3.5.1 Gnays

Os projetos discutidos a seguir, como possibilidades para a sala de aula, são mais indicados para estudantes do ensino médio, podendo também ser aplicados, com as devidas adaptações, para crianças do fi- nal do ensino fundamental. Do mesmo modo, obviamente, adaptações

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podem e devem ser feitas nos projetos sugeridos anteriormente, de tal forma que possam ser aplicados a estudantes de séries posteriores às do início do ensino fundamental. As intenções dos projetos, suas naturezas – efetivar intervenções que aproximem os estudantes de uma perspec- tiva historiográfica ou que, a partir de uma perspectiva historiográfica, apoiem a compreensão e o trabalho com conceitos próprios à sua for- mação –, mantêm-se em todos os casos, mas alteram-se alguns proces- sos e focos, dependendo do público que se pretende mobilizar.

As duas propostas apresentadas em sequência exploram docu- mentação escrita e envolvem, por isso, o resgate,16 a recuperação e a

constituição de arquivos, mas, certamente, podem também mobilizar a história oral como os projetos já apresentados. Ao resgate de mate- riais escolares (como livros, cadernos, boletins, livros de atas, pro- gramas de ensino, etc.) pode aliar-se a elaboração de roteiros de entrevistas que, realizadas e convenientemente transcritas/textuali- zadas17 teriam seus resultados incorporados aos acervos resgatados. A

16. Em alguns casos, com razão, o termo “resgate” tem sido evitado nos trabalhos historiográficos, pois pressupõe a existência prévia de algo. Assim, segundo as concepções contemporâneas, é impróprio dizer “resgate histórico”, posto que isso pressuporia uma história de algum modo oculta, mas preexistente, a ser des- coberta. As histórias que as fontes permitem elaborar são interpretações, cria- ções, apropriações e, portanto, são sempre “nascentes”. Entretanto, muitas vezes, é necessário resgatarmos, em sentido lato, materiais dispersos, esquecidos, per- didos, armazenados de forma tosca, vítimas de uma decomposição que a má con- servação acelera. Dentre os que trabalham com História da Educação, resgates dessa natureza são bem conhecidos, sendo usual ocorrerem emergencialmente. 17. Os termos “transcrição” e “textualização” são próprios do trabalho com a his-

tória oral. A transcrição é o primeiro momento de transformação da oralidade em texto escrito, é o registro em caracteres gráficos compreensíveis do que foi gravado no momento da entrevista. Nesse momento, o pesquisador tenta manter- -se o mais fiel possível ao que ouve na fita, registrando inclusive os erros de linguagem, interrupções, situações e “sensações” por ele percebidas como sig- nificativas (nisso pode ajudá-lo o diário de campo no qual ficam registradas suas impressões). A textualização é, na verdade, uma série de momentos relativos a uma elaboração textual que ocorre a partir da transcrição. Cumpre à textuali- zação “refinar” estilisticamente a transcrição, podendo o pesquisador alterar a ordem de frases, suprimir vícios de linguagem (cuidando para não descaracte-

análise desses materiais e/ou a disposição de tornar esse processo de resgate instância inicial de uma operação historiográfica18 dependerá

dos envolvidos.

Naturalmente, pelo teor dos dois projetos aqui apresentados, os cursos superiores de formação de professores que ensinam Matemática (basicamente os cursos de Pedagogia e de licenciatura em Matemática) são instâncias privilegiadas para sua aplicação. Um dos projetos tem como tema central a análise de livros didáticos de Matemática; o outro, a análise de textos oficiais de orientação (programas de ensino) também relativos à Matemática. Optamos por incluir, ao final deste capítulo, algumas (breves) considerações sobre análise de livros didá- ticos: são elaborações que fundamentam essa análise e, ao mesmo tempo, sugerem procedimentos para realizá-la. Antes disso, porém, apresentamos algumas considerações sobre a recuperação de arquivos, que podem auxiliar – pelo menos do ponto de vista técnico – os que desejarem se lançar a essa tarefa, que pode fazer parte de um projeto de intervenção com estudantes de diferentes níveis de escolaridade.

Sobre a recuperação de (e o trabalho com) materiais escolares

Os projetos até agora apresentados estão ou podem estar inte- grados a uma iniciativa de recuperação de acervos. Coletar materiais em campanhas dirigidas à comunidade ou recuperar materiais dispo- níveis na escola exige um esforço técnico que, na maior parte das

rizar os modos de falar do depoente), manter a distinção entre entrevistador e entrevistado ou excluir suas interferências criando um texto contínuo, em pri- meira pessoa, etc. O resultado desse processo de textualização (que será cha- mado, por fim, de “a” textualização da entrevista) depende do domínio linguístico e literário do elaborador, mas é preciso que o depoente, de alguma forma, reconheça aquele registro como sendo um registro possível e legítimo do que ocorreu durante a entrevista. O depoente – que tem pleno direito às suas memórias – terá em mãos, no tempo devido, a transcrição e a textualização para permitir, em carta de cessão, a utilização daqueles registros pelo pesquisador. 18. Uma operação historiográfica é, em síntese, o movimento de elaboração de uma nar-

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vezes, limitam as possibilidades dos envolvidos. Os materiais exigidos para higienização de papéis antigos, por exemplo, incluem produtos químicos específicos, trinchas, pincéis, papéis e plásticos especiais, além de um cuidado com a segurança (da saúde, do arquivo e do am- biente) que implica a necessidade de luvas, máscaras, ar-condicio- nado, estufas, etc. Essas disposições são aplicadas em bibliotecas e instituições especializadas, e dificilmente uma equipe amadora – como a que compomos para desenvolver nossos projetos em escolas – tem condições de atendê-las plenamente. Assim, ficamos entre a impossibilidade e a necessidade de recuperar arquivos. A saída pos- sível é relativizar as exigências desse trabalho técnico, reduzindo-as a um nível tal que a recuperação possa ser feita de modo responsável, sem danificar o arquivo e sem causar problemas de saúde aos envol- vidos e ao meio ambiente.

Arquivos escolares

Neves & Martins (2008) ressaltam que as fontes de pesquisa his- tórica colaboram para a “permanência” de memórias escolares, bem como para a valorização da cultura material da escola:

O trabalho referente às fontes de pesquisas escolares, assim como as motivações dos pesquisadores, que contribuem, posteriormente, para a organização desses acervos e sua divulgação, são importantes elementos para o diálogo entre a história e os sujeitos escolares, nos espaços de arranjo desses documentos (arquivos e/ou centros de documentação e memória, conforme o caso) e na própria escola. (p.38-9)

Considerando o documento como resultado de articulações entre objetivos e propostas de organização, desenvolvimento de atividades previstas por organismos de documentação e suas relações com o meio externo, os autores afirmam que o envolvimento de pessoas da escola na organização de sua própria documentação gera uma percepção da

escola como espaço cultural e a necessidade de torná-la mais conhe- cida, afastando algumas possibilidades de descaso no âmbito educa- cional e governamental, e ressaltam a importância da construção de arquivos históricos escolares para a valorização e compreensão dos processos pedagógicos, chamando a atenção tanto para a necessidade de esses arquivos serem mantidos na própria escola, quanto para a necessidade de a escola utilizar seus documentos abrindo seu acervo para a comunidade de pesquisadores.

Vidal (2007) – que investigou o cotidiano do Instituto de Edu- cação do Rio de Janeiro – preocupa-se com a utilização e valorização de documentos mantidos pelas escolas como fontes históricas. A au- tora também desenvolveu, durante quatro anos e com a ajuda de pro- fessores, alunos e administradores da escola, o projeto “Preservando a memória do Ensino Público paulista: a Escola de Aplicação (Feusp), 1959-1999”. Nesse estudo, os alunos envolveram-se em todas as etapas (tomados os devidos cuidados quanto à documentos de acesso restrito). Nos termos de Vidal, tal como historiadores, os alunos tra- balhavam em sala de aula recriando a história da escola e da comuni- dade com base nos documentos escolares. O exercício de organização do arquivo escolar, compartilhado por professores e alunos, mobi- lizou a comunidade escolar a doar documentos para o acervo, estrutu- rando o Centro de Memória da Escola de Aplicação, que, segundo a autora, foi nomeado pelos alunos como Memo.

O Memo efetuava, assim, a síntese de dois movimentos simultâneos e convergentes: criava condições para a realização da pesquisa histórica em educação pela disponibilização de um farto conjunto documental a investigadores internos e externos à instituição escolar (respei- tando -se as condições inerentes a um espaço de frequência de alunos e aos critérios da gestão administrativa da documentação); e permitia que alunos e professores se assenhoreassem do papel dos construtores e conservadores da memória educacional. (Vidal, 2007, p.63)

Considerando sua experiência, a autora elenca quatro temas centrais à pesquisa com acervos escolares: a relação entre arquivos

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corrente e permanente, a natureza do documento em educação, a problemática do descarte e a finalidade de preservar a documentação escolar.

Por um lado, os gestores da educação, segundo a autora, em sua grande maioria, tendem a se preocupar com o arquivo corrente (ou “vivo”), que tem importância mais funcional quanto às atividades bu- rocráticas da instituição de ensino. Por outro lado, há as queixas de pesquisadores em História da Educação quanto ao descaso das escolas com seus documentos antigos (o arquivo “morto”), que, com rarís- simas exceções, não têm mais valor legal nem são úteis burocratica- mente. Nesse impasse entre importância e negligência, entre arquivos ativo e inativo, a “solução” proposta pela autora envolve a possibili- dade de um trabalho conjunto entre as secretarias de escolas, arqui- vistas e historiadores para que nem o descarte crie as lacunas das quais os pesquisadores se queixam, nem fique a escola inoperante tendo em vista o pouco espaço e a demanda crescente de documentos. Propõe, ainda, uma reflexão acerca da noção de documento escolar e um con- sequente encaminhamento de ideias sobre o que preservar e o que descartar.

[...] é imprescindível um diálogo constante entre arquivistas, educa- dores e historiadores da educação na criação dos instrumentos de destinação, na implementação do trabalho e na avaliação (contínua) da sistemática instaurada. É fundamental também a contratação e formação de funcionários que possam atuar de maneira especializada na gestão documental. Por fim, é imprescindível que as ações não se restrinjam ao âmbito administrativo, mas que acolham e estimulem a participação de toda a comunidade escolar com o fito de conferir sig- nificado social à atividade. Afinal, todo esse movimento só se justi- fica porque se sustenta na proposta de preservação da memória e de fortalecimento da cidadania por parte dos sujeitos da educação es- colar. (Vidal, 2007, p.65-6)

Segundo a pesquisadora, é muito mais fácil encontrar, em ar- quivos escolares, documentos relativos às atividades administrativas

do que indícios acerca dos processos de ensino e aprendizagem. Em- bora alguns desses últimos documentos sejam encontrados, a autora assinala para uma “espécie de hierarquia [que] orienta o processo: são ainda mais dificilmente localizáveis os registros efetuados por alunos do que os feitos por professores” (p.66). Se a escola tem sua história estruturada por meio de registros escritos, as relações pedagógicas efetivam-se mais marcadamente pela oralidade, que enreda as tramas do cotidiano. Embora não esteja argumentando pelo aumento da massa documental sob a guarda da escola, a autora alerta quanto à “necessidade de um olhar mais atento para a dimensão da oralidade na constituição dos fazeres escolares e, nessa medida, para o exercício do arquivamento” (p.67).

Além dos registros escritos e orais, há ainda os recursos materiais, como os lápis de pedra, o mata-borrão, as lousas de uso individual, dentre outros – a cultura material escolar que, segundo Vidal (2007), “[...] nos permite conhecer as estratégias de conformação da corporei- dade dos sujeitos impostas pelos mecanismos do poder, ao mesmo tempo [que] pode trazer elementos para a percepção de táticas de subversão inventadas por alunos e professores” (p.68). Assim, o que e como preservar e descartar?

A proposta seria que, a partir de negociações entre historiadores, arquivistas, educadores e gerenciadores, a escola pudesse, em contato com museus escolares e centros de documentação e de memória, dis- ponibilizar seu acervo ou criar condições para mantê-lo envolvendo o micro (as ações individuais de docentes, discentes...) e o macro (o poder público) na problemática do descarte. O acúmulo de documen- tação escrita ocorre não apenas devido à produção contínua, mas também devido às modernas técnicas de preservação documental que garantem uma “vida útil” bem maior aos documentos antigos.

A digitalização, por exemplo, poderia ampliar as possibilidades de acesso aos acervos. Entretanto, esses processos são rapidamente superados, e a necessidade de atualização de um equipamento, pro- cesso ou software pode gerar uma tarefa complementar e infindável a ser desempenhada por “escribas eletrônicos”. Mas é impossível re- cusar os avanços tecnológicos, pois, para além de seu crescimento ace-

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lerado, “a linguagem digital tem permitido a construção de outras práticas de escrita e leitura, que oferecem maneiras novas de orga- nizar, hierarquizar e distribuir a informação e combinações de estí- mulos visuais e sonoros impensáveis para o suporte papel” (p.36).

Segundo Vidal (2000), é necessário, pois, um diálogo com a Ar- quivologia, essa prática criada no século XIX que tem procedimentos a partir dos quais um documento é avaliado segundo sua importância burocrática e legal, e que poderia regular a manutenção e o descarte de fontes. De acordo com a autora, preservar documentos não significa guardá-los todos, mas cuidar de avaliá-los, descartando o “desneces- sário e criando condições mínimas de sobrevivência do suporte físico (materialidade) e da informação do documento” (p.39). Isso envol- veria certo conhecimento sobre técnicas de higiene, registro, organi- zação e acondicionamento.

No caso do Grupo Escolar Eliazar Braga, o acervo trabalhado foi selecionado de um corpo bastante grande, ainda que homogêneo, pois no porão do antigo prédio havia documentos de 1920 até os dias atuais. Nosso trabalho – que, reiteramos, não envolvia somente o es- tudo do acervo para construção de versões históricas daquele grupo escolar, mas também um processo de organização/recuperação do acervo que, como ficou evidente, era um dos interesses centrais dos nossos parceiros de pesquisa no município – cuidou de separar desse corpo documental apenas os registros referentes ao período de vi- gência do grupo escolar, ou seja, os anos de 1920 a 1975.

A preocupação com o processo de higienização, recuperação (se- gundo as possibilidades técnicas e econômicas dos envolvidos), orga- nização, cadastramento e estudo desse acervo (com cerca de novecentos documentos) implicou parcerias com a Escola Municipal Eliazar Braga, as secretarias de Educação e Cultura de Pederneiras, o CNPq, alunos de licenciatura em Matemática – que tiveram as primeiras fases de suas pesquisas de Iniciação Científica vinculadas a esse pro- cesso – e a Faculdade de Ciências da UNESP/Bauru, que nos cedeu uma sala climatizada para alocação e recuperação do acervo. O tra- balho de higienização, recuperação e organização dos documentos se- guiu as orientações do manual de Baeza (2003), escolhido por ser de

fácil acesso (é disponibilizado em site oficial do Instituto Mario Covas) e conter indicações simples, claras e exequíveis, características que visam a facilitar a consulta por parte dos responsáveis pelo ar- quivo. O arquivo esteve alocado na UNESP, sob nossa responsabili- dade, de abril de 2007 a setembro de 2009, gerando vários estudos ligados à dinâmica escolar do Grupo Eliazar Braga.19

A pesquisa de Kakoi (2008) dedicou-se à elaboração de um catálogo contendo um mapeamento dos conteúdos de cada um dos documentos do acervo, visando a facilitar a consulta ao material recuperado.20

19. O acervo das escolas isoladas (núcleos escolares – usualmente rurais – vinculados administrativamente ao grupo escolar) não foi considerado nesta pesquisa, mas foi também, posteriormente, recuperado e devolvido ao município de Pederneiras. 20. O texto a seguir é parte do relatório de iniciação científica de Kakoi (2008). A des-

crição do acesso ao acervo e da recuperação, higienização e sistematização dos ma- teriais, feita por Kakoi no texto, é um excelente roteiro de atividades para o trabalho com arquivos escolares, posto que, ao mesmo tempo, é exequível a equipes não es- pecializadas e não negligencia os cuidados mínimos necessários a uma empreitada como essa:

“No ano de 2007, foi possível, após algumas reuniões com a Secretária de Edu- cação do Município de Pederneiras – sra. Tereza Hilário da Silva – e com a di- reção da atual Escola Municipal Eliazar Braga, que funciona no antigo prédio do Grupo Escolar, termos acesso ao arquivo inativo da Instituição, guardado até então no porão. Feita uma prévia separação, organização e catalogação, o material foi provisoriamente removido para uma sala climatizada, disponibilizada pelo Departamento de Matemática da UNESP/Campus de Bauru. Alocados no porão encontravam-se todos os tipos de documentos usuais ao funcionamento de uma instituição de ensino, como por exemplo: livros de atas, termos de visita, mapas de movimentação, boletins de frequência de professores, dentre outros. Junto também se achavam os documentos das Escolas Isoladas vinculadas ao Grupo Escolar Eliazar Braga. No entanto, esta pesquisa não se dedica ao estudo do ar- quivo dessas Escolas Isoladas (outro projeto cuida dessa documentação), apesar de reconhecermos a importância dessas escolas no contexto educacional da época. Com visitas agendadas junto à direção da escola para o trabalho in loco no ar- quivo, primeiramente foi separado todo o material do Grupo Escolar relativo ao período de 1920 a 1975, datas de criação e extinção do Grupo, dado que também havia na sala documentos mais recentes e de outras instituições. Em decorrência da poeira excessiva, o material foi previamente higienizado, no próprio local, com flanelas, seguindo-se uma separação em blocos por tipo e espécie [por exemplo, livros de frequência (tipo) foram subdivididos entre frequência de alunos e de professores (espécies)]. Feita a separação e organização prévia do arquivo, ainda

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Foram resumidos todos os livros de atas (de exame, de reuniões peda- gógicas, da caixa escolar, dentre outras) do arquivo, bem como a lo- calização de cada volume no conjunto, além de uma explicação geral da natureza, função, características e condições de cada documento.

no porão, esboçou-se um catálogo em que cada documento foi listado. Essa lis- tagem foi conferida por uma historiadora do município de Pederneiras, especial- mente designada para a conferência do material antes de sua remoção. Num ambiente mais adequado, a sala do GHOEM na UNESP/Bauru, de melhor es- trutura física e tecnológica, dada a existência de computador, impressora, scanner, ar-condicionado, dentre outros recursos, iniciou-se o trabalho mais minucioso de higienização, recuperação, complementação e manutenção do arquivo. Iniciou-se também um trabalho paralelo de constituição de acervo iconográfico relativo ao Grupo Escolar a partir de registros disponíveis na Instituição e outros materiais recolhidos junto à comunidade do município; e foi iniciada a coleta de depoi- mentos com antigos alunos, professores, administradores e funcionários do Grupo Escolar. Paralelamente, foram estudadas estratégias para a formação em serviço dos professores das redes municipal e estadual da cidade de Pederneiras, visando a implantar em salas de aula projetos cujo tema central seria o conceito de ‘historicidade próxima’. Foram também pensados modos de comprometer a co- munidade escolar com o processo de recuperação do arquivo e convencê-la da importância desse resgate para a história das instituições escolares do município. Quanto à questão técnica, nesse processo de recuperação do arquivo ‘morto’

seguimos as indicações de Baeza (2003). De acordo com os procedimentos reco- mendados, o arquivo – já na sala climatizada da UNESP – foi adequadamente higienizado, retirando a poeira existente e as peças de metais que enferrujavam os papéis, deteriorando-os com o passar do tempo. Foram também retiradas fitas adesivas velhas que amarelavam os documentos e, em alguns casos, omitiam gra- fias, citações e datas (problemas também notados com as ferrugens). As peças de metal foram substituídas por outras, de plástico, visando a conservação (manu- tenção) e maior durabilidade do arquivo. Os documentos unidos por clips e grampos metálicos foram separados por folhas de almaço buscando preservar os grupos de papéis. Livros antigos foram re-encadernados e todos os livros do

Benzer Belgeler