3.BÖLÜM: 1876 BULGAR MESELESİ’NDE İNGİLİZ KAMUOYU
3.4. Gladstone ve Disraeli’nin Hadiselere Yaklaşımları
A noção de Retórica é trazida à tona por Perelman (1997), principalmente com base nos estudos de Aristóteles. Porém, o autor afirma que Aristóteles peca ao dizer que o objeto da retórica é o verdadeiro e que o próprio “confunde, aliás, com o verossímil.” (PERELMAN, 1997, p. 66). Porém, segundo Perelman (1997), o objeto da retórica é o opinável. Assim, justifica que uma das razões do declínio de um conceito fundamentado na retórica é que esse não prioriza o juízo de valor. Quer dizer, mais vale conhecer o verdadeiro, o certo, com bases filosóficas, do que se preocupar com a retórica e opiniões enganadoras.
Considerando as reflexões de Perelman (1997), observamos que elas permeiam por várias disciplinas, em especial, a Psicologia e a Lógica, e têm como objeto, segundo as próprias palavras do autor, “o estudo dos meios de argumentação, não pertencentes à lógica formal, que permitem obter ou aumentar a adesão de outrem às teses que se lhe propõem ao seu assentimento”. (PERELMAN, 1997, p. 57).
Existe um embate entre a lógica e a retórica, o que, para Perelman quer dizer, em uma outra dimensão, uma luta entre a verdade e a opinião. Essa distinção se dá pela introdução da noção
de juízo de valor, o que modifica a relação entre a lógica e a retórica, em especial a compreensão dos gêneros oratórios (deliberativo, judiciário e epidíctico).
A noção de juízo de valor se refere às premissas nas quais os discursos deliberativo e judiciário se apoiam, o que, por sua vez, são sustentados pelo discurso epidíctico. Essa noção veio esclarecer muitas questões debatidas pelos antigos, como, por exemplo, o fato de não compreenderem totalmente o papel e a natureza do discurso epidíctico.
Nesse sentido, essas questões acabaram por influenciar uma divisão da retórica em uma tendência filosófica e outra literária. A filosófica tem por objetivo incluir as discussões à lógica, em que cada adversário quer mostrar que sua opinião tem a seu favor a verdade. E a literária tem por objetivo o desenvolvimento do aspecto artístico.
É a partir dessa divisão da retórica que Perelman encontra aspectos da lógica e da sugestão em relação à argumentação. Assim, Perelman (1997) denomina de retórica o que, segundo ele, pode-se chamar também de lógica do preferível. Ressaltamos que o importante para Perelman é o estudo dos argumentos a partir da adesão de uma determinada opinião e não de outra.
Para a lógica, ao contrário da retórica, as ideias fazem parte do real, do verdadeiro. Como afirma Perelman, “[...] a nossa pessoa não intervém em nossas asserções; a proposição não é concebida como um ato da pessoa.” (PERELMAN, 1997, p. 74). O que difere da retórica, já que a pessoa a partir de sua própria adesão colabora para o valor da proposição.
Outra diferença existente entre a lógica e a retórica é o fato de que na retórica é possível se questionar sobre tudo, já que a adesão pode ser retirada e não existe uma repressão, uma vez que uma pessoa tenha sido coagida, ela pode renunciar sua proposição inicial. O que não acontece na lógica, visto que a argumentação é sim coerciva. Nesse sentido, a argumentação presente na lógica e na retórica é assim defendida por Perelman:
Já que, em lógica, a argumentação é coerciva, uma vez provada uma proposição, todas as outras provas são supérfluas. Em contrapartida, em retórica, como a argumentação não é coerciva, coloca-se um grave problema a cada interlocutor: o da amplitude da argumentação. Em princípio, não há limite para a acumulação útil dos argumentos e não se pode dizer de antemão quais provas serão suficientes para determinar a adesão. Teremos assim justificação para fazer uso de argumentos que seriam não só inúteis se um deles fosse aceito, mas se excluem de certo modo [...]. (PERELMAN, 1997, pp. 79 e 80)
Isso se explica pelo fato de que o raciocínio da lógica se desenvolve dentro de um sistema supostamente aceito e estabelecido de forma invariável, já a argumentação retórica se desenvolve em um sistema variável, que dá abertura a questionamentos.
E ainda, o autor afirma que a argumentação lógica é coerciva porque é baseada em dados mais precisos do que na argumentação retórica, o que acaba provocando uma ambiguidade por não ser pautada no raciocínio formal, diferentemente da lógica.
Como afirma Perelman (1997, p. 93), “o objeto da lógica é o estudo dos meios de prova.” Quer dizer, o estudo da prova formal é a proposta da lógica formal, que por sua vez, possui como uma de suas características a ausência da controvérsia em seus raciocínios.
Entretanto, vale ressaltar que a utilização da escolha de maus argumentos provoca diferentes consequências quando o raciocínio é baseado pela lógica ou pela retórica. Na lógica, uma premissa falsa não altera - se provada de uma outra maneira - a verdade de uma consequência. Em contrapartida, no raciocínio retórico, o dano causado pela utilização de um mau argumento pode influenciar diretamente no resultado que um orador pretendia que fosse alcançado por seu auditório, causando até um efeito contrário do esperado, uma vez que a escolha dos argumentos pode comprometer toda a argumentação.
Contudo, em determinadas áreas de estudos são necessários tipos de raciocínios diferenciados e específicos que não caberia somente à escolha do orador, uma vez que certos argumentos não se aplicam a certas situações. Dessa maneira, explicita Perelman:
Contrariamente a Platão, e mesmo a Aristóteles e a Quintiliano, que se empenham em encontrar na retórica raciocínios como os da lógica, não cremos que a retórica seja apenas um expediente menos seguro, que se dirija aos ingênuos e aos ignorantes. Há áreas, a da argumentação religiosa, a da educação moral ou artística, a da filosofia, a do direito, em que a argumentação tem de ser retórica. Os raciocínios válidos em lógica formal não podem ser aplicados quando não se trata nem de juízos puramente formais nem de proposições que têm um conteúdo tal que a experiência baste para esteá-las. (PERELMAN, 1997, p. 87)
Desse modo, Perelman diferencia mais uma vez a retórica da lógica por a primeira se preocupar com a adesão, não se valendo necessariamente da verdade. Quer dizer, o que vale realmente é aumentar a adesão do auditório a partir de uma dada tese. Porém, para que essa adesão aconteça é necessário que o orador e seu auditório façam parte de uma mesma
comunidade, a fim de que possa ser de interesse comum o problema em questão. Portanto, o auditório é a peça fundamental em uma argumentação retórica.
Assim, Perelman centraliza seus estudos na questão da lógica relacionada com o real social, enfatizando os meios de argumentação para se obter a adesão. Ou seja, sua pesquisa gira, a todo o momento, em volta da argumentação. A argumentação no que diz respeito aos procedimentos utilizados pelo sujeito, com o intuito de convencer um terceiro. São esses procedimentos, como e em que situações são usados, que fazem parte desse jogo da argumentação.
Nesse âmbito, o papel principal do orador é persuadir, por meio de técnicas argumentativas, seu auditório. Desse modo, Perelman e Tyteca (2005) diferenciam dois tipos de argumentação: a persuasiva e a convincente.