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gloBAl İŞlem HAcİmlerİ

Belgede YAZ 2014 (sayfa 56-60)

Ao contemplar os resultados das tabelas 2 e 4, a definição de ser mexicano é contundente (84%), ligado ao fato de serem religiosos com o diferencial de “católicos”. As tabelas 4 e 5 constatam ainda um elemento de acréscimo, superando o elemento vital da tradição. Sua definição está em ser “praticantes” (50% em San Diego e 70% em Phoenix), informação corroborada com a assistência e frequência que outorgam os membros à sua religião e também onde as duas regiões mostram altas porcentagens de participação (45% e 60%).

Estes dados podem destacar dois pontos: um deles consiste em afirmar ao lado de Parker52 de como as identidades religiosas não estão construídas a partir de uma premissa ideológica, mas de uma premissa simbólica-cultural, pois o critério de definição inicial está baseado em uma herança nacional que lhe pertence aos sujeitos de uma forma natural, e que no momento de procurar dar continuidade à sua experiência religiosa em sua condição de migrante, adquire novos dinamismos que não negam suas aquisições anteriores, mas que, pelo contrário, adiciona-lhe:

“Eu já era católico, mas aqui aprendi o que é ser católico de verdade.”

Felipe

“Eu nasci e cresci com um grande amor à Virgem de Guadalupe; aqui nos EUA tenho conhecido sua história, e agora sou parte de um grupo Guadalupano.”

Hilda

“Não tinha consciência de que havia tantas religiões. A minha é ser católico.”

Juan

Além disso, ao se envolver em uma prática reconhecida e aceita na sociedade de destino, devido à importância que a tradição católica tem dentro dos Estados Unidos, os

sujeitos ganham um lugar e uma identidade como ponto de referência. O anonimato e a invisibilidade, própria da experiência dos migrantes, se reduz na medida em que tal vinculação se estabelece e se afirma. Neste sentido, a tabela 3 demonstra como a elevada porcentagem de mexicanos indocumentados (62%) se encontra em sua religião voz e reconhecimento. O preço de serem estrangeiros diminui, na medida em que a religião lhes apresenta um espírito de familiaridade, que faz com que eles se sintam em casa, isto é, a hospitalidade é a expressão de um ambiente étnico-religioso.

Um segundo ponto envolve a evolução desta identidade: na medida em que se manifesta como uma prática de afirmação, seu significado pode ganhar um novo horizonte e proporcionar uma transformação que vai além de ser religioso no campo social. Odgers53 usa a palavra “ressignificação” para explicar como uma prática antes normal, ao mudar de coordenadas geográficas, pode modificar seu valor e uso. Um exemplo desta visão encontra-se na tabela 6, onde ambas as regiões coincidem em dar um valor especial ao fato de rezar e celebrar sua fé na sua própria língua: o espanhol.

Muito mais do que usar o idioma “espanhol”, a língua ganha um valor por parte dos imigrantes mexicanos onde rezar ganha “sabor”, onde celebrar é sinônimo de união e onde o entender a mensagem em seu idioma será conhecimento. Esta é uma das razões porque o “hispânico ou latino” luta para ser reconhecido em muitas igrejas e dioceses. Não é uma negação de querer aprender o inglês como tal, e sim uma mostra de ratificar a indissolubilidade que para muitos existe entre religião e língua. Ou seja, orar sem traduzir, celebrar sem explicações extras ao que já é portador de sentido.

Os dados estatísticos do Capítulo I mostram que, de acordo com o último censo norte-americano há 50,5 milhões de hispânicos por lá, sendo que o grupo predominante é o mexicano devido sua porcentagem. Este grupo tem o poder de ir mudando lentamente a cultura com a arte, a gastronomia e a religião, entre outras. Nas igrejas, Califórnia e Arizona “falam espanhol”. Em San Diego, de 120 paróquias, 61 prestam serviços em espanhol, nada distante nem diferente de Phoenix, que com 110 paróquias e 10 missões, 70 atendem o fiel latino.

53 Olga ODGERS, “Identidad, religión y frontera: Representación social de la relación catolicismo /

Por outro lado, além da língua encontramos um espaço que envolve vários correlativos (por exemplo, zona, bairro, comunidade etc.) para o migrante mexicano, onde eles se percebem aceitos, onde eles experimentam a hospitalidade, e ainda mais, onde a religião lhes diz: “bem-vindos, welcome”. Esse lugar é a paróquia. Nas duas regiões investigadas aparece um grau de identificação e reconhecimento deste elemento (70% e 60%) como espaço ideal para se encontrar com a sua fé e, assim, estabelecer laços comunitários.

Embora a paróquia seja um espaço tradicional, não exclui sua funcionalidade, porque aqui tem uma conotação distinta e essencial para a prática da religião: ao saber que nem todas as igrejas são as mesmas e ter contato com o pluralismo religioso inexistente para eles até então, agora pode encontrar-se, ou pelo menos desenvolver suas práticas populares, como por exemplo, contemplar uma Virgem de Guadalupe, rezar novenários, celebrar o Dia dos Mortos etc., em um espaço que favorece se sentir mais cômodo e reconhecido em um país que não lhe pertence até o momento, mas que lhe pertencerá na medida em que se aproprie desse espaço. Assim poderão afirmar: “minha paróquia é Guadalupana, na minha paróquia todos nos conhecemos”. Desta forma a sociedade de acolhimento torna-se uma embaixada religiosa, é algo de lá (México) e um pouco daqui (EUA), com elementos e traços característicos do transnacionalismo religioso.

A paróquia para os migrantes na teoria de Hirschman se aplica bem o conceito dos três “Rs”, explicado no capítulo anterior. No entanto, uma das entrevistas destaca o papel deste espaço comunitário e faz com que se valorize mais sua religião. Esta é a sua história:

“E o sacerdote disse-me: vou dar-lhe

uma cesta de comida para levar para casa. Seu nome irá para a associação de São Vicente de Paulo para ajudá-la a conseguir um emprego.

Você não está sozinha, você nos tem a nós. Em seguida, de sua mesa de trabalho tirou um envelope que tinha esta quantia ($$$), dizendo que era para mim. Minha paróquia me ajudou quando mais precisava. Esta é a igreja que

eu conhecia no meu país, estou no lugar certo.”

Do relato acima, a paróquia revela uma ação famíliar que o migrante identifica: a assistência social. No entanto, chama a atenção de maneira especial a última frase, que mostra como sua referência local se visualiza com suas “identidades religiosas transnacionais”, de como o indivíduo desenvolve uma consciência de presença a uma comunidade além de um território circunscrito. Em contextos migratórios, devoção e ritual ocorrem independentemente da territorialidade, mas em forma similar que o social, e estão presentes na medida de sua necessidade: assim como em meu país são realizadas procissões, aqui também; assim como lá existe ajuda social, aqui também.

Este processo, que dá origem a este “vínculo”, induz ao que Ortiz54 chama de ritual de desterritorialização e reterritorialização. Eles acontecem a partir de dinâmicas translocais entre duas unidades territoriais: a de origem e a de destino. Consiste em importar uma religiosidade católica, fortemente marcada pelas particularidades locais, que favorece a formação “étnica e ritual” de paróquias no país de acolhimento. Como resultado, concede e fornece ao migrante a experiência de sentir que a sua religião não é estrangeira, mas que já faz parte dele.

“Sempre recomendo minha igreja a outros. Digo-lhes que é como sentir-se no México.”

Wladimir

Belgede YAZ 2014 (sayfa 56-60)

Benzer Belgeler